Por Eduardo Louro
O presidente do Conselho de Administração da RTP, Guilherme Costa, foi apanhado de calças na mão no notável caso da contratação de Paulo Futre.
A Direcção de Programas decidiu contratar o antigo futebolista que virou entertainer naquela inenarrável conferência de imprensa da campanha de Dias Ferreira para a presidência do Sporting. Diz-se que era para comentar o europeu de futebol na estação pública, e ofereceram-lhe, para isso, 30 mil euros por mês. Consta que qualquer coisa como o sêxtuplo do que a TVI lhe pagara para o programa que agora terminou com uma rábula de fuga (a captura do ex-craque para ir cumprir o que lhe restaria do serviço militar) bem ao nível da sua qualidade e da dos protagonistas!
Não importa agora – embora, evidentemente, importe e muito a noção de serviço público e de gestão dos dinheiros públicos desta gente que manda na RTP – se a contratação faz algum sentido. E não faz, obviamente. Desde logo porque o Paulo Futre não é comentador do que quer que seja, nem de futebol. Importa que o ministro Miguel Relvas - que não tira o olho da RTP - soube da marosca e mandou parar o baile. Com estrondo, em voz alta e grossa!
Guilherme Costa começou por dizer ao ministro e à comunicação social que não sabia de nada. De calças na mão!
Depois, passou a dizer que afinal sabia dessa intenção, mas que só por cima do seu cadáver. Que ele nunca assinaria uma coisa daquelas. E de novo de calças na mão!
Finalmente, ao que se diz, a Direcção de Programas vai levar mesmo a sua avante. Vai mesmo contratar Paulo Futre, se bem que por muito menos dinheiro. Quanto muito menos é que se não sabe!
O presidente do Conselho de Administração da televisão pública é que já não está de calças na mão. Já as deixou cair por completo!
Por Eduardo Louro
François Hollande já é o novo Presidente da República Francesa. Tomou posse e partiu a correr para Berlim, ao encontro com a Srª Merkel. Ao encontro negado antes das eleições, mas logo requerido depois delas!
Não há changement! A haver changement, seria a Srª Merkl que estaria a esta hora em viagem… E aquele raio até seria o raio que a parta!
PS: Este texto foi escrito para publicar ontem, dia em que os enigmas da internet me trairam!
Por Eduardo Louro
No primeiro trimestre deste ano a economia caiu 0,1%. Menos que o esperado, e a permitir alimentar a ideia que se possa confirmar a quebra de 3% prevista pelo governo para este ano, em vez dos 3,5% previstos pela Comissão Europeia. Mesmo - quem sabe - a permitir a ideia que o fundo esteja perto e que lá estejamos a bater. Este conceito técnico de recessão garante-nos que ela alguma vez haverá de ser interrompida. Mas não nos garante que não haja mais fundo para além desse fundo. Basta ver que a queda da actividade económica neste primeiro trimestre é de 0,1% em relação ao anterior, mas já vai para perto dos 3% se comparada com o trimestre homólogo do ano anterior.
E o desemprego não pára de subir, bem para lá dos 14,5% que o governo estimava ser atingido lá para o final do ano. Já vai nos 15% e a procissão ainda agora saiu do adro!
Se alguém quiser festejar, se alguém quiser dizer que é apenas por uma escassa décima percentual que não saímos de recessão, e que o ponto de viragem está mesmo aí à mão, está apenas a vender banha da cobra. Mais que os números da recessão, pesam os números das suas consequências!
Por Eduardo Louro
A licença sem vencimento é uma das mais sólidas prorrogativas da (boa) vida portuguesa. Uma verdadeira instituição. Não reformável!
Exactamente, começo por uma impossibilidade. Reformar uma das instituições que não é mesmo reformável!
Basta ver que se fala de reformas estruturais a torto e a direito, que se corta no que o que até há bem pouco era inimaginável cortar-se. Que já ninguém ousa em falar de direitos, e muito menos dos adquiridos. Porque disso já não há!
Bom, há alguns. Mas são precisamente os daqueles que nos dizem que isso acabou…
A licença sem vencimento é o instituto mor dos direitos adquiridos. As pessoas – algumas pessoas, as que nos ensinam que isso de direitos adquiridos já foi chão que deu uvas, as que nos ensinam que devemos ser todos empreendedores, que não existem dificuldades, o que há é oportunidades - escolhem, normalmente logo no início da vida, um cadeirão numa das inúmeras salas do Estado – o tal que tem que emagrecer, que não deve existir para intervir em coisa nenhuma e cujas funções têm de ser reduzidas ao mínimo, para não atrapalhar, mas sem tirar de lá esses cadeirões – e sentam-se lá. São normalmente cadeirões com boas vistas. Desses cadeirões rapidamente saltam para uma das coisas boas que a vista alcança. É legítimo: procurar o melhor é o que compete a qualquer um! Nada é mais legítimo que procurar mudar para melhor. Se bem que todas as mudanças encerrem riscos.
