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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Hoje temos tetra com dobradinha

 

Benfica conquista Taça de Portugal

 

Aí está a dobradinha, a décima primeira, a abrihantar o tetra. Depois do 36, aí está a 26!

A final da Taça foi a festa do costume. Nem a chuva a estragou, porque não há festa como esta, chova ou faça sol.

A chuva, que caiu copiosamente durante a maior parte do jogo, não estragou a festa. Mas não ajudou nada no jogo. Foi notório, em especial na primeira parte, que precisava de ajuda para se tornar mais interessante e  mais agradável de ver. Pela chuva, certamente, mas também por outras razões, a primeira parte foi assim para o fracote. Com muitas interrupções, muitas faltas, empurrado pelos  jogadores do Vitória para uma dimensão muito física.

A lesão de Fejsa, obrigando-o a abandonar o relvado logo aos vinte minutos, foi a primeira consequência desse caminho que o jogo tomou. Receou-se que pudesse marcar o resto de jogo, e pelo menos acabou por  marcar o resto da primeira parte. Onde o Benfica teve mais bola e  produziu mais jogo, mas não deixava uma ideia de grande superioridade.

A segunda parte foi bem diferente. O jogo subiu de qualidade, muito por efeito da chegada de Jonas ao jogo. Com uma entrada forte, e com Jonas a fazer o que faz como mais ninguém - não merecia que a trave lhe roubasse aquele golo - , o Benfica virou o jogo do avesso. Fez o primeiro golo logo aos dois minutos, e o segundo aos sete. Aos dois golos em cinco minutos, sucedeu-se mais uma série de oportunidades nos seguintes. O Benfica tinha o domínio e o controlo do jogo, e já só faltava acrescentar golos ao resultado. Mas a bola teimava em não voltar a entrar, mesmo quando já a víamos dentro da baliza. O espectro da goleada do jogo do tetra pairou no Jamor, mas o  2-0 manteve-se, teimoso. E mentiroso.

Mais mentiroso ficou quando, a uma dúzia de minutos do fim, num canto, o Vitória marcou. Nos doze - mais os quatro de compensação - que se seguiram, oportunidades de golo, só para o Benfica. Mais três, ainda, fazendo com que o resultado tenha acabado por ser  ainda mais mentiroso que o video árbitro. 

O problema não está no vídeo, esse funciona. O problema está - e lá continua - no árbitro. O video mostrou dois penaltis, mas o árbitro não os viu. Então aquele aos 55 minutos.... O  árbitro (Hugo Miguel), depois de estar em comunicação com o video árbitro, mandou seguir o jogo.

Parece que a verdade desportiva pode esperar. O corporativismo é que não. E sabe-se que Portugal tem fortes tradições corporativas.

Mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que, mesmo assim, o Benfica fechou a época em beleza. Tetra com dobradinha, sabe ainda melhor. E o grande capitão já igualou o mais titulado jogador do Benfica. Ninguém ganhou mais que Luisão e Nené: 19 títulos. É obra!

 

 

 

 

 

Contas feitas

 Resultado de imagem para benfica 36

 

Jogaram-se os últimos jogos do campeonato, e fizeram-se as últimas contas, soberanas como sempre, que ditaram as últimas decisões. Com as contas do título arrumadas há uma semana, bem como as da primeira despromoção, e as do último apurado para a Liga Europa, fechadas no sábado, já só restava saber quem acompanharia o Nacional, da Madeira, na viagem para a segunda Liga.

As contas faziam-se entre o Moreirense e o Tondela. Ambos fizeram pela vida, ganhando os seus jogos, e claramente. O Tondela ao Braga, e o Moreirense ao Porto. Por isso acabou por cair o Arouca (quem diria, Lito Vidigal?), que perdeu no Estoril.

Mas é a vitória do Moreirense que tem História. Marcou o primeiro golo ainda bem cedo, à pasagem do minuto 16. Vinte minutos antes da passagem de um drone, com o número 36 do minuto 36 quando, das bancadas, já com as gargantas bem aquecidas com aquela coisa que gostam de chamar a certas mães, se ouvia um cântico qualquer com um desejo qualquer. "Quem me dera"...Subitamente interrompido pelo segundo golo do Moreirense. 

