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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

De pernas para o ar

 

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Qualquer pessoa de cabeça aberta, e de sapato desimpedido de pedras, percebe que o tema do imposto sobre o património imobiliário que Passos Coelho anunciou, criou e não cobrou, se transformou numa certa trapalhada quando este governo lhe tocou. Fosse porque foi a Mariana Mortágua a mandar-se de cabeça, fosse porque não estava consistemente estruturado para vir ao mundo, ou fosse até para ser mesmo assim, para ver no que dava, a verdade é que não correu lá muito bem. 

Disso aproveitou o exército da opinião publicada ao serviço dos interesses e da ideia dita neo-liberal para ir bem mais longe e virar tudo de pernas para o ar. 

Marques Mendes disse ontem do seu púlpito na SIC - e sabe-se como é importante o que diz, dito sempre sem qualquer obstáculo contraditório - que este caso está para António Costa como a TSU esteve para Pedro Passos Coelho, há precisamente quatro anos. Não está, nem pode estar, por muitas e variadas razões. A primeira das quais é que os interesses atingidos são diametralmente opostos...

Não sendo verdade é, no entanto, a cereja no topo do bolo do argumentário da barreira que foi erguida para impedir este novo (velho) imposto. Comparar a reactivação deste imposto sobre o património, que incide sobre uns poucos milhares dos cidadãos mais abastados, com a transferência da contribuição para a TSU da entidade patronal para os trabalhadores, que atingia todos os trabalhadores por conta de outrem,  é o toque final na campanha de manipulação da opinião pública montada para o matar à nascença. Súbtil, em nome da eficácia! 

"Duas partes distintas!

 

 

Afigurava-se muito difícil este jogo que opunha, em Chaves, as únicas duas equipas ainda invictas na prova.

A primeira parte confirmou em absoluto essas dificuldades, e mostrou um jogo com muito Benfica (dois terços de posse de bola) mas pouco bem, e pouco Chaves, mas muito bem. Que não precisava de ter muita bola para jogar bem e, em dois ou três passes, colocar jogadores na cara do guarda-redes Ederson, regressado à baliza nos jogos do campeonato (a sugerir que Rui Vitória vai provocar a alternância com Júlio César em jogos, que não em competições).

Muito bem posicionada e com um meio campo muito pressionante, a equipa do Chaves recuperava a bola em zonas adiantadas do campo, e por isso não precisava de muito para a colocar em zona de remate. O Benfica revelava dificuldades de posicionamento em André Horta, e até em Fejsa, sistematicamente abafados pela pressão dos jogadores adversários.

Deste jogo resultaram dois golos anulados por fora de jogo – bem, o anulado ao Chaves, mal – erradamente – o anulado ao Benfica, e duas grandes oportunidades de golo – uma para cada lado. Falta de sorte para o Chaves, com a bola a bater duas vezes no poste e, à terceira, a sair ao lado. Grande defesa do guarda-redes flaviense, na grande oportunidade do Benfica.

Na segunda parte o jogo foi outro. Porque o Benfica, mantendo embora os mesmos jogadores, rectificou posições (especialmente André Horta, que subiu mais). Mas também porque o jogo que o Chaves fizera precisa muito de pernas e de pulmão. E a equipa já não tinha nem pernas nem pulmão para tanto. Nem havia vídeo motivacional que os trouxesse de volta... 

E começou a perceber-se que o Benfica iria ganhar o jogo, mesmo que Rui Vitória continuasse a insistir no sub-rendimento de Salvio. Que penaliza duplamente a equipa: pelo seu próprio défice de rendimento e porque obriga a atirar Pizzi – jogador fundamental neste futebol do campeão – para a esquerda, onde rende também menos. E a verdade é que o primeiro golo só chegou (Mitroglu, aos 69 minutos) depois de Salvio ter deixado o campo, aos sessenta.

Antes, ainda mais um golo anulado ao grego. Desta vez bem.

Com vinte minutos para jogar, com o jogo da primeira parte ainda fresco na memória, e com a propensão da equipa para sofrer sempre o seu golito, ansiava-se pelo segundo, para matar o jogo. Que chegou, por Pizzi, um quarto de hora depois. E mais duas ou três oportunidades para aumentar o score

Sempre sem que o Chaves sequer assustasse.

