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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Futebolês #35 Mergulho

Por Eduardo Louro

 

Nesta altura do ano nada melhor que um mergulho. É tempo de calor, de muito calor mesmo, de férias, de praia. De mergulhos que nos refresquem os corpos já queimados pelo sol e os neurónios de uma mente já cansada de um ano de trabalho.

É também por isso que, em vésperas de umas refrescantes e desejadas férias, o futebolês de hoje se lembrou de se socorrer de uma das suas expressões mais correntes: o mergulho!

O futebolês utiliza a expressão com bastante propriedade. Todos sabemos que mergulhar na praia e na piscina – sendo sempre mergulhar – são mergulhos diferentes. Na praia mergulha-se nas ondas, na sua fase de rebentação, como forma de as contornar. É quase uma forma de enganar a onda: se ela vem toda lampeira para nos dar a volta – e às vezes arranca-nos do chão e faz-nos dar a volta completa – mergulhando, perfurando-a de um lado ao outro, saímos do outro lado incólumes e direitinhos, livres daquele vexame de ficarmos enrolados na areia, descompostos. Sem jeito nem compostura!

É um mergulho pouco elegante. Diria mesmo que, na maior parte das vezes, muito deselegante. Mesmo que não esteja a lembrar-me daquela imagem que as televisões têm em arquivo para colocar no ar sempre que a notícia tem a ver com obesidade – um fulano, gordo a valer, a correr areia fora em direcção à água, onde se estatela antes de qualquer mergulho – há ainda aquelas cavalgadas colectivas pela água dentro que, em vez dos também colectivos mergulhos, dão em monumentais chapanços que incomodam que se farta.

O mergulho para a piscina é diferente. Claro que as pranchas ajudam: dão a altura e a impulsão ao mergulho que lhe confere outra elegância.

O futebolês encontra também dois tipos de mergulho, sendo um deles precisamente o mergulho para a piscina. O outro é tão-somente o mergulho do guarda-redes, que aqui faz, por assim dizer, a figura do mergulho de praia.

Não é um mergulho elegante. O guarda-redes mergulha aos pés do adversário. Não tem graça nenhuma. Já quando o guarda-redes se lança à bola num salto de felino tem bem mais graça. É bem mais espectacular!

Tal como no mergulho da praia, onde nem sempre se consegue enganar a onda e atravessá-la, algumas vezes a onda sai a ganhar – normalmente por inépcia do mergulhador – o guarda-redes nem sempre sai a ganhar. Muitas das vezes, em vez de enganar o adversário, sucede o contrário. É ele o enganado. Depois acaba naquela que é a chamada jogada clássica do avançado perante o guarda-redes: quando o avançado, esperto, faz aquela maldade de lhe desviar a bola in extremis. Quando o guarda-redes lá chega já só encontra as pernas do outro. A bola, essa já lá vai! E então lá sai o tal penalty bem arrancado pelo avançado! Se o árbitro não quiser enganar ninguém, evidentemente!

É que este é o que levanta a eterna questão do jogar a bola. Que não seria uma questão chata e complicada se não houvesse árbitros. Mas há! O guarda-redes tocou na bola e depois no adversário, que se estatelou no relvado: não há problema. Tudo legal, o guarda-redes enganou o adversário! Mas se árbitro estiver virado para outro lado temos o caldo entornado! É o árbitro que nos engana a todos.

Por isso é que eu prefiro o mergulho para a piscina. É mais elegante, tem mais estilo e é bem mais simples: apenas pretende enganar o árbitro. E depois tem outra vantagem: é que nos permite facilmente ver se o árbitro é dos que se querem deixar enganar!

Os melhores mergulhadores são sempre os avançados. Também nos médios se encontram bons mergulhadores. Nos defesas são mais raros.

Mas há-os e de grande nível: vejam lá o Fucile. Apesar de defesa é um dos que até poderia integrar o corpo especial de mergulhadores da GNR. O melhor especialista é, sem dúvida o CR 7 (agora, que o Raul já saiu, abre-se-lhe uma janela para voltar ao 7) mas já está tão marcado pelos árbitros nestes mergulhos como pelos adversários no resto do jogo. Mas a verdade é que não há ninguém que não goste do seu mergulho para a piscina. Não há ninguém que não faça a sua perninha!