Toda a gente muda procurando o melhor, mas pode não o encontrar. Quantos de nós, e se calhar quantas vezes, já mudou de trabalho vindo depois a arrepender-se? Pensando erradamente que estava a mudar para melhor?
Dificilmente encontraremos alguém que possa afirmar que mudou sempre para melhor. Que nunca se arrependeu de ter saído daqui ou dali. Ou porque o novo destino não confirmou as expectativas, ou porque não se adaptou às novas condições ou até porque a antiga origem acabou por seguir rumos e projectos bem mais interessantes do que então pudera perspectivar.
É o risco da mudança. Toda a mudança tem riscos!
Bem, toda, toda também não. Aquelas pessoas de que falava acima, que têm a possibilidade de escolher aqueles cadeirões, quando fazem essas opções deixam-nos reservados. Vão embora, para uma, duas, três novas experiências, muitas vezes para toda uma vida de novas e sucessivas experiências, mas sempre com o lugar reservado no cadeirão. É a licença sem vencimento, essa extraordinária e manhosa rede só ao alcance de alguns. Que lá está sempre disponível, no Banco de Portugal, nos Ministérios, na Segurança Social, na CP, na PT, na EDP, na CGD (e mesmo na banca privada), nas Universidades, na Estradas de Portugal, sei lá… Uma lista interminável. Onde acabam por ainda acumular reformas, quantas delas verdadeiramente pornográficas.
E não se pense que este instituto serve apenas umas centenas daqueles que começam a vida precisamente nesses cadeirões. Também há dos que dele fazem uso a partir de pequenas e menos confortáveis cadeiras, partindo daí para actividades privadas alavancadas na mesma cadeira, pouco confortável mas nem por isso menos alavanca. Acabam por regressar dezenas de anos depois para agarrar a totalidade da pensão de reforma que, muitas vezes, nem sequer tem expressão nos rendimentos de que usufruem.
A importância de acabar com este instituto esgota-se no ponto final num privilégio inaceitável? Não, se bem que isso - por maioria de razão nos tempos que correm - seja decisivo no plano moral e dos princípios. Mas, para além do que representam no agravamento da despesa pública, subsistem ainda uma série de anacronismos potenciadores de incompatibilidades, de jogos de favor e até de corrupção, que tornam o próprio Estado irreformável.
É por tudo isto que a primeira reforma estrutural a implementar teria mesmo de passar por proibir as licenças sem vencimento. Simples, barato e dava milhões!
Mas também essa ficará por fazer. Sabem porquê?
Sei que alguns estão a pensar que é porque prejudica a mobilidade. Mas não é por nada disso, apesar disso até poder servir de (hipócrita) justificação. A resposta seria dada se perguntássemos a todos os que decidem, ou contribuem para a decisão política, quantos deles recorreram a esta prorrogativa.
Aposto que seriam mais de 80%! Pois é: arriscar, empreender, sair do conforto é linguagem bonita… É a velha história da pimenta e do refresco!
Por Eduardo Louro
Têm-se mantido por aqui algumas rubricas. A mais antiga e a mais regular – todos os sábados – é o Futebolês, mas há outras: Gente Extraordinária, Coisas Intragáveis, Coisas da Publicidade, Coisas Indiscretas…
Hoje inicia-se outra: Reformas Estruturais. Essa coisa de que tanto e há tanto tempo se fala e que pouco se vê. Vão-se vendo algumas – ou vão-lhe chamando isso - mas são todos no mesmo sentido, atingindo apenas uns e sempre os mesmos…
É por isso que esta rubrica tratará de outras, daquelas de que ninguém fala mas que bloqueiam mais a sociedade portuguesa que muitas das outras!
Por Eduardo Louro
Pedro Proença é o árbitro da final da Champions.
Não há qualquer dúvida que é o árbitro mais influente de Portugal: determinante na decisão do campeonato e determinante na decisão de um dos finalistas da Taça. Mas ninguém imaginaria tanta influência na UEFA…
Por Eduardo Louro
O JP Morgan Chase, o maior banco dos Estados Unidos, perdeu no primeiro trimestre mais de dois mil milhões de dólares em novas brincadeiras com derivados. O Lehman Brothers não serviu de lição!
Simplesmente não aprendem. Ou serão como o escorpião?
