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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

“Os tempos de soberania limitada acabaram na Europa”

Por Eduardo Louro

 Durão Barroso recusa interferência russa no acordo com a Ucrânia


 (Foto daqui)

 

Durão Barroso não poupou em veemência ao declarar que “os tempos de soberania limitada acabaram na Europa”. Foi com grande convicção, e com a autoridade digna do que se diria ser um verdadeiro líder europeu, que Durão Barroso vincou a superioridade civilizacional da Europa e do seu projecto.

Mas – atenção – estava a falar da Ucrânia. Nada de precipitações!

No ponto

Por Eduardo Louro

 "NY Times" compara situação do burro mirandês à dos portugueses

 

Este governo está um mimo, exactamente no ponto.

Paulo Portas vai efabulando à volta das exportações – “uns dedicam-se às exportações e outros a manifestar-se” e outros, acrescentaria eu, a dizer e fazer disparates - sem sequer perceber que não somos produtores de petróleo.

Nuno Crato anda eufórico com os 40 mil professores já inscritos para o exame. Que ainda não perceberam que entretanto já não são professores. Que, ao inscreverem-se para o exame, deixaram de ser professores para passarem a ser candidatos a professores. E muito menos perceberam que, para o ministro Crato, deixaram de ser uma dor de cabeça – um exército de contratados excedentários – para passarem a ser uma excitante e grata surpresa. É que o ministro Nuno Crato não conseguiu esconder a surpresa pela afluência ao exame que, no seu entender, quer apenas dizer que há muita gente, jovens e menos jovens, que quer ser professor e dignificar a profissão. Gente que gosta da profissão, e isso é o primeiro passo para serem bons professores… Notável!

Notável é ainda o ministro Aguiar Branco, que garante toda a transparência no processo de reprivatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, ao mesmo tempo que diz aos trabalhadores que recebem agora as suas indemnizações mas que em Janeiro estarão de volta ao seu trabalho nos Estaleiros. Porque só eles têm qualificação para isso!

Melhor só o burro mirandês que hoje faz capa (e chacota) no International New York Times…

Apelos (de uns e de outros)

Por Eduardo Louro

 

Há para aí pessoal que anda excitadíssimo de indignação com os apelos à violência de Mário Soares, Pacheco Pereira, Helena Roseta ou Vasco Lourenço.

Já este caso não excita ninguém, e até porque não é mais que  um remake de Mário Soares  - o próprio provérbio à parte, nunca presunção e água benta estiveram tão próximas -  não contém apelo nenhum. Também Belmiro de Azevedo não apela a coisa nenhuma. Quanto muito estará a apelar aos responsáveis pelas suas lojas... para que se não esqueçam de manterem actualizados os seguros contra roubo!

Ridículo?

Por Eduardo Louro

 

Provavelmente o Benfica está afastado da Champions e a caminho da pouco prestigiada, mas nem por isso menos desgastante, Liga Europa. São reduzidíssimas as probabilidades de ser de outra forma: não há milagres, que era o que se pediria para que um resultado positivo na Luz frente ao PSG convergisse com um resultado negativo dos gregos do Olympiakos, em Atenas, frente ao Anderlecht, a mais fraca equipa do grupo, onde irreversivelmente ocupa o último lugar da classificação.

É lamentável que assim seja, porque o Benfica tem muito mais qualidade que a equipa grega e tinha a obrigação e a responsabilidade de se classificar num dos dois primeiros lugares do grupo que, como cabeça de série, encabeçava. Mas também porque, afinal, esta sorte acabou por ser ditada no melhor jogo que fez, não só na competição, mas em toda a época. Não fora essa derrota de Atenas – com tanto de injusta quanto de injustificável – e o apuramento estaria hoje garantido.

Hoje, depois da vitória em Bruxelas – a primeira do Benfica, mas também a primeira de uma equipa portuguesa – num jogo que nada teve a ver com o de Atenas, a confirmar que o nível de desempenho da equipa, se fosse traduzido para um gráfico, mais pareceria um electrocardiograma de alguém com graves problemas cardíacos. Em que se voltou a salvar o resultado por obra e graça - de Rodrigo, que entrara 3 minutos antes, pensaria o leitor se não estivesse rotundamente enganado – de … Jorge Jesus. Sim – explicou ele no final do jogo – foi naquele momento em estava para entrar o Ivan Cavaleiro que, num golpe de génio, só possível por inspiração divina, decidiu que não iria defender o empate que lhe garantia a presença na Liga Europa mas, antes, ganhar o jogo que lhe permitiria não levar de imediato com a porta da Champions na cara…

Um visionário, um homem de rasgo... A inteligência, a humildade, a coragem e o arrojo em forma de treinador.