Isso mesmo. Um golo calou, o que, pelos vistos, ninguém se preocupa em calar. Como se percebeu na Sport TV... 

Mas o resultado não ficou por aqui. O Benfica tinha empatado a dois golos, na festa, no Porto. À entrada para a última jornada, Benfica e Porto tinham exactamente o mesmo número de golos marcados e sofridos. Estavam empatados nas contas do melhor ataque, com 70 golos marcados, e da melhor defesa, com 16 golos sofridos. Quer dizer, o resultado perfeito era mesmo 3-1. 

O Moreirense não se limitou a ganhar para assegurar a permanência. O Moreirense, de Petit, calou um cântico vergonhoso que mais ninguém cala. E só parou no resultado perfeito. Sim, porque o que é perfeito, é, no fim, quando se fazem as contas, o campeão ficar com o melhor ataque e com a melhor defesa

 

 

Festa, saber e raça

 

Boavista fala em uso desadequado de bilhetes destinados aos seus adeptos

 

 O Benfica levou a festa do tetra ao Porto, que também a merece. O pretexto foi a disputa do último jogo do campeonato, com o Boavista.

Que seria sempre um jogo de festa, mas também um jogo cheio de pontos de interesse. Desde logo porque Rui Vitória, e muito bem, porque é assim que se gerem recursos humanos, e é assim que se constrói a coesão da equipa, quis que todos os jogadores do plantel se sentissem campeões. Mais do que fazê-los campeões, Rui Vitória quis que se sentissem campeões. 

Por isso apresentou um onze que não repetia nenhum dos titulares dos últimos jogos, promovendo logo de início a estreia de três dos quatro jogadores que ainda não tinham participado no campeonato - os júniores Kalaica e Pedro Pereira, central e lateral direito, e Hermes. Paulo Lopes ficava no banco, para entrar com a mística debaixo do braço, lá mais para a frente, quando fosse necessário. Claro que a qualidade de jogo da equipa teria de se ressentir. As rotinas não estavam lá, e a equipa não podia apresentar o entrosamento que normalmente exibe. Mesmo assim, na segunda parte já nem se deu muito por isso e, com a troca de Hermes por Rafa, logo ao intervalo, a qualidade de jogo subiu e a superioridade do Benfica passou a ser notória. E evidente.

O próprio desenrolar do jogo viria a acrescentar novos pontos de interesse. Vários. A começar pelo golo do Boavista, logo no final do primeiro quarto de hora, na primeira oportunidade de golo do jogo. Como nunca, ao logo de todo o campeonato, o Benfica tinha virado um resultado, nunca ganhara qualquer jogo em que tivesse sofrido o primeiro golo, ficava lançada a expectativa de, no último jogo, quebrar esse enguiço. Depois, num campeonato de evidente superioridade competitiva, o Benfica não conseguira ganhar a nenhum dos adversários que tinham empatado na Luz. E o Boavista era um desses três adversários (os outros tinham sido o Setúbal e o Porto), naquele escandaloso empate a três.  

Por aí, ficamos conversados. Esses são dois enguiços que ficam a marcar este campeonato do tetra.

Havia mais dois pontos de interesse, também paralelos, como aqueles dois. O jogo teria de dizer alguma coisa sobre André Horta e Zivkovic, desaparecidos na bancada parte final da época. E o jogo foi claro, a esse respeito. Tão claro que começou por explicar que não são assim tão paralelos, quando se viu André Horta pegar logo no jogo. Tão claro que ficou claro que, mesmo sendo o melhor há, mais para a frente, Rafa. E, mais para trás, Pizzi. Por muito que gostemos - e gostamos - daquele que é um de nós lá dentro... 

Também foi claro na resposta que nos deu sobre Zivkovic: a jogar assim, está explicado. O que o jogo não pôde explicar é do domínio metafísico, é a questão do ovo e da galinha, uma velha inquietação da humanidade. Zivkovic passou a ir para a bancada porque está assim? Ou está assim porque passou a ir para a bancada?

