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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Notícia e não notícia

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Na sequência da fantochada eleitoral de domingo na Venezuela, foi notícia que a administração americana congelou todos os bens de Maduro nos Estados Unidos. 

Não me parece que seja notícia. Notícia é Maduro ter bens e contas na América. Porque, para a esconder, Maduro fazer que "no pasa nada", fazendo-se de parvo e de ainda mais ignorante do que é, também já não é notícia.

Notícia

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Dado que, do rival Trump, a única notícia que agora se aguarda é a do impeachement, Bruno de Carvalho volta hoje ao topo da notícia. Anunciou no facebook - e isso, como se sabe, é notícia -  que vai abandonar ... o facebook. Não que se tenha transferido para o tweeter de Trump - nem isso nunca poderia ser, o Bruno não é gajo que se satisfaça com 150 caracteres - mas porque, concluiu, aquela é uma casa mal frequentada. Insuportável para uma pessoa de bem, como ele!

E agora? Onde é que a criatura vai poder despejar, todos os dias, os disparates que produz como mais ninguém (o Trump continua no tweeter)?

Não sei. Mas desconfio que alguma coisa vai entupir...

 

 

Notícias... Das boas!

Capa do Jornal Negócios

 

Quando, na semana passada, surgiram boas notícias sobre o desemprego, António Costa rejubilou mas adiantou logo que estariam a chegar, na próxima semana - que é esta -, mais boas notícias. E melhores!

Toda a gente se pôs a advinhar, mas ninguém acertou. Os analistas achavam que a queda do desemprego não fazia sentido (agora já não cai por via administrativa, já lá vai esse tempo, o efeito já se perdeu) sem que ninguém se lembrasse que poderia fazer sentido se a economia estivesse a crescer mais do que se dizia. E foi por isso com grande surpresa que ontem foram recebidos os dados do INE sobre o crescimento económico no terceiro trimestre: 1,6%!

Mais que o número - 1,6 é naturalmente curto para as necessidades, mas inquestionavelmente grande e significativo para a História deste século - o que impressiona é que, de repente, a economia portuguesa passou a ser a que mais cresceu na União Europeia.

Sabendo-se que o crescimento económico era a maior dificuldade do país, a maior dor de cabeça do governo e a pedra mais à mão da direita na oposição, estes dados, para além de constituírem uma grande notícia para o país, são obviamente uma excelente notícia para o governo. 

Boa notícia é também que não se viu o governo embandeirar em arco. Não me parece que, passe embora o aproveitamento que disso fez para alargar a corda a Centeno (se fosse no futebol seria certo que Mário Centeno estaria despedido: quando o presidente apresenta publicamente votos de confiança no treinador, é invariavelmente sinal que estará na rua em pouco tempo), António Costa tenha exagerado nos festejos.

Que não seja notícia de primeira página de qualquer jornal é que já não é sequer notícia. É assim. De todos, apenas o Jornal de Negócios traz o tema para capa. Mas apenas o tema, que não a notícia: "Economia acelera com exportações e turismo". Nada de confusões!

Se a notícia fosse exactamente ao contrário era ver as capas dos jornais: "Portugal é quem menos cresce na Europa"; ou "Economia não descola"; ou tantos outros títulos do género...

"Levanta-te e anda"...*

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Apanhei a notícia de raspão, e fiquei por isso com a ideia de que tenha sido dada mesmo assim: de raspão, como se a notícia fugisse da notícia. Fui ver.

E vi que a notícia de um homem preso a uma cadeira de rodas há 43 anos, que de repente se levantou e começou a andar, era isso mesmo: uma notícia.

Mais: uma notícia bem dada. Rufino Borrego, um alentejano do Alandroal, de 61 anos, estivera durante a maior parte da sua vida agarrado a uma cadeira de rodas por um erro de diagnóstico médico há umas décadas atrás. Em 2010 alguém levantou dúvidas sobre o diagnóstico velho de quatro décadas. Prescreveu exames, um estudo genético e … voilá: o novo diagnóstico iria dar a uma doença com sintomas muito parecidos com os da anteriormente diagnosticada mas, ao contrário dessa, curável. Facilmente curável, com um medicamento corriqueiro para quem tem asma ou outros problemas respiratórios: o Ventilan.

Há uns anos, se calhar nem tantos quantos o Sr Rufino passou na cadeira de rodas, a notícia bem poderia ter sido diferente. Há uns anos, quiçá numa outra zona do país, em vez de ouvirmos falar em Ventilan bem poderíamos ouvir falar de uma voz, eventualmente distante, a sussurrar: “levanta-te e anda”…

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Actualidade

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Ouvido há pouco, na Antena 1: " ... Em destaque na  actualidade desportiva a saída da prisão de Vale e Azevedo, em liberdade condicional."

Ainda estou às voltas com a cabeça para perceber o é que isto tem a ver com desporto, mas... se na Rádio dizem... É porque tem mesmo.

 

Notícias de cá. E de lá!

(Foto Rui Ochoa)

 

Hoje, piratas do ar ainda por identificar apossaram-se de um avião da Egyptair, desviando-o dos céus egípcios para terra cipriota. Ao que consta estão a libertar os passageiros, o que é uma boa notícia.

Ontem, a Justiça do regime angolano condenou Luaty Beirão (cinco anos e meio) e os seus restantes (16) colegas a penas entre os dois e os oito anos de prisão, esta para Domingos Cruz. Por escrever o livro que, em último recurso, acabou por justificar todas as condenações: a um porque o escreveu, e aos outros porque o leram. Todos porque, juntos, formam um bando de malfeitores. Coisa que nem sequer constava acusação. E ainda há quem não se envergonhe desta Justiça...

