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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Responsabilidade sem pressão

 Festejos

 

O Benfica passou com distinção a primeira das duas provas consecutivas no Minho, confirmando o rendimento dos últimos jogos nesta Liga. Como se sabe o calendário determinava que o Benfica fechasse a primeira volta no campo do Moreirense e abrisse a segunda em Braga, numa dupla dupla jornada minhota de enorme importância para o futuro da equipa na única competição em que, agora, está envolvida.

Sabe-se que nas actuais circunstâncias a equipa do Benfica está sob enorme pressão. Não pode falhar, a mínima falha é a morte do artista. A ponte para o sucesso passa por transformar essa pressão em responsabilidade. Pode parecer treta, mas não é. A responsabilidade de ganhar é diferente da pressão de ter de ganhar, é mentalmente bastante diferente.

A equipa entrou em campo com a responsabildiade de ganhar, sem nunca dar a ideia de uma equipa pressionada para ganhar. Nunca jogou sobre brasas!

Tomou conta do jogo, e nunca deu grandes hipóteses ao adversário. E nem com um grande problema de eficácia, com o desperdício de sucessivas ocasiões de golo, a equipa mostrou ansiedade. O mesmo não se poderá dizer dos adeptos, escaldados que estão com situações destas, em que a factura do desperdício tem acabado sempre por aparecer.

O 1-0 ao intervalo (golo de Pizzi, a meio da primeira parte, na conclusão de mais uma grande jogada de futebol, com uma assistência fabulosa de Jonas) era muito curto para o que o Benfica tinha jogado. E deixava no ar fantasmas antigos, mesmo que a aquela estranha e insondável quebra da equipa a seguir à marcação de cada golo já faça parte do passado.

A segunda parte começou com o desperdício de mais uma flagrante oprtunidade de golo para, pouco depois, se começar a ver a transfiguração da estratégia do Moreirense, para passar a apostar num futebol directo, no pontapé longo à procura de ganhar as segundas bolas já mais perto da área do Benfica. A estratégia vingou durante perto de 10 minutos, um pouco menos, e chegou a assustar. Pizzi e Salvio foram ao fundo, e Rui Vitória, que ao intervalo tinha sido obrigado a substituir o massacrado (muita porrada deram os jogadores do Moreirense) Samaris (por Keaton)  tardou a reagir. 

Só à entrada do último quarto de hora, já o pior tinha passado e já o Benfica voltara a criar e desperdiçar flagrantíssimas oportunidades de golo, tirou Salvio, para entrar João Carvalho. Uma substituição que há muito se impunha e que viria acabar de resolver o jogo. Logo depois de ter entrado, depois de pressionar a saída do adversário, o miúdo ganhou a bola e assistiu Jonas, que daquela vez não falhou, e fechou o resultado. De um jogo bem ganho e que, tirando aqueles tais 10 minutos de alguma instabilidade, o Benfica dominou por completo, com mais meia dúzia de oportunidades flagrantes de golo desperdiçadas. 

Falando de oportunidades de golo, tem de se falar de Jonas, hoje exasperante. Mas também de Varela que, com duas defesas enormes, anulou as únicas duas oportunidades que o Moreirense criou. Ambas defesas daquelas que dão pontos. E muita confiança à defesa, também agora com o seu eixo central establizado, com Jardel e Rúben Dias. 

E pronto, a primeira volta já ficou para trás. Não deixa saudades, e a segunda tem de ser melhor. Sem pressão, mas com sentido de responsabilidade!

Grande derbi. Grande Benfica!

Jonas empatou dérbi electrizante na Luz, em cima dos 90

 

Foi um grande jogo, o derbi de hoje. Com um grande Benfica, e com um Sporting com muita sorte e ... muito VAR!

Só isso, a sorte e a verdade desportiva do VAR, evitaram que o Benfica ganhasse um jogo que quis ganhar, e em que fez tudo para ganhar. 

Mesmo sem que se possa dizer que tenha entrado muito bem, o primeiro quarto de hora do jogo foi do Benfica. Estávamos nisto quando o Sporting fez o golo, na primeira vez que chegou à baliza do Benfica, num ressalto que sobrou para a cabeça do Gelson, numa jogada iniciada em fora de jogo. Que... lá está - a verdade desportiva é inquivocamente verde!

A partir daí, e faltava pouco menos de meia hora para o intervalo, e toda a segunda parte, o Benfica não fez mais nada que procurar o golo, imprimindo à partida, especialmente na segunda parte, um ritmo fortíssimo e uma intensidade pouco vista por cá.

