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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Ezquizofrenia

 

A ezquizofrenia tomou conta do país, tão avassaladoramente quanto as chamas que o consomem. Há um mês, com a catástrofe do Pedrogão Grande no auge da discussão pública, Mação era o modelo, o mais acabado exemplo de sucesso para enfrentar esta calamidade. De capital dos fogos, Mação passara a capital da prevenção e combate a incêndios.

Um mês depois, Mação arde tão dramaticamente, se não mais ainda, quanto tantas vezes ardeu no passado. Ameaçando povoações, e desalojando ainda mais pessoas.

Nada que preocupe a ezquizofrenia instalada, agora que a grande prioridade nacional foi cumprida, com a publicação da lista dos mortos do Pedrogão, nome por nome. Provavelmente ainda dentro das 24 horas do ultimato do outro...

Lei da rolha

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Os bombeiros não vão mais prestar declarações sobre os incêndios. A partir de agora, tudo o que seja comunicação passa a caber exclusivamente à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Que dirá tudo o que queira que se saiba em dois briefings diários, a partir de Lisboa. 

Não está mal. Mas bom mesmo seria acabar com as declarações dos populares. Isso é que o governo devia fazer, transferindo essas atribuições para o "fórum" da TSF e para o "Opinião Pública" da SIC Notícias. Isso é que era serviço...

 

 

 

Coisas de hoje

 

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Há duas semanas ficamos a conhecer o Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Caixa Geral de Depósitos, um Relatório redondo e risível. Era preliminar, um draft, para ver no que dava. O relatório final é hoje aprovado.

Pelo que já se conhece, o relator, o socialista Carlos Pereira, pensou melhor, teve conhecimento das suspeitas do Ministério Público, e lá concluiu que, afinal, as coisas não eram bem como preliminarmente tinha concluído.

Nem sempre os preliminares correm bem, como se sabe de outras estórias. Não chega, nem de longe, às suspeitas de crimes graves que esperamos estejam a ser investigadas, mas já admite nomeações partidárias, utilização para fins de política orçamental e até alguma "sensibilização" para determinados projectos.

Mas nada que sirva de salvação a estes Relatórios Parlamentares, preliminares ou finais. Nada que os credibilize, nada que os liberte dos despudores de cada maioria circunstancial.

Entretanto o país continua a arder, parece que já não há por cá quem saiba apagar fogos. E as comunicações continuam a falhar porque, descobriu agora o primeiro-ministro, são utilizados cabos aéreos, por cima da floresta densa, onde circulam em paralelo informação urgente e informação corrente, ou comum. Coisa que, evidentemente, desconhecia quando há uma dúzia de anos assinou o contrato. Está mesmo a pedir mais uma CPI ...

 

 

 

Demitam-se*

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A caminho de se completarem duas semanas sobre a tragédia do Pedrógão Grande o país, ou boa parte dele, exige que rolem cabeças. “Demitam-se”, grita o país, ou boa parte dele, todos os dias.

Demitam-se. Demitam-se as estruturas de comando da GNR, que mandou as pessoas para a Estrada Nacional 236. Demita-se a Secretaria Geral do Ministério, que acusa a Protecção Civil. E a PSP, que ainda ninguém sabe o que é que tem a ver com isto. Demitam-se as estruturas do SIRESP, que diz que tudo funcionou em pleno, mesmo que todos tenham visto que não funcionou, não funciona, nem sequer se sabe quando poderá funcionar. Demita-se a Autoridade Nacional da Protecção Civil. Demita-se o Instituto do Mar e da Atmosfera. Demita-se a ministra da administração interna. Porque tudo se passa na sua tutela, porque se chegou à frente para as câmaras, porque chegou tarde, porque nunca mais de lá saiu mas, acima de tudo, porque o Jorge Coelho também se demitiu.

Demita-se o Director Nacional da Polícia Judiciária, que se apressou a dizer que não houvera mão criminosa. Demita-se o presidente da Liga dos Bombeiros, porque desconfia que houve.