Vergonha tem o BCP, da cotação das suas acções (4 cêntimos, pouco mais), e por isso propõe-se a fundi-las, a juntar 193 acções numa só. Já dá nalguma coisa de mais respeitável para contrapor a outras talvez menos respeitáveis. Porque isto anda tudo ligado, como alguém diz. 

Ontem, também ontem, o presidente Marcelo promolgou o Orçamento, como já se sabia. E falou ao país, como antes falava com o país. Sem tirar nem pôr: não fosse a presença da bandeira nacional a compôr o cenário e podería parecer Marcelo de regresso ao comentário político. Disse de sua justiça - não tem nada a ver com a angolana - e explicou porque só tinha que promulgar. Com uma bicada: não havia nada de inconstitucional no Orçamento. E mais outra, ao chamar a atenção para a sua execução, para que não fossem necessários orçamentos rectificativos, como sempre aconteceu nos últimos anos...

Um Presidente em claro desvio da rota anterior. Mas sem piratas do ar... As notícias são, por hoje, bem melhores por cá que lá por fora!

Como eles se seguem...

Por Eduardo Louro

 

Capa do Correio da Manhã

Pois... Por causa de Relvas 151 perderam a licenciatura. Mas o próprio, lui même, himself, não. Nem vai perder, garante: já prescreveu!

Na altura a Lusófona recusou cumprir a ordem do Ministério de lhe anular o diploma, e o processo seguiu para tribunal. Quando, agora, a Universidade que Crato não fecha porque há eleições por aí, lhe pediu o diploma de volta, foi Relvas quem o recusou: há que esperar pela decisão do Tribunal, argumentou.  Há que esperar ainda mais... Em três anos o processo simplesmente não se mexeu no tribunal: parece que está exactamente no mesmo sítio onde foi deixado!

Já não vão a tempo... É assim: safam-se sempre. O crime compensa, mas só e sempre aos mesmos. Os outros ainda têm vergonha, e no limite são apanhados por aí. 

 

História desconhecida de Marco António CostaEstes, os mesmos de sempre, como não têm vergonha, nem por aí os agarram. 

E como eles se sucedem... Ou se seguem... Não sei se vem a propósito, mas parece que finalmente alguém se interessou pela "estória" do alpinista político!

Interesse público e interesse do (algum) público

Por Eduardo Louro

 

Ontem a notícia era que a equipa médica do Hospital de Santa Maria tinha tomado a decisão sobre a gravidez da criança de 12 anos abusada pela besta do padrasto. E que dela não daria notícia pública... 

Aplaudimos. Toda a gente que é gente acha que ninguém tem nada a ver com o sentido da decisão. Notícia tem que ter interesse público, e não se percebe onde possa estar o interesse público no conhecimento da decisão. 

Já basta a dor da pobre criança. Já basta de dor para a criança... Agora só resta punir exemplarmente a besta e os seus cúmplices, se os houver, e tratar da menina. Tratar-lhe do corpo e da alma... Na medida do possível devolver-lhe a infância roubada e dar-lhe sentido ao futuro!

Afinal, não. Não basta nada disso... A cuscovilhice que reina no império sobrepõe-se a qualquer ideia de respeito. Ninguém resiste a espreitar pelo buraco da fechadura ... E a fazer disso modo de vida, fazendo crer que é de interesse público o que é o interesse de algum público. De gente que não é gente!

Notícias

Por Eduardo Louro

 

A notícia, mesmo que mal amanhada, enchia ontem a primeira página do Record. Mas é tal qual a ouvi num telejornal da hora de almoço que verdadeiramente ganha expressão: "O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras visitou os três grandes à procura de ilegais. Encontrou quatro em Alcochete e nenhum no Seixal. Do Olival nada se sabe"!

Significativo. Tanto como a capa do Record...

Estudos e notícias

Por Eduardo Louro

 

 

Ao passar os olhos pelas notícias dparei-me com um título irresistível, daqueles que obrigam a abrir e vasculhar: "E o político em que os portugueses mais confiam é..." 

Desvendo já: Marcelo Rebelo de Sousa!

Ninguém ficaria muito surpreendido se os portugueses o achassem o mais inteligente. Ou o mais perspicaz. Ou o mais popular. Ou o mesmo político que mais admiram. Mas... em quem mais confiam?

O estudo - diz ainda a notícia - revela também que "no geral, 96% não confia nos políticos e 83% não confia no atual Governo de Passos Coelho". Nem nos sindicatos (81%), no sistema judicial (73%), nos bancos (72%) e  na União Europeia (71%).

Ao contrário da escolha de Marcelo Rebelo de Sousa (mesmo que apenas com um resultado de 14%) estes resultados não surpreendem. Todos temos a ideia que os portugueses não confiam nas instituições e que o país atravessa uma crise institucional e de regime ainda mais grave que a económica.

A notícia refere-se ao estudo Marcas de Confiança, realizado anualmente pelas Seleções do Reader’s Digest, que anda há 14 anos a tentar dar-lhe a sua marca de confiança. Que, como se pode ver na fotografia não engana ninguém: "votado pelos leitores". Assim á maneira das aldrabices dos televotos que os operadores de tv descobriram para esconder que querem apenas ganhar dinheiro.

Já a notícia sim. É enganadora. Só no fim, mesmo no fim, informa que "o estudo teve por base 12 mil assinantes da revista Reader’s Digest".

E eu que até estava a gostar... Sempre era um estudo confirmar uma ideia empírica bem enraizada na minha cabeça... Não foi o estudo que me decepcionou. Foi a notícia!

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