Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

BECO SEM SAÍDA

Por Eduardo Louro

 

Portugal tem, de há muitos anos a esta parte, nas encruzilhadas que tem encontrado pela frente, escolhido sempre os piores dos caminhos. O último governo havia-nos deixado já sem grandes alternativas para chegarmos a algum lado. Este acaba de nos levar ao beco sem saída…

Tem uma saída, mas é para o abismo!

O PSD de Pedro Passos Coelho ganhou as eleições - há apenas 15 meses – sustentado em três pilares: o desastre da governação de Sócrates, o princípio inabalável da alternância de poder em Portugal e o compromisso de verdade que assumiu com os portugueses.

Não há aqui qualquer novidade. Sempre foi assim em democracia em Portugal: só o PS e o PSD podem ganhar eleições, invariavelmente governaram mal e, terminando ou mesmo renovando o mandato, ou interrompendo-o a meio, trocaram de cadeira!

O actual governo foi bem recebido pelos portugueses. Sócrates tinha encharcado o país de mentiras, golpes, arrogância, casos e mais casos – todos ainda por resolver – e, portanto, tudo o que viesse não poderia ser pior, pensava-se. Era um governo curto – uma ideia errada mas popular – e composto por gente, na sua maioria, vinda de fora da política. E jovem!

O programa da troika estava aí, mas o que se conhecia dele não era motivo de grande alarme, correspondia mesmo a prioridades há muito identificadas na sociedade portuguesa. Que os partidos do regime nunca tinham querido enfrentar e a que, agora, estavam obrigados por imposição externa.

Mais do que o consenso extrapolável da massiva expressão eleitoral (85%) dos três partidos que se haviam comprometido com o programa, era o consenso social de que era obrigatório mudar de vida. Passos Coelho tinha dito que conhecia bem a situação do país, que para cumprir os objectivos do programa bastaria cortar as gorduras do Estado. Acabar com privilégios injustificáveis e com ineficiências irracionais!

Como seria possível não existir um amplo consenso à volta disto?

Foi todo este precioso capital que, em apenas um ano, destruindo o país a um ritmo avassalador, Passos Coelho, Vítor Gaspar, Relvas, António Borges e companhia queimou. Começou por perder o apoio popular, passou a perder o dos parceiros sociais, destruiu o conforto do apoio factual do maior partido da oposição – ao PS, valha o que valer, e na realidade vale muito pouco um partido sem rumo e sem liderança, não é já legítimo, depois de tudo o que foram as irresponsáveis decisões do governo, com nexo causal directo no descalabro a que se chegou, exigir que se sinta agarrado, não ao programa da troika, mas ao que com ele o governo fez -, rompeu com o apoio dentro do próprio partido e, por fim, destruiu mesmo a coligação.

As últimas medidas, para além de completamente despidas de qualquer racionalidade, representam a mais violenta rotura com os princípios do Estado de Direito. Para além da mais completa insensibilidade social, de uma incompetência técnica nunca vista, conseguiram fazer o pleno na contestação e isolar ainda mais o governo. A absurda decisão de agravar os rendimentos do trabalho em mais 7%, retirando-lhe 2,8 milhões de euros dos quais transfere 2,3 para as empresas, com a falácia de que contribuiria para o combate ao desemprego, não obteve sequer acolhimento nas organizações patronais – com quem não foi discutida, nem sequer apresentada – nem das empresas, que dela directamente beneficiam, nem do CDS, nem - pasme-se - sequer foi imposta pela troika, foi a gota de água. O copo transbordou: Paulo Portas, sem ainda ter falado – o que se compreende - tem vindo a dizer tudo através de Bagão Felix; o Presidente, sem falar – o que já não se compreende, mas é habitual – disse mais que tudo através de Manuela Ferreira Leite!

Diz-se, num lugar-comum do léxico democrático, que em democracia há sempre soluções. Devolve-se a palavra ao eleitorado e resolvem-se os problemas. Não é assim, infelizmente, em Portugal!

Tão bem como se sabe que a alternativa é o PS, se sabe que este PS não tem capacidade de o ser. O beco não tem mesmo saída!

A única forma de lá sair é recuar. Iniciar o percurso em marcha atrás, de imediato. E só pode ser o Presidente da República a comandar essa manobra que, não tenho dúvidas, não vai lá com uma simples remodelação do governo. É obrigatório afastar toda a incompetência que nos enfiou neste beco!

Cavaco Silva e Passos Coelho, evidentemente, têm a última oportunidade de fazer alguma coisa de útil pelo país!

 

publicado por Eduardo Louro às 14:00
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2 comentários:
De Manuel Joaquim Sousa a 14 de Setembro de 2012 às 01:18
Análise excelente e que retrata bem a situação política em que vivemos.

Bloguedomanel.blogs.sapo.pt
De Eduardo Louro a 14 de Setembro de 2012 às 15:17
E não há meio de se ver o PR a indicar a manobra...
Um abraço, Manel..

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