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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Américo Amorim (1934-2017)

 

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Era conhecido por ser o homem mais rico do país. Mais do que mais ou menos rico, nas volatilidades da Forbs, Américo Amorim foi um grande empresário português. E foi, com Belmiro de Azevedo, o rosto do capitalismo português do pós 25 de Abril e, nessa medida, o obreiro de um novo país virado a norte.

Tão importante como saber investir é saber desinvestir. É saber sair, é perceber exactamente qual é o momento de saltar do negócio. E nisso Américo Amorim era insuperável: foi um dos maiores investidores imobiliários, mas soube sair antes que a crise o pudesses sequer chamuscar; foi banqueiro, mas saiu sempre antes de tudo e de qualquer coisa. 

No princípio era a cortiça... Daí nunca precisou de sair. Aí era o maior do mundo!

Sir Roger Moore

 

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Morreu ontem, na Suiça, um dos  rostos do mais famoso agente secreto ao serviço de Sua Majestade.

Levou com ele uma boa parte das minhas memórias de menino, onde Simon Templar ganha, e por muitos, a James Bond.

Até porque Simon Templar, o icónico "Santo", só há um - Roger Moore e mais nenhum.  007 há muitos, mesmo que nenhum tão "british"  e tão "gentleman"...

Mário Soares (1924-2017)

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Morreu Mário Soares, um dos nomes maiores da História de Portugal do século XX. Esteve, como mais ninguém, no centro de todas as encruzilhadas em que a História colocou o país ao logo de toda a sua vida.

Mas nem isso fez dele uma figura consensual entre os portugueses. Esteve sempre longe de congregar a unanimidade. Uns odeiam-no mesmo, como ficou nítido nestes últimos dias da sua vida. Mas quando suscitou ódios teve sempre a razão da História do seu lado: os que o odiaram, odiaram e odeiam a liberdade e a democracia. Outros, sem o odiar, não são capazes de o perdoar. Uns não lhe perdoam ter metido o socialismo na gaveta. Outros não lhe perdoam que, já na parte final da sua carreira política, o tenha desesperadamente procurado encontrar, se calhar procurando na gaveta errada.

Ninguém lhe é indiferente e são muitos os que o amam e tudo lhe perdoam. Como merece alguém que marcou o país como Mário Soares!

 

Leonard Cohen (1934-2016)

 

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2016 está absolutamente insaciável, e disposto a continuar levar-nos os nomes maiores da música dos nossos tempos.

Acaba de nos levar mais um dos maiores de todos. Leonard Cohen não era só um grande cantor, de estilo único. Nem apenas um grande compositor. Nem tão só o melhor escritor de canções. Era tudo junto, mas era ainda um grande escritor e um enorme poeta!

Judeu, como o próprio nome deixa perceber, tornou-se budista. A dimensão espiritual que introduziu na sua vida e a intensidade amorosa com que a viveu, constituem a marca da sua arte. Foi homem de muitas mulheres e de muitos amores, que lhe marcaram também as canções:  "Chelsea Hotel No. 2" foi escrita para uma delas - a mítica Janis Joplin; "So Long, Marianne", para outra - a norueguesa Marianne Ihlen, recentemente falecida (em Julho), a quem declarou "amor sem fim".

Um grande Senhor!

 

Há pessoas que achamos que nunca morrem. E se calhar não morrem mesmo: Mário Moniz Pereira era uma delas. Mas dizem que morreu...

Dizem que morreu o  Senhor Atletismo. Claro que é a referência do Atletismo mas, além de atleta, foi também praticante de andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins, ténis de mesa e voleibol. E foi treinador e professor. E músico. E poeta...

Não, não morreu o Senhor Atletismo. Morreu um grande Senhor!

O nosso Artur, a nossa raça, o nosso ruço...

Lembro-me como mandava naquela ala direita, num vai-vem diabólico. Como dava tudo em campo, como poucos. Como ninguém mais, naquela raça inesgotável, na entrega que punha na defesa da gloriosa camisola vermelha. Era um símbolo. Era a mística encarnada num  corpo franzino que chegava para tudo.

Num certo dia, corria o Verão quente de 1977, alguém entendeu que tudo aquilo era pouco. Sentiu-se empurrado para fora do seu clube de nascença, e partiu. Para o rival, porque é sempre assim...

Lembro-me como me doeu. E como me doeu mais a ingratidão do meu clube que propriamente a sua saída para o rival. Não havia nada para lhe perdoar e havia tudo para não perdoar aos que o empurraram para fora da sua casa de sempre. Aos 27 anos, no apogeu!

A vida caprichou em desalinhar dos sentimentos dos benfiquistas, como que não quisesse perdoar-lhe o que todos nós perdoávamos. E cedo lhe começou a trocar as voltas, não mais o deixando em paz. Até hoje. Aos 66 anos.

O Benfica, sempre muito maior que as pessoas e as conjunturas, por muito grandes que alguns se achem, ou tenham achado, pediu-lhe desculpa. Envergonhadamente...

 

 

Morreu um Homem*

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A oportunidade, e uma ingrata actualidade, leva-me hoje por um caminho diferente. Não podia passar sem um pequeno apontamento de pesar pelo desaparecimento de um dos melhores de nós. Alcobaça acaba de perder um dos seus melhores: Timóteo de Matos.

Um profissional de corpo inteiro, um dirigente desportivo ímpar, um homem de letras e de cultura mas, acima de tudo, um espírito livre e um homem bom.

Um apaixonado do ciclismo, onde cultivou amizades como só ele sabia cultivar. Foi a cara do ciclismo em Alcobaça – que me perdoe o meu bom amigo Fernando Vieira, certamente o primeiro a subscrever esta minha afirmação – e a cara de Alcobaça no ciclismo.

Não foi apenas um profissional respeitado pelos seus pares. Foi um profissional notável, ao mais alto nível. E um cidadão exemplar. Exigente, crítico e digno. Com a dignidade dos Homens de H, a que a terrível doença - a que resistiu como ninguém - só deu maior dimensão!

“Um homem da cidadania, da família, da tertúlia e dos amigos, que gosta da vida e de quem a vida gosta”, como um dia escrevi. Que gostava da vida, e de quem a vida gostou. Que nada temia, excepto as palavras, como escreveu ele, também. Um Homem que deixa em Alcobaça um enorme vazio. E muita saudade, a cuja memória me curvo respeitosamente.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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