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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Cheira a retoma. Não estraguem!

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Não foi uma grande exibição, nem poderia ser, mas cheirou a retoma. O jogo do Benfica, hoje no mal tratado relvado da Vila das Aves, foi bem diferente dos do passado recente.

Entrou forte, mas isso também tinha acontecido na maioria dos jogos anteriores. A ponto de sempre ter marcado cedo. Talvez tenha aí começado a diferença: o Benfica não marcou cedo, e teve de continuar dominador. Quando o golo surgiu já os ponteiros do relógio roçavam a meia hora; a equipa já tinha de ter os motores aquecidos, e portanto com menos facilidade em engasgarem.

É certo que no perído final da primeira parte, durante cerca de 5 minutos, vieram-nos à memóra estes fatídicos últimos jogos. O Aves criou então duas boas oportunidades de golo, e o Benfica pareceu abanar. Valeu que o intervalo estava mesmo ali...

Rui Vitória manteve, não a equipa que na quarta-feira tinha perdido com o Manchester United, mas as apostas que então fizera. Desde logo os miúdos: Svilar na baliza, Rúben Dias, na defesa e Diogo Gonçalves, na frente. No Banco, quase dois anos depois, Pizzi, para o regresso de Jonas à equipa. E desta à dupla de pontas de lança, também com o regresso de Seferovic, um dos muitos jogadores com assinalável quebra de rendimento.

O Benfica tinha rematado muito na primeira parte. E só não rematou mais porque falhou bastante na finalização de muitas jogadas. Na segunda parte melhorou significativamente neste aspecto, com duas consequências directas: rematou ainda mais e o Quim defendeu ainda muito mais. E como defendeu!

Não sei se à meia dúzia seria mais barato, mas foi mesmo meia dúzia de golos que Quim evitou, com outras tantas defesas portentosas. Francamente: já não tem idade para aquilo!

Na segunda parte o Benfica chegou cedo ao segundo, e foi acentuando a sua superioridade no jogo. À entrada do último quarto de hora, em mais um período de 3 ou 4 minutos de algum desacerto, consentiu mais um golo parvo. É mesmo isso, um golo parvo, como tem sido tão frequente...

Não deu em nada de mais porque, logo a seguir, de penalti, Jonas repetiu e repôs a diferença. E estabeleceu o resultado final - porque o velho Quim continuou a fazer impossíveis, e porque ainda ficou mais um penalti por assinalar.

Termino como comecei: sem grandes alardes, nem razões para grandes optimismos, há um cheirinho a retoma. Não estraguem! 

Animalidade política*

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A tragédia que voltou a abater-se sobre o país, no domingo e na segunda-feira passados, acrescentando mais 43 mortes às 64 ou 65 de Pedrogão, quatro meses antes, destruindo o que faltava destruir da nossa floresta, incluindo agora o nosso Pinhal do Rei, aperta-nos o coração, mas também nos enche de revolta e de vergonha.

E mudou a face do país. Literalmente, porque toda aquela vasta mancha verde é agora negra. Porque o verde da esperança que renascia, se transformou num negro profundo de incertezas e dúvidas. No tal tão anunciado diabo, que de repente virou do avesso a situação política do país. 

A dimensão da tragédia, pondo a nu fragilidades, se não desconhecidas pelo menos esquecidas, e confrontando os cidadãos com a incapacidade do Estado para os proteger, era já suficiente para romper com a confiança dos cidadãos no Estado e nas suas instituições. Que, como se sabe, é o mais forte cimento da estabilidade social e política. A forma desastrada como o primeiro-ministro (e deixemos de lado a já ex-Ministra e o Secretário de Estado da Administração Interna), lidou com a tragédia dinamitou completamente a sua relação com o país.

António Costa é invariavelmente apresentado como o mais hábil e experimentado líder político da actualidade. Percebemos hoje melhor o que isso quer dizer. Percebemos que corresponde a um estereótipo à medida do entendimento que nos querem impingir do que é a política.

A sua desastrada reacção - desastre que a intervenção do Presidente da República acelerou em progressão geométrica - foi o melhor exemplo disso mesmo. Afinal, a ideia que António Costa transmitiu foi que reduziu a dimensão da tragédia a uma maçada que atrapalhou o que estava a correr tão bem.