Para a época que se vai iniciar o Benfica parte desfalcado do seu melhor mergulhador: Di Maria. O Sporting perdeu o Moutinho mas ainda preserva o Liedson, se bem que, pelo que se vai vendo, cada vez com menos hipóteses de mergulhar – sentado no banco não dá muito jeito! O FCP não só manteve como reforçou o seu corpo de mergulhadores que tanto jeito lhe dá: para além do já referido Fucile, mantém o Hulk, o Falcao e o Ruben Micael e ainda se reforçou com o já referido Moutinho.

Quem está mergulhado num mar de problemas, e este é outro tipo de mergulho, é Carlos Queiroz. Que grande mergulhador! O fôlego que é preciso para se aguentar tanto tempo debaixo de água!

 

Que mau feitio!

Por Eduardo Louro

 

 

O rei Midas é uma personagem da mitologia grega que focou conhecida pelo seu extraordinário dom de transformar em ouro tudo o que tocava. Ainda hoje há gente assim: não que transforme literalmente em ouro, mas com grande capacidade de acrescentar valor às coisas em que se envolve.

Mas também há as pessoas do pólo oposto: aquelas que têm o maldito condão de estragar tudo em que mexam. E há ainda fases da vida das pessoas em que é tiro e queda! Às vezes acontece também aos melhores.

O primeiro-ministro José Sócrates há muito que anda numa fase dessas: estraga tudo o que toca. O que é uma enorme desgraça porque, de há muito tempo a esta parte, é ele que toca em tudo…

Começou por ter uma semana em cheio, como há muito se não via. Eu, que há muito me apercebi deste seu maldito dom, se bem se lembram, bem avisei: não estrague, não diga nada!

É certo que já não ia bem a tempo de o prevenir sobre o Freeport – aí já ele pusera a boca no trombone – mas, caramba, ainda havia a história da PT para preservar…

Não resultou. Ignorou a minha recomendação e, claro, estragou tudo.

É que ninguém ligaria nenhuma ao pequeno pormenor de não ter sido ouvido pela Justiça no âmbito do caso Freeport. Ninguém queria saber se os investigadores tinham preparadas perguntas para lhe colocar. Se eram 27 ou apenas uma ou duas. E muito menos se apenas ficaram na gaveta por falta de tempo para o ouvir.

Não passariam de meros detalhes sem importância se ele não tem resolvido mexer no assunto. Mas pronto. Mexeu e agora já ninguém consegue deixar de achar bizarro que Sócrates não tenha sido ouvido num processo em que o seu nome e os dos seus familiares foram os que mais chegaram à opinião pública. Mexeu e agora, quando tudo poderia e deveria estar arrumado, ai está a suspeita de volta. Se calhar mais forte que nunca!

O caso da golden share da PT estava perfeito. Era óbvio que só tinha que estar quietinho e caladinho para colher os resultados de uma campanha que tinha corrido bem melhor do que alguém poderia imaginar. Era a perfeição absoluta!

Qual quê? Desatou a lançar foguetes sem se lembrar que nesta época de incêndios isso é coisa que não se faz. É mesmo proibido! E nem sequer teve ninguém que lhe lembrasse a velha lei de Murphy :“se pode correr mal então vai mesmo correr mal”.

E pronto: transformou a perfeição absoluta num negócio de espertos que vendem o interesse nacional por 350 milhões de euros … em suaves prestações!

Assim é difícil! Não há razão atendível que valha nem estado social que safe a coisa!

 

 

 

Invejosos

Por Eduardo Louro

 

 

Acho que um dos piores defeitos dos portugueses é a inveja. Como se ser invejoso já não fosse atributo suficientemente deplorável, a inveja arrasta ainda uma vasta série dos piores defeitos: a preguiça, a maledicência, a cobardia…

Isto bastaria para que eu me declarasse não invejoso e, mais, com raiva dos invejosos!

Portanto não tenho inveja nenhuma do Dr António Mexia, pessoa cujo currículo profissional admiro sem qualquer reserva. O que, ao contrário do que ele diz, não me impede de criticar o absurdo do abuso do tão badalado prémio de 3,1 milhões de euros que recebeu da EDP relativo ao exercício económico de 2009.