Criou nove oportunidades de golo, teve mais do triplo dos ataques e dos remates do Sporting e teve muito mais bola. Mas a bola não entrava. Batia na barra e batia nas pernas e nas mãos dos jogadores do Sporting, sempre metidos dentro da sua área. 

À medida que o tempo se ia esgotando, Rui Vitória arrisacava cada vez mais. Tirou Pizzi, para entrar Raúl. Logo depois, retirou Fejsa, para entrar Rafa, e a seguir tirou mesmo o central Rúben Dias, para entrar o miúdo João Carvalho. E foram todos protagonistas!

Rafa mexeu com o jogo, e esteve finalmente à altura da sua qualidade. Raúl nem tanto, não esteve bem no remate. Mas podia ter marcado o golo da vitória, numa espectacular bicicleta que saiu a razar a trave, sem defesa. Tal como o João Carvalho, num espectacular chapéu, de fora da área.

O empate acabou por chegar já ao minuto 88. Num penalti. Finalmente, depois de tantos outros. Que Jonas transformou, com classe, marcando pela primeira vez no dérbi. Ainda sobrou tempo para mais duas claras oportunidades de golo, uma delas na tal bicicleta do Raúl.

No fim fica um empate altamente penalizador. Mas fica também aquela mensagem de crença no 37 que saiu das esgotadas bancadas da Luz. Os adeptos são assim... E fica o VAR, sempre bem pintado de verde!

Despedidas. E com lenço branco...

 

O Benfica despediu-se esta noite, em Setúbal, da Taça da Liga e do ano. Do ano do tetra, mas também, porque as últimas imagens são sempre as mais vivas, do desencanto. Que este jogo de despedida confirma, em toda a linha.

Quando se conheceu a constituição da equipa que Rui Vitória escalou para esta despedida ficou imediatamente claro que dificilmente este jogo fugiria à decepção e à desilusão que vem marcando este último terço do ano, e primeiro da época. O jogo já não decidia nada - o Vitória, de Setúbal, tinha o primeiro lugar do grupo assegurado - mas continuava a ser importante para o Benfica. Porque a equipa precisa de estabilidade e de confiança, e isso só as vitórias e as boas exibições garantem. E porque vem já aí o decisivo jogo com o Sporting. Por isso, porque não tem havido competição, e porque sobram muitos dias de descanso até ao dérbi, era difícil de aceitar um onze que não desse garantias de ser capaz de tirar do jogo o que dele havia para obter.

Mais difícil se tornava aceitar um onze constituído por jogadores dados por descartáveis em Janeiro. Três na defesa (Douglas, Lizandro e Eliseu), dois no meio campo (João Carvalho e Filipe Augusto), e dois (e podiam ser todos) na frente (Rafa e Zivkovic). Sete!

Se lhe juntarmos o guarda-redes Svilar, claramente desestabilizado, Samaris, em clara instabilidade emocional, e Seferovic, há meses desaparecido, soma dez. O décimo primeiro era o miúdo Rúben Dias, a regressar à equipa depois da intervenção cirúrgica a que foi sujeito!

Estranho, nao é? Mais estranho, e mais preocupante ainda, é tentar perceber o que vai na cabeça de Rui Vitória quando lança para o jogo sete jogadores que são cartas fora do baralho.

Para lhes dar minutos? Para quê, se não vão continuar? 

Para lhes dar mais uma oportunidade? Para quê, se o seu destino já está traçado? 

Não faz sentido, e o jogo confirmou isso mesmo. E confirmou mais, confirmou que Rui Vitória é parte do problema, e não parte da solução. Porque mostrou que a equipa só consegue ter posse a jogar para trás; jogar para a frente só em pontapé, à toa. Ou com cada um a jogar por si e para si. Porque mostrou que a equipa não sabe defender, com estes ou com outros jogadores. E porque mostrou, no meio disto tudo, que alguns daqueles jogadores têm muito mais qualidade do que aquela que Rui Vitória consegue extrair.

Alguém pode ter dúvidas da qualidade de Zivkovic? E de Rafa? E de João Carvalho? Aquilo que fez no primeiro golo - que é todo dele, o Sferovic foi simplesmente instrumental - não engana, é de um grande jogador. 

Na realidade, este último jogo do ano não deu se não para enterrar, ainda mais, Rui Vitória. Que, como vem sendo costume, viu outro jogo. E como viu outro jogo, não vê que, se isto não é da responsabilidade do treinador, é responsabilidade de quem?