Ridículo? Não. É assim mesmo!

Business as usual...

Por Eduardo Louro

 

O governo confirma as suas invulgares aptidões para o negócio. Nunca será de mais relevar a invulgar mestria deste governo na arte de bem vender a coisa pública, uma mestria forjada nas artes do talhante. Desta vez são os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, onde o governo voltou a fazer tudo como bem sabe: pegou na peça, abriu-a e separou carne para um lado e ossos para o outro. Pegou na carne e entregou-a a um grupo privado; os ossos - já se sabe - ficam para nós!

Business as usual…

Rituais

Por Eduardo Louro

 

Com a aprovação na especialidade do Orçamento para o próximo ano cumpriu-se mais um ritual. A maioria aprovou o que o governo quis que fosse aprovado e, quando o presidente insiste no seu esgotado ritual de apelo ao consenso, não se limitou a ignorar as propostas da oposição. Foi mais longe e sentenciou que, consensos, só com outra liderança na oposição… Quer dizer, a maioria já não quer apenas limitar-se a determinar a governação, acha que deve ainda determinar a oposição. Do tipo: esta oposição não serve, queremos outra para brincar aos consensos!

E pronto já só falta o ritual de suspense do Tribunal Constitucional. E, claro, o dos sucessivos orçamentos rectificativos, porque este, mais ainda que todos os que ficaram para trás, não é para cumprir. O que não significa que não faça mal: não vai ser cumprido, mas faz todo o “mal” que tem a fazer. Sem que atinja nenhum do “bem” que apregoa!

Não faltou também o ritual de contestação, um pouco por todo o país, mas especialmente à frente do Parlamento, onde desta vez ninguém subiu as escadas. E, lá dentro, à hora da intervenção final da ministra Albuquerque, gritou-se demissão - um clássico seguido do ritual de evacuação das galerias!

Pelo sim e pelo não, não passem as coisas para lá dos rituais, Passos Coelho cancelou a viagem à Lituânia marcada para quinta e sexta-feira...

Homenagem a Ramalho Eanes

Por Eduardo Louro

 

 

Talvez uma boa maneira de assinalar mais um aniversário do 25 de Novembro seja homenagear Ramalho Eanes. Já o inverso é mais discutível, homenagear Ramalho Eanes para comemorar o 25 de Novembro poderá não ser uma grande ideia.

Eanes é, indiscutivelmente, uma das principais figuras da História da democracia. Mais, na minha opinião, por ter estado à hora certa no sítio certo do que por qualquer outro motivo. A História é assim mesmo, e quando é feita de sucessivas enxurradas de acontecimentos, incontrolados e incontroláveis como aconteceu em Portugal, é pródiga em heróis mais ou menos acidentais.

Do 25 de Abril ao 25 de Novembro e daí à Presidência da República foi uma enxurrada. Os 10 anos de Presidência não fogem muito disso, ou não tivesse sido eleito pela direita e reeleito pela esquerda. E apesar disso, e do  elevado grau de dificuldade dos dois mandatos, em especial do primeiro, foram cumpridos quase que em regime de serviços mínimos, a coberto de um ar esfíngico tornado cortina impenetrável. Para além da esfinge nada se via, nada se percebia…

Não me esqueço da sensação estranha que me provocou a entrevista de despedida de Belém, nos primeiros dias de 1986, nas vésperas da passagem do testemunho a Mário Soares. Não me recordo de muitos pormenores, nem sequer do entrevistador, mas tenho tão presente como se fosse hoje aquela minha sensação de incredibilidade: mas foi esta personagem que ocupou o lugar mais alto do Estado durante dez anos? Como foi possível esconder tanto vazio durante tanto tempo?  

