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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O dito por não dito ...

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Meio mumificado, numa universidade a fingir, onde uns fazem de alunos e outros de professores, numa espécie de brincar às casinhas, Cavaco fingiu de professor mal amanhado e, a propósito e a despropósito, desatou a vomitar ódio e a cuspir veneno sob a forma de opinião.

A malta, que começou a desconfiar do Cavaco com aquelas coisas do BPN, e do Dias Loureiro,  com aquelas coisas do BES, que era tudo gente séria, não tanto como ele, porque disso ainda estava por nascer. Ou com aquelas coisas de fazer comendadores gente muito séria, quase tão séria mas nunca tão séria como ele, porque … claro, disso ainda estava por nascer. A malta – ia dizendo – já não tem paciência para as suas alarvidades. Já não está para o aturar… e manifesta-lho, sem deixar dúvidas.

A máquina de Passos, que revê em Cavaco a ideologia que a realidade lhe despedaçou, não aceita que já não haja quem esteja para o aturar. E como não tem jeito para nada, mas não é de se ficar, saiu para a confusão e tratou de virar tudo de pernas para o ar, para fazer crer que criticar a opinião da criatura é por em causa o direito da criatura à opinião.

Chicos espertos, porque, esperto, é mesmo o Marques Mendes. Sabe-a toda. Até conseguiu dizer que, tendo Cavaco sido infeliz a dizê-lo, teve “carradas de razão” no que disse. E passou ele a dizer o não tinha sido dito. Mas cheio de razão. Com “carradas de razão”, na SIC.

É fácil dar o dito por não dito. Dar por dito o não dito é outra coisa. E mostrar como se faz, com a mesma falta de vergonha, mas com muito savoir faire, é ainda outra.

Mais um capítulo ou um capítulo a mais?

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Quando julgávamos que o último capítulo da novela da contratação de António Domingues para a administração da Caixa Geral de Depósitos se intitulava "mentiu/não mentiu", ou "há documentos escritos/ não há documentos escritos", eis que, para segurar audiências e aprofundar o suspense, o argumentista acaba de lhe acrescentar mais um: "O Governo manipulou a data de publicação do decreto-lei".

A forma como tem dirigido a telenovela revela o dedo apurado argumentista. Um verdadeiro mestre: quem é que acredita que só agora, no ponto mais alto do capítulo ainda em cena, Marques Mendes tivesse reparado que o D.L nº 39/2016 fora aprovado em Conselho de MInistros em 8 de Junho, promulgado pelo Presidente em 21 de Junho, e apenas publicado no Diáro da República em 28 de Julho?

É certo que o guião ajuda. E ajuda especialmente na parte em que Antóno Costa, a quem se exigia muito mais dedo para a ética política do que para a habilidade politiqueira, perdendo todas as oportunidades para a introdução de um ponto de ordem na mesa deste descalabro, abriu caminho à bola de neve, cada vez mais difícil de parar.

Já ninguém consegue dizer que este seja o último capítulo da telenovela. Não me parece, e admito até que nas cenas dos próximos capítulos surja uma personagem com mais protagonismo. Basta que lhe apresentem uma assinatura num papel...

Os erros pagam-se. E este só não sairá muito mais caro porque, mesmo com o seu exército espalhado pelas televisões e  jornais, a oposição se resume àqueles vinte minutos dominicais de Marques Mendes. E aos seus interesses políticos pessoais...

De pernas para o ar

 

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Qualquer pessoa de cabeça aberta, e de sapato desimpedido de pedras, percebe que o tema do imposto sobre o património imobiliário que Passos Coelho anunciou, criou e não cobrou, se transformou numa certa trapalhada quando este governo lhe tocou. Fosse porque foi a Mariana Mortágua a mandar-se de cabeça, fosse porque não estava consistemente estruturado para vir ao mundo, ou fosse até para ser mesmo assim, para ver no que dava, a verdade é que não correu lá muito bem. 

Disso aproveitou o exército da opinião publicada ao serviço dos interesses e da ideia dita neo-liberal para ir bem mais longe e virar tudo de pernas para o ar. 

Marques Mendes disse ontem do seu púlpito na SIC - e sabe-se como é importante o que diz, dito sempre sem qualquer obstáculo contraditório - que este caso está para António Costa como a TSU esteve para Pedro Passos Coelho, há precisamente quatro anos. Não está, nem pode estar, por muitas e variadas razões. A primeira das quais é que os interesses atingidos são diametralmente opostos...