 

 

 

Não tem explicação!

 

Depois da Europa, depois da Taça, chegou a vez da Taça da Liga. Uma a uma, o Benfica abandona todas as competições. Jogo a jogo, o Benfica teima em negar qualquer tipo de recuperação. Insiste em não desistir da crise, e persiste agarrado à imagem de um interruptor. 

Não tem explicação!

Depois do empate em casa com o Braga, na primeira jornada há já não sei quantos meses, hoje, na segunda jornada, com o Portimonense, em casa, na Luz, o Benfica tinha que dar sequência à excelente exibição de Tondela, no domingo passado, tinha que ganhar e tinha que ganhar por muitos, para se ir protegendo da concorrência do Braga.

Pensou-se que assim iria acontecer. Aos 40 segundos já o Benfica concluía em golo - de Jonas, evidentemente - uma espectacular jogada de futebol. O adversário apresentava-se sem oito dos seus titulares. Pelo menos sem oito do onze inicial que apresentara em Alvalade, também no domingo. E o Benfica, ao contrário, mantinha oito dos onze de domingo passado.

Com tudo para correr bem, aconteceu o que sempre tem acontecido. A equipa desligou e foi-se afundando. Desta vez, e ao contrário do que vem sendo hábito, os deuses não foram impiedosos com os jogadores do Benfica, e deram-lhes uma segunda oportunidade. À meia hora de jogo, quando o Portimonense era já dono e senhor do jogo, Lizandro fez o segundo golo, na sequência de um canto.

Os jogadores do Benfica não ligaram muito a essa segunda oportunidade. Não perceberam que aquilo era uma dádiva divina a agarrar com ambas as mãos. E o jogo foi para intervalo com o Portimonense com mais cantos, mais remates e com a mesma posse de bola do Benfica.

Logo no arranque da segunda parte, o Benfica teve o que merecia. Mais um livre lateral e ... golo. Rui Vitória mexeu na equipa, e mexeu mal. Já tinha estado mal nas três caras novas que introduzira de ínício - Svilar, Samaris e Zivkovic, por sinal os piores de todos - e foi por aí que teve que começar, retirando o destrambelhado grego e o jovém sérvio, acabado na jogada inicial, substituídos pelos miúdos Keaton e Diogo Gonçalves. Que só não foram piores ainda porque ... era impossível. Pior ainda era, e foi possível, com a última, com a entrada de Sferovic (quando já não se acredita em nada, acredita-se em millagres) para o lugar de Pizzi.

E como os deuses, ao contrário dos jogadores do Benfica, não dormem, quando faltavam 6 minutos para o final, um canto palerma deu no golo do empate. E no adeus à Taça da Liga, aquela que dantes era ... certinha. Favas contadas, noutros tempos.

O que está a acontecer ao Benfica resolvia-se mandando embora dez ou onze jogadores. Como se sabe, no futebol nunca acontece assim. Como não é possível mandar embora tantos jogadores, e alguém tem que sair...

 

Estonteante

 

Verdadeiramente estonteante, este Benfica.

A deslocação a Tondela não se previa fácil. O adversário é aguerrido e está moralizado por uma campanha que lhe está a correr bem, longe dos últimos lugares que sempre ocupou ao logo das suas épocas no primeiro escalão do futebol nacional. E o Benfica vinha de onde vem, de uma época terrível. 

O anúncio da constituição da equipa mais não fez que agravar as previsíveis dificuldades. Porque, à excepção do lesionado Luisão, era a mesma da última quarta-feira. O que queria dizer que Rui Vitória apostava nos mesmos jogadores que tinham sido sujeitos a um grande desgaste físico e emocional, numa derrota que afastara a equipa de mais uma competição, num jogo de enorme intensidade, com um prolongamento jogado com 10 unidades. Mas também que mantinha na equipa os jogadores que vêm sendo mais constestados, como Pizzi, Salvio ou Cervi.

O início do jogo não desmentiu os receios dos adeptos. O Tondela entrou bem, e à medida que a bola ia correndo começou a ver-se aquilo que é habitual ver nos adversários do Benfica: duas linhas bem recuadas e muito juntas, a impedir qualquer tipo de penetração. Depois, grande pressão sobre a bola.

