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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O povo. Soberano, coitado...

 

O povo... Sempre o povo, em nome do povo e da sua vontade. Soberano, coitado... Não é só invocar o nome de Deus em vão que deve ser pecado. O invocar o nome do povo em vão também deveria ser pecado. Não diria mortal, daqueles que se resolvem numa confissão com meia dúzia de padres nossos, mas pecado político, cuja absolvição substituisse uns padres nossos e umas avé-Marias por uma penitência de prolongada abstinência de candidaturas eleitorais.

Foi talvez a pensar nisso que os mestres da demagogia política criaram a célebre retórica interrogativa: "Se isto não é o povo, onde é que está o povo"?. 

A questão desarma qualquer um, e encontra sempre um povo à mão para tudo o que der jeito. Lembrei-me disto tudo ao ouvir Paulo Portas dizer que só sabe que não foi pela vontade do povo que "Assunção Cristas, ontem, era ministra da Agricultura e hoje é deputada da oposição, eu ontem era vice-primeiro-ministro e hoje sou deputado da oposição". 

Não há Planeta B

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Hoje foi dia de o mundo dizer ao mundo que não há Plano B. Que não há Planeta B. Que só há este, e que temos de parar de o destruir...

Por todo o mundo. Mesmo em Paris, onde já não é proibido proibir, e a partir de amanhã se reúnem os que nele mandam para, sob as mais espectaculares medidas de segurança, fazerem o que sempre têm feito: declarações que nunca passam disso. Assobiar para o lado!

Primeiro estranha-se, depois entranha-se... Que assim seja!

 

Será certamente insólito. É estranho, e estranha-se. Não sei se chegará a entranhar-se... Se funcionar, se resultar acabará, como tudo o que resulta, por entranhar-se...  

Saturado, e farto de sucessivas ditaduras das maiorias absolutas, da tal estabilidade política que não me parece que nos tenha levado a lado nenhum, acho interessante esta coisa nova, insólita até, de um governo a discutir todas as semanas no Parlamento as leis que tem para aprovar. À sexta-feira, no dia a seguir às convencionais reuniões de conselho de ministros, todas as semanas, o governo vai discutir e negociar com os seus aliados da esquerda aquilo de que se faz a governação.

Toda a gente irá dizer que não resulta. Sei que é romantismo - não tenho dúvida nenhuma -, mas gostaria que resultasse. E que depois de se estranhar se entranhasse. É que a democracia é isto. Não é a ditadura da maioria!

Vida negra

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Como diz a canção, hoje é o primeiro dia do resto da vida ... deste que é o XXI primeiro governo constitucional. Um governo que o Presidente não queria por nada, tudo fazendo para começar a desgastar ainda antes de empossar.

Cada um dos inúmeros episódios destes últimos 50 dias, naquilo que aqui fomos chamando de processo de encanar a perna à rã, não teve outro objectivo que desgastar e desacreditar a solução de governo que resultou das eleições de 4 de Outubro. As ameaças que ontem, no acto de posse do governo, Cavaco deixou no ar não são outra coisa.

Nas poucas semanas que lhe restam em Belém, Cavaco vai continuar a fazer a mesma coisa. Não vai demitir o governo, mesmo tendo esse poder. Mas vai, tanto quanto puder, fazer-lhe a vida negra!

Valha-nos que, mesmo com os poderes intactos - e legitimados pelo voto directo e universal, como fez questão de acentuar - pode pouco. Porque, mesmo que formalmente a mantenha, há muito que perdeu de facto essa legitimição. E hoje não é mesmo mais que o último reduto da direita mais ressabiada e míope.

Já bastam as dificuldades de toda a ordem que este governo vai ter pela frente. Já bastam os equilíbrios de sustentação que tem que gerir, os alçapões da governação destes últimos quatro anos e meio - e até a minagem deste últimos meses - e as enormes dificuldades estruturais que o país tem para vencer. Para ter vida difícil o governo não precisa nada das rasteiras do presidente.

Pelo contrário, ao dedicar-se a fazer a vida negra ao governo em vez de tranquilamente fazer as malas e a limpar as prateleiras, Cavaco só reforçará e prolongará a vida ao governo que detesta!

 

 

 

 

 

Poderes intactos... Mas só isso!

 (Foto: Luís Barra)

 

Sem esconder o desagrado e a impotência para a contrariar, Cavaco lá deu finalmente posse ao novo governo. Visivelmente desgastado pela obstinada tarefa de encanar a perna à rã durante 50 dias, Cavaco resistiu, contrariando as apostas de mais um chilique, mais conhecido pela designação de reacção vagal. E avisou que, à`excepção do da dissolução, mantém intactos todos os poderes.

Se o mesmo se pudesse dizer de todas as faculdades... Talvez não sobrassem tantas ameaças...

Nem tudo é mau... Salvam-se os oitavos!

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Foi um Benfica muito igual ao que tem sido, aquele que hoje empatou em Astana, no longínquo e asiático Cazaquistão. Sem chama e sem soluções, como tem sido hábito.

De tal forma que o adversário, que entrara encolhido e a deixar a impressão de ser ainda inferior ao que havia mostrado em Lisboa, depressa percebeu que, do temível Benfica, só lá estavam as camisolas. O medo com que entraram só durou um quarto de hora, o tempo suficiente para este Benfica mostrasse que não estava ali para fazer mal a ninguém.