O que se seguiu não foi melhor. Na substituição da ministra finalmente demissionária, António Costa não procurou competência para a mais sensível e a mais destroçada pasta política do seu governo. Procurou amigos, e procurou lealdade!

Ora, isto é a animalidade da política em todo o seu esplendor!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Mistérios... ou um slogan pouco original

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O material roubado de Tancos apareceu. Tão - ou mais - misteriosamente como havia desaparecido, há perto de 4 meses...

A Lone Star, o tal fundo imobiliário a que alguns chamam de abutre, já ficou com o Novo Banco. Correu tudo bem mas, misteriosamente, Bruxelas autorizou o Estado português a responder às necessidades de capitalização que se vierem a colocar ao Banco... da Lone Star.

O primeiro-ministro já substituiu a ministra da administração interna. Depois do que se passou, esperava-se que António Costa reforçasse o governo com alguém com competência e provas dadas nas matérias da mais fragilizada pasta do executivo. Misteriosamente, em vez de reforçar o governo em competência, António Costa reforçou-o em amiguismo e lealdade pessoal 

Não há dúvida - Portugal é um país cheio de mistérios. Talvez dê um bom slogan de promoção turística, mas parece-me pouco original!

Silenciados

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Uma jornalista maltesa - Daphne Caruana Galizia - que fazia parte do consórcio internacional de jornalistas Panama Papers, foi morta quando o carro que conduzia explodiu. A jornalista denunciava líderes políticos no seu blogue e chegou a acusar de corrupção o primeiro ministro de Malta, Joseph Muscat, e dois dos seus principais assessores. No início do ano chegara mesmo  a revelar a existência de documentos que provavam que a mulher do primeiro-ministro maltês era beneficiária de uma offshore no Panamá, com transações elevadas de dinheiro com contas bancárias no Azerbaijão.

Se calhar é por isso, com medo que algum carro um dia possa explodir que, por cá, o Expresso guardou na gaveta os "seus papéis do Panama". Já lá estão há quase dois anos. Aí não fazem mal a ninguém...

 

Demissões

 

 

É evidente que o Estado falhou: mais de 100 pessoas morreram queimadas pelo fogo em apenas quatro meses. É claro que a estruturas da protecção civil não funciona(ra)m. E é inquestionável que ninguém no Ministério da Admnistração Interna tem condições para continuar. A ministra deveria há muito apresentado a demissão, e ter ido de férias. Ter-nos-ia pelo menos popupado a ouvi-la, agora e nestas circunstâncias, falar exactamente da falta de férias. Ou a outros dislates, como exigir mais resiliência às vítimas. 

Até o próprio Secretário de Estado, que parecia ser a única pessoa equilibrada daquela equipa, acabou queimado nas labaredas do insane discurso da autoprotecção.

Mas - francamente - seria ontem o dia de alguém demitir alguém, ou de alguém se demitir do que quer que fosse?

 

 

O pior dia do pior ano

Capa do PúblicoCapa do Diário de NotíciasCapa do Jornal de NotíciasCapa do i

 

O país arde como nunca. Pessoas sofrem e morrem. Casas, fábricas e outras instalações desaparecem em segundos, perante o desespero de quem tudo perde. Arde o que nunca pensamos que pudesse arder, na guerra civil para que o país foi arrastado sem saber como nem porquê... 

As capas dos jornais de hoje não podiam passar ao lado do pior dia do ano. Ou podiam? 

 

Capa do Correio da Manhã

 

Lata e loucura

 

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Não tive condições de assistir, ontem, à entrevista de José Sócrates à televisão pública. O que acompanhei pelo que os jornais hoje transcreveram confirma-me a ideia que não é preciso apenas lata para dizer que o ministério público não encontrou qualquer conta em seu nome. Que o quadro de Júlio Pomar que tem em casa, facturado a Carlos Santos Silva, resulta de uma troca que fez com a mulher do amigo. Que as expressões usadas nas conversas telefónicas com o amigo, que o ministério público toma por comunicação codificada, não passam de coisas de amigos. Que era o amigo que preferia entregar-lhe em dinheiro vivo os montantes que lhe emprestava. Ou que uns milhões depositados numa conta na Suíça em nome do amigo, com a condição de 80% desse valor, em caso de morte do titular da conta, ser destinado ao seu primo - já com nacionalidade barsileira - se destinavam a um negócio em curso entre o amigo e o seu tio, para a venda de umas salinas em Benguela. É também preciso uma enorme dose de loucura!