Demita-se o Presidente da República, que garantiu ter sido feito tudo o que era possível ser feito. E não foi, nem nada que se parecesse. Demita-se o primeiro-ministro, que só faz perguntas, e não dá respostas. E que, há pouco mais de 10 anos, e então ministro, em vez de enterrar definitivamente a já ilegal PPP do SIRESP - assinada pelo governo de Santana Lopes a três dias das eleições - resolveu salvá-lo, recauchutando-o na falsa ideia de poupar 50 milhões ao Estado. Demita-se Passos Coelho, que não ligou nenhuma ao relatório da auditoria da KPMG ao sistema, identificando as falhas. Que meteu os pés pelas mãos, e estas pelos eucaliptos. E que se apressou cavalgar a tragédia acrescentando-lhe suicídios soprados por um correligionário, um dinossauro autárquico em trânsito pela Santa Casa lá do sítio, em tempo de fazer tempo para fintar a lei, e regressar em Outubro ao poiso. Demita-se o provedor da Santa Casa lá do sítio, e demita-se o dinossauro soprador.

Demitam-se. Mas demitam-se mesmo todos. E venham outros para demitir a seguir … Porque isto ... é o diabo. À solta!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Três países em três dias*

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De repente, o país eufórico, aos pulos e meio embriagado de tanto e tão propagado sucesso, foi surpreendido por uma das maiores tragédias dos últimos largos anos.

Foi como que um murro no estômago, ou um balde de água gelada em tanta euforia. O país que achava que já nada de mal aí podia vir, que agora era sempre a ganhar... No futebol, nas cantigas, no défice, nas agências de rating, nos mercados, ou em Bruxelas. O país do sucesso, na moda e a abarrotar de turistas, de repente olhou para o espelho e viu-se outro país, que já não queria reconhecer.

Viu-se o país que desertificou o seu interior. Que virou costas ao campo e fugiu para as cidades, e para o mar. Que se urbanizou e esqueceu as origens. Que se deixou seduzir pelo eucalipto. Que vê passar anos e governos que deixam tudo na mesma, quando tudo na mesma é cada vez pior. Um país que não cumpre as leis que cria. Um país que deixa morrer pessoas que não tinham que morrer. Um país sempre a apontar o dedo, mas nunca o apontando para o futuro…

E é já este país desolado e cabisbaixo que está agora frente ao espelho ainda embaciado que, incrédulo, começa a ver erguer-se lá atrás um país solidário, capaz de lhe trazer ainda, e de novo, um país com razões para acreditar que não serão as chamas a matar-lhe a esperança.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

O país de luto. E o outro...

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Nem o estado de luto nacional, oficialmente decretado pelo governo que, como se sabe, se destina a fazer destes dias tempo de prioridade aos mortos, de reflexão e respeito pelas vidas perdidas em circunstâncias tão dramáticas, conseguiu instalar no país das televisões a reserva, a serenidade e o respeito próprios da morte.

Há sempre alguém a pôr-se á frente, com pressa em dizer qualquer coisa, quanto mais irrelevante melhor. Sempre assim foi, agora é ainda mais assim. Com as redes sociais, onde é fácil escrever a primeira coisa que vem à cabeça. E com jornalistas que trocam a relevância da informação e o interesse público pelo interesse particular de quem lhe paga, sempre para além de todos os limites da decência.

O país que, de luto, está a dar esta fantástica resposta solidária não merece que, ao lado, esteja o outro que nem os mortos sabe respeitar.

 

PS: Ontem, quando aqui escrevi, ainda não havia fotografia do abraço. Que, estranhamente, também incomodou muita gente..

Tragédia no Pinhal

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A tragédia de Pedrogão Grande - Figueiró dos Vinhos revelou-nos um Secretário de Estado de grande dignidade. E de enorme dimensão humana, bem patente naquele abraço comovido ao Presidente da República, na sua chegada ao teatro de operações.

Chama-se Jorge Gomes, e é Secretário de Estado da Administração Interna. Não atenua a dimensão da tragédia, nem minimiza o sofrimento dos que perderam haveres e familiares, mas é reconfortante que, das das chamas que nada poupam, tenha emergido um governante que só pode ser um homem bom.