O problema é que a rã morre sempre, não fica cá para contar. E os Goldman Sachs boys espalhados pelo mundo continuam a providenciar novas rãs, sempre disponíveis para os carregar às costas, rio fora até nova picada mortal…
Por Eduardo Louro
Verdade desportiva é seguramente o jargão do futebolês mais utilizado nos tempos que correm. Particularmente neste final de época!
A verdade desportiva é como qualquer outra verdade. É verdade que esta verdade anda à volta uma ideia mítica de correspondência entre o desempenho puro – bacteriologicamente puro – e o resultado produzido. Mas não deixa de ser verdade que cada um tem a sua verdade!
Verdadeiramente complicado!
A verdadeira fórmula de iludir a verdade desportiva é criar várias verdades desportivas. Se cada um tem a sua veja-se bem quantas podem existir, e de como é fácil iludir a verdadeira verdade desportiva. Que nem se chega a saber qual é!
Para baralhar mais isto há ainda quem, mesmo tendo a sua verdade desportiva, trate de arranjar mais umas quantas mentiras desportivas que, claro, vai apresentar como mais umas quantas verdades desportivas. Não há verdade desportiva que resista...
Mas como se isto não bastasse há ainda verdade desportiva produzida em laboratório. Não, não é essa, a bacteriologicamente pura. É a que é produzida nos programas desportivos das televisões onde, mesmo sem bata branca, estão aqueles cientistas que representam cada uma das três marcas que dominam o mercado.
Conseguem autênticos milagres, que só os não são porque, como se sabe, a ciência – de que são os mais ilustres representantes – não tem, nem quer ter, nada a ver com milagres.
Num desses programas, um deles, anda desde a terceira jornada do campeonato a dizer que, na sua verdade desportiva, o seu Sporting tinha mais dez pontos. Não é milagre mas está lá perto: ainda só estavam disputados nove pontos e já se declarava injustiçado em dez!
Para que o programa mantenha algum equilíbrio e não desate a inflacionar o mercado de verdades desportivas, mesmo ao lado, está outro que não se mete nessas coisas. Acha mais apropriado conviver com a verdade desportiva oficial, de preferência à mesa de um ex-líbris da boa mesa da capital!
Por outro desses programas passa um outro que também se esforçou ao longo de todo o ano por criar uma verdade desportiva. Nessa, o seu rival foi escandalosamente beneficiado em dez jogos e, eventualmente, ligeiramente prejudicado em três. Já o seu próprio clube, esse, foi sempre prejudicado, mas não é razão para se queixar…
Pois é, a verdade desportiva é uma treta. Essa é que é a verdade que afinal eles perseguem…
Mas nem por isso deixará de ser verdade que há verdades que são mentiras enormes. E essas são como o algodão: não enganam!
Validar um golo irregular nos últimos momentos de um jogo decisivo, ou transformar uma agressão a um avançado dentro da área numa falta desse mesmo atacante, num daqueles jogos em que se percebe que a bola não quer entrar. Levantar os braços e mandar seguir a dança quando o defesa abalroa – uma vez, duas vezes – o avançado contrário dentro da área, na parte final de um jogo que carimba o título. Encontrar sempre um penalti que em tempo útil desbloqueie um jogo que começa a complicar-se ou assinalar o penalti que convém quando a bola toca no ombro de um jogador que, de costas e em movimento rotativo, salta à entrada da área, e já não o assinalar quando outro deliberadamente – porque sabe que está protegido – a corta no interior da sua área. Expulsar um jogador que, depois de lhe ser assinalada um falta, deitado no chão, bate com a mão na relva, mas não expulsar outro que, a um metro da baliza, derruba por trás o adversário e o impede de fazer golo. Ou mesmo incompreensíveis quebras sucessivas de energia no estádio, para provocar idênticas sucessivas quebras de ritmo de jogo, são apenas alguns sacos dos cheios de pedacinhos de algodão…
E, já agora, será que também haverá verdade desportiva na atribuição do título de melhor marcador? Sendo, para além da definição de quem a acompanha a desgraçada União de Leiria na viagem para a Segunda Liga, a única decisão guardada para a última jornada, será que faz sentido que o Sporting - Braga seja jogado duas horas depois dos restantes jogos?
É que, se o Cardozo não tiver marcado em Setúbal, nem o Hulk feito três golos em Vila do Conde, ao Braga bastará deixar o Lima no banco para que seja ele o vencedor desse troféu!
Por Eduardo Louro
No futebol são onze, e no fim ganha a Alemanha. Na União Europeia são vinte e sete, e no fim ganha … a Alemanha.