Não é por achar absurdo, particularmente inoportuno e mesmo ostensivamente ofensivo um prémio daquela dimensão que passo a ser invejoso. E não aceito que venha o Sr Mexia, que deveria ter pudor, recato e respeito pelos compatriotas que passam sérias dificuldades, chamar-me invejoso!

Também não sou dos que acham que é fácil gerir as empresas monopolistas e que se mantêm à sombra do Estado (ou será o Estado à sombra delas?) depois da privatização. E que sendo tão fácil não faz sentido procurar os melhores para a sua gestão.

Não, acho precisamente o contrário: é nestas empresas fáceis de gerir – EDP, Galp, PT, etc., onde recursos não faltam e a concorrência não aperta – que as grandes asneiras mais facilmente são tapadas. Maus gestores à frente destas empresas conseguem fazer mandatos sucessivos de decisões desastradas sem que os resultados os denunciem. Porque dão para tudo!

É aqui que são necessários os melhores gestores, naturalmente pagos em conformidade. Mas não em obscenidade! Para tirar resultados do potencial destas empresas, afinal das poucas que o país tem com dimensão internacional.

Não é também por aqui que me apanham. Isto é, ao criticar o prémio do Sr Mexia, não só não estou a ser invejoso, como não estou a ser populista nem a apanhar aquela onda da facilidade desprevenida. Estou, apenas e mais uma vez, a denunciar um abuso socialmente inaceitável e a utilizar a minha obrigação cívica de o condenar!

Sendo esta uma polémica que já não é nova, acredito que os meus mais fiéis leitores (se é que os tenho, mas presunção e água benta …) se estejam a interrogar sobre a oportunidade do tema: “mas por que é que este tipo foi agora pegar nisto, quando já quase toda a gente se tinha esquecido?” - admito que perguntem.

Por uma simples razão: é que o próprio Mexia, sentiu necessidade de, um pouco à maneira das estrelas nas revistas cor-de-rosa, vir limpar a imagem. Então encomendou – se não foi encomenda pelo menos parece – uma entrevista à Revista Única onde foi colocado numa posição super star doutra galáxia. Que tudo legitima e a quem tudo se perdoa!

Como fica sempre bem dar um ar de subida a pulso – esta é mais uma das especificidades do ser português, não perdoamos a quem salte directamente para o topo – a entrevista mostra-nos um Mexia deveras peculiar. Que foi estudar para Suíça porque, note-se, não tinha dinheiro. Mas porque tinha lá amigos. Que teve de trabalhar como modelo, mas também a vender roupa e até de carteiro. Bem ... era a meias com um amigo, e se calhar não era bem carteiro. Mas cujo avô era embaixador e negociador de tudo o que de importante foi negociado no seu tempo. E a família tem um título de nobreza: Conde de Arganil. Mas não nascera num berço de ouro: ia de boleia para o norte da Suíça, fazer esqui…

Não Sr António Mexia, não é preciso fazer estas piruetas. Não é com papas e bolos… Sabe bem que outra das coisas que caracterizam os portugueses é a memória. Curta!

Já todos se tinham esquecido… Não havia necessidade de nos vir chamar invejosos!

Ponto final no imbróglio

Por Eduardo Louro

 

 

Praticamente um mês depois da assembleia-geral (AG) da PT que recusou, por via da golden share, a oferta da Telefónica para a compra da sua participação na Vivo, aí está o ponto final numa complicada caldeirada que meteu de tudo: negócios e política, como já vem sendo hábito, relações internacionais, política doméstica, união europeia e … muito bluff.

Vendido: 7,5 mil milhões!

É uma história com final feliz. Ou assim parece. Espanhóis satisfeitos porque lograram os seus intentos. Accionistas da PT mais do que satisfeitos, afinal o negócio ainda rendeu mais 350 milhões do que o valor que tinham aceite na AG. Administração satisfeita porque ficou muito bem na fotografia, por todas as razões e mais uma. Ou três: não se deixou enrolar pelo bluff, pôs a Telefónica a negociar, coisa com que a arrogância inicial se não vislumbrava, e consegue ainda uma alternativa no mercado brasileiro por apenas metade do valor encaixado. E o governo, que é como quem diz, José Sócrates, satisfeito porque – quando depois da decisão do Tribunal da Comunidade já só se viam desgraças, desde indemnizações aos espanhóis à suprema desonra de meter o rabo entre as pernas e enterrar a golden share, passando pelo fardo do peso da responsabilidade por um casamento (PT/Telefónica) que já não tinha as condições mínimas para funcionar – consegue manter içada a bandeira do interesse nacional através da manutenção da presença no Brasil, agora pela via da OI.