Cedo se começou no entanto a perceber que, ao contrário de tantas outras vezes, o Benfica tinha solução para o problema. Dos pés de Krovinovic começaram a sair passes a rasgar para as costas da defesa tondelense, que rapidamente percebeu que a lição que trazia estudada já não servia para coisa nenhuma.

O Benfica passou a mostrar um futebol de grande qualidade e com alto poder de sedução. E já não era só Kroovinovic a brilhar, eram todos. Pizzi incluído, com dois golos.

A equipa já tinha mostrado este grande futebol na primeira parte do jogo da passada quarta-feira, em Vila do Conde. Só que não teve, nem de perto nem de longe, a mesma eficácia de hoje. E aí esteve a diferença para este Benfica estonteante. É que, com 3-0 ao intervalo, não havia por onde passar qualquer tipo de dúvida na cabeça dos jogadores. Não havia por onde tremer, nem por onde abanar.

É verdade que voltou a acontecer um erro. E não há  volta a dar, os astros não perdoam um erro ao Benfica. No único erro, com o resultado já em 4-0, o Tondela marcou. Na única ocasião de que desfrutou, no único erro cometido. Para agravar a injustiça da penalização, num erro do melhor jogador em campo. Krovinovic não merecia que aquele passe para Jardel fosse parar a um jogador do Tondela, que ficou isolado à frente do Varela. Que também não merceia que, depois de defender o remate do jogador isolado, a bola fosse direitinha aos pés do outro.

Foi um incidente do jogo, nada mais que isso. E a equipa tratou-o como uma qualquer mosca incomodativa, enxutou-a para longe e continuou a jogar o seu futebol estonteante. Só deu mais um golo, só deu para fechar o resultado em 5-1.

Poderá não ser ainda desta que o Benfica arranque definitivamente para os patamares exibicionais que se lhe exigem. Mas, depois daquela primeria parte com o Rio Ave, e deste jogo de hoje, não há  razão nenhuma para que não seja desta que se dê a volta a isto. Por muito que os problemas da preparação desta época lá continuem. Estonteantes, como este futebol!

Sempre a pôr-se a jeito

Cássio: «Fizemos por merecer a vitória»

 

Tudo acontece a este Benfica. Mas tem de dizer-se que se põe a jeito para que todo o mal lhe bata à porta.

Entrou bem no jogo, e dominou toda a primeira parte. Mas só fez um golo. Pôs-se a jeito...

Logo no arranque da segunda parte, ao segundo minuto, Cervi escorrega à entrada da sua área e deixa a bola à mercê de um jogador do Rio Ave. E golo do empate, no primeiro remate à baliza.

O Benfica sentiu o golo, mas veio para a frente. Um quarto de hora depois o Rio Ave ganha uma bola na sua defesa, em  falta sobre Pizzi, e sai para o contra-ataque. A jogada acaba com o Guedes a fazer gato sapato de André Almeida e Luisão, e um grande golo. Mesmo que facilitado. Na segunda vez que chegou à baliza do Benfica.

O Benfica partiu de novo para cima do Rio Ave. E apareceu Cássio, um velho conhecido da casa. Rui Vitória foi acrescentando avançados à equipa, e mesmo sem jogar bem ia criando e desperdiçando oportunidades de golo. Até um penalti Jonas falhou. 

Então, e por último, entrou Seferovic e saiu Grimaldo, ficando a equipa em completo desiquilíbrio. Luisão fez o empate, faltavam perto de 10 minutos (com o tempo de compensação dado pelo árbitro) para o jogo acabar. Com a equipa desiquilibrada como estava, esse tempo tinha de ser todo aproveitado para chegar ao golo da  vitória e evitar o prolongamento, como o capitão tinha deixado claro, sem perder tempo em festejos, a correr com a bola para o centro do terreno.

Pois... nesses 10 minutos a equipa não chegou uma vez à baliza do Rio Ave. Pôs-se a jeito...

Se as coisas não estavam fáceis para o prolongamento, pior ficaram com a lesão (muscular) de Luisão. Remendada e com dez, a equipa do Benfica só podia esperar o pior do prolongamento. Para encurtar a espera, que isto não está para grandes expectativas, o Rio Ave marcou logo no arranque, de novo na primeira vez que lá foi abaixo. Numa carambola, num ressalto e com Zivkovic, completamente desalinhado da linha defensiva, a colocar em jogo o jogador do Rio Ave que fez o golo.

Depois a equipa fez das tripas coração, e mesmo só com coração criou oportunidades para, na lógica de se pôr a jeito, levar o desempate para os  penaltis. Mas Cássio chegou e sobrou para as encomendas. 