Mas já era assim quando eram doze, quinze, vinte e cinco…
Por Eduardo Louro
“Precisamos de compreender melhor o que está a acontecer no mercado de trabalho”: afirmou hoje, no Parlamento, Passos Coelho!
Qual é a parte que ainda não compreenderam?
Será aquela em que a depressão em que lançaram o país faz fechar empresas todos os dias?
Ou aquela em que essa mesma depressão empurra a confiança e o investimento para longe?
Por Eduardo Louro
Quando ontem o ministro Vítor Gaspar disse “não minto, não engano nem ludibrio os portugueses” deveria ter acrescentado “mas atrapalho”!
O episódio é sobejamente conhecido e resume-se em duas ou três linhas: os deputados tiveram conhecimento pela imprensa de um anexo do DEO (a nova designação que este governo encontrou para o estafado PEC) entregue em Bruxelas com a evolução da taxa de desemprego, e com números diferentes dos apresentados no documento base dado a conhecer na semana passada. Depois de levantado o problema na Assembleia da República o ministro fá-lo-ia chegar aos deputados, em inglês.
Quer isto dizer que, numa altura em que o PS vem ameaçando com a rotura do consenso em torno da política em curso, e quando esse consenso é apresentado como a grande vantagem comparativa de Portugal, atitudes destas é atirar gasolina para a fogueira.
O incidente foi evidentemente, e com toda a naturalidade, tema do dia. Daí que tenha sido campo aberto para o exército de comentadores que invade as televisões todos os dias. Do establishement, of course!
Que - coisa extraordinária - o desvalorizavam. Uns dando-o por irrelevante, outros salientando-lhe apenas a componente de confronto emocional, os excessos de linguagem e até de olhar, como referiu uma ilustríssima jornalista da praça. É realmente extraordinário que um acontecimento que perturba seriamente e põe objectivamente em causa aquilo que é, no seu entendimento, o mais importante activo (para usar a expressão do próprio ministro) da actual situação do país, não tenha importância nenhuma.
Este DEO, e todos os incidentes que já gerou, está a revelar-nos um governo cada vez mais parecido com o anterior. A excepção vai para as tropas, o governo de Sócrates já há muito que não tinha tropas.
Raramente se terá visto governo com tanta tropa por aí espalhada como este… Muitas das vezes uma tropa estúpida, de caserna, que não percebe que sai para defender o acessório e deixa desprotegido o essencial!
Tropas assim também atrapalham…
Por Eduardo Louro
Falta-me em palavras o que me sobra em indignação!
Ao que sujeitam a bandeira nacional...
Por Eduardo Louro
Comemora-se (?) hoje o Dia da Europa, assinalando a “Declaração Schuman”, a proposta de criação de uma estrutura de organização da Europa como forma de evitar novas guerras, que Robert Schuman apresentou a 9 de Maio de 1950.
Provavelmente nenhum dos anteriores 9 de Maio teve menos motivos de comemoração que o de hoje. Quando percebemos que o changement virá menos de Paris – Hollande encontrará rapidamente uns buracos insuspeitáveis que o obrigarão a negar tudo o que espalhou durante a campanha eleitoral, e a passar de escravo da palavra dita, ou da promessa feita, a escravo da realidade descoberta – e mais de Atenas.
É a Grécia de não se sabe de quem, e não a França de Hollande, que vai fazer mudar a Europa. E, provavelmente, da forma menos esperada: com a saída da Alemanha!
O que nem dará em nada de muito diferente…
Por Eduardo Louro
A Grécia, essa candeia europeia que há muito tempo vai à frente, a mostrar-nos o caminho que as coisas levam, chegou a novo porto.
Os partidos do arco do poder, responsáveis pelo estado a que aquilo chegou, acabaram por se esgotar e esgotar a clássica alternância. Nem outra coisa seria de esperar, a não ser que a democracia fosse apenas votar sempre nos mesmos, nos predestinados que tudo podem fazer sem que o soberano povo se incomode. Este novo porto a que a Grécia chegou no domingo não é mais do que isso, a democracia a funcionar. No seguinte, onde poderá atracar a curto prazo, poderá já nem isso subsistir para funcionar…
O resultado da (em) democracia foi este: num país que já era ingovernável não é sequer possível constituir governo!
Claro que, para a Europa, isto resolve-se facilmente. Com a mesma facilidade com que resolveu até aqui. Agora expulsa-se a Grécia do Euro e da União e assunto resolvido!
Não. Não está resolvido!
Não é, neste momento, muito difícil de prever que, dentro de pouco tempo, a Grécia esteja a ser governada por uma ditadura militar. Não sei se nessa altura toda a gente achará que não tem nada a ver com aquilo!
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