Um final feliz e surpreendentemente rápido. Ainda na semana passada a Telefónica ameaçava com uma série de expedientes, entre os quais o da dissolução da holding brasileira, a Brasilcel, sedeada na Holanda. Ameaças de processos judiciais em fila à entrada do tribunal de Haia eram mais que muitas… No dia 16, data limite para a proposta dos 7,15 mil milhões aprovada em AG e chumbada pela golden share, a telefónica anunciava, precisamente à meia-noite, a retirada da oferta…

Afinal os escritórios de advogados desta vez não tiveram sorte!

Às vezes as coisas correm desta maneira. Repare-se que até Ricardo Salgado, de todos os accionistas o que mais batera na golden share, dela dizendo na altura o que Maomé não ousaria dizer do toucinho, referia já, numa conferencia do Jornal de Negócios da semana passada, que afinal a posição do governo não tinha sido tão negativa como inicialmente lhe parecera. Dizia então que já admitia que o valor da oferta ainda viesse a ser corrigido e que se poderia conseguir alguma coisa no Brasil, e que, se assim fosse, o mérito era todo do primeiro-ministro.

É quase como o regresso do filho pródigo. E uma semana em cheio para Sócrates: ontem o Freeport e hoje a PT!

Uma recomendação, sr Engenheiro: já agora não estrague, não faça como ontem. Faça um esforço e não diga nada!

 

Futebolês #34 FRANGO

Por Eduardo Louro

 

 

 Se há expressões do futebolês com algum grau de dificuldade, como a atitude da passada semana, aqui está uma expressão que não apresenta qualquer dificuldade: toda a gente sabe o que é um frango!

Daí que nem valha a pena especular o que quer que seja à volta do frango. Mas sempre adiantaria alguma coisa sobre a essência do frango. Há quem a vislumbre numa certa semelhança entre a forma como a bola foge das mãos do guarda-redes e a agilidade como o propriamente dito foge dos seus perseguidores. Pela minha parte, não negando essa analogia e reconhecendo-lhe mesmo algum mérito, sugeriria algo semelhante que passa precisamente pela analogia com aquela posição de alguém que, de rabo para o ar e procurando apanhar o frango à saída da capoeira, o deixa passar entre as mãos e as pernas ficando, quanto muito, com as mão cheias de penas. Não quero puxar a brasa ao meu frango mas esta analogia parece-me bem que faz mais sentido!

Os frangos fazem parte de uma história à parte na história do futebol. E constituem, muitas vezes, um espectáculo á parte dentro do espectáculo do futebol. Basta procurar no youtube

Ainda agora, no mundial da África do Sul, foi uma verdadeira festa de capoeira. Então aquele do keeper inglês, Green de seu nome, frente aos Estados Unidos…

Todos guardamos na nossa memória frangos monumentais. Eu nunca mais me esqueço – era ainda muito miúdo – daquele frango do saudoso Costa Pereira que, em 1965, tirou ao Benfica a terceira Taça dos Campeões Europeus para oferecer ao Inter a sua primeira … e única até há pouco! Curiosamente seria outro português – Mourinho – a oferecer-lhes a segunda, 45 anos depois!

Este é, todavia, um frango já pouco apoquenta a memória dos benfiquistas. Já foi há tanto tempo e, afinal, a história do glorioso também é feita destas coisas!

Hoje, para os benfiquistas, frango traz-lhe outras recordações e … outras preocupações. Frango é … Roberto! É 8,5 milhões! E é até, vejam bem, Jorge Jesus!

O Quim tinha feito uma grande época – parece que só Carlos Queiroz é que não deu por isso – mas, para Jesus, não era guarda-redes que desse pontos. Daí que se tivesse apressado a despedi-lo, mesmo pela televisão. O titular da selecção – Eduardo, que Jesus bem conhece por tê-lo treinado na penúltima época – não era opção, também não dava pontos!