 

 

 

Poesia na floresta

 

 

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Hoje é dia da poesia. Mas também da floresta, quando ontem, e não hoje como pareceria que devesse ser, chegou a Primavera.

Está tudo próximo, se não mesmo ligado: poesia que se alimenta de Primavera. Que não seria nada do que é sem floresta. Que vive como nunca na Primavera. Para morrer no Verão...

Todos nos lembramos do que dela morreu no último Verão, o mais terrível dos últimos anos, com área ardida como nenhum outro. Também nos lembramos que o governo disse, então, que iria acabar com aquele inferno. Que iria desenvolver um programa de reforma florestal para resolver, a sério e de vez, o drama de todos os verões.

É cedo para sabermos se o programa vai cumprir esse fundamental e decisivo objectivo. Sabemos é que é hoje apresentado. E do pouco que dele ainda conhecemos, sabemos que há medidas que apenas serão implementadas no próximo inverno. Se calhar já um pouco tarde para "impactar" no Verão... E ouvimos já dizer que a produção de eucalipto não é só para continuar, é mesmo para intensificar. Que não através do aumento da área de exploração, mas do índice de produção...

Tenho alguma dificuldade em compaginar plano de reforma florestal com aumento de produção de eucalipto, mas na verdade não percebo nada disso. Sei é que os pequenos proprietários, que há uns anos equilibravam os seus modestos orçamentos com o eucalipto, dizem que agora nem a limpeza pagam...

Mas há-de ser poesia para alguém. Disso não tenho dúvidas! 

É sempre assim...*

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Não sei se o pior já passou. Admito, e acima de tudo, desejo que sim. Sei – sabemos – que o país se cobriu de incêndios, como todos os anos acontece nesta altura do ano. Ou mais, ainda … Apenas numa semana, na última, arderam mais de cem mil hectares de terreno florestal, agrícola e urbano em Portugal. Um pequeno país, onde arde mais de metade do que arde na Europa… É verdade, mais de metade do que arde na Europa é português!

É assim, ano após ano. As televisões invadem as chamas e invadem-se de histeria, pela mão de repórteres que são uma tragédia em cima da tragédia. Fazem também parte da calamidade. Especialistas, sempre os mesmos, enumeram sempre as mesmas causas, e propõem sempre as mesmas soluções. Políticos expressam solidariedade, e ficam-se por aí. Porque fica bem. Os governos negam as evidências: “a minha área ardida é sempre menor que a tua”. E depois prometem mais meios. E cumprem, na maioria das vezes: a cada ano que passa há mais bombeiros, há mais viaturas, há mais aviões, há mais helicópteros … Mas também mais incêndios. E mais gravosos.

Os autarcas reclamam do isolamento, e do centralismo. E pedem mais apoios financeiros para as suas populações. Mas nunca dizem – nem ninguém lhes pergunta – o que é que, da sua parte, fizeram para prevenir ou minorar a tragédia.

Os populares culpam os criminosos. Tudo se resolvia com penas adequadas. Que os tribunais incompreensivelmente não aplicam. Fala-se nos interesses, que não são pequenos, da chamada indústria do fogo. E fala-se de Máfia… Fala-se da Protecção Civil, e de bombeiros. E do eterno presidente da respectiva Liga, que foi presidente de Câmara durante quatro décadas, deputado em não sei quantas legislaturas, e até incendiário num dos três grandes do futebol. Que fala, ralha e barafusta, sempre sem dizer nada que não seja culpar tudo e todos, e exigir mais dinheiro para a organização que domina. Sem nunca dizer o que fez em tantos anos e em tantos cargos.

Fala-se dos ministros que estão de férias. Dos que as interrompem e dos que as não interrompem. Mais grave ainda é se aparecem numa dessas festas de Verão das revistas cor de rosa…

É sempre assim, ano após ano. Como se, tal qual as cigarras que também ardem, assobiássemos todo o ano à espera do Agosto que há-de acabar por devorar o país. Como fossemos todos muito burros, sem nunca conseguir aprender nada…

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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