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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A vê-los passar

Benfica-V. Setúbal, 2-0

Foto: Pedro Ferreira 

 

O Benfica segue em frente, para os oitavos da Taça, depois de ganhar hoje por 2-0 ao Vitória de Setúbal - a besta negra dos últimos tempos -, na Luz, com meia casa.

Apresentou uma equipa com algumas mexidas. Quer dizer, na nova linguagem de Rui Vitória, com "alguns cavalos a passar". Procuraram montá-los Douglas, Jardel, Samaris, Rafa e Cervi, já que Krovinovic está montado no seu já há umas semanas e não apeia. A não ser na Champions, onde, como se sabe, o seu cavalo não corre. E manteve o novo 4x3x3, que parece ter vindo para ficar, mesmo que nos custe um bocado ver Jonas meio entregue aos bichos. Pior que assim, só de fora.

Não falei do Varela porque, para esse, não há cavalo. Mas também lá esteve. E bem, a defender remates de adversários isolados. Em fora de jogo de metros, que daqueles que toda a gente viu, menos os árbitros... Mas também menos bem. .. Lá que tenha deixado passar aquela bola pelo meio das pernas, acontece. Que depois não tenha visto que o Jardel já se ia embora com a bola por ali fora, e tenha feito uma coisinha feia, que dizem por aí que é penalti, é que custa a perdoar.

Já agora, en passant, a arbitragem de João Capela foi simplesmente deplorável. Mas não foi nada do que, no fim, disse o Sr Couceiro. E porque o Varela defendeu os remates em fora de jogo, e o Benfica não precisou nem dos (três) penaltis que não assinalou, nem de jogar em superioridade numérica, não teve a influência no resultado que, por exemplo, na véspera tinha tido o Sr Artur Soares Dias. Mas, enfim, é o costume... Estamos também a vê-los passar...

Fora isso, o Benfica ganhou bem, mesmo sem ter feito uma grande exibição, coisa que continua ainda longe das actuais possibilidades da equipa. Voltou a jogar bem até marcar o primeiro golo, mas voltou a não dar sequência à exibição depois do golo. Mas também - e é bom que se diga - não caiu como caía há umas semanas atrás.

Voltando aos cavalos, Douglas continua a vê-los passar. Rafa atirou-se ao seu, ainda lá se aguentou um bocadinho, mas não está fácil. O raio cavalo do é selvagem, não se deixa domesticar. Já o cavalo do Keaton Parks, se calhar por ele vir da terra dos cowboys, pôs-se a jeito. Boa estreia, a do miúdo. Aquele passe para o segundo golo não engana!

 

 

 

 

 

Nada como dantes!

 

Nada como dantes. O Benfica surgiu em Guimarães, para um jogo decisivo, completamente diferente daquilo que tem sido nos últimos largos tempos. 

Tacticamente diferente, com um 4x3x3 que há muito não se via. O Benfica, especialmente nos jogos da Champions, com o Manchester United, tinha já abandonado o 4x4x2 herdado de Jorge Jesus - que Rui Vitória tivera de recuperar logo no arranque da sua primeira época, quando as coisas também não estavam a correr bem - e passado a jogar em 4x3x3. Só que esse era um 4x3x3 de tracção traseira, era um modelo táctico montado para introduzir mais uma peça no meio campo com os olhos postos no reforço da consistência defensiva.

O que hoje apareceu em Guimarães foi o mesmo modelo mas virado para a frente. Com os olhos postos na baliza contrária, montado para atacar, não para defender. E aquilo que era um jogo previsível, com a bola invariavelmente a morrer na meia lua dos adversários, que já todos sabiam como anular, deu lugar a um jogo com mais espaços e muito mais intensidade.

O golo, o 13º de Jonas, voltou a surgir cedo - assinalava o relógio 21 minutos mas, de jogo, por força da interrupção logo aos 4 minutos por desacatos numa das bancadas vimaranenses, pouco mais de dez. E não produziu os efeitos habituais, de desligar a equipa, que esteve sempre por cima durante toda a primeira parte. Criou mais duas oportunidades de golo, sem que o Vitória fizesse sequer um remate à baliza de Svilar.

