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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

DÉFICE DO I SEMESTRE: HERANÇA E DOTE

Por Eduardo Louro 

 

O INE divulgou hoje as contas do primeiro semestre, com o défice a cifrar-se nos 8,3% do PIB, longe, bem longe, dos 5,9 a que estamos obrigados e que o governo jura cumprir. Preocupante? Acho que sim!

Mas também não deixa de ser divertido. Para a maioria aqui está a pesada herança, a tal que jamais seria evocada, em carne e osso. Para o PS aqui está a Madeira e os desvarios de Jardim! Não é uma herança, é um dote!

 

DUDA GUENNES (1937-2011)

Por Eduardo Louro 

 

Partiu hoje o brasileiro mais português de Portugal, como gostava de se identificar. Duda Guennes era o estrangeiro (mas pouco) que durante mais tempo manteve uma coluna regular na imprensa nacional.

Assinava, desde 1980, uma coluna – Meu Brasil brasileiro, que viria a editar em livro – em A Bola onde, todos os sábados e durante mais de 30 anos, me deliciava com as venturas e desventuras de um dos povos que mais estórias tem para contar, contadas como só ele sabia.

Por razões que aqui confidenciei deixei há cerca de um ano de ser leitor habitual de A Bola. Confesso que só ao sábado era tentado por um certo arrependimento, quando me lembrava das suas crónicas e sentia a sua falta.

Acabaram as razões que me poderiam alguma vez levar a quebrar aquele compromisso!

 

BEM APARECIDO, MAL RESOLVIDO

Por Eduardo Louro 

 

Dizia-se que o Ministro da Economia andava desaparecido. E ouvia-se responder que estava a trabalhar. A trabalhar muito, sem abandonar o ministério, à procura de soluções para a nossa pobre economia, presume-se.

Entretanto, por necessidade ou por disponibilidade – vá lá saber-se –, o ministro apareceu. Como apareceu com programas e projectos para tanta coisa podemos concluir que aquele recolhimento deu os seus frutos, e que apareceu agora para os comunicar.

Tenho algumas dúvidas que assim tenha sido. Não é por nada, é apenas porque ele apareceu a dizer o que todos os seus antecessores disseram. E como é fácil de ver, para descobrir o que os outros já tinham descoberto, não era preciso tanto recolhimento. E depois, logo a seguir, percebemos que tanto recolhimento afastou-o da realidade. Esqueceu-se que não há dinheiro!

Mas, como os seus antecessores, veio anunciar dinheiro e mais dinheiro para cima dos problemas. São 100 milhões para um programa para desempregados há mais de seis meses, são apoios à internacionalização das empresas e são alterações ao capital de risco público para financiar isto tudo. E são duas linhas de velocidade alta para levar daqui os nossos produtos, de comboio, depressa e bem. Quantos milhões? Não se sabe, mas talvez os mesmos do TGV, ou por aí perto…

Eu bem desconfiava que naquela conversa de Madrid, quando ele disse que a decisão sobre o TGV seria anunciada em Setembro, havia gato escondido com rabo de fora. Os dinheiros de Bruxelas vêm à mesma, seja para TGV ou para outra coisa. Desde que meta carris, e os comboios que lá têm para nos vender, o dinheiro vem à mesma. E a parte que nos toca logo se vê. Até porque havia muitas indemnizações para pagar…

E anunciou um grande investimento de uma das grandes multinacionais. Mas nada mais disse, é segredo. E há afinal muita gente interessada em investir em Portugal… Já não vêm é a tempo de nos ajudar a resistir ao agravamento da depressão no próximo ano!

 

 

AGRICULTURA E DISTRIBUIÇÃO

Por Luís Fialho de Almeida

 

Na actual situação económica e de futuro incerto, é fundamental assegurar as necessidades básicas, nomeadamente a produção de bens alimentares e a sua distribuição junto dos consumidores, para que estes lhes tenham acesso a preços justos, com a garantia de qualidade e de segurança alimentar. Por isso, volto a falar do sector primário, que aliás está na ordem no dia e foi tema dominante no Prós e Contras da RTP 1 do passado dia 19, agora com representantes da produção, da distribuição e do poder político.

A produção, hoje dependente da grande distribuição para chegar ao consumidor, não se vê compensada do seu esforço e reclama clareza e equidade na distribuição do rendimento na cadeia de valor. Neste processo, sabemos que os organismos próprios do estado não deviam ficar alheios e inactivos e, sabemos também, como foi referido, que as margens de lucro das grandes superfícies subiram de 15% para 30%. Do ponto de vista das economias de escala a concentração de serviços é benéfica, mas da excessiva concentração e do efeito de monopólio não seria de esperar outra coisa. Como dizia o outro: “é a economia burro”!

