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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

FAZ HOJE 50 ANOS

Por Eduardo Louro

 

Escrevi aqui há tempos que este é um ano de cinquentenários: tão rico e tão determinante foi o ano de 1961 na História recente deste país que parece sempre adiado.

Assinala-se hoje mais uma efeméride: faz hoje 50 anos que o Benfica conquistou a primeira Taça dos Campeões Europeus! Que tirou o futebol português do anonimato, levando-o até ao topo do futebol europeu e mundial, inaugurando uma década dourada com seis presenças, cinco delas consecutivas, na final da mais importante competição do futebol mundial de clubes!

Foi a 31 de Maio de 1961, no Wankdorf Stadium em Berna, que um desconhecido Benfica dos desconhecidos Cavèm, Cruz, Costa Pereira, Neto, Germano, Santana, Águas, Coluna, Mário João, José Augusto ou Ângelo, derrotou o todo-poderoso Barcelona das super estrelas húngaras – Kubala, Kocis e Czibor – de Luís Suárez e de Evaristo, o brasileiro.

Nesta vitória, por 3-2, o Benfica começou a perder - golo de Kocsis, aos 20 minutos – mas logo deu a volta ao resultado com o 1-1 do capitão José Águas e o 2-1 através de um auto-golo do guarda-redes catalão – Ramallets. Na segunda parte, aos 55 minutos foi Coluna – o monstro sagrado – a marcar o 3-1. Depois… bom, depois foi sofrer a bom sofrer! Sofrimento que o golo final de Czibor, a um quarto de hora do fim, só fez aumentar.

Nasceu aqui, em Berna há 50 anos, e ainda sem Eusébio – o King -, uma das melhores equipas de sempre e a melhor equipa europeia daquela década.

Ai que saudades!

 

DIFERENTES MEIOS, O MESMO FIM!

Por Eduardo Louro

 

As circunstâncias em que o Fábio Coentrão foi arregimentado por Sócrates para a campanha, abordadas no texto abaixo, trazem-nos obrigatoriamente à memória a campanha eleitoral de 2009, quando foi Luís Figo a entrar na mesma campanha.

Claro que o Luís Figo não é Coentrão. Apesar de craque e de disputado pelos maiores clubes do mundo, o Fábio é o miúdo de Caxinas, um meio pobre e de pescadores. Por isso surge na campanha de forma também completamente distinta da de Figo: logo á partida, e tanto quanto se saiba e seja possível saber, sem dinheiro. Depois, o ambiente: o requintado pequeno almoço com Figo num hotel de 5 estrelas deu agora lugar a uma sucessiva série de efusivos abraços (e autógrafos para os filhos) no meio das massas e da confusão. Enquanto Figo sabia muito bem ao que vinha – às massas– Coentrão parecia não saber bem o que lhe tinha acontecido no meio das massas… Uma simples questão de massas!

Meios (e métodos) diferentes – muito diferentes - para o mesmo fim. Agora, Fábio Coentrão, rapaz humilde trazido de borla para a fogueira por um cacique local. Então, Figo, conhecido por pesetero, recrutado à custa do dinheiro do Tagus Park – que, como não poderia deixar de ser, era o dinheiro dos nossos impostos, coisa que Figo viria depois a alegar desconhecer, circunstância que, segundo consta, lhe viria a ser muito útil para se safar de males maiores – e de um cacique dos negócios, dos altos negócios: o génio Rui Pedro Soares!

Ambos se terão arrependido. Mas Figo ter-se-á arrependido menos: ele não resiste - nem se arrepende – quando lhe acenam com uns trocos, venham de onde vierem!

Agora até da Tchetchénia! O grande líder tchetcheno, o presidente daquela república russa - Ramzam Kadirov - quis inaugurar na capital – Grosni – um estádio em homenagem ao seu convertido pai, de quem herdou a presidência. A partir de convites pessoais constituiu duas equipas: de um lado, uma selecção de políticos e atletas russos e, do outro, velhas glórias do futebol mundial, a quem pagou prémios que variaram entre os dez mil e o milhão de euros!

Claro que Figo lá estava, não podia faltar! Entre outros, de menos nome, lá estavam também Maradona, Papin, Baresi e Barthez. Apesar de tudo, numa altura destas, antes por lá que por cá…

FALTA!

