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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Animalidade política*

Resultado de imagem para fotos que marcam os incêndios

 

A tragédia que voltou a abater-se sobre o país, no domingo e na segunda-feira passados, acrescentando mais 43 mortes às 64 ou 65 de Pedrogão, quatro meses antes, destruindo o que faltava destruir da nossa floresta, incluindo agora o nosso Pinhal do Rei, aperta-nos o coração, mas também nos enche de revolta e de vergonha.

E mudou a face do país. Literalmente, porque toda aquela vasta mancha verde é agora negra. Porque o verde da esperança que renascia, se transformou num negro profundo de incertezas e dúvidas. No tal tão anunciado diabo, que de repente virou do avesso a situação política do país. 

A dimensão da tragédia, pondo a nu fragilidades, se não desconhecidas pelo menos esquecidas, e confrontando os cidadãos com a incapacidade do Estado para os proteger, era já suficiente para romper com a confiança dos cidadãos no Estado e nas suas instituições. Que, como se sabe, é o mais forte cimento da estabilidade social e política. A forma desastrada como o primeiro-ministro (e deixemos de lado a já ex-Ministra e o Secretário de Estado da Administração Interna), lidou com a tragédia dinamitou completamente a sua relação com o país.

António Costa é invariavelmente apresentado como o mais hábil e experimentado líder político da actualidade. Percebemos hoje melhor o que isso quer dizer. Percebemos que corresponde a um estereótipo à medida do entendimento que nos querem impingir do que é a política.

A sua desastrada reacção - desastre que a intervenção do Presidente da República acelerou em progressão geométrica - foi o melhor exemplo disso mesmo. Afinal, a ideia que António Costa transmitiu foi que reduziu a dimensão da tragédia a uma maçada que atrapalhou o que estava a correr tão bem.

O que se seguiu não foi melhor. Na substituição da ministra finalmente demissionária, António Costa não procurou competência para a mais sensível e a mais destroçada pasta política do seu governo. Procurou amigos, e procurou lealdade!

Ora, isto é a animalidade da política em todo o seu esplendor!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Demissões

 

 

É evidente que o Estado falhou: mais de 100 pessoas morreram queimadas pelo fogo em apenas quatro meses. É claro que a estruturas da protecção civil não funciona(ra)m. E é inquestionável que ninguém no Ministério da Admnistração Interna tem condições para continuar. A ministra deveria há muito apresentado a demissão, e ter ido de férias. Ter-nos-ia pelo menos popupado a ouvi-la, agora e nestas circunstâncias, falar exactamente da falta de férias. Ou a outros dislates, como exigir mais resiliência às vítimas. 

Até o próprio Secretário de Estado, que parecia ser a única pessoa equilibrada daquela equipa, acabou queimado nas labaredas do insane discurso da autoprotecção.

Mas - francamente - seria ontem o dia de alguém demitir alguém, ou de alguém se demitir do que quer que fosse?

 

 

O pior dia do pior ano

Capa do PúblicoCapa do Diário de NotíciasCapa do Jornal de NotíciasCapa do i

 

O país arde como nunca. Pessoas sofrem e morrem. Casas, fábricas e outras instalações desaparecem em segundos, perante o desespero de quem tudo perde. Arde o que nunca pensamos que pudesse arder, na guerra civil para que o país foi arrastado sem saber como nem porquê... 

As capas dos jornais de hoje não podiam passar ao lado do pior dia do ano. Ou podiam? 

 

Capa do Correio da Manhã

 

Ilegitimidades*

 

Resultado de imagem para fundos da solidariedade pedrogão

 

A gestão dos donativos dos portugueses para as vítimas dos incêndios do Pedrógão Grande dominou o espaço mediático da semana.

Foi trazido para a actualidade com o óbvio e mal disfarçado objectivo de dele tirar dividendos políticos. Não é novidade, por evidente limitação de capacidade política, agravada por gritante falta de imaginação, são recorrentes as tentativas de aproveitamento político da tragédia.

Desta vez o fito era lançar na opinião pública a ideia que o Estado – o governo – simplesmente dera sumiço aos largos milhões de euros brotados da generosidade dos portugueses, na extraordinária onda de solidariedade que a sociedade civil prontamente montou para responder às necessidades das vítimas da tragédia.

E correu mal. É normalmente assim, e apetece dizer que ainda bem que é assim. O chico-espertismo politiqueiro, como a mentira, tem perna curta. O governo explicou rápida e claramente a situação do fundo que tinha sob a sua gestão, e logo deixou à vista de quem quer ver – há sempre quem não quer ver – que por ali a coisa era transparente.

Não foi essa, no entanto, a sensação que, chamadas naturalmente a terreiro, nos deixaram as instituições privadas que ficaram com a guarda da esmagadora maioria dos valores arrecadados. O que começamos logo por ouvir, quer da parte da Caritas quer da União das Misericórdias, foi que as nozes seriam menos que as vozes. Que não senhor, não tinham nada ficado com a maior fatia.

No fim, a opinião pública ficou esclarecida acerca dos 1,9 milhões de euros do fundo gerido pelo governo, mas não ficou esclarecida com nada mais. E percebeu que, com as nozes da Caritas e da União das Misericórdias, começava a não ser fácil chegar às vozes que todos tínhamos ouvido nas televisões, e em particular naquele espectáculo de solidariedade, transmitido em conjunto pelos três operadores de televisão.