O guarda-redes que vinha dar pontos estava em Espanha. Era o terceiro guarda-redes (!) do Atlético de Madrid e fora emprestado ao Saragoça na segunda metade da época passada: 24 anos e 1,94 metros de altura. Alto, como Jesus gosta!

Um problema logo à partida: tinha custado 8,5 milhões de euros. Um valor inimaginável para um guarda-redes e para o mercado português. A mais cara contratação da época!

Nada que a imprensa não tratasse logo de resolver: o Benfica tinha-se antecipado à armada britânica. Um clube inglês oferecia 12,5 milhões. Logo outro oferecia 14 milhões. O Roberto só podia ser muito bom. Só podia dar mesmo muitos pontos!

Começam os jogos e as coisas não correm nada bem. Pior, já nenhum benfiquista consegue ver como é que poderão correr bem! Um frango é um frango, ninguém está livre. Calha aos melhores! Mas só frangos?

Está lançado o pânico nas hostes benfiquistas. A imprensa, que quisera ajudar, só desajudou. Afinal apenas fizera subir a fasquia!

Por muito que Jorge Jesus resista ao pânico e não se canse de tentar pôr água na fervura, aos benfiquistas apenas resta uma dúvida: se o Roberto pode vir a ser um guarda-redes sofrível, se é apenas um equívoco incompreensível ou se é um negócio estranho.

Ontem à noite, sem paciência para continuar a ouvir disparates sobre a revisão da Constituição, ao fazer um zapping pela tv, dei comigo no canal Q, num programa com um nome sugestivo: “Sacanas sem lei: ponta de lança em África”. Lá estavam a Leonor Pinhão – a pivot e, como se sabe, benfiquista empedernida – o José Fialho Gouveia (o filho, por quem eu tenho um carinho especial e que já trouxe aos meus escritos em algumas ocasiões), igualmente benfiquista e César Mourão, um humorista da nova geração e sportinguista. A missão do programa estava anunciada: reabilitar Roberto. Uma missão impossível, reconheciam os próprios!

Entre os diversos instrumentos de reabilitação surgiu um vídeo (terá sido o mesmo que venderam ao Rui Costa e ao Jesus?) com as famosas defesas do Roberto no Saragoça. Defesas atrás de defesas. Impressionante! Na maior parte das vezes a bola ia-lhe direitinha ao corpo…

Veio-me logo à cabeça um nome: Moreto!. É isso. Aí temos outro vez o Moreto. Só que desta vez chegou sem cenas no aeroporto! E o FCP deve andar distraído, o que também ajuda!

 

RAZÃO ATENDÍVEL

Por Eduardo Louro

 

 

Nunca me parece bem que, quando alguém toma a iniciativa de apresentar uma proposta, seja qual for o enquadramento, venha outro alguém dizer que não é o timing certo. Normalmente quando não há capacidade crítica para contrapor vaie-se por aí: que não é oportuno! Sugere-se que a coisa até nem está mal pensada mas não é para agora! Está fora de tempo e estar fora de tempo é estar mal sem que se diga que está mal. É estar errado!

A verdade é que é mesmo o que me parece acontecer com a proposta de revisão constitucional que o PSD lançou no país.

E aqui abriria um parêntese para referir que também tenho alguma dificuldade em aceitá-la como proposta do PSD. Na verdade tenho alguma dificuldade em percepcioná-la assim no meio da enorme confusão que foi a sua divulgação. À revelia da direcção do partido, que mais não tem feito que correr atrás do prejuízo, também ela meio surpreendida com a proposta e com o seu timing e a ter que explicar, muitas vezes, uma coisa e o seu contrário. E com claras e sucessivas manifestações de divisão partidária vindas de todos os lados, incluído a sagrada Madeira. Portanto: proposta do PSD mas com as devidas reservas!

Mesmo não gostando de invocar essa razão, como atrás manifestei, tenho imensa dificuldade em encontrar uma razão atendível – para utilizar aquela que, seguramente, será a mais discutível expressão utilizada na proposta – para, quando o país vive o drama da ingovernabilidade e da incompetência governativa, transformar a revisão constitucional na grande questão nacional do momento.

