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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Coisas extraordinárias

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Hoje podia escrever sobre o tema do dia, em todas as primeiras páginas dos jornais, para dizer o óbvio: que a Ministra da Justiça caiu na esparrela e, partindo do entendimento generalizado no Ministério Público - donde ela vem - que o mandato do PGR é "longo e único", criou um problema ao governo e a António Costa, que teve de a desautorizar. Ou para dizer algo maquiavélico - de que a direita não desdenha - e mais rebuscado que, pelo contrário, António Costa mandou a Ministra da Justiça lançar o barro à parede, a ver no que dava. E ao ver no que deu correu logo a corrigir o tiro. Porque, no fundo, esta PGR não fez muito mais que incomodar o PS. Ou até para dizer que Joana Marques Vidal, a "Procuradora que enfrentou os poderosos", deixou passar em branco o caso Tecnoforma, depois de Bruxelas ter dito com todas as letras que tinha havido fraude; e nunca revelou qualquer preocupação em encontrar por cá, no "processo dos submarinos", a outra face da corrupção condenada na Alemanha.

Mas não escrevo. Vou escrever sobre outra coisa extraordinária que também aconteceu no debate quinzenal, quando António Costa acusou a EDP de se comportar de forma diferente com esta maioria, para não dizer com este governo. Não se sabe se haverá outras razões, ou se o primeiro-ministro retirava esta conclusão exclusivamente pelo facto de a empresa do Estado chinês, dirigida por António Mexia, com pagens espalhados pelos baronatos dos três partidos do arco da governação (com o PS a ser agora reforçado, com Luís Amado a tomar o lugar de Catroga) ter anunciado que iria deixar de pagar a taxa de contribuição extraordinária do sector energético. Tem que se admitir que haja outras razões, quer porque há muito que também a GALP deixou de a pagar, quer pelo próprio tom de vitimização que António Costa colocou na declaração. E essas serão certamente injustas, como ainda há pouco se viu quando, à última hora da aprovação do Orçamento de Estado, António Costa voltou atrás no corte nas rendas excessivas, traindo o acordo com os seus parceiros do Bloco... 

Esperemos agora que o assunto siga o seu curso normal para os Tribunais. A não ser que se repita o que aconteceu com a Brisa com os 125 milhões de euros, que disse que não pagava e ... pronto. Não se passou nada...

Mas passa-se!

Por sinal, um grande sinal!*

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A aprovação do Orçamento do Estado para o próximo ano, no início desta semana, ficou marcada pela acusação ao governo de deslealdade e de quebra de palavra, por parte de um dos partidos que lhe garante suporte parlamentar.

Qualquer acordo, seja ele qual for, pressupõe compromisso. E o compromisso, lealdade aos seus princípios e honra à palavra dada. Quebra de lealdade e falta ao cumprimento da palavra são razões de sobra para romper com qualquer acordo. O que assegura a actual solução governativa não é excepção!

O governo, e o partido que o integra, tinham acordado com o Bloco de Esquerda a criação de uma contribuição extraordinária para os produtores de energias renováveis – leia-se EDP – que correspondia a uma parte da renda que recebem do Estado e permitiria poupar aos consumidores qualquer coisa como 40 euros por ano na factura de electricidade. Na votação na especialidade, no final da última semana, essa medida tinha sido aprovada. Antes da votação final do Orçamento, logo na segunda-feira, o partido do governo volta a submetê-la a votação e vota contra. Foi isto!

E isto é o sinal que o governo tinha para dar nesta altura, em que as coisas nem lhe estão a correr particularmente bem. Um sinal que, quanto a interesses instalados, estamos conversados: este governo comporta-se como todos os outros. Nada muda!

Quem tiver dificuldade em perceber como é que o político A ou B, que não sabe coisa nenhuma do negócio x ou y, é contratado e milionariamente pago para a administração da empresa C ou D, percebe que é por isto. Que é porque os accionistas não estão nada preocupados com o que eles percebam do negócio – para isso têm lá outra gente. E às vezes nem é preciso que tenham… Querem é ter lá gente que, na eventualidade de alguma coisa má passar pela cabeça de algum governante, corra a convencê-lo que… não pode ser!

