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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

É verdade. É hoje!

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Chegou o dia que ninguém acreditava que pudesse chegar. Há 8 anos - a 20 de Janeiro de 2009 - poder-se-ia ter dito a mesma coisa. Mas não é da mesma coisa  que se está a falar...

Se há oito anos a surpresa estava na cor da pele do presidente em cerimónia de posse, hoje, a surpresa está na cor das ideias do presidente que vai tomar posse. Negras, mas muito mais negras que a cor da pele do seu antecessor. E bem capazes de mudar a face do mundo... Tanto, que muitos até acham que poderá ter começado hoje a terceira guerra mundial!

E não faltam razões para pensar assim. Trump já provou que, por maiores que sejam os disparates que diga, não os diz apenas por dizer. É mesmo para fazer. E o choque frontal contra a China, a anulação da NATO, a desvalorização das Nações Unidas, a mudança da embaixada americana de Telavive para Jerusalém, o muro do México, a hostilização da União Europeia, a negação do aquecimento global, e todos os  retrocessos incorporados no "Make America Great Again", só dão para admitir o pior.

Diz-se que, mais que divididos, os americanos estão arrependidos. Nunca um presidente tomou posse com tão baixos níveis de popularidade. Mas também nunca um presidente fora eleito com tantos (3 milhões) votos a menos que o adversário. Nem com ideias tão perigosas... E fala-se já num impeachement, a curto prazo. Não faltarão certamente razões, mas também não faltavam para que não fosse eleito!

 

 

 

Diabo ponto dois

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O presidente Marcelo tem andado numa lufa lufa para atingir o pleno da popularidade, para agradar a toda a gente. Bem pode tirar o cavalinho da chuva: se já sabia que nunca chegaria a Pedro Passos Coelho, ficou agora a saber que também Francisco Assis está completamente fora de alcance.

A não ser que dissolva de imediato o Parlamento. Mas não parece que Marcelo faça isso só para agradar ao inconformado euro-deputado, que é quem agora não perde oportunidade para anunciar o diabo.    

Hoje*

Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!

Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!

O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!

Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!

Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”

 

*Publicado todos os anos, neste dia. Hoje!

Já desconfiávamos!

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Ricardo Salgado é mais um arguído na Operação Marquês. Acabadinho de chegar... 

Com os anos a passar e novos arguídos a entrar, a investigação não acaba.... Há sempre mais qualquer coisa para investigar, a acusação pode esperar.

Não sou jurista, mas sei que se podem tirar certidões de qualquer processo e, a partir delas, desenvolver processos de investigação em paralelo, sem que umas investigações prejudiquem outras. Investigações e acusações, se for o caso. Estar ainda agora, nesta altura do campeonato, a enfiar Ricardo Salgado no processo quer apenas dizer que José Sócrates que pode ficar descansado.

Já desconfiávamos!

Pantominices

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Já tínhamos percebido que a pantomineira Assunção Cristas não fica a dever nada ao pantomineiro Paulo Portas, acentuando a ideia  que a mensagem política do CDS se esgota na pantominice. 

O pantomineiro quer estar sempre lá, mesmo quando nem sequer é ali o seu lugar. O pantomineiro é como o emplastro, quer aparecer sempre na televisão. Só que em vez de se colar às costas de quem quer que seja cola-se à estridência.

O que importa é passar nas televisões com uns sound bytes: "O senhor acabou de mentir a esta câmara, o senhor mentiu. Começamos por ficar habituados, o senhor mente sempre que aqui vem e acabou de mentir objectivamente. O acordo não está ainda assinado". E que, para a imprensa, pantominice não seja pantominice, mas tão só o momento mais quente do debate... 

 

Psst: ó senhores aí em Davos!