Não faz qualquer sentido e parece-me mesmo que foi a maior maldade que alguém do PSD poderia fazer ao seu presidente. Não é apenas por o ter obrigado a canalizar todas as energias para uma questão que, na actual conjuntura, é absolutamente extemporânea para a generalidade dos portugueses. É que foi uma boa tábua lançada ao governo – e é ver como saltou todo o governo, à excepção do ministro das Obras Públicas, que anda mesmo desaparecido – que pôde dedicar-se em exclusivo à defesa do Estado Social e apresentar-se como o único arauto da defesa dos direitos dos trabalhadores, do Serviço Nacional de Saúde e do Ensino Público como grande promotor da igualdade de oportunidades.

Quando a notícia absolutamente incontornável é a do agravamento do défice na execução orçamental do primeiro semestre. Quando esse agravamento persiste apesar da receita fiscal ter superado a orçamentada. Quando esse agravamento mostra que o monstro continua a crescer desmedidamente, apesar de sabermos que continuam os processos de desorçamentação. Quando aos portugueses todos os sacrifícios são impostos e o Estado continua alegremente a esbanjar, como o episódio dos carros que aqui referi há uns dias ilustra, não se encontra uma razão atendível para transformar a revisão da constituição na grande questão nacional deste tempo!

 

Lealdade

O ciclismo atinge, nesta altura do ano, com a Volta a França – a maior prova do mundo, ao nível dos grandes acontecimentos noutras modalidades – o estatuto de rei das modalidades desportivas, concentrando a atenção mediática mundial.

Se há modalidade que se alimente dos seus ídolos, os heróis que arrastam multidões e que incendeiam paixões que explodem em rivalidades muitas vezes levadas aos extremos, essa é o ciclismo. Parece-me que apenas o automobilismo, e a fórmula 1 em particular, lhe poderá disputar essa condição.

O ciclismo vive, e é essa a sua história, de duelos. De duelos individuais onde se projectam as paixões que dividem os adeptos. Tudo é visto à luz desta tão simples realidade!

Depois de dois anos de afastamento, por decisão precipitada de pôr fim a uma carreira inigualável de sete vitórias consecutivas na Volta a França, o americano Lance Amstrong regressaria no ano passado. Marcado estava já o duelo com o espanhol Alberto Contador. A idade, também a interrupção da carreira e, por que não, os incidentes próprios da corrida, afastariam este enormíssimo campeão do duelo com o espanhol. Intrometer-se-ia um jovem luxemburguês que puxaria para si o papel de principal desafiador do espanhol: Andy Schleck.

A corrida deste ano transformou-se num extraordinário duelo entre Contador e Schleck que, entretanto, surgiria com alguns handicaps. O maior foi mesmo o abandono, por sucessão de quedas, do seu irmão Frank que, para além de excelente ciclista, seria o esteio do seu apoio de equipa.

Um duelo de gigantes que se vinha desenrolando diariamente, montanha atrás de montanha, com o jovem luxemburguês, apesar de um evidente menor apoio da sua equipa, a ganhar ligeira vantagem e a tomar a maior parte das iniciativas de ataque. Tinha a camisola amarela com uma ligeira vantagem de 31 segundos que, segundo os entendidos, era muito curta para o último assalto: o contra relógio de sábado, onde Contador será teoricamente mais forte.

Ontem, em plenos Pirinéus, Andy Schleck continuava a ser o dono da iniciativa. De repente desencadeia um ataque. Fortíssimo, ao que parecia. Contador não reagiu de imediato e parecia ficar para trás. Era um seu colega de equipa quem respondia quando se solta a corrente da bicicleta do luxemburguês. Não tem alternativa, tem que parar e tentar remediar a avaria. Enquanto isto Contador contra ataca, apoiado no seu colega de equipa e em mais dois interessados: o terceiro e o quarto da classificação geral.

Andy Schleck, apesar de uma corrida épica, em especial aquele resto da subida onde, completamente sozinho, ia passando por tudo e por todos, perde 39 segundos. Os 31 que tinha de vantagem passavam para 8 de desvantagem. A camisola amarela passa para Alberto Contador que, ao vesti-la, vê os aplausos substituírem-se por assobios e apupos.

A atitude de Contador, que não respondera ao ataque frontal e corajoso do seu o adversário mas que logo o soube atacar quando o viu impedido de reagir, recebia a reprovação do público. Perante esta reacção defendeu-se da pior forma: não tinha visto! Vendo que tinha escolhido a pior das formas de se defender, acabaria a pedir desculpa e a penalizar-se pela deslealdade.