Na segunda parte o Vitória subiu linhas, aumentou a agressividade na disputa da bola e praticamente abdicou do meio campo para se entregar ao jogo directo. Foi assim praticamente durante toda a primeira meia hora, com mais bola, mais intensidade, mas pouco mais. À entrada do último quarto de hora o Benfica pôs fim a esse estado de coisas, com dois golos em três minutos.

Com o jogo fechado e completamente dominado, a 4 minutos dos 90, reapareceu o Benfica desconcentrado - provavelmente pela indefinição que as duas últimas substituições introduziram na equipa - que permitiu ao Vitória marcar um golo e desperdiçar ainda uma grande penalidade.

Foram meia dúzia de minutos que retiraram brilho e expressão a uma grande vitória num jogo que o Benfica não podia deixar de ganhar. E que esperemos não tenham consequência na retoma que se deseja, e que agora parece começar a ganhar sustentação. Mesmo com esse apagão final, neste jogo nada foi como dantes!

 

 

 

 

Miserável. Outra palavra seria tretas...

 

Nova derrota - a quarta, em quatro jogos na Champions. Miserável campanha!

Esta noite, em Old Trafford, até se poderá invocar essa coisa da sorte e do azar. E a arbitragem. Que foi deplorável, negando um penalti claro ao Benfica para, no minuto seguinte, assinalar um, inexistente, a favor do Manchester United. Que o miúdo defendeu. 

A sorte e o azar de uma bola no poste. Que sai pela linha de fundo, quando o remate foi do Raul Jimenez. Ou vai contra as costas do guarda-redes, e daí para a baliza, quando foi Matic, agora na equipa de José Mourinho, a rematar. É certo que que foi assim. Que a equipa não tem sorte, mas também parece que não faz por a merecer. Também tem que haver revolta contra a falta de sorte. E revolta é coisa que não se vê no Benfica. Não faz parte do discurso, não se sente em ocasião nenhuma...

Pelo capricho dos resultados, os 6 pontos que ainda estão em disputa poderiam chegar para o segundo lugar, e o consequente apuramento para os oitavos. Seria inédito, mas não deixa de ser uma hipótese. Também poderão dar para a Liga Europa. E também poderão não dar para coisa nenhuma, o mais provável do improvável cenário. Não ter conseguido um único ponto em quatro jogos, e achar que consegue todos os pontos dos dois jogos que faltam, é pouco credível.

Mesmo assim, mesmo que desse para acreditar, era ainda preciso que, quem em quatro jogos marcou apenas um golo, e sofreu dez, marcasse agora um mínimo de seis, sem sofrer nenhum. Deixemo-nos de tretas!

Já não há festa na Luz!

 Benfica-Feirense, 1-0 (crónica)

 

Começo pela Luz, pela Catedral. Comemorava o 14º aniversário, mas sem festa, que as coisas não estão para festas. E longe de estar cheia, como ainda há pouco sempre estava. Tudo se paga, e o que se está a passar no futebol do Benfica paga-se também na participação dos adeptos. Já não há colinho, já lá vai esse tempo...

Não há retoma nenhuma. Queríamos muito que houvesse, mas não há. Está tudo na mesma, só que cada vez mais incompreensivelmente. A mesma coisa: a equipa entra bem, procura o golo que invariavelmente alcança, e depois ... acaba. Acaba à meia hora, como no domingo passado, como acaba no primeiro minuto, como já aconteceu. Hoje acabou aos 10 minutos, por Jonas, como (quase) sempre!

É uma fatalidade. Até os adversários já sabem que é assim. Jogam fechados e sem qualquer ambição até sofrerem o golo, e soltam-se logo depois. Vêm para a frente, ganham bola, ganham livres, ganham cantos...

O Feirense até parecia que ansiava pelo golo do Benfica para poder sustentar os tais 50% de favoritismo que o seu treinador dera por garantido.