As grandes superfícies asseguram cerca de 85% da distribuição do que consumimos e, a crer nos anúncios diários e permanentes com que as duas principais cadeias de distribuição nos massacram todo o santo dia, defendem a produção nacional. Mas ficamos a saber que a fruta do pomar nacional, o pescado das nossas águas e muitos outros produtos nacionais não representam mais de 50% dos congéneres que vendem. E que contínua a não haver qualquer restrição à importação, nomeadamente através do agravamento da taxa do IVA para produtos importados, que o são, em muitos casos, de países que utilizam mão-de-obra ao nível da escravatura e sem encargos ambientais.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição – APED, desvia a atenção para o facto de termos um parque de distribuição ao nível do que de melhor há no mundo, e do que isso representa em termos de modernidade e de criação de postos de trabalho. Obviamente que o esmagamento das margens de lucro de quem produz e os postos de trabalho que se perdem na produção e na pequena distribuição, passa a assunto secundário.

Do ponto de vista da modernidade do sector da distribuição, outros países preferem ser menos modernos mas mais competitivos, mantendo uma diversidade de estruturas, deste da loja de bairro à grande superfície, reconhecendo nas pequenas e médias empresas, forte potencial para a vitalidade económica dos respectivos países. No exemplo inglês, o estado está empenhado em ajudar as pequenas e médias empresas e, entre outras medidas, produz legislação em matéria económica, ouvindo previamente e de forma eficaz os representantes dessa mesmas pequenas e médias empresas.

Pelo nosso lado, e nesta matéria, seremos dos mais modernos do mundo, mas eventualmente mais pobres e, aparentemente, mais felizes, induzidos por uma publicidade a tornar-se doentia, mas usufruindo nos espaços comerciais de um clima de festa, com muita cor, musica e ambiente climatizado, que nos picos de Verão e de Inverno dão jeito para matar o tempo e, porque no fundo, até gostamos de ser seduzidos e tentados pelo consumo.

O actual poder político, representado pela jovem ministra Assunção Cristas, prometeu, tal como fizeram os seus antecessores, sentar à mesma mesa os diversos sectores. Mas é pouco, como se tem revelado, como é pouco colocar a tónica do ministério na gestão do PRODER e na afectação dos fundos financeiros comunitários e nacionais ao sector primário. Qualquer sector que tenha escoamento da produção e a remuneração compensadora do seu esforço, será investidor e inovador, mesmo sem grandes recursos financeiros externos. O exemplo dos jovens agricultores no debate foi claro, e serve também para o Sr. Presidente da Republica, preocupado que diz estar com a falta de jovens na agricultura (2% com menos de 35 anos). Mais do que recursos financeiros, faltam políticas para o sector ajustadas à nossa realidade.

É pertinente assumir a necessidade de remunerar o serviço que os agricultores prestam á sociedade, nomeadamente em matéria alimentar e ambiental. Mas também a necessidade de outros modelos de distribuição alimentar, já que este cresceu desmesuradamente e não nasceu naturalmente da fusão do retalho. E ainda a necessidade de conhecimento, como gerador de inovação e desenvolvimento, já que o Estado tem deixado cair as estruturas de investigação e de experimentação, deixando os agricultores entregues à sua sorte e na dependência do que o mercado vende.

Se o poder político continuar a dar importância ao sector, apenas no programa e no discurso mas não na atitude, então que dedique antes particular atenção ao controle do défice, coisa que também não tem feito, atendendo que só o défice com a Madeira (5.8 mil milhões), BPN (4.5 mil milhões) e Administração Local (7 a 8 mil milhões), para não falar da REFER, CP, RTP, parcerias público privadas e muitas outras situações - que se conhecem ou ainda por descobrir - dariam para cobrir o défice alimentar (3.5 mil milhões o que importamos anualmente com alimentos), durante cerca de 5 anos.

Da análise do que tem vindo a debate, particularmente importante para a tutela política e para salvaguarda da reserva estratégica alimentar do país, há que tirar conclusões lúcidas e tomar medidas sensatas, coisa que os hipermercados não vendem.

SATÉLITE, VAQUINHAS E BURACOS

Por Eduardo Louro 

 

Parece que ainda ninguém sabe onde acabou por cair o satélite da NASA, de 6 toneladas, e que responde pelo nome de UARS.

