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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A mensagem

 

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Não se percebe muito bem para que servem as "mensagens de Natal" do primeiro-ministro, mas elas lá se sucedem, ano após ano.

A deste ano, a de ontem à noite, com um dia de Natal todo ele cheio de Presidente da República, se calhar até se percebe... E nisto de mensagens sabe-se que António Costa sabe-a toda: começou pelos incêndios, como desta vez não podia deixar de ser, e só depois passou para o ano saboroso, a que sabe ainda dar mais sabor, como convén no Natal.

Como convém nesta coisa da mensagem política, em especial na das figuras do topo da pirâmide, há sempre uma ideia mais forte, que sobressai para se tornar na ideia-chave. Às vezes, o que até nem é raro, cada analista escolhe a sua. Por mim fico-me na frase mais emblemática: "Chegou o tempo de vencer os bloqueios ao nosso desenvolvimento"!

Grande ideia, grande desafio. À António Costa, sem dúvida. O problema é que o António Costa desta declaração é o mesmo António Costa da maioria desses bloqueios. Como o saboroso ano de 2017 se fartou de confirmar!

Coisas extraordinárias

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Também a Fitch, mesmo no finalzinho da semana, retirou Portugal do  lixo, saltando directamente dois degraus na escada da classificação de rating. Foi provavelmente a última grande notícia do ano, o tal que Costa designou de  "saboroso", gerando mais uma onda de indignação e obrigando-o a voltar a falar de contexto. Ou de fora dele...

Não deixa de ser extraordinário que um governo tido por politicamente forte - é essa a marca de António Costa - e economicamente vulnerável, sobreviva hoje politicamente à custa do seu desempenho económico. Não deixa de ser extraordinário que, contra todas as expectativas, o governo tenha ganho na economia o que lhe permite cobrir tudo o que perde na política, onde não param de se suceder situações embaraçosas. Como a que hoje leva o peso-pesado Vieira da Silva ao Parlamento!

Nem deixa de ser extraordinário que seja Máro Centeno, que ninguém quis levar a sério e que toda a gente escolheu para bombo da festa, o abono de família do governo do súper António Costa!

 

 

 

Rotura

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O segundo aniversário do governo ficará certamente como um marco n a legislatura, mas também, mais que na geringonça, no futuro da solução governativa que representa. E não é pela controversa comemoração, em Aveiro.

É provável que aprovação do terceiro orçamento deste governo, que poderia  querer dizer que a geringonça continua  a funcionar e imune ao próprio desgaste de que o governo vem dando sinais, tenha trazido a resposta quanto ao futuro do entendimento da esquerda. E a resposta é - tudo o indica - que a actual solução dificilmente se repetirá.

A sustentar esta opinião está justamente o rompimento do PS com o compromisso assumido com o Bloco a propósito das rendas na energia. Não tanto pela facada, pela falta à palavra, como salientou com todas as letras a deputada Mariana Mortágua, porque não é raro que essas coisas se perdoem. Uma facadinha aqui, um amuo ali, fazem parte das relações.

Não é bonito, mas não é o problema. O problema é que António Costa e o PS fizeram, nesta matéria, o mesmo que Passos Coelho e o PSD e o CDS tinham feito à troika, quando fizeram ouvidos de mercador à recomendação de rever as rendas excessivas da EDP. 

Na altura, Passos Coelho preferiu cortar salários e pensões e optar pelo aumento colossal de impostos a afrontar a EDP, em circunstâncias que levaram até à demissão do Secretário de Estado da tutela. Agora, António Costa prefere pôr em causa as condições da governação do país a tocar nos previlégios da EDP. 

Antes, Passos, como agora, Costa, do mesmo lado. Antes, como agora, primeiros ministros de governos legítimos da República. Numa semana em que António Costa voltou a proclamar a sua total incompatibilidade com Passos, manifestando a esperança que possa ter com a próxima liderança do PSD a possibilidade de diálogo que nunca existiu com a actual, é legítimo perguntar: que interesses são os da EDP, que empresa é esta que, ao que se vê, consegue unir o que não há interesse nacional que una?