No fim, vitória clara e mais fácil do que as dificuldades da primeira parte fariam supor. Num jogo com duas partes distintas - como se diz em futebolês - onde, ao contrário do que é normal por este país fora, o Benfica não jogou em casa

Generosidades*

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De repente, um livro – desculpem-me se exagero na designação – que teria pela frente todo um longo caminho comercial até chegar a best seller, alarga o passo e, de uma só vez, sem investir um tostão em marketing e publicidade, salta para as estantes com uma campanha promocional nunca vista, com as portas das vendas completamente escancaradas.

Mérito do editor, profundo conhecedor dos segredos do negócio?

Mérito do autor, ilustre escritor, distinto Nobel, ou emérito investigador e pensador?

Nada disso. O editor é de primeira linha, mas sem investimento não faz milagres. E o autor … Bom, já lá vai o tempo em que garantia que um dia haveria de chegar a Nobel… 

O mérito é todo – todinho – de Pedro Passos Coelho. Aceitou o convite para apresentar uma coisa que toda a gente tinha por verdadeiramente pornográfica. Intelectualmente pornográfica. E ao que se diz – porque não a li, nem tenciono fazê-lo porque tenho mais que fazer – também de facto muito próxima da pornografia. E ao aceitar fazê-lo acendeu nas redes sociais, e na comunicação social em geral, uma gigantesca campanha que não mais se apagou, com reacções que, se não chegaram para rasgar vestes, deram pelo menos para rasgar cartões do partido.

Três dias depois de reafirmar a sua intenção de assegurar essa apresentação, porque admirava o autor e não era homem de voltar com a palavra atrás, deu o dito por não dito. E pediu ao autor que o desobrigasse do compromisso…

Não lhe vale de muito, esta inflexão. Não lhe acrescenta nada, antes pelo contrário. Mas vale muito, e acrescenta ainda mais, à campanha que generosamente ofereceu à obra do seu amigo… Que já nem de apresentação precisa. O livro, a coisa, está já à venda. A todo o vapor, como seria inevitável num país como o este…  

 

 * Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Outono

 

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Acabou de chegar. Eram 15 horas. E vai por cá estar até 21 de Dezembro, uns dias melhor, outros pior. Nuns dias, com cores únicas, que mais ninguém tem. De cortar a respiração. Noutros, numa única cor. Naquele cinzento bem carregado, que nos deixa carrancudos. Quase de mal com a vida. 

Habilidade e destreza

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Durão Barroso referiu-se pela primeira vez, por viva voz e em francês, à reacção da Comissão Europeia à sua contratação pelo Goldman Sachs. E disse, em bom francês que eu bem ouvi, que não tinha feito nada de irregular, e que não compreendia tanto barulho à volta do seu nome, quando Mario Draghi, que foi vice-presidente executivo do mesmo Goldman Sachs, preside ao Banco Central Europeu sem qualquer problema.

Sempre habilidoso, este Durão Barroso... Veja-se bem a destreza com que maneja a ventoínha ...

 

 

 

Aqui não há cão. Nem gato...

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Três dias depois de garantir "que não era pessoa de voltar com a palavra atrás em de dar o dito por não dito", Passos Coelho desdiz-se mais uma vez e diz que não vai, afinal, apresentar aquela coisa do Saraiva. Que, generoso mas surpreendido. compreende e acaba mesmo por suspender a apresentação.

Esta inflexão do antigo primeiro-ministro não lhe vale de muito. Nem lhe acrescenta nada que não o grau de todos os defeitos que fazem dele um dos mais rascas subprodutos da política portuguesa. Com a absurda leviandade de, preso a uma fidelidade canina, ter aceitado associar-se a um livro deplorável, Passos confirmou ausência de princípios, em especial dos da ética e da responsabilidade, que têm de nortear quem já foi, e aspira voltar a ser, primeiro-ministro. 

Não precisava disto para negar a sua categória afirmação de três dias antes. Quando a proferiu já ninguém tinha dúvidas da sua facilidade em dar o dito por não dito. Não, não é este um caso de "preso por ter cão e preso por não ter cão". Aqui não há cão. Nem gato... Nem vergonha. Nem nada...

 

 

 

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