Mas este jogo do Bessa que fechou o campeonato não se limitou a responder as estes pontos de interesse. Mostrou muito mais, e teve muitos outros pontos de interesse. Mostrou um Boavista interessante e a jogar bem à bola, coisa que nem faz parte dos hábitos da casa. Com jogadores interessantes, um deles muito interessante mesmo. Não é da casa, mas está lá, e deu cabo da cabeça à inovada defesa do Benfica. Que o digam Eliseu e Lizandro. Hoje pintou a manta, mas já na Luz o Iuri Medeiros tinha feito das suas. E já no ano passado, no Moreirense.  

E mostrou a raça do campeão. O Boavista, que marcara na primeira oportunidade que criara, voltaria a marcar na segunda, aos 7 minutos da segunda parte, precisamente quando o Benfica tinha tomado conta do jogo. Quando já só se defendia como podia. 

Mesmo sentindo o golo, e percebeu-se como os jogadores o sentiram, o Benfica reagiu. Chegaria ao golo vinte minutos depois, já com Jimenez em campo, no lugar de Fillpe Augusto, numa jogada típica do Rafa, que levou a bola até a entregar a Mitroglou para, já dentro da área, rematar cruzado para a baliza. Logo a seguir, a terceira substituição, para ganhar o jogo: entrou Paulo Lopes, para o lugar do Júlio César, que sofrera dois golos, sem ter feito uma únca defesa.

Levou a mística lá para dentro, para que, à beirinha do minuto 90, um miúdo que já não engana ninguém, o novo Lindelof que se chama Kalaica, ainda júnior, na estreia, fazer o empate. E a festa. Grande. E merecida. No fim, do fim do campeonato deste incrível tetra!

 

TETRA. Fez-se História!

"Façam História" - pedia-se na extraordinária coreografia nas bancadas, cheias como nunca, com todos os seus 65 mil lugares ocupados. pela primeira vez.

Benfica vs Vitoria de Guimaraes

 

"Façam História" - pedia-se na extraordinária coreografia nas bancadas, cheias como nunca, com todos os seus 65 mil lugares ocupados. Pela primeira vez.

E fez-se História, a 13 de Maio, na Catedral da Luz... pouco depois de o Papa Francisco ter abandonado solo português. Com o 36, o TETRA! E fez-se festa. Faz-se a festa. E vai continuar a fazer-se festa, pela noite fora, no Marquês. E durante toda a semana, pelo país fora.

Mas primeiro foi preciso jogar. Com o Vitória Sport Club, uma das melhores equipas do campeonato, no seu melhor momento da época. A quarta. A segunda mesmo, no campeonato dos jogos fora, só atrás do Benfica. E ganhar, mas ganhar com tudo: com golos, cinco que bem poderiam ter sido o dobro; e com a melhor exibição da época.

Guardado estava o bocado... E o Benfica tinha mesmo guardado o melhor bocado da época para este momento único da conquista do TETRA. Para que na memória de todos se não apaguem as imagens do futebol brilhante que selam esta conquista histórica. Se alguém viu melhor futebol esta época em Portugal, que se levante e fale. Se não, que se cale para sempre... No que respeita à justiça deste título, evidentemente!

Quando não podia falhar, o Benfica não falhou. Mas fez mais e melhor: foi categórico e brilhante. Absolutamente brilhante!

A primeira parte foi um autêntico hino ao futebol. Aos 11 minutos; à segunda oportunidade, o primeiro golo. De Cervi, numa recarga a uma excelente defesa, do também excelente Douglas, ao remate de Jonas, que culminara mais uma grande jogada de futebol. Cinco minutos depois, numa sensacional assistência de Ederson (a jogada faz parte do cardápio de soluções do Benfica, mas "estava escrito" que hoje é que era o dia de resultar), Jimenez fez o segundo. 20 minutos mais tarde, depois de Jonas, por duas vezes ter permitido que o guarda-redes adversário lhe roubasse o golo, Pizzi, na mesma posição e numa jogada fotocopiada das outras duas, mostrou como se fazia. E foi o terceiro. E logo a seguir Jonas redimiu-se dos golos falhados e marcou, de forma portentosa, num chapéu fantástico, o quarto. Sempre com os jogadores do Vitória perdidos, sem saberem onde se haviam de encontrar no meio daquele turbilhão de futebol em que se viram metidos.