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O Relatório da Oxfam (Oxford Committee for Famine Relief , ou seja, Comité de Oxford de Combate à Fome), ontem publicado, faz-nos revelações absolutamente chocantes. Que oito homens têm tanto dinheiro como a metade mais pobre do planeta; que os rendimentos dos mais pobres subiram três dólares/ano entre 1998 e 2011, quando o rendimento de 1% dos mais ricos aumentou 182 vezes; que na última três décadas o crescimento dos rendimentos dos 50% mais pobres foi zero, mas o dos 1% dos mais ricos foi mais de 300%; ou que, por exemplo, o homem mais rico do Vietname ganha mais num dia do que o mais pobre em dez anos.

Para termos uma mais clara noção da dinâmica real que sustenta o cliché dos ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres, basta reparar - como há  precisamente um ano aqui fazia notar, chamando-lhe "Monstro Autofágico" - que em 2013 eram precisos mais de 300 dos mais ricos para igualar o rendimento da metade mais pobre do mundo. Na ano seguinte esse número baixou para metade. Novo ano, 2015, e baixou para 62. Pois agora, dados de 2016, são precisos apenas 8!

Começa hoje o forum de Davos. Devia começar exactamente pela leitura deste Relatório. Não é por aí que vai começar, e o mais provável é que ninguém sequer fale destes números obscenos. Fazem mal!

Porque isto é insustentável. E não pode acabar bem!

 

Histórias sem final feliz

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Continua a apertar-se o cerco a Pedro Passos Coelho. De novo a malfadada TSU: dê por onde der, PPC e TSU não jogam. Há uns anos virou todo o país contra si; agora foi todo o partido. Ou o que ainda faltava...

Não vai ter um final feliz, a história de Pedro Passos Coelho à frente do PSD.

É curioso como só à medida que se aproxima a data da tomada de posse se vai tomando consciência que Trump vai mesmo ser o presidente da América. Ainda há muita gente a beliscar-se para confirmar que está mesmo a acontecer. E está... 

Já se tinha congratulado com o Brexit, e recorrido à sua linguagem própria para dizer que a Inglaterra tinha sido esperta. Anuncia o fim da União Europeia, levanta o bloqueio à Rússia, e diz que a NATO não serve para nada. E é já o próprio director da CIA a vir publicamente recomendar-lhe tento na língua...

Não vai ter final feliz, esta história de terror.

Há muito que conto que Bruno de Carvalho e Jorge Jesus me fazem lembrar dois bêbados, rua abaixo, bem juntinhos, amparando-se um ao outro. Se um caísse, o trambolhão do outro era certo. E nenhum se safaria... Daí que tivessem de seguir juntos, mais S menos S, até que chegassem a algum destino. Mesmo que já de gatas.

As eleições fazem o destino e o presidente do Sporting convenceu-se que o melhor é seguir sozinho. O treinador já não lhe serve de apoio, e o melhor mesmo é dar-lhe um empurrão e deixá-lo ali estatelado. E enquanto uns curiosos ficam ali a olhar para a cara partida do outro, sempre são menos os que reparam como cambaleia sozinho rua abaixo. E a esses sempre irá dizer que aquilo não é falta de equilíbrio, mas uma nova coreografia eleitoral.

Mais uma história sem final feliz...

 

Os golos também se capitalizam

Jonas fez o que mais nenhum brasilero conseguiu no Benfica

 

Último jogo da primeira volta. Sábado à tarde. Tarde bonita, cheia de sol. Estádio da Luz cheio que nem um ovo, mais uma vez acima dos 60 mil. e a passar a barreira dos 15 milhões de espectadores. Adeptos eufóricos, as última exibições do Benfica não davam para menos... 

Tudo para uma tarde de sonho, depressa transformada em pesadelo. O jogo iniciou-se como seria previsível, com o Boavista a pressionar no campo todo, nada que seja novidade. Também não foi exactamente novidade que o Benfica passasse os primeiros dez minutos sem dar muito boa conta do recado.  Nem que saísse desse período com a primeira oportunidade de golo, na melhor jogado do desafio. Só que o remate de Gonçalo Guedes, isolado por Rafa, levou a bola fugir por milímetros do golo.