O problema é que, num regime capturado pelos interesses, António Costa mostrou de que lado está. Do lado em que invariavelmente têm todos estado. E isto tem que dar em rotura - não rompendo com o passado, rompe-se inapelavelmente com o futuro!

 

 

Brincadeiras*

 

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A indignação voltou a tomar conta do país, seguindo aquilo a que já poderíamos chamar os trâmites do costume. Tudo começou nas redes sociais, afinal o local onde hoje tudo começa, para depois passar para os mais altos representantes do poder: o Presidente da República e o primeiro-ministro.

Nestes trâmites costuma ser mesmo essa a ordem: primeiro chega sempre o presidente, e depois lá vem o primeiro-ministro.

Desta vez – e estou a referir-me, como não podia deixar de ser, ao celebérrimo repasto no Panteão Nacional de Santa Engrácia – António Costa, farto de ser segundo, de chegar sempre atrás de Marcelo, deu à perna e chegou primeiro. Desconfio que o presidente estaria ainda entretido a arranjar madrinha para os portugueses. Não fosse isso, e teria conseguido, também desta vez, chegar à frente.

Marcelo consegue ler 40 livros ao mesmo tempo, ver 10 filmes e ler 10 livros numa noite e ainda dormir três horas, mas não consegue – ainda, talvez lá chegue dentro de pouco tempo – arranjar madrinha e indignar-se ao mesmo tempo.

Pode parecer uma brincadeira, mas é um retrato do país. E um país que é uma brincadeira, só pode ter um retrato destes.

A indignação foi tal que ninguém se indignou com a brincadeira. Nem com a madrinha com que Marcelo quis brincar com a malta!

Sim. Só pode ter sido por brincadeira, pelo tal lado traquina do irrequieto Marcelo, já cansado de se portar bem.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Animalidade política*

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A tragédia que voltou a abater-se sobre o país, no domingo e na segunda-feira passados, acrescentando mais 43 mortes às 64 ou 65 de Pedrogão, quatro meses antes, destruindo o que faltava destruir da nossa floresta, incluindo agora o nosso Pinhal do Rei, aperta-nos o coração, mas também nos enche de revolta e de vergonha.

E mudou a face do país. Literalmente, porque toda aquela vasta mancha verde é agora negra. Porque o verde da esperança que renascia, se transformou num negro profundo de incertezas e dúvidas. No tal tão anunciado diabo, que de repente virou do avesso a situação política do país. 

A dimensão da tragédia, pondo a nu fragilidades, se não desconhecidas pelo menos esquecidas, e confrontando os cidadãos com a incapacidade do Estado para os proteger, era já suficiente para romper com a confiança dos cidadãos no Estado e nas suas instituições. Que, como se sabe, é o mais forte cimento da estabilidade social e política. A forma desastrada como o primeiro-ministro (e deixemos de lado a já ex-Ministra e o Secretário de Estado da Administração Interna), lidou com a tragédia dinamitou completamente a sua relação com o país.

António Costa é invariavelmente apresentado como o mais hábil e experimentado líder político da actualidade. Percebemos hoje melhor o que isso quer dizer. Percebemos que corresponde a um estereótipo à medida do entendimento que nos querem impingir do que é a política.

A sua desastrada reacção - desastre que a intervenção do Presidente da República acelerou em progressão geométrica - foi o melhor exemplo disso mesmo. Afinal, a ideia que António Costa transmitiu foi que reduziu a dimensão da tragédia a uma maçada que atrapalhou o que estava a correr tão bem.

O que se seguiu não foi melhor. Na substituição da ministra finalmente demissionária, António Costa não procurou competência para a mais sensível e a mais destroçada pasta política do seu governo. Procurou amigos, e procurou lealdade!