Independentemente das opiniões de facção – claro que “Contadoristas” e “Schleckistas”têm opiniões contrárias – mais que a questão do desportivismo e do fair play, levanta-se claramente a questão da deslealdade. É que, ao contrário das respeitáveis opiniões de muitos especialistas, entre os quais Marco Chagas (não quero acusá-lo de “Contadorista” mas é estranho que ache que o público apupa Contador e aplaude Schleck só porque um é espanhol e outro luxemburguês), defender que há aqui um problema de deslealdade não significa dizer que Contador tinha alguma obrigação de parar e ficar à espera de Schleck. Não tinha nem me parece defensável que a tivesse. A alternativa não era essa. Seria sim a de manter as condições da corrida, ficando o adversário com a obrigação de recuperar de um incidente de corrida. O que Contador fez foi bem diferente: aproveitou-se da infelicidade do adversário e atacou. E fê-lo em condições de dinamizar e gerir apoios de que tirou vantagens!

E isto é desleal. Goste-se mais de Contador ou de Schleck! E é por isto que cada vez que o Contador vestir a camisola amarela o público há-de assobiar! Até Paris!

A lealdade é um dos mais rarefeitos valores das sociedades actuais. Os fins justificam os meios. Os interesses pessoais sobrepõem-se a tudo, já só resta a lealdade dos interesses: aquela deplorável lealdade canina (não confundir com a lealdade dos cães, a mais nobre das lealdades) e subserviente. A outra, a da honra e da coragem, essa desapareceu!

 

 

Futebolês #33 ATITUDE

 

Por Eduardo Louro

 

 

 

Confesso que a atitude é, entre todas as expressões do futebolês já aqui trazidas, a que mais me impressiona. Serve para tudo, tudo resolve. Anda na boca de toda a gente!

A equipa perdeu? Faltou-lhe atitude! Ganhou? Que grande atitude!

Tudo se perdoa menos a falta de atitude. Tudo se exalta, mas nada o é mais que a atitude.

Então mas o que é realmente essa coisa tão virtuosa? O que é afinal a atitude?

Não sei! Confesso humildemente que não sei.

Alguma vez haveria de acontecer… pois é desta! Aviso já que ainda há outra – a mística – mas essa fica para outra altura.

Admito, mas apenas isso, que a atitude se refira à entrega dos jogadores. À forma como lutam, correm… À forma como disputam cada lance. À raça, que seria, assim e em futebolês, o rigoroso sinónimo de atitude.

Àquilo que também se chama comer a relva, uma expressão do mais puro futebolês que nada tem a ver com qualquer condição herbívora dos jogadores. Apenas mais uma metáfora que pode ajudar a perceber a atitude. Ou deixar a pele em campo, outra das bem eloquentes expressões do futebolês!

Quem é capaz de deixar a pele em campo é quem come a relva. Quem dá tudo o que tem. Quem não se poupa nem se esconde! É o jogador que dá garantias. Que faz a felicidade de qualquer treinador, que deixa tudo em campo! Dos que “saltam comigo para a selva” como disse Carlos Queiroz, ainda atordoado quando acabara de levar seis do Brasil. Uma expressão que não pegou, até porque, com tanto medo como revelou, nem ele próprio nunca chagaria a saltar.

Em Portugal, nos últimos anos e, creio eu, que pela simples razão de ganhar muitas vezes, foi-se construindo a ideia de que a atitude estava toda concentrada no FCP. Era lá que estava a fonte da eterna e inesgotável atitude. Quem lá chegasse bebia daquela fonte e pronto: ficava com atitude para dar e vender.

Esta ideia fez de tal forma percurso que viria a desembocar no mito da encarnação da atitude: o jogador à Porto!

O jogador à Porto é a própria atitude em carne e osso. Há jogadores com atitude mas há mais do que isso – há o jogador à Porto!

Há dois tipos de jogador à Porto: o autóctone, que lá se fez, naquela escola de virtudes a beber daquela fonte inesgotável de atitude, e o tipo pescada – antes de ser já o era! Que já é jogador à Porto antes de chegar ao Porto.