O Benfica tomou conta do jogo e começou a vir ao de cima a matreirice e o poder físico dos jogadores de xadrez - o Boavista é certamente uma das equipas fisicamente mais fortes do campeonato. Que é uma das mais duras já se sabia...

Estavamos nisto quando, em pouco mais de 10 minutos, o Boavista marca três golos. Todos com a assinatura da arbitragem: no primeiro, o árbitro não assinalou uma falta sobre o Rafa à saída da área do Benfica, no segundo, o marcador fez falta sobre o André Almeida, e o terceiro resulta de um fora de jogo inacreditável.

Tenho sempre aqui dito que os erros dos árbitros são incidentes do jogo. Que jogando bem, como habitualmente o Benfica faz, os golos aparecem e acabam por se sobrepor a esses erros. O que, de resto, e mesmo com erros tão raros e tão influentes como estes - três golos em 10 minutos - até este próprio jogo confirmou.

E o que me dá toda a legimidade para perguntar: o que seria, se esta arbitragem de Luís Ferreira tivesse acontecido com o Sporting, ou com o Porto? E para expressar claramente que esta arbitragem é o resultado da pressão que ambos têm vindo a construir, especialmente nas últimas semanas.

Dito isto há que dizer que o Benfica não esteve ao nível que nos tem habituado. Mesmo assim, criou oportunidades de golo suficientes para chegar ao intervalo já com a desvantagem no marcador anulada. Aproveitou apenas uma, aos 40 minutos, por Mitroglou (substituiu Rafa) que entrara 4 minutos antes.

Na segunda parte não melhorou muito, mesmo que a entrada de Cervi, com a saída de Luisão, tenha trazido coisas novas ao jogo do Benfica. Chegou cedo ao segundo golo, num penalti cometido sobre o jovem argentino, que Jonas concretizou. E o empate chegaria também a partir de uma substituição, a última, na troca de Gonçalo Guedes por Zivkovic, que cruzou para um defesa boavisteiro, pressinado, fazer auto-golo.

Faltavam 20 minutos para o fim, e acreditou-se na reviravolta completa. Mas o Boavista continuava imperturbável, a defender com tudo e de toda a maneira. E a queimar tempo, sempre com a complacência do árbitro. Mesmo assim foi nesse período, em pleno assalto final do Benfica, que criou as duas únicas oportunidades de golo imaculadas, ambas anuladas em intervenções superiores de Ederson. 

É certo que o Benfica poderia chegado ao golo da vitória. Dispõs de mais duas ou três ocasiões para isso, mas também ia ficando a ideia que os jogadores, esgotados, já se contentavam por terem evitado a derrota.

Claro que não se pode esquecer que a arbitragem deu três golos ao adversário. Que a qualidade de jogo foi inferior ao desejável, e que jogadores que têm sido fundamentais tiveram fraco desempenho, como Pizzi, Nelson Semedo e Salvio. E que os níveis de eficácia estiveram abaixo do habitual. Mas o Benfica só não ganhou o jogo porque não soube, não pôde, ou não quis, capitalizar os golos que iam fazendo a recuperação.

Quando uma equipa se encontra numa situação daquelas tem obrigatoriamente que tirar partido de cada golo. Tem que ter coração e alma para fazer de cada golo um trampolim para o seguinte, ir para cima do adversário sem o deixar recuperar do golpe. Não o deixar respirar, atirá-lo ao tapete. E o Benfica não fez isso. Os jogadores foram a correr buscar a bola á baliza do Boavista, mas ficaram-se por esse gesto. A bola ia ao centro e tudo voltava ao normal, como se nada se tivesse passado: o Boavista continuava confortável com o resultado e arrefecia de imediato o jogo.  