 

Por Eduardo Louro

 

Assistimos ontem a uma entrada por trás, sem bola, muito feia e muito grave: para vermelho directo! Não, não foi em Wembley na final da Liga dos Campeões: aí foi um jogo limpo e sem casos, um hino ao futebol e ao fair play, como aqui no texto abaixo deixo perceber. Esta passou-se em Vila do Conde e foi às pernas do Fábio Coentrão!

Sabia-se que a máquina do PS de Sócrates tinha desenvolvido todos os esforços para, precisamente ontem em Vila do Conde, poder usar a imagem deste jogador do Benfica e um dos grandes ídolos do futebol nacional da actualidade. Sabe-se que ele resistiu como resiste em campo, esgueirando-se aos adversários e fugindo-lhes em direcção à linha final por entre fintas, simulações e mudanças de velocidade.

Eis se não quando, já na linha final e quando se preparava para o cruzamento letal, surge por trás Mário de Almeida – o jurássico presidente da Câmara de Vila do Conde que, com Mesquita Machado, em Braga, é o dinossauro dos dinossauros do caciquismo do PS – e lhe dá um toque subtil que lhe provoca o desequilíbrio fatal. É então que surge Sócrates e, sem dó nem piedade, lhe dá a sério o golpe (baixo) final!

O pobre do Fábio bem dizia que aquilo não era apoio nenhum, que só estava ali por causa do presidente… Que o presidente da câmara lhe tinha pedido muito. Tanto que ele não conseguiu dizer que não!

Mas qual quê? Para Sócrates não há dó nem piedade: exibiu-o até ao tutano! E, despudoradamente, proclamou o apoio de Coentrão como se não houvesse amanhã. Mesmo com ele ali ao lado a dizer que não estava ali para o apoiar, mas apenas porque o presidente lhe pedira. Mesmo que, perguntado se iria votar Sócrates, respondesse que não queria saber de política…

Sócrates não tem mesmo vergonha! Cartão vermelho, já!

CAMPEÕES

Por Eduardo Louro

 A melhor equipa do mundo é campeã da Europa com toda a naturalidade

Assistimos a uma das melhores finais de todos os tempos e de todas as competições. Esta final da Champions de 2011 entrará directamente para a História!

E, para ganhar a melhor final de sempre, nada melhor que a melhor equipa de futebol de sempre! Fantástico!

Todos os que gostamos de futebol – condição que tem de nos transformar em admiradores deste dream team – este sim – do Barcelona – esperávamos este jogo com grande expectativa: frente ao futebol de sonho do Barça estava o futebol completo do Manchester United, o futebol de posse e do campo todo que Sir Alex Ferguson produz há muitos anos em Old Traford sob patente há muito registada. No fundo muitos esperavam que a equipa de Nani, Rooney e Gigs pudesse travar esta portentosa máquina de futebol de Messi, Xavi, Iniesta e por aí fora.

Mas o United mais não conseguiu engasgar a máquina blau grana nos primeiros dez minutos e dar um sinal de digna revolta nos últimos dez, com apenas quatro remates e um único direito à baliza de Valdez: o do golo. Nos restantes 80% do jogo só deu Barcelona, num show de bola inesquecível, com os habituais e inacreditáveis níveis de posse de bola, a obrigar os red devils a correr atrás da bola, todos bem juntinhos e em cima da sua área!

Ganhou o Barça e ganhou bem. Ganhou Guardiola e os seus jogadores. Mas ganhou um em especial: Abidal, que ainda há dois meses descobria que tinha um cancro no estômago! Em apenas dois meses foi ao fundo e levantou-se ainda a tempo de disputar a final mais desejada e de conquistar o mais importante troféu de clubes do mundo.

Quem também teve aqui uma pequenina vitória foi Mourinho: o único treinador que consegue, apesar de tudo, dar mais luta a este invencível Barça. No ano passado conseguiu empurrá-los para fora da final e, neste, foi claramente o osso mais duro de roer…

FUTEBOLÊS #78 CAMBALHOTA

Eduardo Louro

 

O futebol está cheio de cambalhotas.