Não sendo verdade é, no entanto, a cereja no topo do bolo do argumentário da barreira que foi erguida para impedir este novo (velho) imposto. Comparar a reactivação deste imposto sobre o património, que incide sobre uns poucos milhares dos cidadãos mais abastados, com a transferência da contribuição para a TSU da entidade patronal para os trabalhadores, que atingia todos os trabalhadores por conta de outrem,  é o toque final na campanha de manipulação da opinião pública montada para o matar à nascença. Súbtil, em nome da eficácia! 

A obcessão dos planos B

 

Ficamos a saber através de Marques Mendes - uns, logo na trasmissão em directo da sua homilia dominical na SIC, outros pelas onde de choque que provoca em todo o sistema mediático nacional - que a obcessão pelo plano B também atinge a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos.

Disse-nos este alcoviteiro dos domingos que o BCE enviou uma carta ao governo português, já há mais de um mês, a exigir um plano alternativo de recapitalização, para a eventualidade do plano apresentado - de capitalização pelo Estado, accionista único do banco público - não vir a ser aprovado pelas instâncias europeias. Curiosamente, o alcoviteiro que também é membro do Conselho de Estado, o que não deixa de ser outra curiosidade, passou por cima desta revelação a grande velocidade, como se estivesse a pisar uma braseira, para passar ás recomendações sobre a constituição da administração, da mesma referida carta. Que 19 é muito, quinze chegam bem. E que saibam do negócio, que tenham experiência em banca.

Não se percebe por que estas recomendações prenderam tanto a atenção de Marques Mendes: já toda a gente tinha dito que 19 administradores são administradores a mais; e que para administrar o maior banco português seja requerida experiência na banca é também do mais elementar bom senso. Para adminsitrar os maiores bancos mundiais é que não é preciso nada disso, como acaba de se ver com Durão Barroso...

O que se percebe, mesmo que o comentador e conselheiro de estado não queira que se perceba, é que o plano alternativo que o BCE reclama é a privatização da Caixa. A alternativa ao capital do estado é o capital privado. Este plano B é exactamente isso, é a alternativa que não deixa alternativa. Como, de resto, tudo o que é plano B que os exilados  não páram de exigir aos usurpadores do governo.

Não importa que não haja capital para isso. Não há cá mas há noutro lado qualquer. E com tudo o que se tem vindo a fazer à Caixa para a desvalorizar, quaisquer que sejam os valores da recapitalização são suficientes para garantir uma posição maioritária de capital.

Isto anda tudo ligado - como diz o outro...

Tratados por parvos

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Nas suas homilias dominicais na SIC Marques Mendes, no rasto de Marcelo, fala de tudo. “Do leitão às tácticas do futebol” como, com graça, a Marisa Matias se referiu a Marcelo neste fim-de-semana.

Por isso Marques Mendes não podia, como todas as televisões tinham feito, passar ao lado da notícia da semana. A curiosidade era grande: não podia ignorar o tema, que não atingia apenas o seu amigo e sócio Miguel Macedo. Atingia-o também a ele!

Falou da pouca-vergonha da devolução da sobretaxa, mesmo que habilidosamente. Falou de Cavaco, que sem surpresa voltou a defender. Comparou o incomparável, com Jorge Sampaio. E anunciou para amanhã a decisão do presidente, a decisão inevitável, como se esforçou por explicar. Com muitos pedidos de esclarecimento e mais ainda de garantias.

Disse que Elisa Ferreira não aceitou ser ministra do novo governo e, antes de fechar em apoteose com o patético almoço de Sócrates, no alinhamento combinado, lá saiu o tema dos vistos gold e o nome de Miguel Macedo da boca do pivot.                         Verdadeiramente incomodado, mas deixando evidente que não podia deixar de ser assim, Marques Mendes entrou pelo assunto dentro como se de uma penitência se tratasse. Como se a acusação fosse já bem mais que isso, ao ponto de não ter mais por onde se esconder que na exaltação do Estado de Direito... Quando pensávamos que fosse por ali fora e chegar ao seu próprio nome, também envolvido, o pivot tratou do assunto. Parou-o logo ali, lançando-lhe a bóia – “ainda não foi julgado, até lá é inocente” – que Marques Mendes aproveitou para, sem mais – nem mais uma palavrinha – encerrar o assunto. E passar rapidamente para o tema Sócrates…

Marques Mendes – e a SIC – entenderam fazer aquele número. Mais valia que tivessem passado ao lado do assunto. Teria sido mais sério: assim estão apenas a tratar-nos por parvos!

 

 

Sócios especiais

Por Eduardo Louro

 

Acho sempre alguma graça a esta gente graúda da política que tem a lata de vir a público dizer que não tem nada a ver com empresas de que são sócios. Parecem aquele tipo de pessoas que dantes surgiam nos concursos de televisão sem nunca terem enviado os cupões. Eram sempre outros que os tinham enviado em seu nome...

