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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Palhaços (pobres)*

 

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Faz hoje uma semana, dava aqui conta da preocupação que atravessava o país com o roubo das armas em Tancos. Com o roubo em si mesmo, e com tudo o que o envolvia – "uma questão de soberania". E de dignidade, concluía então.

Volto aí: ao roubo de Tancos e à dignidade. Porque, regressado de férias, o primeiro-ministro juntou as máximas chefias militares e pô-las a dizer que, afinal, não se passara nada. O material roubado tinha o inexpressivo valor de 34 mil euros e estava inoperacional. Não prestava, era sucata.

Concluía por isso o primeiro-ministro que o roubo de Tancos não punha minimamente em causa a segurança nacional.

Era isto que realmente lhe interessava fazer passar.

Não é por acaso que a parte “suja” ficou a cargo das chefias militares, desvalorizando ridiculamente aquilo que antes tinham – e bem – valorizado. O que tinha sido o vexame, a desonra e a vergonha, não passava agora de uma coisa sem importância nenhuma. Um simples "murro no estômago", só para não dar a ideia que nem sequer doera nada. O ridículo, praticamente a sugerir que a coisa tinha acabado até por ser um bom negócio, que se se tivesse de pagar a desmontagem e remoção daquela sucata os custos teriam sido bem maiores, rebentou nas mãos do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. O “sentido de Estado” ficou para o primeiro-ministro, ancorado na “sagrada” palavra do comando das forças armadas.

Não se percebe como pode ficar sagrada uma palavra que acabou de ser ridicularizada, mas essa é a arte da política, de que António Costa é o mais exímio dos praticantes.

A dignidade e a vergonha serão sempre os palhaços pobres no circo da política.  

 

*Da minha crónica de hoje na Cister FM

Acabaram-se as dúvidas

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Depois de duas semanas de pânico e horror, depois de, por todos os meios e das mais variadas formas, presidente, governo e forças armadas terem assumido o enxovalho, eis que, num golpe de magia, o roubo de Tancos não tem importância nenhuma. Afinal aquilo não valia nada, uns míseros 34 mil euros, nada mais. Nem servia para o que quer que fosse, era tudo simples sucata. Que alguém fez o favor de remover...

Se dúvidas houvesse, acabaram-se: António Costa não pode ir de férias!

 

Keep calm

Capa do i

O governo encomendou uma série de estudos para saber como ficou de popularidade, depois dos incêndios. Segundo o jornal i, Costa respirou de alívio... 

A notícia que a tragédia de Pedrogão Grande tinha posto termo ao estado de graça era francamente exagerada. António Costa continua na sua fase Salvador Sobral, mesmo que o peido tenha trazido molho. E do grosso. Da grossa!

As coisas que Passos Coelho consegue fazer...

 

 

 

O resto é conversa...

   

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Do debate anual de ontem, na SIC, entre o primeiro-ministro em exercício e o auto-proclamado primeiro-ministro sombra, fica o que fica. E o que fica é:

- "Eu não lhe quero estragar o amor que tem aqueles 4 anos"';

- "Parece que só fica contente quando Schäuble critica Portugal";

- “Diga lá um país onde gostasse de viver. Mesmo comigo como primeiro-ministro, diga lá se prefere ir para outro país!”

O resto é conversa...

Último capítulo?

 

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Como era bom de ver, e ontem aqui previra, o presidente Marcelo ganhou protagonismo no folhetim que há semanas domina os tops mediáticos. Não esperava que fosse tão cedo, ainda no mesmo dia, mas não havia volta a dar: depois de "picado" daquela  forma pelo verdadeiro argumentista da coisa, o presidente teria de sair a terreiro. Não podia ser de outra maneira, e lá teve Mário Centeno de se prestar àquela figura.