Na segunda parte o jogo não foi muito diferente, pesem as alterações que o treinador Pedro Martins promoveu na equipa. Não havia muito a fazer. Pouco mais que proteger-se como pudesse do temporal de futebol que assolou hoje a Luz. 

Só deu mais um golo, é certo. De Jonas, de novo, e agora de penalti. Mas isso foi apenas porque o acaso, o poste, o guarda-redes e os defesas do Vitória não permitiram que as sucessivas oportunidades de golo fossem bem-sucedidas.

E agora vamos para o Marquês, que se faz tarde.

Claro que acreditamos!

Raúl Jiménez celebra o golo em Vila do Conde

 

Este jogo de hoje em Vila do Conde seria sempre fundamental para o título. Para o 36. Para o tetra..

Seria sempre um jogo de elevado grau de dificuldade, porque o Rio Ave é uma das poucas boas equipas do campeonato. Já o era com Capucho, passou a sê-lo ainda mais com Luís Castro. Que ainda não tinha perdido em casa, e que vem praticando do melhor futebol que se tem visto na Liga. Mas também porque era o jogo em que os adversários do Benfica apostavam todas as fichas. 

O empate do Porto na Madeira, na véspera, abria uma oportunidade que o Benfica não podia desperdiçar. Não podia permitir-se a falhar, como o rival tinha falhado quando delas dispôs. Por três vezes. E essa era uma pressão acrescida para este jogo.

O Benfica entrou com duas alterações em relação à equipa normalmente mais utilizada nos últimos jogos. No lugar de Salvio surgia Rafa, e Jimenez no de Mitroglou. Rui Vitória justificou-as com razões de ordem estratégica, que se prendiam com o perfil do adversário. Não podia - não devia - ter dito outra coisa, mas todos sabemos como Salvio e Mitroglou têm estado em sub-rendimento nos últimos jogos. Salvio por alguma inconsistência, mas acima de tudo por não ter condição física para 90 minutos, e Mitroglou porque nem a bola lhe chegava, nem ele a procurava.

Na primeira parte o jogo foi muito dividido, mesmo que não tenha sido muito aberto. Mesmo assim, num jogo dividido e fechado, o Benfica construiu três boas oportunidades para marcar, ao contrário do Rio Ave, que não construiu nehuma. É certo que desfrutou de uma ocasião em que poderia ter marcado, logo no início do jogo. Mas essa foi construída pelo vento.

Ao contrário do que há muito vinha sucedendo, o Benfica entrou muito bem na segunda parte. Nos primeiros três minutos, aqueles que em alguns jogos foram desastrados, o guarda-redes evitou, de forma espectacular, o golo que já se gritava e o árbitro, João Pinheiro, como já fizera em Setúbal, não assinalou um penalti claríssimo, desta vez sobre o Nelson Semedo. O primeiro quarto de hora foi de autênctico sufoco, com o Rio Ave encostado à sua baliza, e o Benfica em vagas sucessivas de ataque.

A partir daí - é verdade que o treinador do Rio Ave "mexeu" bem na equipa - o sufoco foi desaparecendo, e mesmo com evidente supremacia no campo, o Benfica deixou de criar oportunidades para marcar. E à medida que o último quarto de hora se aproximava o Rio Ave começava a aparecer mais vezes junto da baliza de Ederson. Numa dessas vezes, à terceira oportunidade que esse adiantamento permitiu, saiu o contra-ataque perfeito. Vale a pena descrever: corte de cabeça de Lindelof, recolha de Cervi (que grande jogo fez o miúdo) e bola de imediato para Jonas, passe soberbo, de primeira, a desmarcar Salvio (substituira Rafa, cerca de 10 minutos antes), que em corrida desenfreada ia olhando para Jemenez, até lhe entregar a bola. No momento certo, para o sítio certo, para que nada faltasse para lhe dar o destino certo. E deu, como já fizera no ano passado. Num jogo tão importante como este!

A alegria, vestida de vermelho, explodia em Vila do Conde. 

Agora, com cinco pontos de vantagem, dá para acreditar que é possível fazer a festa na Luz. A 13 de Maio... Porque é lá, na Catedral, no altar sagrado do benfiquismo, que é o seu lugar.