Nos 35 minutos que então teve pela frente na primeira parte, o Feirense não equilibou apenas o jogo. Foi claramente melhor. E continuou melhor na primeira meia hora da segunda, com dois bons remates, muito bem defendidos pelo miúdo que está na baliza do Benfica, que continuava sem futebol, sem intensidade, sem chama, e permitindo que os adversários chegassem sempre primeiro à bola. 

No último quarto de hora o Benfica voltou a superiorizar-se, criou até três ou quatro oportunidades. Mas até isso não deu para mais que reforçar a falta de qualidade e de confinaça que marca a equiipa, com finalizações escandalosas. E falando em finalização tem que se falar dos que estão e dos que não estão. Tem que falar de Mitroglou, e tem que dizer que Seferovic desapareceu, e já não existe. E que o Raul, enfim... E falando de jogadores tem que falar da insistência em Salvio, e de Zirvkovic na bancada. E do que Rui Vitória vê em Filipe Augusto que não vê em krovinovic ou mesmo em João Carvalho. Ou que não viu em André Horta...

Do mal, o menos. Ao ter conseguido voltar a pegar no jogo na parte final, para além do próprio peso das últimas imagens, o Benfica livrou-se - e livrou os adeptos - do pesadelo dos últimos minutos. Em boa verdade o espectro do empate não passou pela Luz no último quarto de hora.

 

 

 

 

 

Cheira a retoma. Não estraguem!

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Não foi uma grande exibição, nem poderia ser, mas cheirou a retoma. O jogo do Benfica, hoje no mal tratado relvado da Vila das Aves, foi bem diferente dos do passado recente.

Entrou forte, mas isso também tinha acontecido na maioria dos jogos anteriores. A ponto de sempre ter marcado cedo. Talvez tenha aí começado a diferença: o Benfica não marcou cedo, e teve de continuar dominador. Quando o golo surgiu já os ponteiros do relógio roçavam a meia hora; a equipa já tinha de ter os motores aquecidos, e portanto com menos facilidade em engasgarem.

É certo que no perído final da primeira parte, durante cerca de 5 minutos, vieram-nos à memóra estes fatídicos últimos jogos. O Aves criou então duas boas oportunidades de golo, e o Benfica pareceu abanar. Valeu que o intervalo estava mesmo ali...

Rui Vitória manteve, não a equipa que na quarta-feira tinha perdido com o Manchester United, mas as apostas que então fizera. Desde logo os miúdos: Svilar na baliza, Rúben Dias, na defesa e Diogo Gonçalves, na frente. No Banco, quase dois anos depois, Pizzi, para o regresso de Jonas à equipa. E desta à dupla de pontas de lança, também com o regresso de Seferovic, um dos muitos jogadores com assinalável quebra de rendimento.

O Benfica tinha rematado muito na primeira parte. E só não rematou mais porque falhou bastante na finalização de muitas jogadas. Na segunda parte melhorou significativamente neste aspecto, com duas consequências directas: rematou ainda mais e o Quim defendeu ainda muito mais. E como defendeu!

Não sei se à meia dúzia seria mais barato, mas foi mesmo meia dúzia de golos que Quim evitou, com outras tantas defesas portentosas. Francamente: já não tem idade para aquilo!

Na segunda parte o Benfica chegou cedo ao segundo, e foi acentuando a sua superioridade no jogo. À entrada do último quarto de hora, em mais um período de 3 ou 4 minutos de algum desacerto, consentiu mais um golo parvo. É mesmo isso, um golo parvo, como tem sido tão frequente...

Não deu em nada de mais porque, logo a seguir, de penalti, Jonas repetiu e repôs a diferença. E estabeleceu o resultado final - porque o velho Quim continuou a fazer impossíveis, e porque ainda ficou mais um penalti por assinalar.

Termino como comecei: sem grandes alardes, nem razões para grandes optimismos, há um cheirinho a retoma. Não estraguem! 

Tuda na mesma, tudo pior!

 

 

Pelo que se viu hoje no jogo da Taça com o Olhanense, no Estádio do Algarve, teme-se o pior para quarta-feira. E o pior, depois dos cinco de Basileia, é inimaginável!