A partir daí, perdido o medo, os jogadores do Astana passaram a correr mais - muito mais - que os do Benfica ( só o miúdo, o Renato Sanches, é que corria, mais ninguém) e, nada a que não estejamos já habituados, a chegarem sempre primeiro às bolas e a ganharem todos os ressaltos. Bastaram-lhe dois ou trê minutos para chegarem pela primeira vez com perigo à baliza de Júlio César. Na segunda, logo a seguir, fizeram o primeiro golo.

E assim continuaram: sempre mais rápidos, sempre a chegarem primeiro. O segundo golo, dez minutos depois, não foi surpresa nenhuma. Não foi surpresa mas foi irregular, num fora de jogo que a péssima arbitragem da equipa francesa, que tinha deixado por assinalar um penalti sobre o Lizandro Lopez, deixou passar em claro. 

E com apenas meia hora de jogo, e com apenas 10 minutos de alguma iniciativa do adversário, o Benfica perdia por dois com a equipa mais fraca do grupo. Que não ganhara a ninguém, e que provavelmente não irá ganhar a ninguém. Quando se temia o pior, o Benfia reagiu e partiu para 10 minutos de bom nível, criando três excelentes oportunidades de golo. À terceira marcou, e reduziu a desvantagem. Faltavam 5 minutos para o fim da primeira parte, e os jogadores deixavam a sensação que queriam empatar ainda antes do intervalo. 

Mas não. E na segunda parte nunca mais repetiu aqueles 10 minutos. E quando o empate chegou, no bis de Jimenez, a 20 minutos do fim, o jogo acabou. Ambas as equipas tinham o que afinal queriam do jogo: o Astana, já sem nada a ganhar, só queria concluir a campanha sem perder em casa; o Benfica, confiando que o empate chegaria - como chegou - para chegar aos desejados oitavos, satisfazia-se com o facto de os adversários também não terem feito melhor.

Fica o apuramento, importantíssimo. Mas fica mais uma exibição lastimável. Colectiva e individualmente muito frouxa, onde apenas o Renato - o miúdo esteve mesmo fantástico - e o Jimenez, com dois golos e muito trabalho, estiveram em bom plano. Mau sinal é que já nem Gonçalo Guedes e Samaris, que têm sido dos melhores, escapem à mediocridade geral.

Não havia necessidade...

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Aí está o XXI governo. Novinho, pronto a entrar em funções logo que Cavaco entenda que ... pronto; acabou-se!

Não fossem Augusto Santos Silva e Capoulas Santos e diríamos que sim. Que era um governo capaz de não defraudar as expectativas. Assim, é mais difícil... São nomes que, por tão perto do pior que o PS lembra, deixam desde logo o PS muito longe do melhor a que está agora obrigado.

Relembrando o diácono Remédios: "não havia necessidade"...

Uma questão de tempo. Ou... várias questões de tempo...

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Cavaco deixou finalmente a rã descansada e indigitou António Costa que, sem resposta do tempo ao tempo que o tempo tem, se entretivera a fazer um governo. É por isso que já há ministros, e que está agora praticamente garantido que, dois meses depois das eleições, o país terá um governo.

No tempo que Cavaco quis. Porque a data das eleições foi a que Cavaco quis que fosse. E porque, depois, mesmo com todos os cenários bem definidos na cabeça, e mesmo com um recatado 5 de Outubro para reflectir sobre o que tinha claro, em vez de agir o presidente preferiu fazer de conta que agia, consumindo 50 dias na árdua e espinhosa missão de encanar a perna à rã.

Coisa que, como se sabe, permitiu ao governo relâmpago de Passos e Portas acabar algumas coisas que tinha deixado começadas como, por exemplo, assinar o acordo de privatização da TAP. Para, como só alguns sabiam e é agora público, dar aos bancos a garantia do Estado pelo pagamento da dívida da companhia que vendeu. Por 10 milhões de euros!

Exactamente assim: foi preciso que o governo de Passos e Portas se aguentasse o tempo necessário para consumar a venda da TAP, por 10 milhões de euros, a um grupo fantoche (fantoche porque tudo é ao contrário do que parece, a começar numa minoria de capital que detém 95% do poder), assumindo a responsabilidade por 770 milhões de euros de dívida!

É também por isso que já ninguém estranha que, no dia em que é notícia a indigitação do novo primeiro-ministro, com o consequente adeus de Passos e Portas, seja também notícia que os novos donos da TAP vão vender os terrenos e a sede junto ao aeroporto…

Pois é... o tempo urge!  

As dúvidas de quem nunca tinha dúvidas

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Diz-se por aí que, quando, mais logo, António Costa vier a sair do Palácio de Belém, atrás dele, a correr, há-de vir aquele senhor pequenino, de óculos, a gritar-lhe: "Espere aí, espere aí... o Presidente tem mais uma dúvida para esclarecer. Mas ainda tem dúvidas sobre qual é a dúvida... Tenha lá paciência..." 

 

E lá vai mais uma semana...

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As questões que Cavaco decidiu colocar a António Costa sobre os "documentos" "distintos e assimétricos", não passam de mais um episódio da sua obstinação de encanar a perna à rã.

São o que são, e merecem a resposta que têm. Nenhuma!

E servem apenas para confirmar aquilo que há muito aqui tinha sido dito: não podendo fazer nada para impedir a posse deste governo, Cavaco aposta em, primeiro, fritá-lo em lume (pouco) brando. No seu desígnio de lhe minar o futuro...

 

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