Claro que acreditamos. Acreditar não é pecado!

"O importante é ganhar"!

 

"O importante é ganhar"!

Esta é a mãe de todas as expressões quando a qualidade não satisfaz. Disse-o Rui Vitória no final do jogo de hoje, repetiram-no certamente mais alguns milhares, e sentiram-no hoje milhões de benfiquistas.

A partida de hoje com o Estoril, percebêmo-lo ao longo do jogo, tinha uma carga muito superior àquilo se supunha. É preciso também perceber isso para perceber as dificuldades que o Benfica hoje sentiu.

A Luz esteve de novo cheia que nem um ovo, não cabia mais ninguém. Os benfiquistas querem o tetra, e não querem que nada falte à equipa. Isso ajuda - e muito -, mas também pesa. O Estoril continua a trazer o rótulo de 2013, que até pode parecer que já perdeu a validade. Mas está lá, por muito amarelecido que vá ficando. E estava ainda bem fresco na memória de todos o 3-3 do jogo da Taça, há poucas semanas. E a qualidade da exibição do Estoril!

Tudo isto pode servir de explicação para a fraca qualidade do Benfica desta tarde. Mas não se pode esquecer a exibição do Estoril. Porque só joga assim quem sabe. Não é por mais isto ou mais aquilo, nem porque "saíu", até porque foi já uma repetição. É porque sabe!

Não me esqueço que, em tempos, considerei o Pedro Emanuel o pior treinador da I Liga depois de Ulisses Morais. Admito que pudesse estar errado, mas o que me parece notório e evidente é que a sua passagem pela diáspora lhe deve ter feito muito bem. Ter passado por onde passou, ter andado por onde andou depois de cá ter saído, terá feito dele um novo treinador. E registo isso com todo o apreço, porque este Estoril faz lembrar o de Marco Silva. E isso não é nada pouco!

Salientado todo o mérito do Estoril e do seu treinador, também não se pode deixar de salientar o demérito do Benfica. Uma coisa e outra ficaram bem evidentes durante a segunda parte do jogo. Houve certamente muita gente que, ao aperceber-se da relação dos jogadores com a bola, julgou que estavam com as camisolas trocadas. Durante muitos minutos, aquelas tarefas simples, mas básicas, da recepção e do controlo da bola, do passe ou da ocupação do espaço, em que os melhores serão sempre melhores, qualquer um diria que os melhores vestiam de amarelo.

A primeira parte do Benfica já tinha estado longe de entusiasmar. O Estoril começou por "embalar" o jogo e lançá-lo assim em "modo entretém". Não era um jogo entretido, como diria o Quinito, mas era um jogo para entreter os jogadores do Benfica. Foi assim durante quase toda a primeira meia hora, até o Benfica marcar, aos 28 minutos. Por Jonas, de penalti - claro - cometido sobre o Nelson Semedo. Depois, sim. O Benfica teve um bom quarto de hora final, e podia ter arrumado com o jogo: Cervi, a um metro da linha de golo fez o mais difícil - não acertou na baliza. Mas também Salvio. E até Mitroglou, mesmo que só se tivesse dado por ele no momento em que foi substituído por Jimenez.

O início da segunda parte foi... o costume. Mas em pior. Há muito que o Benfica entra mal na segunda parte, mas tem sempre saído depressa dessa entrada. Três, quatro, cinco minutos têm sido suficientes. Hoje "a coisa" durou um quarto de hora, tornou-se num verdadeiro terror - o Estoril teve duas bolas nos ferros e mais outras duas oportunidades para marcar -, e só acabou com o mais que esperado golo do empate. Que seria desfeito seis minutos depois, com mais um grande golo de Jonas, no único remate do Benfica de fora da área!

E aí esteve mais uma explicação para o que se passou neste jogo, mas também nalguns outros. Parece que os jogadores estão convencidos que, para marcar, é preciso entrar com a bola pela baliza dentro. Mesmo que esteja protegida por nove ou dez adversários. Outra esteve na incapacidade para aproveitar os espaços que o Estoril deixou livres sempre que se adiantou no terreno. E foram muitas vezes, e durante muito tempo. E a lembrar-mo-nos de Rafa... E de outras opções de Rui Vitória. Como a titularidade de Salvio. Como a opção por Carrillo, e a não opção por Zivkovic. Ou como - hoje - a insistência em Mitroglou. Mas isto já são as irresistíveis tentações do treinador de bancada...