As sociedades existem, e existem mesmo para aquilo que parece, ali, o que parece, é. Eles são sócios, mas nunca sabem de nada. No caso de Marques Mendes - vejam bem - até pensava que a empresa tinha fechado. 

São mesmo sócios especiais. Tão especiais que até acham que as sua empresas podem fechar sem que eles saibam!

 

Sempre a tentar passar entre os pingos da chuva

Por Eduardo Louro

 

Ao que se vai sabendo pelos jornais de hoje, Marques Mendes não terá tirado ontem grandes coelhos da cartola, daquelas coisas que faz questão que se saiba que só ele sabe e que nós sabemos que nem ele deveria saber, e que até preferíamos saber por outras vias mais covencionais. 

Depois de na semana passada ter revelado que o o Novo Banco é para vender todo, de uma só vez e de imediato - uma das "circunstâncias que se alterararam profundamente", e que levaram à demissão de Vítor Bento - desta vez o que a imprensa, sempre ávida das revelações do comentador bufo, salienta é a crítica de Marques Mendes à actuação do governo nos desenvolvimentos que se vão conhecendo no Novo Banco. 

"É muito feio o que o governo está a fazer" - diz ele. É, mas é muito feio há muito tempo, não é apenas de agora. O governo sempre quis dar o ar de quem não tem nada a ver com aquilo. Com aquilo tudo, desde os crimes praticados que levaram à destruição de um terço do sistema financeiro nacional, à solução negociada com a comissão europeia que, em vez dos anunciados banco bom e banco mau, criou dois bancos maus, passando pelo meio pelo crime de lesa pátria, o maior atentado ao instituto da confiança que foi o aumento de capital. 

O governo quer fingir que aparece de mãos limpas nisto tudo, mas tem-nas cada vez mais sujas. Não se sabe se os ziguezagues de Carlos Costa em todo este processo são ziguezagues do governador do Banco de Portugal ou do governo. Mas é muito fácil de perceber que, mesmo que sejam exclusivamente do Banco Central, ao governo exigia-se que lhe corrigisse a trajectória, e nunca que andasse a tentar passar entre os pingos da chuva!

E ainda apor cima lhes pagam...

Por Eduardo Louro

 

Televisões e jornais andam numa roda-viva, empenhados em abrilhantar a festa que o poder decidiu abrir por esta altura, para promover o circo eleitoral que aqui se está a instalar para estes próximos dois anos. Fazem lembrar a orquestra do Titanic, não percebendo que o país se continua a afundar cada vez mais.

Nunca como agora sobraram tantas razões de crítica ao comportamento da comunicação social, e em especial das televisões. E nem sequer me estou a referir ao clássico capital de alienação e ao papel anestésico das programações das generalistas.

Repare-se como as televisões estão cheias, a toda a hora, de políticos no activo, ainda no poder ou com o lugar que lá deixaram ainda quente, sempre no mesmo registo, sempre com a mesma mensagem… Como são pagos – e alguns como verdadeiras estrelas – para alimentar as suas ambições e promover os seus projectos políticos pessoais. Não têm apenas acesso gratuito a estas poderosas máquinas de popularidade e de publicidade. Não, ainda por cima lhes pagam!

Marcelo Rebelo de Sousa anda há anos a construir nas televisões a sua candidatura presidencial. Chegou a hora certa e, como se viu há uma semana, não se preocupa nada com essas coisas da vergonha na cara. Não hesitou em aproveitar aquele tempo que lhe é pago para dar o golpe de misericórdia em tudo o que pudesse ser adversário potencial, reservando logo ali o seu lugar ao mesmo tempo que dava um simpático empurrão no calendário. Que, evidentemente, lhe permite prolongar o mais possível o seu espaço semanal de contacto com os portugueses. Líder de audiências!

Também Marques Mendes, ainda ontem, aproveitou o espaço televisivo que lhe pagam para usar, para exibir um documento que, supostamente, o defenderia da acusação de ter participado num negócio nada claro de venda de acções, que os jornais trouxeram a público no início da semana que hoje acaba. Como é evidente, e tenha ou não responsabilidades na operação – as menos graves das quais seriam sempre as fiscais – não há documento fiscal nenhum que o possa neste momento ilibar. No entanto, e mesmo sabendo que (quase) toda a gente percebia isso, não hesitou em usar aquele espaço para fazer aquele número.

Quando tanto se fala de indicadores, isto poderá não ser um indicador, mas é certamente um indicativo da decadência do regime. Do cheiro a fim de regime que sente por todo o lado!

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