Há as cambalhotas no marcador, aquilo a que os espanhóis chamam remontada, que o futebolês também adoptou, mas que também conhecemos por reviravoltas no resultado: quando o resultado é invertido, quando uma derrota vira vitória, como diriam os brasileiros. Acontece num jogo, numa eliminatória ou mesmo numa curta poule de apuramento de uma fase de grupos disputada por poucas equipas. Raramente numa prova longa, onde é a regularidade a ditar leis. Às vezes acontecem daqueles jogos épicos onde se viram resultados negativos em três ou quatro golos, transformando derrotas pesadas em vitórias verdadeiramente sensacionais. Como épicos são ainda os jogos que provocam uma cambalhota numa eliminatória, que permitem ganhar uma eliminatória claramente perdida.

Há as cambalhotas no marcador mas também as cambalhotas do marcador: as cambalhotas com que os marcadores festejam os seus golos. Sim, há jogadores que escolhem a cambalhota para celebrar o golo: uns dançam, outros saltam e outros ainda desenham corações. Há ainda os que, quando estão com azia, mandam calar os adeptos. E há estes, os que os comemoram com saltos mortais: as mesmíssimas cambalhotas que, há já uns anos, Hugo Sanchez – um lendário mexicano que jogou no Real Madrid, co-recordista de golos marcados no campeonato espanhol, o tal recorde (38 golos) que Cristiano Ronaldo acabou precisamente de bater – introduziu nos festejos do golo e de que Nani – ao que parece por ser especialista em capoeira – é hoje o expoente máximo, mesmo contrariando Alex Ferguson que, pelos vistos, não é grande entusiasta desta forma de celebrar.

No nosso futebol – como em muitas outras vertentes da sociedade portuguesa, não fossem os portugueses gente muito dada à acrobacia – há outras cambalhotas. Cambalhotas fora do relvado! E há quem pretenda forçar cambalhotas: são tão especialistas neste género acrobático que querem generalizar a sua prática e impô-la a outros.

São cambalhotas que, de tão forçadas, são condenadas ao fracasso. É, por exemplo, a pretensa cambalhota na contabilização dos títulos.

As estruturas de mobilização e arregimentação ideológica do Porto, sempre em alta actividade mediática, tentaram criar a cambalhota nos títulos: por força de tal cambalhota o Benfica via esvair-se a enorme e impressionante vantagem de títulos que tinha face ao Porto. Benfica e Porto estavam agora, depois da vitória do último domingo na Taça – o quarto título de uma época que ainda bem que terminou – empatados com, salvo erro, 69 títulos. Empatados? Empatados não, porque isso seria com a Taça Latina de 1950, e essa não conta para nada – não é oficial - como logo conseguiram esclarecer através de uma nota da FIFA que ninguém viu mas que a agência Lusa jura existir.

Não há cambalhota nenhuma! Gostariam que houvesse, mas não há. Porque tudo tem as suas regras: uma delas aprendemos na escola, logo na primeira classe – perdoem-me a terminologia, mas é a do meu tempo – e diz que não se podem somar alhos com bugalhos. Somar supertaças com campeonatos nacionais não dá, não é? Uma coisa é um título atribuído por se ter ganho um jogo, um único jogo - e de preparação - de início de época. Outra, completamente diferente, é ganhar um campeonato de 30 jogos. Como diferente é um título ganho depois de ultrapassar cinco ou seis adversários em sucessivas eliminatórias. Pois é, o que soma são campeonatos nacionais: o Benfica tem 32 e o Porto 25. E o Sporting 18! E Taças de Portugal, que o Benfica conquistou por 27 vezes, o Porto por 20 e o Sporting por 19. E Taças da Liga: 3 do Benfica e nenhuma para os seus rivais. E Taças dos Campeões, com dois triunfos para cada um: Benfica e Porto. E a Taça das Taças, que apenas o Sporting, e por uma única vez, conquistou. E a Taça UEFA/ Liga Europa, que apenas o Porto conquistou, por duas vezes: a última na passada semana. E ainda a Taça Latina, que apenas o Benfica ganhou - por uma única vez – e que, sendo a precursora da Taça dos Campeões, não soma com mais coisa nenhuma mas também não desaparece. Como também não desaparecem os dois títulos intercontinentais – mais um título de um só jogo, a que a Toyota deitou a mão para não deixar cair nas profundezas do desinteresse - que apenas o Porto conquistou, em duas ocasiões!