O importante foi ganhar. E que faltam três. E que, se não há dois jogos iguais, é difícil que haja três!

 

Levar a sério...

                                             Capa do A BolaCapa do Record

 

O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) reuniu ontem com os presidentes do Porto e do Sporting. Não se sabe nada do que se passou. Sabe-se é que o presidente do Sporting está castigado pelo Conselho de Disciplina da  FPF. Está suspenso do exercício das suas funções. 

Poderia simplesmente ter por lá passado para beber um copo com Fernado Gomes. E com o Pedro Proença, que também lá estava. Convidado na qualidade de Presidente da Liga, tal como Bruno de Carvalho, convidado na de Presidente do Sporting. Qualidade que a FPF, por castigo, lhe suspendeu!

Não se sabe nada do que lá se passou... Mas alguém falou do que lá se poderá ter passado. É verdade que não falou ninguém que pudesse falar, até porque tudo aquilo parecia envolvido em grande secretismo. Mas falou exactamente o único que não poderia falar, para dizer que abordou a violência associada ao futebol, e que pediu o regresso dos sumaríssimos... 

Quando nem a Federação se leva a sério... 

 A propósito - e não é que os jornais em causa mereçam, também eles, ser levados a sério - veja-se como é para levar a sério o que  os jogadores, sem falar, dizem. 

Vamos falar de penaltis?

 

 

Vamos então começar por falar de penaltis. Não que seja uma conversa que aprecie especialmente, mas porque, na conversa que não despega para destabilizar o Benfica e influenciar ambientes e decisores, foi o tema desta semana, com muita conversa falada e escrita, com relógios e contas aos dias, minutos e segundos que tinham passado sobre o último penalti assinalado contra o Benfica.

Por isso, ou por outra razão qualquer, o Ederson, que se esquecera da prudência no balneário, encarregou-se de acabar com a conversa, cometendo o penalti mais patético da sua vida. Que Artur Soares Dias viu e assinalou. E Adrien converteu, permitindo ao Sporting entrar a ganhar.   

Talvez por causa do relógio, daquele relógio, o árbitro viu esse logo no início do jogo, mas não viu – e não é a primeira vez que, em Alvalade, não vê penaltis a favor do Benfica, é já tão clássico como o próprio derbi – três, claríssimos, a favor do Benfica: primeiro sobre o Grimaldo, logo a seguir sobre o Lindelof e, uns minutos depois, sobre o Rafa.

Para acabar com a conversa dos penaltis queria dizer que achei bem que o Rui Vitória não se tivesse escudado na arbitragem do melhor árbitro português – não há dúvida que o Benfica nunca tem sorte com “os melhores árbitros portugueses” – e mesmo sem que haja memória de uma arbitragem que nega três penaltis tão óbvios numa só partida, não o referiu no final do jogo. O diabo é que a comunicação do Sporting, e o treinador Jorge Jesus, aproveitaram isso para concluir que, se ninguém falou nos penaltis, é porque não existiram.

Ponto final. No “fair play”, e nos penaltis. Também!

O Sporting aproveitou o élan do golo na abertura do jogo para agarrar o jogo. E agarrou, mas por pouco tempo. Passados que foram os primeiros dez minutos, o Benfica passou a mandar no jogo. Não criou muitas oportunidades de golo – é certo, tão certo quanto certo é que muitas foram evitadas com faltas, entre as quais aquelas três dentro da área de que não volto a falar – mas dominou todas as vertentes do jogo. Apenas nas faltas cometidas – e assinaladas – o Sporting se superiorizou.

Mesmo notando-se – e bem – a falta de Jonas, mais uma vez de fora, sem recuperar, o Benfica jogou mais, e melhor, com as arrancadas de Nelson Semedo e Grimaldo, sempre sob a batuta de Pizzi. O Sporting defendia-se como podia, especialmente com Wlliam, Bruno César e Alain Ruiz a usarem e abusarem de sucessivas faltas.