O diabo - que afinal existe, mesmo que não esteja de muito boas relações com Passos Coelho - é que de Bruxelas vem música, da melhor, para os ouvidos de António Costa e Centeno. O diabo parte mesmo de Bruxelas, mas vai na direcção errada: ninguém imaginaria que em tão pouco tempo as coisas ficassem viradas do avesso.

Bem podem berrar os vazios e estridentes rapazolas do CDS e do PSD. Bem podem colunistas e comentadores não falar de outra coisa. Bem pode até o presidente, "picado", fazer agora umas ameaçazitas. Enquanto Bruxelas mantiver este sentido de oportunidade Centeno pode dormir descansado. E até finalmente sonhar com o último episódio do folhetim que tanto tem excitado as élites da opinião publicada...

Mais um capítulo ou um capítulo a mais?

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Quando julgávamos que o último capítulo da novela da contratação de António Domingues para a administração da Caixa Geral de Depósitos se intitulava "mentiu/não mentiu", ou "há documentos escritos/ não há documentos escritos", eis que, para segurar audiências e aprofundar o suspense, o argumentista acaba de lhe acrescentar mais um: "O Governo manipulou a data de publicação do decreto-lei".

A forma como tem dirigido a telenovela revela o dedo apurado argumentista. Um verdadeiro mestre: quem é que acredita que só agora, no ponto mais alto do capítulo ainda em cena, Marques Mendes tivesse reparado que o D.L nº 39/2016 fora aprovado em Conselho de MInistros em 8 de Junho, promulgado pelo Presidente em 21 de Junho, e apenas publicado no Diáro da República em 28 de Julho?

É certo que o guião ajuda. E ajuda especialmente na parte em que Antóno Costa, a quem se exigia muito mais dedo para a ética política do que para a habilidade politiqueira, perdendo todas as oportunidades para a introdução de um ponto de ordem na mesa deste descalabro, abriu caminho à bola de neve, cada vez mais difícil de parar.

Já ninguém consegue dizer que este seja o último capítulo da telenovela. Não me parece, e admito até que nas cenas dos próximos capítulos surja uma personagem com mais protagonismo. Basta que lhe apresentem uma assinatura num papel...

Os erros pagam-se. E este só não sairá muito mais caro porque, mesmo com o seu exército espalhado pelas televisões e  jornais, a oposição se resume àqueles vinte minutos dominicais de Marques Mendes. E aos seus interesses políticos pessoais...

As costas de Costa

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António Costa não quis comentar a demissão de António Domingues. Não devia. Estava  mesmo obrigado a fazê-lo. Fosse onde fosse. Fosse em que circunstâncias fosse. 

Já tinha conhecimento da demissão desde a passada sexta-feira, e tinha obrigatoriamente de estar preparado para ser questionado onde quer que fosse. Este não é um fait divers, é o mais importante problema do país neste momento!

Há momentos em que um primeiro-ministro não pode virar costas.

A vergonha que faz de nós liliputianos

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A integração da Guiné Equatorial, do ditador Obiang, na CPLP não é apenas a maior vergonha de sempre da política externa portuguesa. É, em cada cimeira, o descrédito total dos nossos orgãos de soberania, seja quem for que em cada momento os esteja a ocupar... Nem Marcelo, nem António Costa -  dois dos políticos com maior capacidade para lidar com  o incómodo político -  consequem esconder o desconforto e evitar o constragimento que os encolhe.

A viagem de Obiang até Fátima, em 2017, confirme-se ou não, já provou isso mesmo. Que até Marcelo e Costa perdem todo o jeito que incontestavelmente têm para a política... E ficam pequeninos. Liliputianos!

É outra atitude...

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Isto pode até vir a correr mal. É bem provável que venha a correr mal. Mas ... Caramba,  é bem mais nobre levantar a voz que baixar as calças!

Nem que os resultados sejam os mesmos - e já vimos onde nos deixaram os que baixaram as calças, também chamados de bons alunos - este ar é bem mais respirável. Mesmo que não nos deixem respirá-lo!

É outra atitude... Por mim, saúdo-a.

 

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