Que não me admiraria nada que ainda viesse a ser invocada...

Tuda na mesma, tudo pior!

 

 

Pelo que se viu hoje no jogo da Taça com o Olhanense, no Estádio do Algarve, teme-se o pior para quarta-feira. E o pior, depois dos cinco de Basileia, é inimaginável!

Haja as paragens que houver, joguem os jogadores que jogarem, sejam os adversários quais forem, por mais fracos que sejam, tudo está na mesma. Cada jogador corre para o seu lado, sem nunca chegar a lado nehum. Parecem desconhecidos, que se encontraram ali pela primeira vez para jogar à bola. Cada bola dividida é cada bola perdida. E neste estado de coisas, na mesma, é pior. Cada jogo consegue ainda ser pior que o anterior. Cada nova solução é pior que a anterior.

Imaginar este Douglas - mas o que é que terá passado pela cabeça de quem manda no Benfica com esta contratação? - que em 90 minutos não ganhou uma bola a um jogador do Olhanense, a jogar contra os jogadores do Manchester, é um pesadelo que tem que ser poupado aos benfiquistas. É penoso ver jogar, para além deste Douglas, Rafa, Gabriel Barbosa, Pizzi, Seferovic e até já Grimaldo... Tão penoso como ouvir Rui Vitória!

Ou ver. Sem capacidade para inverter o que seja, limitando-se, desta vez, a atirar miúdos para a fogueira. Porventura para queimar, como já fez com Varela, tendo agora, no jogo com o Manchester, que entregar a baliza a um miúdo de 17 anos a quem entregaram o número 1 do Benfica. E que hoje se estreou numa equipa principal...

Para que tudo esteja igual ao que estava antes destas duas semanas de interrupção competitiva, e portanto pior, até o golo chegou cedo: logo aos quatro minutos. Mas não chegou para dar moral a ninguém, nem ao marcador, o tal Gabigolo. Foi seu primeiro golo no Benfica, mas não lhe serviu de nada. Serviu apenas para evitar que a equipa se ficasse pela primeira eliminatória!

 

 

 

Sentimento de alívio*

 

 

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Na semana em que a selecção nacional garantiu o apuramento para o próximo campeonato do mundo de futebol, na Rússia. E em que o governo catalão declarou e suspendeu, segundos depois, a independência da Catalunha, a notícia é o despacho de acusação do Ministério Público na chamada Operação Marquês. Ou não seja este o maior e mais palpitante processo da nossa história judicial.

Finalmente! Dirá a grande maioria das pessoas, uns num sentimento de alívio, outros de enfastiamento.

Compreendo o primeiro, não aceito o segundo. Pela simples razão, que facilmente se percebe, da enorme complexidade da matéria investigada e da qualidade dos acusados, todos da elite política e empresarial do país. Tudo gente que, tendo ou não feito as coisas de que estão acusados, sabe como se fazem. E tem todos os meios para as fazer. Não são meros pilha galinhas, gente desprevenida, descuidada ou desprovida.

Aquilo que é conhecido, e que de alguma forma fomos conhecendo – nem sempre da forma mais edificante - ao longo destes últimos três anos, a ponto de hoje o despacho de acusação não nos apanhar de surpresa, é suficiente para percebermos o grau de sofisticação usado na prática dos crimes objecto de acusação: 31, só à conta de José Sócrates. E consequentemente das dificuldades da investigação.  

Daí que entenda este “finalmente” como um grande sentimento de alívio. De alívio por saber que a Justiça dispõe de recursos para desatar os nós mais complexos, labirínticos e apertados. Mas também de alívio – por muito politicamente incorrecto que possa ser - por ter chegado a uma acusação. A pior coisa que poderia ter acontecido à Justiça e à democracia portuguesa era o arquivamento deste processo por absoluta falta de provas

Segue-se agora a inevitável instrução, já requerida. E depois o julgamento dos crimes que permaneçam acusados, com todas as manobras dilatórias que já poderemos adivinhar, e que muito certamente arrastarão o julgamento muitos anos, no maior teste de sempre à Justiça portuguesa.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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