Fazia-me alguma confusão - mesmo alguns arrepios - pensar num monstro de 6 toneladas a cair algures, fosse lá onde fosse. Seria um azar do caraças se aquilo caísse num qualquer aglomerado populacional, mas nunca se sabe. Depois lembrei-me que poderia cair numa ilha, e isso é que seria um buraco… Ou ilha ao fundo!  

Primeiro ouviu-se dizer que teria caído algures em África. Boato! Garantem agora que caiu lá para os lados do Pacífico, e que algumas peças terão atingido o Canadá.

Foi um alívio. Só de pensar o que seria daquelas vaquinhas que riem, todas atrás umas das outras a fazer as delícias do nosso presidente, se tivesse caído no meio do Atlântico… Ou das obras que seriam destruídas ainda por inaugurar. Que buraco!

Ah! E sabem o que é que o UARS andou a fazer lá por cima antes de se estatelar? Andou por lá uns 20 anos a medir a química da parte superior da atmosfera e serviu para medir um buraco. O do ozono, claro!

Vamos a ver se o outro, por cá, será medido em menos tempo. Já percebemos é que não o será até ao próximo dia 9

 

DEMOCRACIA E LIMITAÇÃO DE MANDATOS

Por Eduardo Louro 

 

Quando a Madeira já chegou à Madeira discute-se a falta de uma disposição de limitação de mandatos. Houvesse limitação de mandatos e há muito que Jardim teria deixado de brincar connosco, diz-se. Ou teria ido pregar para uma outra qualquer freguesia, eventualmente com muito menos brinquedos!  

Num país que foi outrora pátria de amanhãs que cantam há uma democracia com limitação de mandatos. A presidência daquela República está limitada a dois mandatos de quatro anos, como mandam as boas regras da democracia!

Alguém neste país terá provavelmente entendido que os mandatos eram curtos, que quatro anos é pouco tempo para executar obra e construir a felicidade do povo. Foi decidido aumentá-los para seis anos, a nova periodicidade do próximo mandato. É aceitável e já assim é nalguns países, que não são menos democráticos por isso.

Este país de que vos falo é, como já terá dado para perceber, a Rússia. Que vai a eleições presidenciais em Março do próximo ano, que também já foi o país dos czares, e que, desde a queda do império soviético, descobriu uma democracia muito particular: a czardemocracia!

É simples: o czar é primeiro entronado e depois eleito. A seguir escolhe um secretário e, como bom czar que é, nomeia-o primeiro-ministro. Esgota os seus mandatos e troca com o secretário: passa ele a primeiro-ministro e manda votar no secretário para a presidência que, esgotados os dois mandatos, lhe devolve de novo a presidência, entretanto com mandatos constitucionalmente mais alargados. Tudo constitucional. Tudo democrático, tudo decidido pelo povo eleitor!

Houvesse limitação de mandatos nas regiões autónomas e teria sido o Alberto João a descobrir esta fórmula mágica da democracia, roubando a patente a Putin. O Mr Dupont e o Mr Dupond seriam Vladimir Alberto João Putin e Dimitri Jaime Ramos Medvedev!

Quando as coisas são como são e o povo é como é, isso da limitação de mandatos, como diria a outra, não interessa nada!

 

 

Futebolês #94 JOGAR PARA O RESULTADO

Por Eduardo Louro

  

O jogo joga-se, evidentemente. Enquanto se joga vai-se construindo o resultado do jogo e, no fim, lá estará o resultado final. Dito assim, jogar para o resultado parece não fazer muito sentido. Ou é um pleonasmo ou um absoluto non sense!  

Mas, como por aqui se tem abundantemente demonstrado, o futebolês tem esta particular vocação de dar sentido ao que não parece tê-lo e de deixar claro o que parece ininteligível.

A essa coisa de o jogo se ir jogando e no final lá estar o resultado, o futebolês também dá nome: chama-lhe jogar o jogo pelo jogo. Não fosse em futebolês e aí estaria mais um non sense!

 Do que ficou dito se percebe que jogar o jogo pelo jogo é uma coisa. Outra é jogar para o resultado. Jogar o jogo pelo jogo não significa desprezar o resultado porque esse, evidentemente, é sempre e incondicionalmente o mais importante do jogo. Ninguém se importa muito se a sua equipa jogou bem – embora seja naturalmente sempre preferível a jogar mal –; importa é ganhar! Daí que jogar o jogo pelo jogo seja uma expressão rara na linguagem dos adeptos e frequente na dos treinadores … Mais frequente quando perdem. Quando dizem que viemos jogar o jogo pelo jogo, sem nada a perder é porque … perderam! Se ganharam não vieram jogar o jogo pelo jogo, vieram com ambição de ganhar!