Isto não se pode somar tudo. Daria uma grande caldeirada, com cada coisa a cair para seu lado, com tudo estatelado no chão numa cambalhota falhada!

 

 

UMA NOTÍCIA

Por Eduardo Louro

A notícia foi tornada pública no passado fim-de-semana: Almerindo Marques, que renunciara ao cargo de Presidente da Estradas de Portugal em Março - renunciara, não terminara -, vai, dois meses depois, presidir à Opway.

À partida esta seria uma notícia normal. Não é comum aos 72 anos, mas mudar de emprego não pode deixar de ser uma coisa normal. Por isso nem notícia seria. Não o é! E por isso é notícia…

A Opway é uma construtora do Grupo Espírito Santo (GES) que, com a Mota Engil, domina a Ascendi, a rainha das PPP nas estradas. A Ascendi, que reúne dois dos principais donos de Portugal – a expressão é de Louçã (num livro recentemente publicado) mas cada vez mais parece apropriada: o GES, de Ricardo Salgado e a Mota Engil, de Jorge Coelho. A quem a Estradas de Portugal, em completa rotura financeira, acabara de garantir mais 5,4 mil milhões de euros em rendas em PPP nas estradas. Sim, em rendas, porque não depende do número de carros em circulação.

Tudo isto na mesma altura em que o Tribunal de Contas arrasa as PPP nas estradas, e em particular nas SCUTS, denunciando vultuosos danos para o erário público. Para todos nós!

 O Jornal de Leiria de hoje publica também a notícia. Porque é notícia. Porque continua notícia, mas também porque Almerrindo Marques é uma personalidade do concelho de Leiria que, naturalmente, a região acarinha. Disse a este jornal: “terminei as minhas funções na Estradas de Portugal e vou trabalhar noutra empresa”, acrescentando que “nada mais” teria a acrescentar. Não é notícia, quis ele dizer!

Ao i – um jornal também com ligações (de capital) à região – declarou-se “tranquilo quanto às relações entre a construtora que vai dirigir e a empresa pública de que foi presidente desde 2007”. Acrescentou ainda que são “poucas as ligações” entre as duas empresas e que “quem não deve não teme”. É notícia, mas sem importância, quis agora ele dizer!

É claro que é notícia. E das más! Porque, como à mulher de César, não basta ser sério. Há que parecê-lo. E aqui não parece. O que é pena, porque Almerindo Marques tem 72 anos, uma carreira notável como gestor e cidadão, e uma imagem acima de qualquer suspeita a defender. Que, vá lá saber-se porquê, não soube defender!

 

ABORTO: O PROBLEMA NACIONAL

Por Eduardo Louro

Não fosse dramática a situação que atravessamos e esta campanha eleitoral seria motivo de hilariante gargalhada colectiva capaz de se ouvir no outro lado do mundo.

Ninguém fala dos juros que não vamos ser capazes de pagar, da recessão de dois anos que temos pela frente ou da catástrofe da Grécia, a mostrar-nos -a cores e ao vivo – o futuro que temos como certo já ao virar da esquina. Ninguém nos diz nada sobre o caminho que esta União Europeia está a tomar, agora pendurada das garras da Alemanha de Merkl. Ninguém se preocupa com o que tem vindo a lume sobre as SCUTS e as suas PPP. Sobre a estratégia para vencer a batalha da produtividade que nos garanta capacidade competitiva para poder crescer, nada! Ninguém se preocupa com isso… Brincam com a já famosa taxa social única (TSU), que a troika impôs sem que, pelos vistos, o governo tenha dado conta. Que o PS diz que é coisa para pensar lá mais para a frente, que agora o que importa é saber onde é que o PSD vai buscar o financiamento para a redução que propõe: se à cerveja, se ao vinho ou se a tudo o que mexa. Que o PSD quer baixar em quatro pontos, mas sem dizer como nem quando. Porque não sabe ou porque não quer que ninguém saiba! Sobre o que o CDS não sabe nada nem quer saber, porque a chuva, mesmo de pingo grosso como a destas trovoadas que por aqui andam, nem sempre molha: às vezes consegue passar-se entre os pingos mais grossos!