Por sinal, um grande sinal do governo. Um sinal de uma enorme falta de vergonha. Tanta que nem sequer reagiu à acusação de aldrabão. Nem uma palavra sobre a falta de palavra, como se não tivéssemos todos ouvido, com todas as letras, que “o governo não honrou a palavra dada”. Mas também tanta que não se importa nada de deixar claro que, tendo que decidir – não, não é entre os interesses dos poderosos e dos mais frágeis, isso foi chão que já deu uvas! – mas tendo tão somente que decidir entre os interesses instalados do regime e a sua própria solução governativa, a solução de governo que tem para o país, decide-se pelos interesses instalados.

Claro que agora não vão faltar primeiras páginas dos jornais a dizer que dezenas de investidores, cheios de milhares de milhões de euros, loucos para os investir por cá, já inverteram a marcha e voltaram para trás. Nem especialistas, nos jornais e nas televisões, a dizer-nos que tinha de ser assim, que isto é que é sensato. Que se a medida tivesse ido para a frente iria levantar uma onda de litigância de que só haveria que esperar o pior. O diabo, certamente…Curiosamente – ou talvez não – não há ninguém que venha dizer que o Ministério Público está há meses a investigar esses contratos, e que, por exemplo, António Mexia, presidente da EDP, e Manso Neto, o da EDP Renováveis, são suspeitos de corrupção e estão constituídos arguidos.   

Pois… eles existem para isto mesmo. E sabem fazer bem o seu papel!

É também por isto que não posso terminar sem uma homenagem a Belmiro de Azevedo, que sempre denunciou este estado de coisas. E que mostrou que é possível ser o maior empresário do país sem prostituir o poder, ignorando-o. Desprezando-o mesmo. E que é possível enriquecer sendo sério e honesto!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Rotura

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O segundo aniversário do governo ficará certamente como um marco n a legislatura, mas também, mais que na geringonça, no futuro da solução governativa que representa. E não é pela controversa comemoração, em Aveiro.

É provável que aprovação do terceiro orçamento deste governo, que poderia  querer dizer que a geringonça continua  a funcionar e imune ao próprio desgaste de que o governo vem dando sinais, tenha trazido a resposta quanto ao futuro do entendimento da esquerda. E a resposta é - tudo o indica - que a actual solução dificilmente se repetirá.

A sustentar esta opinião está justamente o rompimento do PS com o compromisso assumido com o Bloco a propósito das rendas na energia. Não tanto pela facada, pela falta à palavra, como salientou com todas as letras a deputada Mariana Mortágua, porque não é raro que essas coisas se perdoem. Uma facadinha aqui, um amuo ali, fazem parte das relações.

Não é bonito, mas não é o problema. O problema é que António Costa e o PS fizeram, nesta matéria, o mesmo que Passos Coelho e o PSD e o CDS tinham feito à troika, quando fizeram ouvidos de mercador à recomendação de rever as rendas excessivas da EDP. 

Na altura, Passos Coelho preferiu cortar salários e pensões e optar pelo aumento colossal de impostos a afrontar a EDP, em circunstâncias que levaram até à demissão do Secretário de Estado da tutela. Agora, António Costa prefere pôr em causa as condições da governação do país a tocar nos previlégios da EDP. 

Antes, Passos, como agora, Costa, do mesmo lado. Antes, como agora, primeiros ministros de governos legítimos da República. Numa semana em que António Costa voltou a proclamar a sua total incompatibilidade com Passos, manifestando a esperança que possa ter com a próxima liderança do PSD a possibilidade de diálogo que nunca existiu com a actual, é legítimo perguntar: que interesses são os da EDP, que empresa é esta que, ao que se vê, consegue unir o que não há interesse nacional que una?