Por isso, e sem tretas, toda a gente joga para o resultado. Com as armas que cada um tem, como é natural. Uns jogam para o resultado com anti-jogo, com matreirice e a chutar a bola para onde estão virados. Outros com nota artística, como Jorge Jesus gosta de dizer.

Foi, de resto, o que fez neste jogo do Dragão com o Porto. Jogou para o resultado – e nem sempre com nota artística -, jogou claramente para o empate quando, com outra postura e nas actuais circunstâncias deveria ter jogado para ganhar.

O que o Benfica fez é aquilo que, em futebolês, uns dizem correr atrás do prejuízo e, outros, correr atrás do resultado. A perder, o Benfica tomou a iniciativa de jogo – mais uma expressão futebolesa - e correu à procura do golo. Não se julgue que esta afirmação decorre apenas da reacção aos golos marcados, naquela atitude típica de recuar a equipa depois de marcar. Se na primeira vez que chegou ao empate não houve sequer tempo para perceber a reacção táctica – o Porto regressou à vantagem dois minutos depois – já após a marcação do segundo golo se percebeu uma atitude de recuo, bem expressa com a entrada de Matic para a saída de Cardozo, num momento do jogo em que o Benfica estava claramente por cima. Competia-lhe a ambição de acentuar essa conjuntura de superioridade. Como lhe teria competido entrar de outra maneira no jogo e não ter permitido que o Porto dominasse como dominou a primeira parte. Não que tivesse entrado com medo – não se percebeu isso, como se percebeu noutras ocasiões – mas porque ficou claro que, querendo, poderia estar por cima do jogo. Poderia ter mandado claramente no jogo em vez de, simplesmente, o pretender controlar. Lá atrás!

Mas este foi um jogo bem diferente dos dos últimos anos. Bem diferente dos do ano passado, com bolas de golfe, pedras e isqueiros a voar para o relvado. Foi anunciado que estaria por lá gente da UEFA. A observar o árbitro, mas, já que lá estavam, observariam o que lhes fosse dado a observar…

Esperemos que não tenha sido por isso que este tenha sido um jogo normal, sem incidentes e bem longe do clima de terror que tem marcado os últimos jogos do Benfica no Dragão. Gostaria de acreditar que tenha sido porque as coisas mudaram mesmo, mas as declarações do treinador e dos jogadores do Porto no final do jogo não mo permitem. Até pela forma como se viu terem sido ensaiadas!

Quando o Fucile passou todo o jogo a teatralizar simulando agressões, aproveitar uma dessas ocasiões - que o árbitro, por ser já a terceira ou quarta, puniria com um amarelo – para reclamar da arbitragem e do resultado não passa de mais um dos habituais incêndios em que alicerça a sua estratégia de jogar para o resultado! Ou de construir resultados…

 

 

 

COMO PILATOS, OU TALVEZ NÃO

Por Eduardo Louro 

 

Ontem, numa prisão do estado americano da Georgia, foi executado o cidadão norte-americano Troy Davis que, durante os mais de vinte anos que passou no corredor da morte, jurou a sua inocência na morte de um polícia à paisana, em 1989, de que era acusado. Sucederam-se os recursos, os apelos e as petições, e as provas irrefutáveis nunca apareceram – arma do crime, que nunca foi encontrada, impressões digitais, etc. –; mas a sentença permaneceu, implacável, até à sua execução. Ontem!

É chocante. Porque a pena de morte choca e porque choca ainda mais numa sociedade como a americana, esse farol da liberdade e da democracia apontado ao mundo e paradigma de civilização e do desenvolvimento. Mas também pela frieza de uma pena de morte aplicada numa condenação sem objectivas e irrefutáveis provas de culpa.

Várias foram as personalidades que pediram clemência e reclamaram o indulto desta pena: actores e actrizes de HollWood, o ex-presidente Jimmy Carter e até o papa Bento XVI. O presidente Obama, chamado a intervir, fez como Pilatos. Que não tinham nada a ver com aquilo, que era assunto do Estado da Georgia e não da competência do seu poder federal!

Não sei quantas pessoas terão sido executadas durante o mandato de Obama, mas sei que a esperança que o mundo depositou em Obama não encaixa nesta indiferença. Sei que o Obama que lava as mãos desta maneira nãos a pode voltar a mostrar ao mundo. Porque estão sujas!

