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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Coisas do diabo

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A vitória de Rui Rio começou de imediato a produzir efeitos. Ou, talvez melhor, declarações.

Primeiro foi Manuela Ferreira Leite, a quem muita esquerda começara a afeiçoar-se, a dizer que o "PSD deve vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua". Nem sei o que mais impressiona - se o balde de água gelada que despejou em cima dos seus mais recentes camaradas, se a dificuldade de o PSD se libertar do diabo. Se, chamado por Passos, não veio, pode ser que venha agora para lhe ficar com a alma. Comprando, é claro...      

Depois, logo a seguir, veio Assunção Cristas  dizer que “mais importante do que saber quem fica em primeiro lugar nas eleições, o que é importante é saber que partidos é que é que conseguem ter uma maioria parlamentar de, no mínimo, 116 deputados”. Aqui sei bem o que mais impressiona. Mais que o reconhecimento da legitimidade do actual governo, e o abandono de Passos, deixando-o sozinho na tese da usurpação do poder, mais que mais um negócio de alma com o diabo, impressiona que esta declaraçao não tenha impressionado a generalidade da comunicação social.

Mais que desviarem-se desta declaração como quem se desvia de qualquer coisa sem importância, abandonada na beira da estrada, fugiram dela como o diabo foge da cruz!

 

 

 

Dramático

 

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As eleiçõs no PSD já lá vão, Rui Rio é o novo patrão, e agora o tema é a liderança parlamentar. A questão é se deve ser Hugo Soares, a incrível escolha de Passos já em agonia, a demitir-se ou se isso deverá ser tarefa de Rui Rio e, como já se viu, há opções para todos os gostos.

Mas nisto de eleições nos principais partidos a minha preocupação é outra, como por aqui tenho vinda a manifestar. Mais que a batota descarada que sempre domina estes acontecimentos, preocupa-me a naturalidade com que a olham, quando a olham. 

As escolhas nos dois principais partidos do regime, agora feitas por via eleitoral convencional, são mais que simples eleições partidárias. São as primárias das eleições legislativas. É nelas que se decide quem os portugueses irão depois sufragar, ratificar, para governar o país. Por isso, e já que não podem ser abrangidas pelo volto universal, que sejam ao menos justas, isentas e livres. Sem batota!

Não são. Nunca são, e isso não preocupa ninguém. 

Sabe-se que no último dia foram pagas quotas de 20 mil militantes. Sabe-se, contou-o o Expresso (vale a pena ler), que em Ovar, cuja câmara municipal é presidida pelo director de campanha de Rui Rio, a batota atingiu formas verdadeiramente escandalosas como, entre outras, a casa com 17 militantes do partido, onde apenas viivem oito pessoas, de nomes completamente diferentes, e que nem sequer sabiam destas eleições; ou a casa que não existe, mas que é residência de outros oito votantes.

Dir-se-á que não bate certo com a imagem de Rio. Que está em contra mão com o rigor, a ética e a seriedade que apregoa. É verdade, mas só prova que nada ninguém na política portuguesa está acima da batota. E isso é dramático!

 

 

 

O aparelho

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De repente -  já lá vão uns meses, é certo, mas foi de repente, logo que se começaram a perfilar para disputar a sucessão -, Santana Lopes e Rui Rio passaram de ferozes críticos a fervorosos apoiantes de Passos Coelho.

Quem os ouve agora nem percebe por que se estão a candidatar para o substituir. Se, como dizem, Passos Coelho fez tudo tão bem, por que é que não continua?

No entanto, como ainda ontem, no debate na TVI, fizeram ambos gala de nos voltar a lembrar, com citações e recortes de jornais, que qualquer deles andou a desancar em Passos Coelho durante todo o consulado da sua liderança. Não lhe pouparam nenhuma!

É curioso que Santana Lopes - que, como se sabe, é tipo de grande à vontade e de pequena vergonha, coisa a que vulgarmente chamamos lata -, quando o seu adversário concluiu (das poucas vezes em que o deixou concluir o que quer que fosse) um rol de recortes de jornais com provas das acusações que fizera ao ainda líder do partido, lhe tenha perguntado quando é que isso ocorrera. E que tenha ficado sem resposta, metendo a viola no saco, quando Rui Rio, voltando aos recortes, enunciou 2009, 2010, 2011, 2013, 2015...  

Não sabemos, se calhar nunca saberemos se, quando durante todos estes anos criticaram tão asperamente Passos Coelho, como agora fazem questão de lembrar um ao outro, qualquer deles, ou ambos, estavam em frontal oposição às suas opções políticas ou simplesmente a colocar-se no sítio que consideravam certo para lhe disputar o lugar. O que sabemos é que as coisas lhes saíram furadas. Passos auto-destruiu-se, mas o seu poder no partido, que tanto trabalho lhe dera a construir, manteve-se intacto. É ele que continua a dominar o aparelho de um partido que cada vez mais se parece com os clubes de futebol, até nas lógicas de poder.

É por isso que Santana Lopes e Rui Rio, nas tintas para a honestidade intelectual, estão hoje tão de acordo na exaltação de Passos Coelho. E é também por isso que, ganhe qual deles ganhar, será sempre um líder de curto prazo. Que fará as malas lá para finais de Outubro do próximo ano. 