Ora, isto é a animalidade da política em todo o seu esplendor!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Mistérios... ou um slogan pouco original

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O material roubado de Tancos apareceu. Tão - ou mais - misteriosamente como havia desaparecido, há perto de 4 meses...

A Lone Star, o tal fundo imobiliário a que alguns chamam de abutre, já ficou com o Novo Banco. Correu tudo bem mas, misteriosamente, Bruxelas autorizou o Estado português a responder às necessidades de capitalização que se vierem a colocar ao Banco... da Lone Star.

O primeiro-ministro já substituiu a ministra da administração interna. Depois do que se passou, esperava-se que António Costa reforçasse o governo com alguém com competência e provas dadas nas matérias da mais fragilizada pasta do executivo. Misteriosamente, em vez de reforçar o governo em competência, António Costa reforçou-o em amiguismo e lealdade pessoal 

Não há dúvida - Portugal é um país cheio de mistérios. Talvez dê um bom slogan de promoção turística, mas parece-me pouco original!

Que bem corre a vida a António Costa...

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... É a Standard & Poor´s a dizer que o país não é mais lixo. É Passos, tão desconfortável como o Sr Dombrovskis, a dar tiros cada vez mais violentos nos pés. É o orçamento de vento em popa, sem nada nem ninguém para atrapalhar. É Mário Centeno, incansável a anunciar boas notícias. É Sócrates a anunciar que há muito que ele deixou de ser seu amigo, e que há muito que a cúpula do PS o abandonou...

Melhor, era impossível!

Palhaços (pobres)*

 

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Faz hoje uma semana, dava aqui conta da preocupação que atravessava o país com o roubo das armas em Tancos. Com o roubo em si mesmo, e com tudo o que o envolvia – "uma questão de soberania". E de dignidade, concluía então.

Volto aí: ao roubo de Tancos e à dignidade. Porque, regressado de férias, o primeiro-ministro juntou as máximas chefias militares e pô-las a dizer que, afinal, não se passara nada. O material roubado tinha o inexpressivo valor de 34 mil euros e estava inoperacional. Não prestava, era sucata.

Concluía por isso o primeiro-ministro que o roubo de Tancos não punha minimamente em causa a segurança nacional.

Era isto que realmente lhe interessava fazer passar.

Não é por acaso que a parte “suja” ficou a cargo das chefias militares, desvalorizando ridiculamente aquilo que antes tinham – e bem – valorizado. O que tinha sido o vexame, a desonra e a vergonha, não passava agora de uma coisa sem importância nenhuma. Um simples "murro no estômago", só para não dar a ideia que nem sequer doera nada. O ridículo, praticamente a sugerir que a coisa tinha acabado até por ser um bom negócio, que se se tivesse de pagar a desmontagem e remoção daquela sucata os custos teriam sido bem maiores, rebentou nas mãos do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. O “sentido de Estado” ficou para o primeiro-ministro, ancorado na “sagrada” palavra do comando das forças armadas.

Não se percebe como pode ficar sagrada uma palavra que acabou de ser ridicularizada, mas essa é a arte da política, de que António Costa é o mais exímio dos praticantes.

A dignidade e a vergonha serão sempre os palhaços pobres no circo da política.  

 

*Da minha crónica de hoje na Cister FM

Acabaram-se as dúvidas

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Depois de duas semanas de pânico e horror, depois de, por todos os meios e das mais variadas formas, presidente, governo e forças armadas terem assumido o enxovalho, eis que, num golpe de magia, o roubo de Tancos não tem importância nenhuma. Afinal aquilo não valia nada, uns míseros 34 mil euros, nada mais. Nem servia para o que quer que fosse, era tudo simples sucata. Que alguém fez o favor de remover...

Se dúvidas houvesse, acabaram-se: António Costa não pode ir de férias!

 

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