Não me digam que não faltou alma, nem coração, que o que faltaram foi forças. Antes de faltarem as forças já percebíamos que faltava aquele coração que resolve os jogos quando não é possível jogar bem. Aquele suplemento de crença que é preciso quando as adversidades aumentam.

Ao cair do pano sobre a primeira volta deste que desejamos que seja o campeonato primeiro tetra, e quando os adversários pretendem mascarar a superioridade que o Benfica  demonstrou até aqui com o colo da arbitragem, não se devem esquecer os pontos perdidos com o dedo das gentes do apito: Vitória de Setúbal e Boavista, na Luz (4) e Marítimo, nos Barreiros (3). Sete pontos, num total de nove perdidos, estão a débito nas contas da arbitragem. Não fosse a qualidade da equipa e do futebol que pratica superar normalmente os erros de arbitragem e o saldo seria bem mais gordo.

Não sei se a isto se chama colo, se andor... Nem sei se o Rui Vitória se não irá arrepender de ser tão elegante. Tenho a impressão que a elegância e os bons modos não são lá muito bem vistos no mundo português do futebol.  

 

   

 

   

Só duas coisas *

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O tema para esta semana é incontornável: o desaparecimento de Mário Soares. Incontornável e inesgotável: nunca tudo terá sido dito sobre uma personalidade que tanto marcou a História contemporânea de Portugal.

Mesmo que nem tudo esteja, nem pudesse estar dito, até porque nunca se pode olhar para a História de perto – a distância é um instrumento indispensável para a análise histórica – não vou dizer nada de novo sobre Mário Soares, sobre a sua importância para aquilo que é hoje Portugal, sobre o seu legado. Porque não seria provavelmente capaz de dizer nada de novo, nada que não tivesse sido dito e redito, mas porque também não é nada disso que quero dizer.

O que quero dizer, a propósito não de Mário Soares, mas da sua morte, são apenas duas coisas: uma de congratulação, a outra, nas antípodas, de repúdio.

Na primeira para me congratular pela dignidade das cerimónias fúnebres, como foi honrada a sua memória, e como o povo saiu à rua para lhe prestar a sua última homenagem, que nem os habituais excessos televisivos ensombraram.

Na segunda para repudiar o ódio destilado pelas redes sociais por gente escondida atrás do anonimato, a que dificilmente poderemos deixar de chamar energúmenos. Não são apenas ignorantes. São intolerantes, que não odeiam apenas Mário Soares, odeiam a liberdade e a democracia. Não sabem nada de História, nem querem saber. Não distinguem a verdade da mentira, apenas lhes interessa o que lhes convém. Não sabem olhar para a frente, só para trás.

Lembro-me de um programa televisivo, em que a Clara Ferreira Alves ia falando com Mário Soares: “o caminho faz-se caminhando”, assim se chamava. É verdade: o caminho faz-se caminhando. Mas só caminha quem quer. E esses não querem. Nunca caminham. Não saem do mesmo sítio e nunca chegarão a lado nenhum!

 

* Da minha crónica de hoje na Rádio Cister

Congresso dos jornalistas

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Os jornalistas estão desde ontem reunidos em congresso, o que já não acontecia há quase 20 anos. E pelo que se foi sabendo, em particular pelas denúnicas da Maria Flor Pedroso, não foi nada fácil conseguir que se reunissem para falar da sua profissão.

Pelo que se ouviu ontem, no primeiro dia, dir-se-ia que se percebem as essas dificuldades. Da mesma forma que se percebe o estado a que a profissão e os seus profissionais chegaram. A precariedade, e a insegurança que provoca, os baixos salários e o desemprego, e a dependência que criam, explicam as dificuldades na realização do congresso. Explicam que o jornalismo e a informação que temos se esgotem em graças e desgraças do quotidiano, e explicam muitas outras coisas. Como, por exemplo, os Panamá Papers, provavelmente a maior vergonha do jornalismo português das última décadas.

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