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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Deslumbramento e limitação de danos

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Os jornais e as televisões não se cansam de nos tentar surpreender com os louvores de Schauble a Portugal que, para que não restassem dúvidas acabou, perante as cãmaras, de se voltar a dirigir a Mário Centeno como o "Ronaldo das finanças".

O próprio Presidente Marcelo que, evidentemente, não podia deixar o assunto por comentar vai, sem surpresa, no mesmo sentido. E salienta, tal como o governo, que até os maiores adversários de país, aqueles que mais dificuldades lhe criaram, se converteram à sua doutrina por obra e graça do milagre das finanças portuguesas.

O deslumbramento não permite a ninguém dar conta do que Schauble realmente diz. Do que quer dizer, e do que lhe interessa dizer. E o que diz, com a expressão "Ronaldo das Finanças" pelo meio a lançar charme, é que o sucesso do governo português é a prova provada do sucesso do programa de ajustamento. Que impôs e que defendeu como mais ninguém. Nem o seu "Messi", o nosso Vítor Gaspar de má memória.

Shauble não está a fazer nada que o seu admirador Passos Coelho não tenha já feito. Ambos anunciaram e desejaram o diabo. Como o diabo não veio, que não vá tudo para o diabo... Foram-se os anéis, que fiquem os dedos, ou a teoria da limitação dos danos.

A única diferença é que Schauble ainda está no poder. E se calhar isso dá-lhe um ar bem menos ressabiado.

Com a cabeça a andar à roda

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À medida que se vão confirmando as boas notícias da economia portuguesa, como hoje o INE a oficializar o crescimento de 2,8% no primeiro trimestre, ou Álvaro Santos Pereira, o revogado pelo irrevogável, a garantir que a OCDE vai rever em alta as perspectivas de crescimento económico em Portugal, mais voltas o eixo PAM (Passos - Albuquerque - Montenegro) dá.

De tantas voltas, já têm a cabeça a andar à roda. Já não dizem coisa com coisa. Vejam bem que, depois de andarem a dizer que nada daquilo ia dar certo, que estava tudo errado, que era uma impossibilidade aritmética, que eram histórias para meninos, e de rirem na cara de Centeno como se ele fosse o palhaço lá da turma vêm, agora que lhes entra pelos olhos dentro que está a correr bem, dizer que... foi por eles que correu bem. Que aquilo que não podia correr bem, porque era tudo ao contrário do que eles tinham feito, correu bem, porque eles tinham feito o contrário do que foi feito, e que está a correr bem...

Já estão também com a cabeça a andar à roda, não estão? Pois...

 

Falta aqui alguém...

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Com o país em euforia desmedida, numa excitação sem fim, a ganhar tudo o que há para ganhar, a crescer como já ninguém se lembrava e, imagine-e, até com gente a pagar para nos emprestar dinheiro, sente-se a falta de Passos Coelho. 

Não é que, em bom rigor, alguém sinta a falta dele. Mas sempre gostaríamos de saber se continua mal disposto, com ar de poucos amigos, zangado com tudo e com todos... Mas ninguém o vê. Deve estar bem certamente. De férias, quem sabe?.

Há ano e meio a enganar a realidade

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E de repente o PSD regressou em força ao equívoco dos resultados das últimas eleições, já lá vai ano e meio. Maria Luís Albuquerque disse ainda ontem, no Parlamento, que os portugueses escolheram outro primeiro-ministro. Luís Montenegro não fala de outra coisa, e completamente perdido num ressabiamento que empurra a realidade para bem longe, propõe mudanças no sistema eleitoral que premeiem o partido mais votado com um bónus suplementar de deputados. Não se sabe se os cinquenta da Grécia, mas admite-se que, com o relógio político parado desde Outubro de 2015, o bónus eleitoral de Montenegro se fique pelo número exacto de deputados que tivesse dado a Passos Coelho a legitimidade de continuar a usar a bandeira na lapela do casaco. Teriam bastado 9, o que daria para arredondar para 10!

E assim, enganando-se a eles próprios, acham que conseguem enganar a realidade... E até a "morte"...