Quando Pinto da Costa descobre um destes jogadores á Porto, do tipo pescada, já se sabe que vai dar caldinho. Caldinho à Pinto da Costa, como o Sporting bem sabe!

Conhecemos muitos destes jogadores á Porto. Assim de repente lembro-me de Cristian Rodriguez, de Ruben Micael e, claro, de João Moutinho, que a meio da época passada Pinto da Costa declarara jogador à Porto, com as consequências conhecidas.

Do primeiro lembro-me do seu enorme carácter: já tinha assinado contrato com Pinto da Costa mas em Portugal só jogaria no Benfica. E depois foi o que se viu, sempre um modelo de elevação a referir-se ao clube que o havia libertado das trevas do banco do PSG e projectado para o futebol nacional e para a selecção do Uruguai (sol de pouca dura: uma expulsão - a que no Porto não estava habituado –, correspondente castigo e … adeus África do Sul)!

Para o Ruben Micael nem há palavras. Foi a narrativa da sua própria experiência pessoal em matéria de túneis, foi a brutal agressão do Jorge Jesus e sei lá mais o quê. A sua atitude e o seu carácter apenas não se confirmaram com mais veemência porque uma lesão o afastou dos jogos … e dos microfones. Mas já regressou, e em grande forma. Agora a manifestar os seus encantos com o novo treinador (ou treinador novo, muito novo?), coisa que não sabe fazer sem ser desagradável com o anterior, o velho, muito velho. “Fazemos exercícios que nunca fizemos” ou “treinamos com uma grande intensidade, que é uma coisa a que não estávamos habituados”, são expressões de grande atitude. De grande elevação e de grande respeito por Jesualdo Ferreira. De grande carácter mesmo!

Já o João Moutinho é um caso flagrantemente diferente. Inverso mesmo. Se no Sporting havia alguém que pudesse simbolizar a atitude era mesmo ele. Deixava a pele em campo, comia a relva, era o capitão e o símbolo. Mas assim que Pinto da Costa o leva (e, ao contrário dos outros dois, com uma espécie de aviso prévio) transformou-se por completo. E não se transformou apenas num crápula empedernido, transformou-se numa maçã podre!

O Estado da Nação

Mais um debate parlamentar, desta vez o tradicional debate anual sobre o Estado da Nação, supostamente para tomar o pulso à dita. Ou á desdita, como é claramente o caso!  

O governo afinal fez marcha-atrás e voltou à fase de negação da realidade. Ao completo disparate de estórias de encantar de um país que não existe. Pensávamos todos que isto já tinha passado mas afinal lá estamos de novo. Não sei se é o efeito da tal oportunidade dourada ou se é um caso de demência pura!

O Parlamento voltou a dar ao país uma imagem de irresponsabilidade infantil, enredando-se num estilo de debate de mero entretenimento que já nada diz à nação. Chegou ao ridículo de andar horas a discutir centésimas de uma taxa de risco de pobreza, de 2008 e publicada pelo INE em 2009. Só porque o INE a voltou a pôr hoje nos jornais, a pretexto de corrigir umas centésimas, e alguém do gabinete do primeiro-ministro viu ali uma oportunidade de mandar com areia para os olhos de alguém.

Do lado da oposição, sempre disponível para alimentar o triste espectáculo, diria nada veio que mereça importância. Mas desta vez isso não é verdade!

Se bem que à revelia do politicamente correcto, ao arrepio do sentido formal da proposta política e, por tudo isso e mais alguma coisa, caída em saco roto, Paulo Portas apresentou uma proposta que faz todo o sentido: a constituição de um governo de coligação entre o PS, PSD e o CDS, para terminar a legislatura, no quadro da actual representação parlamentar chefiado por alguém a designar pelo partido mais votado, que não, naturalmente, Sócrates.

Esta é evidentemente a solução que, nesta altura, faz sentido. É a resposta à paralisia da governação que, como ontem aqui referia, atravessa o país durante três anos. É o botão que desliga o lume brando que vai cozendo Sócrates e o PS. É a fórmula para inverter um ciclo de desgraça onde, queimando mais três anos, hipotecamos mais dez anos do futuro das novas gerações!

Mas não serve de nada. Se calhar já foi apresentada para isso mesmo, para não servir de nada. A não ser para a fotografia!

É este o estado da nação!

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