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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Ilegitimidades*

 

Resultado de imagem para fundos da solidariedade pedrogão

 

A gestão dos donativos dos portugueses para as vítimas dos incêndios do Pedrógão Grande dominou o espaço mediático da semana.

Foi trazido para a actualidade com o óbvio e mal disfarçado objectivo de dele tirar dividendos políticos. Não é novidade, por evidente limitação de capacidade política, agravada por gritante falta de imaginação, são recorrentes as tentativas de aproveitamento político da tragédia.

Desta vez o fito era lançar na opinião pública a ideia que o Estado – o governo – simplesmente dera sumiço aos largos milhões de euros brotados da generosidade dos portugueses, na extraordinária onda de solidariedade que a sociedade civil prontamente montou para responder às necessidades das vítimas da tragédia.

E correu mal. É normalmente assim, e apetece dizer que ainda bem que é assim. O chico-espertismo politiqueiro, como a mentira, tem perna curta. O governo explicou rápida e claramente a situação do fundo que tinha sob a sua gestão, e logo deixou à vista de quem quer ver – há sempre quem não quer ver – que por ali a coisa era transparente.

Não foi essa, no entanto, a sensação que, chamadas naturalmente a terreiro, nos deixaram as instituições privadas que ficaram com a guarda da esmagadora maioria dos valores arrecadados. O que começamos logo por ouvir, quer da parte da Caritas quer da União das Misericórdias, foi que as nozes seriam menos que as vozes. Que não senhor, não tinham nada ficado com a maior fatia.

No fim, a opinião pública ficou esclarecida acerca dos 1,9 milhões de euros do fundo gerido pelo governo, mas não ficou esclarecida com nada mais. E percebeu que, com as nozes da Caritas e da União das Misericórdias, começava a não ser fácil chegar às vozes que todos tínhamos ouvido nas televisões, e em particular naquele espectáculo de solidariedade, transmitido em conjunto pelos três operadores de televisão.

No fim, a opinião pública ficou – ou deveria ter ficado - sem grandes dúvidas que tem de caber ao Estado a responsabilidade por toda a logística de fazer chegar a uns portugueses aquilo que outros portugueses doam. Cêntimo por cêntimo, sem nada ficar pelo caminho em bolsos indevidos. Sem que um cêntimo seja desviado para os custos da operação, pela simples razão que, o que o Estado arrecada em impostos na solidariedade dos cidadãos, é mais que suficiente para financiar toda a operação.

No fim, a opinião pública ficou – ou deveria ter ficado – com a certeza certa que não é legítimo haver quem faça negócio com a solidariedade com que uns ajudam suavizar a desgraça de outros.

No fim, ficou mais um tiro no pé desta gente que vê sempre Estado a mais em tudo o que não seja o Estado que olhe apenas pelo seu estado.

No fim, ficou a faltar que os chicos espertos da politiquice corassem de vergonha. Mas era necessário que soubessem o que é isso. E sabemos que não sabem!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Suicídios... políticos

Imagem relacionada

 

Sabia-se que Passos Coelho não conseguiria resistir - a desorientação é grande e tudo o resto bem pequeno. Depois da saga Sebastião Pereira, e de uma tal Sofia Vala Rocha ter aproveitado a tragédia para anunciar que o diabo chegou mesmo, Passos não podia esperar mais. E tratou de arranjar suicídios: “Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, de pessoas que puseram termo à vida, pessoas que, em desespero, se suicidaram, e que não receberam, a tempo, o apoio psicológico que devia ter existido".

Não tinha. Um correlegionário, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Pedrogão Grande e candidato do partido à presidência da Câmara Municipal local, na imagem, com desmedida vontade de apresentar serviço, tinha-lhe dado conhecimento de um suicídio. Não confirmou, e logo transformou em plural. Não o plural majestático, mas o plural patético.

Foi desmentido. Por todos os agentes e pela própria realidade. Em vez de recuar, deu mais um passo: não tinha morrido ninguém, mas havia muito gente internada em hospitais por tentativas de suicídio. Voltou a ser desmentido. E só não foi envergonhado porque já não tem vergonha. Mas devia ter...  

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