O problema é que, num regime capturado pelos interesses, António Costa mostrou de que lado está. Do lado em que invariavelmente têm todos estado. E isto tem que dar em rotura - não rompendo com o passado, rompe-se inapelavelmente com o futuro!

 

 

Causas de capital

 

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A EDP lançou uma OPA para adquirir a totalidade do capital da EDP Renováveis e retirá-la de Bolsa. Oferece 6,8 euros por acção e, evidentemente, as pessoas terão que vender.

Terão que vender à EDP, por 6,8 euros, as acções que lhe compraram há 9 anos por oito. É assim que todos fazem: quando precisam de capital, abrem-no em Bolsa ao preço que querem; quando já não precisam retiram-no de Bolsa. E devolvem aquilo que querem!

Entretanto os chineses levam os dividendos que nos confortavam o défice. E o Mexia põe toda a gente a fazer contas ao que ganha por minuto. É assim. É a vida, como dizia o outro...

 

 

PAGUE UM E LEVE TRÊS

Por Eduardo Louro

 

 

As rendas da EDP não podem ser mexidas, como toda a gente já sabe. Explicam-nos que é o preço a pagar pelo grande negócio da privatização: os chineses só deram tanto dinheiro porque elas lá estavam. Os tipos compraram a EDP e as rendas que os consumidores estão obrigados a pagar-lhe… Pague um e leve dois!

O que não sabíamos é que, pelo mesmo preço levavam ainda, de brinde, os dividendos do ano anterior. Esqueceram-se de nos explicar é que se tinham enganado no cartaz promocional: afinal é pague um e leve três

MUDAM AS MOSCAS...

Por Eduardo Louro 

 

Privatizam-se as empresas e os accionistas escolhem as pessoas para os órgãos sociais exactamente como se fosse o governo a escolher. Os accionistas da EDP escolheram – a acreditar nas declarações do CEO, António Mexia – a dedo, seguindo uma lista que mais parece a lista de favores de que os membros e os partidos governo são devedores.

Se isto é a escolha dos accionistas, como seria se fosse o governo a escolher?

VÁ LÁ A GENTE PERCEBER ISTO

 

Por Eduardo Louro 

 

O Banco Central Europeu não pôs as rotativas a trabalhar mas foi quase como se pusesse. Colocou uma pipa de massa ao dispor da banca, para injectar liquidez: uma boa notícia!

Os bancos, 522 bancos europeus, correram a esse dinheiro como lobos famintos atrás de um rebanho e sacaram quase 500 mil milhões de euros. Os mercados financeiros, em vez de se tranquilizarem com esta volumosa injecção de dinheiro no sistema, ficaram ainda mais nervosos: acharam que toda aquela fome de dinheiro era mau sinal. Resultado: os juros das dívidas soberanas dispararam e o risco de incumprimento subiu para uma série de países europeus, entre os quais já a Áustria e a França! E a taxa de juro para a Itália voltou para os 7%!

Vá lá a gente perceber isto… Preso por ter cão e preso por não ter!

O que restava da EDP nas mãos do Estado foi parar a mãos chinesas. Dizia-se por aí que seriam os alemães da E-ON, que Angela Merkl tinha dado a volta a Pedro Passos Coelho, o que nem sequer era muito difícil. Mas não, o governo privilegiou o encaixe em detrimento de opções mais naturais, como seriam a alemã ou a brasileira. Terá sido a melhor opção?

Há quem defenda que sim, que para além de receber já mais dinheiro, o governo, com esta opção, favorece as condições de financiamento da EDP. Mas também há quem veja esta opção como de curto prazo, e errada do ponto de vista estratégico. A China não vem acrescentar valor, nem traz quaisquer outros apports sinergéticos!

Mas vá lá a gente perceber isto: então privatizar não é, por definição, entregar a privados? Ora o governo vendeu ao Estado Chinês, a uma empresa pública chinesa! O maior accionista da EDP continua a ser o Estado. Só que o chinês!

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