SEGURO E NÃO FORMOSO

Por Eduardo Louro

 

Na corrida à liderança do PS - que acaba de entrar na recta final - António José Seguro segue tranquilamente à frente, rumo à vitória. Francisco Assis lá vai fazendo pela vida, mas já nem ele próprio acredita que lá chegue. Vai-se esforçando em lançar uma outra ou ideia, às vezes mesmo uma pedradazita no charco, enquanto, Seguro mas não formoso, o seu adversário se limita a olhar para os botões da máquina, vendo se está tudo no sítio e distribuindo afectos a eito.

É a força da máquina, dizem. Nestas coisas quem não domina a máquina perde, sem apelo nem agravo. É assim no PS, mas é assim em todos os partidos. E com a moda das directas é ainda mais assim!

Nada a opor. Nem nada a fazer: são as regras do jogo!

O problema vem a seguir. Olho para as redes sociais – não há volta a dar, não é preciso espreitar pelo buraco da fechadura, as portas estão todas escancaradas – e reconheço as caras que estão à volta de Seguro: todas as que estiveram na linha da frente na defesa de Sócrates, todas as que vibraram com o líder no congresso de há três meses, todas as que deixaram aquela imagem de seita que de lá saiu. Onde, se bem se lembram e repescando a expressão então utilizada e que aqui trouxe já em diversas ocasiões, Seguro nunca saiu de trás dos arbustos. E onde Assis não se escondeu: sempre ali na tribuna, disponível para todos os encómios ao chefe endeusado…

Olho para trás, mais para trás – dois, três…seis anos - e continuo a ver Seguro sempre lá! No mesmo sítio, atrás dos arbustos, sem ninguém dar por ele! E Assis sempre bem a vista, sempre na primeira linha, a defender o chefe até à derrota final. Na Assembleia da República, um líder parlamentar com a missão impossível de defender o indefensável porque, na verdade, o Sócrates que toda aquela gente cegamente idolatrava, já não tinha defesa. No entanto Assis nunca o abandonou, nem por um só momento!

Se Assis não pode – por muito que até quisesse - largar a pele socratista, Seguro pode ser acusado de tudo – e especialmente de ter hibernado à espera que a oportunidade lhe caísse do céu – excepto de admirador e seguidor de Sócrates. Mandaria a lógica que as expectativas apontassem para que toda aquela gente que até há um mês atrás seguia Sócrates em perfeito delírio, estivesse agora ao lado de quem mais próximo dele sempre esteve. Mas não! Nada disso, justamente o contrário!

E isto diz tudo sobre os partidos que temos e a quem entregamos a chave da democracia.

 

UMA BOA IDEIA, MAS...

Por Eduardo Louro

 

Manifestei-me aqui, já há muito tempo, contra a forma pouco democrática como em Portugal se chega a primeiro-ministro. Dito assim - sem mais nem menos – isto parece uma inaceitável blasfémia.

Mas não é! Tudo tem a ver com a forma como são eleitos os líderes partidários – do PS e PSD, os únicos que continuam a candidatar primeiros-ministros, por muito que isso custe a Paulo Portas! Como então dizia são umas escassas dezenas de pessoas que decidem quem é o líder de cada um desses partidos e, automaticamente, candidatos a primeiro-ministro. Depois, em eleições legislativas, a democracia limita-se a sufragar o nome escolhido por pouco mais de uma dúzia de pessoas.

É assim para todos os órgãos de poder democraticamente eleitos: deputados da nação ou autarcas.

Sempre me pareceu que isto representava um condicionalismo muito sério das democracias europeias e em particular da nossa. É que, afinal, e salvaguardando todas as distâncias e todas as restantes variáveis da democracia, pouca diferença há entre ir buscar um professor a Coimbra para tomar conta do país ou esperar que outro vá fazer a rodagem a um carro a um sítio qualquer onde se decida quem vai tomar conta desse mesmo país. A diferença é que um ficou por 40 anos, sem nunca mais perguntar nada a ninguém e, o outro, ficando por pouco menos tempo, sempre foi perguntando se o queríamos manter por lá. Bom, mas agora já não é assim: já não basta ir dar um passeio de fim-de-semana! Agora há, no PS e no PSD, eleições directas!

É aqui que quero chegar: não há diferença nenhuma! As eleições directas nestes partidos são decididas pelas mesmas escassas dezenas ou centenas de pessoas. Se na eleição em congresso ainda havia lugar a alguma espontaneidade, a alguma mudança de sentido de voto provocada por algum discurso mais arrabatado, em eleições directas ganha-as quem dominar a máquina do partido. Qualquer que ele seja!

Foi assim com Passos Coelho, há pouco mais de um ano. E é assim, agora no PS, com António José Seguro!

Por isso sou levado a aplaudir, de pé e com ambas as mãos, a proposta de Francisco Assis de introduzir no PS a escolha dos candidatos a primeiro-ministro, deputados e autarcas através de eleições primárias abertas a todos os cidadãos que o pretendam, independentemente das suas opções partidárias. Seria como as primárias que conhecemos do sistema americano: muito mais democrático, sem dúvida!

Claro que tenho dúvidas – mas apenas isso – sobre a eficácia do sistema no nosso país. Num país com os níveis de abstenção e de participação cívica que conhecemos dificilmente teríamos um nível de participação que nos afastasse todas as dúvidas de legitimação democrática. Quem sabe mesmo se não promoveria outros tipos de caciquismo… Mas lá que é um risco que vale a pena correr, disso não tenho dúvidas!

Tenho algumas é que se fosse Assis, e não Seguro, a dominar o aparelho, ele defenderia esta proposta: nada me legitima esta dúvida, mas…

 

 

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