 

Dulcineia numa espiral de euforia

 

 

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Passos Coelho continua a surpreender toda a gente ao continuar a negar a realidade e a chamar pelo diabo, deixando a ideia de cada vez mais isolado, entrincheirado numa espécie de resistência quixostesca.

A entrevista à SIC, na semana passada, puxou pelo D. Quixote que há em Passos. E puxou tanto que trouxe agarrada a Dulcineia, travestida de Rui Ramos. Não faltam preciosidades à preciosa Dulcineia, que acha que hoje o país vive uma espiral de euforia mais perniciosa que a espiral recessiva dos tempos do seu nobre cavaleiro. E que não tem dúvidas que o facto de o país estar melhor é, não só uma, mas a maior vitória de Passos Coelho. 

É "pelos três anos de ajustamento, em que só ele acreditou", que o país hoje está, mais do que melhor, eufórico. Só os mais de 4 anos - que, de tão bons, a Dulcineia pareceram apenas 3 - de empobrecimento, de desregulação social, de agravamento das desigualdades, e de inércia sobre o sistema financeiro, a correr alegremente para o abismo, permitiriam - afinal - que um governo que não ganhou eleições - aí está o Moínho das Tormentas - trouxesse aos portugueses, mais do que a simples alegria de viver, uma "espiral de euforia".

Força D. Quixote, continua determinado na tua trincheira, que a tua Dulcineia cá continua à tua espera. E vai olhando pelo Rocinante,  que o Sancho Pança não dá para esse peditório e há muito que deu à sola...

O dia nacional da lata

 

 

 

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Carlos Costa garante que de lá não sai, de lá ninguém o tira. Não diz que fez tudo bem, diz que fez tudo o que podia fazer... E que é, ele próprio, a garantia da independência do Banco de Portugal. Passos Coelho, mais papista que o Papa, não tem dúvidas que Carlos Costa fez tudo bem, com "competência, isenção e profissionalismo". Nem em confirmar a independência de quem fez tudo o que ele próprio e o seu governo quiseram que fosse feito para não atrapalhar a "saída limpa"!

Provavelmente nem um nem outro perceberam que nós, mesmo que não o tenhamos e só o vejamos partir, sabemos o que é o dinheiro. E sabemos que é a única coisa que nunca desaparece. A água consome-se, evapora-se... e desaparece. A floresta arde, abate-se ... e desaparece. Tudo o que se consome ou transforma, desaparece. Menos o dinheiro. Nunca desaparece, apenas muda de mãos. 

 Nós sabemos que das dezenas de milhar de milhões de euros que, à frente dos olhos do independente e competente Carlos Costa, desapareceram do sistema financeiro, de cada um dos bancos, não houve um único cêntimo que não tenha aparecido no bolso de alguém. 

Em vez do dia internacional da mulher, hoje, quando já se sabe que as declarações misteriosamente desparecidas do sistema fiscal correspondem a transferências do BES para o Panamá, deveria assinalar-se o dia nacional da lata. Da cara de pau. Ou da falta de vergonha!

 

Excessivo*

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Não se tem falado de outra coisa que de salário mínimo e da redução da TSU. 

Há muito que o aumento do salário mínimo é um drama, em Portugal. Não se vêem grandes preocupações com o facto de praticamente 1/4 da população que trabalha estar abrangida pelo salário mínimo. Não se vê muita gente incomodada com um salário mínimo que é um terço do de alguns dos nossos parceiros europeus, e que raia o limiar da pobreza.

Quando se fala em aumentá-lo é que surgem as preocupações. Aí é que não falta gente seriamente preocupada. E não falta gente a reclamar medidas de compensação.

Até aqui não havia grande problema: reduzia-se a famosa TSU aos empregadores e não se falava mais nisso. Tem sido de tal forma assim que ao governo – e ao Presidente da República, acabou agora por se saber – não se levantaram quaisquer dúvidas que continuaria a ser assim.

Mas não foi. Uma improvável conjugação de linhas vermelhas da esquerda com interesses tácticos do PSD acabou com esta solução mágica.

Muito se discutiu sobre a intransigência do PSD, ao arrepio dos seus princípios e da sua prática recente. Indiferente à pressão – houve até cartas de figuras proeminentes do partido e dos patrões - Passos Coelho manteve a sua posição contranatura. Tão evidentemente contranatura, que logo se começou a suspeitar que, o que o movia não era a oposição à TSU, mas ao próprio aumento do salário mínimo nacional.