A qualidade do jogo do Benfica, e o seu domínio na partida, não deixava no entanto os benfiquistas tranquilos para a segunda parte. Porque há muito que o Benfica não consegue manter o seu melhor nível durante os 90 minutos, e porque atravessa uma fase em que entra sempre mal na segunda parte. Há muitos jogos que é assim. E porque, finalmente, nunca neste campeonato o Benfica conseguiu virar o resultado: sempre que esteve a perder, o melhor que conseguiu foi empatar.

Os primeiros minutos da segunda parte começaram logo por confirmar uma das maldições. O Benfica entrou mal, e o Sporting poderia ter marcado. Cumprida essa “formalidade” – são sempre três a cinco minutos, alguns deles com maus resultados, como aconteceu com o Porto, na Luz – o Benfica voltou a pegar no jogo.

O Rui Patrício foi adiando o golo do empate até minuto 66. Aí, já depois de, nas mesmas circunstâncias, Grimaldo ter obrigado o guarda-redes do Sporting a uma grande defesa, na superior cobrança de um livre directo, o insuspeito Lindelof fez o “golão” do empate.

Os últimos jogos já nos tinham trazido duas boas notícias: o regresso dos golos de bola parada e, finalmente com a cabeça arrumada e limpa das confusões das transferências, o “regresso” de Lindelof à sua condição de jogador de top. O minuto 66 foi de confirmação dessas duas grandes notícias. Uma confirmação ao estilo dois em um!

Atingido o empate, o Benfica acentuou a pressão sobre a grande área do rival, que passou por momentos difíceis. Depois, aconteceu o que sempre acontece quando nada resulta dessa atitude mais ambiciosa, mas também de maior risco. É a velha máxima do futebol:”quando não dá para ganhar, pelo menos não percas”.

E Rui Vitória optou por segurar o empate. Que, provavelmente, deixa tudo como estava há duas semanas. Mas com dois jogos a menos por disputar.

Já só faltam quatro jogos. Já só faltam quatro vitórias!

 

 

 

Espero que tenham percebido...

 Benfica-Marítimo, 3-0 (resultado final)

 

Luz cheia de luz, de cor - mesmo que só vermelho - e de gente. Estádio cheio, como sempre. Entre os 57.064 espectadores, dois muito especiais: duas debutantes, de 3 e 5 anos. Vibrantes, como toda aquela fantástica moldura humana!

O Benfica entrou a surpreender o Marítimo. O bem sucedido treinador da equipa madeirense tinha afirmado que o Benfica é avassalador nos primeiros quinze a vinte minutos. E que era por isso fundamental apostar tudo nesse período. Que, evitar aí o golo do Benfica, era o primeiro passo para levar pontos da Luz. Talvez por isso, para surpreender o adversário, o Benfica não quis atirar-se para cima da equipa insular, hoje de amarelo, logo que o árbitro apitou. Nem nesse momento nem nos 10 minutos que se lhe seguiram....

Os jogadores do Marítimo devem ter ficado baralhados, pensando que tinham sido enganados pelo treinador. Aquilo não era avalanche nenhuma. Baralhados os jogadores adversários, o Benfica abriu então o livro e deu início, com 10 minutos de atraso, ao prometido assalto avassalador. Que não durou apenas os quinze ou vinte minutos que o treinador Daniel Ramos tinha na estratégia. Foram 35 minutos de sufoco, com as oportunidades de golo a sucederem-se a um ritmo diabólico.

O golo tardou, é certo, mas percebia-se que teria de chegar, mais minuto, menos minuto. Chegou aos 34 minutos, em mais uma fantástica jogada do Rafa, concluída num auto-golo do Luís Martins. Inevitável. Pouco antes, em circunstâncias praticamente iguais, o guarda-redes conseguira o milagre de evitar o golo. E depois, já na segunda parte, só os deuses da fortuna evitaram que mais uma intercepção de uma jogada de golo acabasse na baliza do Charles.

No minuto seguinte Jonas fez o segundo. E dez minutos depois o terceiro!