E pronto, depois da Europa também já o Jamor lá vai... Se calhar era bom que alguém pusesse mão nisto. Mas parece que o presidente anda pela China... Também ele a pôr-se a jeito!

 

E assim continuamos...

 

Não há muito a dizer sobre o jogo desta noite, na Luz, que opôs o Benfica ao último classificado, o Estoril. Foi muito igual a tantos outros que o antecederam nestes quatro meses que a época já leva, o que quer dizer que o Benfica continua sem atingir os mínimos aceitáveis.

Basta dizer que hoje, contra o último, em casa, o melhor jogador do Benfica voltou a ser o guarda-redes Varela. 

Quer isto dizer que o Benfica não "jogou porra nenhuma", e que não mereceu ganhar o jogo?

Não! Quer dizer apenas que o Benfica continua sem saber o que tem a fazer, e que continua com muitos jogadores bem longe do que fizeram no passado recente.

Pouco passava do primeiro quarto de hora e já o Benfica ganhava por dois a zero. Quer dizer, já o Benfica tinha atingido um resultado confortável, daqueles que desinibem as equipas e as projectam para exibições sólidas. Com dois golos nascidos das próprias condições do jogo, nem sequer de mero acaso, ou simplesmente circunstanciais. Com o Estoril subido, a saber encurtar o campo, o Benfica só tinha que saber aproveitar as costas dos defesas adversários, e isso faz-se lançando para lá, primeiro, a bola e, logo a seguir, os jogadores para a captar.

O Benfica fez isso bem por quatro ou cnco vezes, e não se percebe por que não o fez, ou não o procurou fazer, de forma sistemática ao longo de todo o jogo. Como não o fez, permitiu que o Estoril permanecesse confortável na lição que trazia estudada. E que fosse equilibrando o jogo.

No último quarto de hora da primeira parte já o Estoril discutia o jogo sem grandes dificuldades. Varela ainda evitou, com a sua primeira grande defesa, o golo do Estoril. Que chegaria mesmo no último suspiro da primeira parte, com o Luisão a virar as costas à  bola e o Jardel desparecido em parte incerta.

Com  os jogadores do Estoril a recolherem aos balneários ainda a festejar o golo, que voltava a deixar o resultado em aberto, aumentava a expectativa para a segunda metade do jogo. Com uma grande oportunidade logo de entrada, e mais uma grande defesa de Varela, ficou tudo esclarecido.

Por não mais que duas ou três vezes, o  Benfica voltaria a conseguir tirar do jogo o que dele sabia que poderia tirar. Fez com isso mais um golo, que acabou por dar uma expressão ao resultado que não condiz com o que ele foi.

E assim continuamos. Sem grandes esperanças, sem ver Rafa aproveitar mais uma oportunidade, sem ver Pizzi justificar a presença que tem na equipa e sem perceber como é que alguém se safa com uma defesa destas...

Um clássico com várias caras

 

O Benfica entrou no clássico, no Dragão, personalizado, tranquílo e confiante. De tal forma que os primeiros cinco minutos foram praticamente jogados na grande área portista. Veio de resto daí a única oportunidade de golo da primeira parte, num remate de cabeça de Jonas, desviado atabalhoadamente pelo guarda-redes do Porto.

O Porto lançou mão do seu plano B, também conhecido por plano Champions, recolhendo-se lá atrás, para depois sair em contra-ataque, lançando os seus dois panzers - Marega e Aboubakar. Quando se vê o Sérgio Oliveira na equipa percebe-se logo que é esse o programa. A primeira meia hora foi assim, com o Benfica a dominar o jogo e o Porto a tentar sair, mas sem sucesso.

Nos últimos dez minutos o Porto passou a disputar o jogo no campo todo, e ganhou algum ascendente com isso, mesmo que não tivesse tirado daí grande coisa. O melhor que teve foi um remate de Herrera, muito bem defendido pelo Varela, mas já depois do lance estar invalidado, por um fora de jogo anterior.

Na segunda parte a história do jogo é outra. O Benfica até voltou a entrar melhor, mas foi sol de pouca dura. O Porto consolidou a alteração do plano de jogo - curiosamente é a substituição do Sérgio Oliveira pelo Octávio que dá expressão a essa alteração - e passou a disputar a bola sempre com grande pressão e intensidade. Foi meia hora de claro domínio portista, com o Benfica a ceder fisicamente e a perder quase todos os duelos.