Haja as paragens que houver, joguem os jogadores que jogarem, sejam os adversários quais forem, por mais fracos que sejam, tudo está na mesma. Cada jogador corre para o seu lado, sem nunca chegar a lado nehum. Parecem desconhecidos, que se encontraram ali pela primeira vez para jogar à bola. Cada bola dividida é cada bola perdida. E neste estado de coisas, na mesma, é pior. Cada jogo consegue ainda ser pior que o anterior. Cada nova solução é pior que a anterior.

Imaginar este Douglas - mas o que é que terá passado pela cabeça de quem manda no Benfica com esta contratação? - que em 90 minutos não ganhou uma bola a um jogador do Olhanense, a jogar contra os jogadores do Manchester, é um pesadelo que tem que ser poupado aos benfiquistas. É penoso ver jogar, para além deste Douglas, Rafa, Gabriel Barbosa, Pizzi, Seferovic e até já Grimaldo... Tão penoso como ouvir Rui Vitória!

Ou ver. Sem capacidade para inverter o que seja, limitando-se, desta vez, a atirar miúdos para a fogueira. Porventura para queimar, como já fez com Varela, tendo agora, no jogo com o Manchester, que entregar a baliza a um miúdo de 17 anos a quem entregaram o número 1 do Benfica. E que hoje se estreou numa equipa principal...

Para que tudo esteja igual ao que estava antes destas duas semanas de interrupção competitiva, e portanto pior, até o golo chegou cedo: logo aos quatro minutos. Mas não chegou para dar moral a ninguém, nem ao marcador, o tal Gabigolo. Foi seu primeiro golo no Benfica, mas não lhe serviu de nada. Serviu apenas para evitar que a equipa se ficasse pela primeira eliminatória!

 

 

 

Fim da linha

 

 

Em dia de eleições, o Benfica voltou a perder posições na candidatura ao título. Voltou a mostrar que, assim, é um candidato perdedor, sem condições para ganhar.

Depois de um jogo bem conseguido com o Paços de Ferreria, com uma primeira parte muito prometedora - ainda não se tinha visto tão flagrante demonstração de superioridade, a primeira meia hora foi a coisa mais avassaladora que viu num jogo de futebol - o desastre de Basileia voltara a devolver o Benfica às trevas. Não podia ser maior a expectativa para esta deslocação à Madeira, para defrontar o Marítimo, em dia de eleições.

A constituição da equipa alimentava as maiores dúvidas. Ao repetir o onze de Basileia, Rui Vitória ou estava a dizer aos adeptos que tinha ficado satisfeito com o desempenho da equipa humilhada na Suíça, ou a dizer-lhes que é teimoso e que é ele quem manda, ou simplesmente a atirar a toalha ao chão.

Como Rui Vitória não está em condições de se armar em teimoso, nem de demonstrações de força. restam apenas as duas restantes hipóteses. Que vão dar ao mesmo. Dizer que estava satisfeito com o que a equipa de Basileia é assinar a sentença da sua própria morte. Atirar a toalha ao chão é apenas um eufemismo dessa morte...

O jogo confirmou isso mesmo. Rui Vitória não sabe o que fazer, e como não sabe, não faz nada. Deixa andar... Sabe-se que a equipa joga até marcar um golo. Aí chegada, acabou. Não consegue mais continuar no mesmo ritimo à procura do segundo, nem consegue controlar o jogo para lhe definir ritmos. Nem consegue manter o ataque ao adversário, nem consegue mandar no jogo. Perde-se, pura e simplesmente.

E desta vez o golo surgiu no decurso do segundo minuto do jogo... A equipa durou dois minutos. Se isto não é o fim da linha...

Tudo na mesma. Cada vez mais na mesma...

Não há duas sem três: Benfica volta a 'escorregar'

 

Outra competição. Outros jogadores. Mas tudo confrangedoramente na mesma.

O mesmo início de jogo, de novo a deixar a ideia que a equipa queria mudar o destino. O mesmo golo cedo. Depois, o mesmo... O vazio. A mesma confrangedora falta de qualidade de jogo, a mesma incapacidade de tirar o que quer que seja do jogo. O mesmo terror, à medida que, depois do golo, os ponteiros do relógio avançam no jogo. A mesma fatalidade.