Nessa altura, se bem nos lembramos, já tinha inspirado um partido político que se tornara, de imediato, na terceira força política e na grande pedrada no charco da política portuguesa. Ouvi-o hoje comentar as indefinições e indecisões que marcaram (e mataram) o PRD com a linear explicação de que não tinha condições para liderar um partido político. Não tinha de facto, como bem tínhamos percebido naquela entrevista em que, pela primeira vez, deixara cair a cortina por de trás da esfinge…   

Ramalho Eanes percebeu isso ainda a tempo de aproveitar em pleno a sua condição de ex-presidente para se valorizar. E a verdade é que ganhou a substância que não tinha, e conquistou como ex-presidente a relevância nacional que não tivera como presidente. Que hoje gere com a mesma eficácia com que no passado geriu a sua esfinge de presidente. Mas sem cortina! 

A onda

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 

Há muito que somos arrastados, dia após dia, numa onda de decadência que nos leva as expectativas e a confiança na governação do país. Levámos mais de quatro décadas de ditadura a fortalecer a esperança que um dia o estado tirano seria substituído por um estado garante da uma cidadania activa, com livre iniciativa económica e cultural, integrante de uma sociedade mais justa e próspera. Mas também já levamos quase quatro décadas a destruir a esperança, pela corrosão do tecido social e do aparelho produtivo, destruindo a classe média e agravando assimetrias entre estratos económicos e sociais.

É reconhecido que o sistema político e da justiça está refém do sistema financeiro. Alguns, de forma mais dura e contundente, lamentam ver a democracia a ser inquinada pela cleptocracia. Igualmente, lamenta-se ver que muitos dos arautos da liberdade e defensores dos valores democratas, são os mesmos que manipulam a sociedade e a destroem.

Também a história nos ensina que os períodos de enorme perturbação social: com fome, desemprego, injustiças sociais, desilusão política, são propícios ao renascimento de movimentos redentores, capazes de motivar descontentes e indignados, mas que os poderão levar para caminhos indesejáveis. 

A nossa habitual passividade e a emigração - outrora de esfomeados e pouco instruídos, mas agora de jovens com elevado nível de instrução - ajudam a reduzir o potencial detonador de rebeldias, mas o agravar do descontentamento não afasta, de todo, a conflitualidade capaz de libertar os gritos violentos que andam abafados.  

Tal como o surfista não resiste à onda porque o apelo supera a vontade, os oprimidos, sem acesso aos bens essenciais e à dignidade, não resistirão ao apelo de ordem superior que lhes dê autoestima e um sentido para a vida. Se alguém vier com um discurso político impregnado de um ideal, de uma causa maior que resgate os oprimidos de tiranias, oferecendo-lhes o pão e um sentido de vida que se perdeu ou nunca se teve, poderá agigantar uma onda de mobilizados por um ideal de superioridade, mesmo que a razão se aniquile, e os pensadores da razão deixem de pensar, como fez Heidegger ao pactuar com o nazismo.

Hitler encontrou no seu mentor, Dietrich Eckart, a base ideológica capaz de arrebatar milhões de alemães para um movimento purificador e construtor de uma sociedade nova, à custa dos maiores crimes contra a humanidade.

Sabemos, também, o poder das marcas que ficam no crescimento e na formação do ser humano. Os órfãos de guerra, que crescem com as feridas dolorosas de assistirem ao genocídio que lhes levou os pais ou irmãos, poderão ser potenciais terroristas. Os órfãos de pátria, sem valores de referência, sem emprego, sem objectivos, são facilmente manipuláveis se alguém lhes oferece uma causa, uma ideologia, um sentido de utilidade, mas também a unidade e o colectivo como força.

Numa sociedade em desagregação, aqui e na Europa: os ricos crescem em número e riqueza e poderão ter armas para sua defesa; os pobres cada vez mais pobres e em maior número terão cada vez mais ódio. “Nunca se sabe o que uma multidão com fome pode fazer” – Nuno Júdice, in “A Implosão”, edição D. Quixote.

A Onda” é um filme que relata um caso verídico passado numa escola com um professor que durante uma semana dirige, na sua turma, um exercício de autocracia, experimentando, ele próprio, a transformação num líder e deste num ditador, enquanto os seus alunos são facilmente manipulados numa onda de cariz fascista da qual ele perde o controlo. É um filme para ver e reflectir à luz dos problemas actuais de deterioração dos ideais democráticos e do fortalecimento de movimentos radicais de direita, por vezes com incursões no racismo e na violência, num contexto de falência dos estados provocada pela globalização.