No fim, a opinião pública ficou – ou deveria ter ficado - sem grandes dúvidas que tem de caber ao Estado a responsabilidade por toda a logística de fazer chegar a uns portugueses aquilo que outros portugueses doam. Cêntimo por cêntimo, sem nada ficar pelo caminho em bolsos indevidos. Sem que um cêntimo seja desviado para os custos da operação, pela simples razão que, o que o Estado arrecada em impostos na solidariedade dos cidadãos, é mais que suficiente para financiar toda a operação.

No fim, a opinião pública ficou – ou deveria ter ficado – com a certeza certa que não é legítimo haver quem faça negócio com a solidariedade com que uns ajudam suavizar a desgraça de outros.

No fim, ficou mais um tiro no pé desta gente que vê sempre Estado a mais em tudo o que não seja o Estado que olhe apenas pelo seu estado.

No fim, ficou a faltar que os chicos espertos da politiquice corassem de vergonha. Mas era necessário que soubessem o que é isso. E sabemos que não sabem!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Tema do dia

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Na ordem do dia esteve a gestão e a distribuição dos fundos angariados pela solidariedade nacional destinados à ajuda às vítimas dos incêndios.

Há razões de preocupação com o tema. É monstruoso que a generosidade e a solidariedade dos portugueses acabe por não chegar ao seu destino, quando tanta falta fazem. E é inaceitável que tão volumosos fundos, que os portugueses tão prontamente mobilizaram, tão propagandeados no acto de recolha, desapareçam depois do seu escrutínio.

Não foi disto no entanto que se tratou quando o assunto foi hoje trazido para a ordem dia. O que a direita, e a equipa de Passos em particular, quiseram projectar foi outra coisa. Foi simplesmente continuar a cavalgar a onda do Pedrogão, foi prosseguir a lamentável exploração da desgraça, iniciada, como se sabe, com os suicídios que não aconteceram, e prosseguida com a lista dos mortos.

É fácil de perceber que assim é.

Os fundos angariados com a extraordinária mobilização da sociedade civil foram objecto de recolha e administração por parte de diferentes entidades. Foram, tanto quanto se sabe, entregues à União das Mesericórdias e à Caritas, instituições, como também se sabe, especialmente admiradas e apreciadas pela direita. São instituições charneira da sua visão da política social, cuja margem de intervenção se preocupam sempre em alargar como solução para todos os problemas.

O governo criou também um fundo para gerir os recursos doados pelos portugueses. Chamou-lhe Revita e conta com um saldo de 1,9 milhões de euros. O que a direita fez foi pegar neste número para, na opinião pública, fazer dele o resultado público daquela gigantesca onda solidária. O que pretendeu foi confrontar este número, estes 1,9 milhões de euros, com os números percepcionados pelos portugueses, especialmente através das televisões. 

Foi isto que esta direita pretendeu, continuando nada incomodada em chocar violentamente contra os princípios que seria suposto defender. 

Ezquizofrenia

 

A ezquizofrenia tomou conta do país, tão avassaladoramente quanto as chamas que o consomem. Há um mês, com a catástrofe do Pedrogão Grande no auge da discussão pública, Mação era o modelo, o mais acabado exemplo de sucesso para enfrentar esta calamidade. De capital dos fogos, Mação passara a capital da prevenção e combate a incêndios.

Um mês depois, Mação arde tão dramaticamente, se não mais ainda, quanto tantas vezes ardeu no passado. Ameaçando povoações, e desalojando ainda mais pessoas.

Nada que preocupe a ezquizofrenia instalada, agora que a grande prioridade nacional foi cumprida, com a publicação da lista dos mortos do Pedrogão, nome por nome. Provavelmente ainda dentro das 24 horas do ultimato do outro...

Lei da rolha

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Os bombeiros não vão mais prestar declarações sobre os incêndios. A partir de agora, tudo o que seja comunicação passa a caber exclusivamente à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Que dirá tudo o que queira que se saiba em dois briefings diários, a partir de Lisboa. 

Não está mal. Mas bom mesmo seria acabar com as declarações dos populares. Isso é que o governo devia fazer, transferindo essas atribuições para o "fórum" da TSF e para o "Opinião Pública" da SIC Notícias. Isso é que era serviço...

 

 

 

Coisas de hoje

 

Resultado de imagem para comissão parlamentar de inquérito

 

Há duas semanas ficamos a conhecer o Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Caixa Geral de Depósitos, um Relatório redondo e risível. Era preliminar, um draft, para ver no que dava. O relatório final é hoje aprovado.

Pelo que já se conhece, o relator, o socialista Carlos Pereira, pensou melhor, teve conhecimento das suspeitas do Ministério Público, e lá concluiu que, afinal, as coisas não eram bem como preliminarmente tinha concluído.

Nem sempre os preliminares correm bem, como se sabe de outras estórias. Não chega, nem de longe, às suspeitas de crimes graves que esperamos estejam a ser investigadas, mas já admite nomeações partidárias, utilização para fins de política orçamental e até alguma "sensibilização" para determinados projectos.

Mas nada que sirva de salvação a estes Relatórios Parlamentares, preliminares ou finais. Nada que os credibilize, nada que os liberte dos despudores de cada maioria circunstancial.

Entretanto o país continua a arder, parece que já não há por cá quem saiba apagar fogos. E as comunicações continuam a falhar porque, descobriu agora o primeiro-ministro, são utilizados cabos aéreos, por cima da floresta densa, onde circulam em paralelo informação urgente e informação corrente, ou comum. Coisa que, evidentemente, desconhecia quando há uma dúzia de anos assinou o contrato. Está mesmo a pedir mais uma CPI ...

 

 

 

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