No debate parlamentar Passos Coelho desfez por completo as suspeitas, dizendo com todas as letras que, na verdade, era ao aumento do salário mínimo que se opunha. Porque, justificou, era “excessivo”!

Um aumento de 27 euros num salário, que é uma retribuição de trabalho, e não um subsídio social, que está ao nível do limiar da pobreza, é “excessivo”?

Num país decente, um partido cujo líder dissesse uma coisa destas, não ganharia eleições enquanto houvesse uma pessoa a lembrar-se disto!

 

* Da minha crónica na Rádio Cister

Histórias sem final feliz

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Continua a apertar-se o cerco a Pedro Passos Coelho. De novo a malfadada TSU: dê por onde der, PPC e TSU não jogam. Há uns anos virou todo o país contra si; agora foi todo o partido. Ou o que ainda faltava...

Não vai ter um final feliz, a história de Pedro Passos Coelho à frente do PSD.

É curioso como só à medida que se aproxima a data da tomada de posse se vai tomando consciência que Trump vai mesmo ser o presidente da América. Ainda há muita gente a beliscar-se para confirmar que está mesmo a acontecer. E está... 

Já se tinha congratulado com o Brexit, e recorrido à sua linguagem própria para dizer que a Inglaterra tinha sido esperta. Anuncia o fim da União Europeia, levanta o bloqueio à Rússia, e diz que a NATO não serve para nada. E é já o próprio director da CIA a vir publicamente recomendar-lhe tento na língua...

Não vai ter final feliz, esta história de terror.

Há muito que conto que Bruno de Carvalho e Jorge Jesus me fazem lembrar dois bêbados, rua abaixo, bem juntinhos, amparando-se um ao outro. Se um caísse, o trambolhão do outro era certo. E nenhum se safaria... Daí que tivessem de seguir juntos, mais S menos S, até que chegassem a algum destino. Mesmo que já de gatas.

As eleições fazem o destino e o presidente do Sporting convenceu-se que o melhor é seguir sozinho. O treinador já não lhe serve de apoio, e o melhor mesmo é dar-lhe um empurrão e deixá-lo ali estatelado. E enquanto uns curiosos ficam ali a olhar para a cara partida do outro, sempre são menos os que reparam como cambaleia sozinho rua abaixo. E a esses sempre irá dizer que aquilo não é falta de equilíbrio, mas uma nova coreografia eleitoral.

Mais uma história sem final feliz...

 

Um dia que mexe

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António Guterres, ou Tony Guterres, espécie de nome artístico que o mundo do showbiz da política internacional lhe quer atribuir, vai hoje ser empossado como Secretário Geral da ONU, uma das mais prestigiantes funções do mundo, mesmo que a sua importância real pouco tenha a ver com isso.

Em New York, para assistir ao acto de posse, quando forem três da tarde em Portugal, estará o mundo inteiro. De cá, partiram o presidente Marcelo, o primeiro-ministro António Costa... e o Padre Milícias, para dar um ar de inner circle do homem que o país hoje venera e há pouco anos crucificava.

Com os olhos e o coração em Nova Iorque ninguém vai sequer notar que são hoje conhecidos mais uns capítulos do despudor da governação, e do caracter, de Passos Coelho. Sabia-se o que tinha feito em última hora com a TAP e com os transportes públicos. O que não se sabia é que, nos quatro ou cinco dias do seu segundo governo, saído do último fôlego de Cavaco, teve ainda tempo de entregar aos angolanos a participação do Estado Português na Empresa Nacional de Diamantes de Angola. Nem que Passos Coelho, que ainda no fim de semana se manifestava surpreendido com a forma como subitamente tinha disparado o volume do mal parado da Caixa, tinha afinal mantido escondidos dois pareceres da Inspecção-Geral de Finanças que relatavam justamente o agravamento das imparidades no banco público. 

Não admira que, já com a careca toda a descoberto, todos o queiram ver pelas costas. E que os candidados à sucessão comecem a sair da toca, todos ao mesmo tempo.

 

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