Não seria previsível que com outros jogadores, menos rodados e supostamente de menor valia, pelo lado da qualidade de jogo, as coisas corressem melhor. Mas seria de esperar que esses jogadores quisessem mais, que lutassem mais. E com mais querer, lutando e correndo mais, era de esperar que o Benfica pelo menos ganhasse o jogo.

Nada disso, Os jogadores do Braga quiseram mais, lutaram mais e foram, todos, melhores que os do Benfica. Não sei se houve um jogador do Benfica tenha sido melhor que o seu adversário da mesma posição. Na maior parte dos casos foi gritante a superioridade dos que vieram de Braga.

Não se percebeu qual seria a ideia de Rui Vitória ao colocar Samaris e Filipe Augusto. Talvez tenha sido para calar os adeptos que reclamam o grego em vez do brasileiro. Para lhes mostrar que, entre os dois, que escolha o diabo... Samaris é um poço de faltas. Filipe Augusto, outro. Os dois juntos.... a boca do inferno.

Rafa, é o desespero. É um caso sério de destruição de valor. Gabriel Barbosa, é mais um caso que não tem explicação. Salvou-se o Krovinovic!

Rui Vitória é que não. E começa a ficar difícil salvar-se... O discurso está ao nível da qualidade de jogo: insuportável!

É oficial: há fantasmas!

 

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É oficial: os fantasmas existem, e estão aí!

Aquilo que entre nós, benfiquistas, vínhamos dizendo baixinho de uns para outros, está confirmado.  A política de vender depressa tudo o que desponta no (falso) pressuposto que a qualidade da equipa se mantém, deixou de ser estratégia para ser sobranceria.

A factura do desinvestimento na equipa estava á vista. Hoje, no Bessa, foi apresentada a pagamento.

E, no entanto, quem assistiu à primeira parte deste jogo com o Boavista - a quem, recorde-se, na época passada, o Benfica não conseguiu ganhar, perdendo 5 dos 6 pontos em disputa - chegou a acreditar que os jogadores disfarçariam a crise por mais uns dias.

O Benfica entrou forte no jogo, a jogar com velocidade e com determinação, e sem falhar passes como vinha falhando nos últimos jogos. A forma como o Boavista se dispôs em campo também ajudou. Ao contrário dos últimos adversários, o Boavista não encolheu o campo, espalhou-se pelo campo todo, dando profundidade ao jogo, deixando espaço para jogar, mesmo que disputasse a bola em todas as zonas do rectângulo.

O Benfica dava-se bem com estas condições e tomou por completo o controlo do jogo. Marcou cedo, logo aos 7 minutos, e salvo o período de meia dúzia de minutos que se seguiu ao golo, em que o jogo atabalhoou um bocadinho, permitindo ao Boavista chegar perto da baliza em três ou quatro livres consecutivos, na sequência de outras tantas desnecessárias faltas a meio campo, esteve sempre a mandar no jogo, e a criar oportunidades de golo, umas atrás das outras.

Quando ao minuto 45, nem mais um segundo, interrompendo uma promissora jogada de ataque, já em cima da área do Boavista, em mais uma das subtilezas das suas arbitragens, Artur Soares Dias apitou para o fim da primeira parte, o Benfica já devia três ou quatro golos ao jogo. O Boavista não tinha feito um remate à baliza, e tinha-se limitado a correr atrás da bola (70% de posse de bola para o tetracampeão). 

Tão pouco, que custava a crer que o escasso 1-0 fizesse perigar o resultado na segunda parte. Quando parecia que o Benfica regressava bem, com o mesmo espírito da primeira parte, começamos a ver fantasmas a descer sobre o relvado do Bessa.

O primeiro a pisar a relva foi o das lesões. Foi de imediato direitinho a Sálvio. Tenebroso: porque Sálvio é hoje insubstituível, porque é mais uma lesão, e porque é mais uma lesão de Sálvio.