Hoje, na assembleia-geral da ONU, a Palestina pede o reconhecimento do seu Estado como o 194º membro da Organização. É minha convicção que, no actual momento histórico e sem me deter em argumentações que seriam fáceis de encontrar, porque esse não é agora o objectivo,  seria fácil votar este pedido de adesão, um dos maiores, se não os maior, contributos para a solução do eterno problema do médio oriente que, como todos já percebemos, há muito que deixou de se limitar àquela zona do globo.

Mas os EUA não o permitem e Obama veio explicar que é preciso negociar primeiro. Não diz é o que é há a negociar quando, como todos sabemos, o que está em causa são os colonatos que Israel instalou e que continua a instalar. E que, enquanto contar, como conta, com a protecção americana, continuará a expandir sem nada negociar.

Quando Obama anuncia o veto e diz que preciso, primeiro, negociar, está a lavar as mãos, exactamente como fez perante a execução de Troy Davis! E, como aí, a trair a esperança dos que vibraram com a sua vitória eleitoral há apenas três anos!

Há três anos o mundo elegeu Obama. Pode ser que daqui por pouco mais de um ano os americanos o reelejam!

EM ESTADO BIPOLAR

 Por Clarisse Louro *

 

Às vezes acontecem dias destes em que balançamos entre a tristeza e a alegria, entre o mau e o bom humor, entre a ansiedade e a paz tranquila, entre o desespero e a esperança.

Hoje é um desses dias. Na ordem do dia está o buraco da Madeira com toda a legião de discursos deprimentes que, como a própria ilha, lhe são adjacentes.

A começar pelo discurso do próprio Alberto João Jardim. Se sempre foi absolutamente impróprio para consumo agora, quando o mínimo que se exigiria seria algum decoro e algum recato, é verdadeiramente vergonhoso. Percebe-se que resulta, como sempre resultou. Percebe-se que o mestre da demagogia e do populismo está a abusar desses trunfos para radicalizar e dramatizar o discurso, usando registo que melhor domina para colocar o jogo no campo onde se sente como peixe na água. E percebe-se que o eleitorado não estará em condições de o julgar e que a democracia sairá penalizada.

A continuar no discurso ambíguo ditado por uma bacoca solidariedade partidária vocacionada para uma indisfarçável tentação de branqueamento, e passando pelo discurso de arremesso de quem está cheio de telhados de vidro. Contribuindo, todos, para reforçar aquele reduto de demagogia e populismo onde Jardim ergue as suas trincheiras, afinal as trincheiras onde todos se arrumam para que nada de substancial mude.

Mas é também o dia da reabertura das aulas no Instituto Politécnico. Já se nota outra cidade, mais viva e mais rica pela vida que estes milhares de jovens lhe empresta. Jovens em quem entusiasticamente acredito. Jovens com muita qualidade, ao contrário do que por aí se diz, e que bem podem garantir o futuro deste país.

Para além dos que conheço por força da minha actividade profissional tenho ainda muitas outras oportunidades de continuar a percepcionar a qualidade da nossa juventude. Desde logo como mãe, pelo que vejo nas minhas filhas e pelo que vejo através delas, do seu desempenho e pelo de muitos dos seus colegas e amigos. Mas também como membro da comunidade Rotary – particularmente atenta aos jovens e aos seus desempenhos - onde tenho o privilégio de conhecer e contactar com jovens verdadeiramente excepcionais, como os que vamos agora homenagear no Rotary Club de Porto de Mós.

Como Samuel Martins, um jovem já laureado com diversos prémios nacionais e internacionais, Licenciado em Engenharia Física Tecnológica com 19 valores pelo Instituto Superior Técnico (IST) e Doutorado (aprovado com distinção) em Física Computacional pelo mesmo IST e pela University of California Los Angeles e quadro (Associado Senior) de uma das mais prestigiadas consultoras internacionais – a Mackinsey.

Claro que com jovens destes temos mais razões para acreditar no nosso futuro, no futuro desta nossa tão maltratada terra. Mas temos ainda mais razões para nos envergonharmos do país que lhe deixamos. Um país onde muitos deles não irão caber!

Algo de muito errado se passa quando um país consegue formar gente desta qualidade e, depois, não tem lugar para eles. Algo de muito errado se passa quando um dos países que mais gasta em Educação forma gente para exportar.

Algo de muito errado se passa quando é gente muito medíocre que diz a gente desta qualidade que o país não conta com eles…Ou que eles não contam para o país… Ou que lhes fecha as portas na cara…

Pois é. Por mais voltas que dê não consigo largar este meu estado bipolar! Tão bipolar como este Estado que faz destas coisas!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

 

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