Podiam ter sido mais, muitos mais, mas o resultado acabou por ficar por aqui. A exibição é que não. Foi muito mais que o resultado, a explicar, especialmente àqueles benfiquistas que na semana passada já se tinham esquecido da exibição com o Porto, que há jogos no campeonato em que não é possível jogar bem. Que a equipa joga à bola, que o futebol de qualidade está lá. Mas há jogos - campos pequenos, jogo eminentemente físico, com ressaltos e mais ressaltos e adversários, como que possuídos, a correrem atrás de tudo o que mexe - em que não é possível mostrá-lo.

A equipa hoje explicou isto muito bem explicadinho. Espero que todos tenham percebido!

Não falei da segunda parte. Mas também não há muito para dizer. Sem repetir aqueles fantástcos 35 minutos, o Benfica controlou um jogo que estava então fácil. O Marítimo pôde respirar, e sem nunca dividir o jogo - nem uma oportunidade para a estatística, que seja -, adiantou-se mais um pouco no campo. E pisou já terrenos que nunca antes pisara. Mas só isso.

Só porque Mitroglou - hoje em dia de desentendimento com o golo, desperdiçou umas cinco oportunidades de golo feito - e Salvio desaproveitaram as oportunidades que o génio de Rafa lhes entregou, é que a segunda parte não repetiu os três da primeira.

Ah... Já me esquecia... Espero também que tenham percebido que o Rafa foi - é - brilhante. E que Lindelof está de volta à sua enorme categoria. E que isso é, nesta altura, muito importante!

E que foi o jogo 100 de Rui Vitória no Benfica. E que faltam cinco. Só cinco finais!

 

Se este era o mais fácil...

 

O jogo desta noite em Moreira de Cónegos não foi apenas o primeiro dos sete últimos jogos deste campeonato que, para chegar ao tetra, o Benfica não pode deixar de ganhar. Foi muito mais do que isso, até porque, como diziam os entendidos, este era o mais fácil desses sete. 

É caso para dizer que, se este era o mais fácil, nem quero saber o que aí está para vir.

O jogo começou como tem começado a maioria dos que o Benfica tem disputado. É já um clássico: adversário fechadinho lá atrás, todos muitos juntos, sem sobrar espaço para jogar à bola nos últimos 30 metros do campo. E com os jogadores a correrem como nunca, a disputar cada bola como se fosse a última. Até aí nada de novo!

E o que houve de novo nem sequer foi novidade. A dimensão física para que o Moreirense empurrou o jogo, que levou a que os seus jogadores ganhassem praticamente todos os ressaltos, e quase todas as bolas divididas, não foi grande novidade. Como não foi novidade nehuma que os jogadores do Moreirense complementassem essas tarefas com o recurso a faltas sucessivas, quase sempre duras, dentro daquela visão de canela até ao pescoço que o Petit tem do futebol.

O jogo foi todo ele assim, nunca permitindo que o Benfica gozasse do mínimo de conforto. A verdade é que se o Moreirense fazia o seu papel, o Benfica, hoje com os importantes regressos de Fejsa e Grimaldo, nem tanto. Não fez tudo para conquistar esse conforto. Teve muita bola, mas poucas oportunidades de golo. Valeu, já a chegar ao final da primeira parte, o aproveitamento de um lance de bola parada, coisa que, como se sabe, é esta época uma verdadeira raridade.

Na segunda parte, mesmo que sempre em cima das mesmas bases, o jogo foi bem diferente. Foi mais selvagem, mais partido e menos controlável ainda. O Moreirense, mantendo aquelas bases do jogo, só tinha a ganhar em alargar a sua área de influência no campo. Passou a discutir o jogo no campo todo e teve duas ou três oportunidades que poderiam ter dado ao jogo outro resultado. Só no último quarto de hora, e em especial depois da entrada de Samaris, em substituição do Jonas, o Benfica controlou verdadeiramente o jogo, começando finalmente a ganhar corpo a ideia que os três pontos não fugiriam. 

Não fugiram, permitindo aos jornais e às televisões voltarem a falar do regresso do Benfica à liderança. Quando lá está, e de lá não sai, desde a quinta jornada. Já lá vão vinte e três. E oito meses!

 

    

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