Logo a seguir, ia a segunda parte com apenas 5 minutos:chega o fantasma da defesa. Um lançamento da linha lateral, daqueles à Benfica, como que a provar do próprio veneno, e lá estava o fantasma a impedir qua bola fosse afastada, empurrando-a para uma carambola que daria em golo. O fantasma da defesa tem transformado carambolas em golos em todos os últimos jogos.

O terceiro fantasma demorou mais tempo a chegar. Talvez porque ser o que estava há mais tempo à espera, com menos ritmo de jogo. O tão anunciado fantasma do guarda-redes acabou por chegar quando já quase ninguém acreditava nele.Tudo começou com mais umas subtilezas de Soares Dias, que começou por marcar mais uma daquelas muitas faltas inexistentes que assinala contra o Benfica em zonas tidas por negligenciáveis. Depois posicionou a barreira do Benfica mais de um metro para além da linha dos nove metros e quinze, como se viu na transmissão televisiva, mas não se voltará ver mais. No fim, o inexplicável frango de Varela. Sem o qual as subtlezas de Soares Dias - que no fim concedeu 6 minutos  de compensação, mas também deu o apito final ao minuto 96, com metade desse tempo passado numa substituição e em assistências médicas - não seriam mais que isso mesmo.

Terminado o jogo, não terminou a dança dos fantasmas. Dantesca, a adensar-ser a cada ponto que engrossa a distância para os da frente... Ou a cada golo de um certo rapaz com uma certa proveniência, onde só houve olhos para  outro, na pressa de atempadamente substituir o Nelson Semedo que havia pressa em vender... 

Dirão que não é a primeira vez por que passamos tempos destes. Pois... O diabo é que não se pode abusar da História. Menos ainda quando é recente... Não tem estaleca para aguentar!  

 

Ainda há dúvidas?

 

Este jogo de entrada do Benfica na Champions tinha de ser ganho. Porque era em casa, perante um adversário directo, digamos assim, porque era o primeiro, e é sempre importante ganhar o primeiro jogo nestas fases curtas de apuramento, e porque o Benfica vinha de dois jogos que deixavam muitas dúvidas quanto à real capacidade da equipa.

A equipa tinha de ter assimilado todas estas condicionantes, e entrar afirmativa, sem dar grandes chances ao adversário. Não se pode dizer que o Benfica tenha feito uma má primeira parte, mas esteve longe de ser bem conseguida, e muito mais de ser convincente. E, oportunidades de golo, apenas naquele remate de Grimaldo - que regressou muito bem, a fazer com Zivkovic uma ala esquerda de grande categoria - ao poste. Porque os dois penaltis que o árbitro não quis assinalar foram só isso: penaltis por assinalar.  

A equipa entrou para a segunda parte com  vontade de resolver o jogo. Os primeiros minutos tiveram quase tudo o que era preciso para ganhar o jogo, com o CSKA de Moscovo encostado lá atrás. Até o golo, logo aos 5 minutos.

Só que pareceu que os jogadores pensaram que, feito o golo, estava tudo feito. A equipa perdeu intensidade e, de repente, duas carambolas dentro da área mostraram uma defesa do Benfica de manteiga. Nada que não se soubesse. O resto fê-lo o árbitro espanhol, que quis ser a figura do jogo. Não lhe bastando os penaltis que não assinalou, resolveu inacreditavelmente assinalar um contra o Benfica, que deu o empate à equipa russa sem nada ter feito por isso.

A equipa intranquilizou-se ainda mais e, na segunda vez que o adversário chegou à área, de novo com a defesa aos papéis, sofreu o golo que ditaria a derrota. A partir daí, e falltavam ainda mais de 20 munutos, deu para tudo. Para mais erros do árbitro, para entrar o Gabriel à espera de um milagre... Para tudo menos para oportunidades claras para ganhar o jogo: uma, e pronto!

Não há dúvidas que a equipa não está bem. Nem que aquele futebol sempre ali dentro da meia lua não é coisa que se apresente. Nem que Rui Vitória precisa de parar para pensar. E para se acalmar. Parece sem ideias e está claramente sem discurso. Já não dá para ouvir.

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