Não! Importante mesmo é falar da despenalização do aborto… Este é que é o grande problema do país, já todos o tínhamos percebido!

E pronto, lá foi introduzido mais ruído nesta campanha…

Que toda esta cambada que por aí anda em desfile pelo país entre em delírio e aproveite estes dislates para subir o patamar da barulheira, para que o ruído abafe tudo e não deixe ouvir nem discutir nada do que importa, a gente ainda percebe. O que a gente não percebe é que haja um jornalista – mesmo que da Rádio Renascença - que ache importante esclarecer agora, nesta altura, a questão do aborto. Mas o que a gente não entende de todo é que Pedro Passos Coelho não consiga perceber que só tinha uma resposta a dar. Esta e mais nenhuma: “ A questão da IVG não está neste momento na ordem do dia, passe à pergunta seguinte…”

Já basta de se pôr a jeito! Um dia destes deixamo-lo cair do colo…

 

 

VAMOS VOTAR (II)

 Por Joana Louro *

Não queria falar de política... Nem da campanha eleitoral. Não concordo com estas eleições: acho que, para o que afinal irão servir, quando o programa de governo é imposto de fora e alheio à nossa escolha democrática, haveria outras alternativas! Não estou de acordo com este modelo de campanha, com custos exorbitantes – apesar de se notar alguma moderação, visível pelos outdoors que se não vêm -, e praças cheias de gente que nem sabem ao que vão - ou que vão para matar a fome num saco de plástico com mais afronta e indignidade do que pão – que não podem votar, porque nem sequer são portugueses... Mas lá vão enchendo as praças sem que consigam encher de vergonha a cara de quem os levou até ali. Não consigo rever-me nisto... Mas também, neste momento, não me é fácil falar de outro tema: agora que o dia 5 de Junho está mesmo aí e a campanha está ao rubro.

 Pertenço a o grupo dos “indecisos”, que permite todas as leituras às sondagens que todos os dias vão animando este carnaval. Porque não me sinto motivada por nenhum dos candidatos nem por uma campanha que não toca nos gravíssimos problemas que temos pela frente para se entreter em fait divers e disparates de toda a ordem. É tudo demasiado mau para ser verdade: quem aqui aterrasse, vindo de outro planeta, nunca conseguiria imaginar que o país vive a sua maior crise do último século. Porque está demonstrada a incapacidade dos candidatos para apresentarem um projecto com segurança e credibilidade para um país que está no abismo económico e em total desagregação social. Porque não reconheço em nenhum dos candidatos suficiente capacidade pessoal, altruísmo e distanciamento das máquinas partidárias que garanta a composição de uma equipa de mérito para mudar o país... Porque a decisão de votar num candidato pelo único motivo de expulsar de lá o outro me sabe a pouco, a muito pouco... Ainda que possa ser compreensível, é triste. Este é um motivo que não legitima uma vitória, nem o próximo líder nacional...

Desde muito pequenina que os meus pais me ensinaram que a democracia era coisa muito séria. E votar era um direito e um dever, mas sempre um acto de grande responsabilidade... Cresci a acreditar nestes princípios e ao alcançar a maturidade cívica tentei aplicá-los com seriedade e responsabilidade. Pois o problema é que não revejo no único motivo que poderia decidir o meu voto – o voto útil, para expulsar um “criminoso” - responsabilidade social ou cívica. Reconheço-o apenas como um acto de desespero. E o resultado deste tipo de decisões nunca é bom... E este é o cerne da questão e o motivo da minha angústia.

Hoje, já grandinha, continuo a considerar a democracia coisa séria, muito séria, ainda que já lhe reconheça inúmeros defeitos... Afinal, como dizia Churchill, a democracia é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros. Por isso no dia 5 de Junho irei votar, mesmo não sabendo em quem, mesmo com muita angústia e preocupação, e sobretudo muito desencanto. E na realidade este é o meu único apelo: Votem. Não podemos permitir, por maior que seja a desilusão e o desencanto, que a abstenção diga ao mundo que nos estamos nas tintas ou que desistimos. Por nós, pelo nosso país, pelo futuro dos nossos filhos... mesmo dos que ainda não nasceram!

  

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

 

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