 

Nota: O filme “A Onda” passou em Lisboa há anos, encontra-se agora nos clubes de vídeo, mas também é possível ver pesquisando sem sair de casa. 

Neste país não há vergonha!

Por Eduardo Louro

 

 

Confesso que depois das escutas do apito dourado, que reduziram a criatura que escrevia em jornais, e se dizia por isso jornalista, a mero escroque, não mais ouvi falar do personagem. Pensava eu que alguma vergonha e o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas o teriam mandado para outras paragens e dedicar-se a outras lides!

Mas não, ontem reapareceu na RTP Informação. Isso: na estação pública que todos pagamos, como comentador de futebol em mais um dos inúmeros programas que o canal dedica à discussão enviesada das coisas da bola.

António Tavares Teles está de volta, pela mão da RTP e dos mesmos do costume. Reabilitado, como se nunca nada tivesse acontecido. E isso quer dizer muita coisa... E não apenas que neste país não há vergonha!

Fantasmas e maldições

Por Eduardo Louro

 Benfica desinspirado vence Sporting de Braga trabalhador

 

O Benfica regressou hoje às exibições que têm sido regra esta época, regredindo claramente em relação ao jogo de Atenas e ficando muito aquém do último jogo, com o Sporting, para a Taça.

É inadmissível que, com um treinador que já vai na quinta época, e mais uma série de novos em cima dos mesmos jogadores da época passada, o objectivo seja atingir o nível exibicional da última época. E não é inadmissível apenas por esse tal nível não ter chegado para ganhar nada, é porque, à quinta época e com mais – muito mais – meios ao treinador tem que se exigir ir além do que já foi. Ficar no mesmo sítio não faz sentido, ficar aquém – e tão aquém, como é o caso – é simplesmente absurdo!

Ganhou – e aproveitou do empate do Porto – porque, ao contrário da equipa, o Matic já está ao nível da época passada, mas não mereceu ganhar. Nunca conseguiu superiorizar-se claramente a um Braga que, ao contrário do que se diz, não vinha de quatro derrotas consecutivas - porque houve uma interrupção nas competições e porque no último jogo, para a Taça, ganhara em Olhão -, mas não está propriamente em alta. E nem se pode dizer que tenha apresentado na Luz uma estratégia do arco-da-velha. Fez aquilo, mas em bem feito, que faz grande parte das equipas quando jogam com o Benfica - bloco baixo, linhas juntas, espaços tapados e transições rápidas - cujo antídoto, como se sabe, passa por uma mistura de mobilidade, velocidade, intensidade, qualidade de passe e de desmarcação. Que faltou claramente ao Benfica, porque parece que há jogadores que sabem mas não querem, outros que querem mas não sabem e ainda outros que querem mas não podem!

E porque há até jogadores que o não são. Desapareceram e deles restam apenas os seus fantasmas. O Rodrigo teve o seu Alcácer Quibir há dois anos atrás, em S. Petersburgo, às mãos – mãos, pés, joelhos… - do Bruno Alves, e não há manhã de nevoeiro que o devolva. O Lima foi César quando chegou o ano passado à Luz: chegou, viu e venceu, tornou-se na sensação da época e marcou (na Liga) mais golos que o Cardozo, dando muitas mais soluções à equipa. Desapareceu no final da época, foi de férias e não mais regressou...

E porque há as lesões. Não há um único jogo sem que jogadores se lesionem. No último foi Rúben Amorim, que estava a parecer ser a chave de alguns problemas; hoje foi Siqueira, que estava a ser um problema, confirmando que a coisa não se fica apenas por fantasmas. Há ainda maldições, e a maldição do defesa esquerdo continua aí.

Tão penoso quanto ver hoje o Lima e o Rodrigo é o discurso de Paulo Fonseca. Agora até de medicina põem o homem a falar… É por isso que não diz coisa com coisa (essa do Nacional ser a besta negra do Porto é digna de compêndio), que a maldição aperta (não há maior maldição que aquela  assobiadela final), e que já há fantasmas à solta. O que logo em Setembro era um tetra dado por adquirido já só vale um pontinho. Não vai correr bem, não vai não!

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