As substituições de Pizzi, por Samaris, e de Cervi - também poderia ter sido Salvio - por Zivkovic foram eficazes, vieram foi tarde de mais. À entrada do último quarto de hora parecia que o Benfica tinha virado o jogo. Houve ali um período, logo a seguir à entrada de Zivkovic, em que voltou a ter bola, a dividir o jogo e a incomodar a defesa portista. Só que pouco depois, a 10 minutos dos 90, o árbitro Jorge de Sousa expulsou o sérvio, cinco mkinutos depois de ter entrado, e acabou com a reacção do Benfica. 

A expulsão, com dois amarelos em dois ou três minutos - o primeiro por se colocar à frente da bola na cobrança de um livre, e o segundo por agarrar um adversário, o quesilento Octávio -, pode até aceitar-se, o que não se aceita é a dualidade de critérios. Felipe, o central do Porto que deve estar abrangido por um protocolo qualquer que o torna impune, aos 10 minutos já não deveria estar em campo. Primeiro, uma entrada violenta por trás sobre Jonas ... e nada. Logo a seguir agarrou o mesmo Jonas, que lhe fugia para o ataque. E nada, de novo!

Com 10 (mais 4 de compensação) minutos pela frente, e a jogar com dez, o Benfica foi encostado lá atrás. Foi então tempo de sofrer, e de ter alguma sorte nas duas perdidas flagrantes do Marega. É claro que um jogador de outra não falharia aquelas duas bolas, mas não se pode ter tudo. Se tivesse a capacidade técnica para marcar aquelas bolas, com a força e a velocidade que tem, era um jogador de nível mundial. E toda a gente vê que não é.

Para além da dualidade de critérios em matéria disciplinar, a arbitragem de Jorge de Sousa teve outra falha: assinalou, mal, um fora de jogo ao Porto. Daí resultou uma grande defesa do Varela - que fantástica exibição! - já com o jogo parado. E depois dessa defesa, uma recarga que levou a bola para a baliza. O Porto fala em golo anulado. E em penaltis. Mas isso não é novidade, é o costume ... 

 

 

Soube bem. Sabe bem!

Benfica-V. Setúbal, 6-0 (destaques)

 

Ninguém certamente esperaria que o Benfica voltasse hoje às grandes exibições e às goleadas das antigas. Mas, como se diz em futebolês, "o futebol é isto mesmo".

Isto, hoje, foi isto mesmo. Foi a habitual entrada forte, e o habitual golo madrugador, desta vez por Luisão. O que não é muito habitual. Também fugiu do habitual que a equipa se mativesse ligada ao jogo depois do primeiro golo. Nem sempre jogando bem, é certo, Mas ligada.

O segundo golo, o golo 100 de Jonas pelo Benfica, também na sequência de um dos muitos cantos de que a equipa usufruiu, libertou finalmente os jogadores. E, libertos, foram outros. Ou melhor, passaram a ser o que já foram num passado não muito distante.

A segunda parte teve períodos de grande brilhantismo, que já na primeira se tinham começado a desenhar. Logo a abrir, uma grande jogada de futebol. Não deu golo. Mas deu outra, logo no minuto seguinte. Como deram, e não deram, outras que se sucederam a um ritmo impressionante.

Nunca se poderá dizer que a expulsão de lateral esquerdo do Vitória de Setúbal, no final da primeira parte, - com um primeiro amarelo por protestar uma falta que de facto não tinha cometido, e um segundo "arrancado" pelo Luisão, e nessa medida porventura mal expulso - não teve qualquer influência no que foi o jogo. Mas também não se poderá dizer o contrário. O contra factual nunca se pode provar.

Por isso, o que fica, e sem mácula, é uma bela exibição do Benfica. Com seis golos, que poderiam ter sido muitos mais. E disso, não estávamos à espera. E as boas coisas sabem muito melhor quando surgem de surpresa!

Ver o jovem Luisão a jogar assim, ver Pizzi e Grimaldo de regresso, ou confirmar que Zivkovic continua com tudo no sítio, sabe muito bem. Ver que Varela se manteve na equipa, sabe bem quando testamos o paladar da liderança e de gestão do grupo. E ver tudo isto, e esta exibição individual e colectiva do Benfica, sabe muito bem nesta altura do campeonato, a cinco dias da visita ao Dragão.

É verdade. Tenho a boca doce. E não é só por ter abusado dos melhores doces do mundo, que por aqui têm andado nestes útimos dias... 

 

 

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