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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"À condição" na condição natural

 

O Benfica entrou bem, como é costume. Pressão alta, muitas vezes em autêntica asfixia, e a habitual qualidade dos seus movimentos, com a ala esquerda a deixar a cabeça em água à defesa portimonense. 

O golo de Cervi surgiu logo aos 6 minutos, e já então era esperado. O Portimonense não conseguia ligar uma jogada, nem sequer conseguia ter bola, logo que a recuperava voltava a perdê-la. Foi assim durante 40 minutos, mas que apenas renderam ao Benfica mais duas oportunidades claras. Mas nem tudo era perfeito, havia algumas entropias. Até porque Rafa, depois daquele brilhante movimento no primeiro golo, voltou a não fugir muito ao seu registo habitual. E porque a equipa algarvia, justamente elogiada pela  qualidade do seu futebol, perante a incapacidade de responder ao mesmo nível, começou a tentar empurrar o jogo para uma dimensão iminentemente física. Aos poucos foi o conseguindo, introduzindo cada vez mais dureza no jogo. Começou assim a quebrar o domínio avassalador do Benfica para, nos últimos minutos, conseguir então começar a jogar à bola. Como bem sabe, e anunciando uma segunda parte diferente.

E viria a ser substancialmente diferente. Logo de entrada se percebeu que o Portimonense vinha disposto a dar continuidade àqueles dois ou três minutos finais da primeira parte. No entanto, e por estranho que possa parecer, o Benfica teve então muito mais oportunidades de golo. Logo desde o início.

Quando, ao fatídico minuto 65 - lesão (que pode ser grave) de Jonas - o Portimonense chegou ao empate já o Benfica tinha desperdiçado três flagrantes oportunidades de golo, a última na jogada imediatamente anterior, num remate de Pizzi desviado por um defesa contrário, sem que o árbitro assinalasse o respectivo canto. E já o VAR tinha negado um penalti ao Benfica.

O golo do empate não fez tremer o Benfica. Num jogo mais repartido, é certo, a equipa voltou a ser melhor e criar mais três oportunidades de golo, ainda antes de Cervi bisar, numa soberba execução na cobrança de um livre. Para fechar o jogo com chave de ouro, Zivkovic fez o terceiro, já na última jogada da partida. Estamos habituados a que Jonas marque e seja o melhor em campo. Desta vez, até pela sua lesão, os melhores foram, primeiro, Cervi (um grande jogador em grande forma), e, depois, Zivkovic. Na justa medida dos golos que lhes prestam justiça.

E pronto. Se dermos agora uma espreitadela à tabela classifcativa, achamos que as coisas parecem agora normalizadas. É "à condição". Mas é uma condição natural!

Não tem explicação!

 

Depois da Europa, depois da Taça, chegou a vez da Taça da Liga. Uma a uma, o Benfica abandona todas as competições. Jogo a jogo, o Benfica teima em negar qualquer tipo de recuperação. Insiste em não desistir da crise, e persiste agarrado à imagem de um interruptor. 

Não tem explicação!

Depois do empate em casa com o Braga, na primeira jornada há já não sei quantos meses, hoje, na segunda jornada, com o Portimonense, em casa, na Luz, o Benfica tinha que dar sequência à excelente exibição de Tondela, no domingo passado, tinha que ganhar e tinha que ganhar por muitos, para se ir protegendo da concorrência do Braga.

Pensou-se que assim iria acontecer. Aos 40 segundos já o Benfica concluía em golo - de Jonas, evidentemente - uma espectacular jogada de futebol. O adversário apresentava-se sem oito dos seus titulares. Pelo menos sem oito do onze inicial que apresentara em Alvalade, também no domingo. E o Benfica, ao contrário, mantinha oito dos onze de domingo passado.

Com tudo para correr bem, aconteceu o que sempre tem acontecido. A equipa desligou e foi-se afundando. Desta vez, e ao contrário do que vem sendo hábito, os deuses não foram impiedosos com os jogadores do Benfica, e deram-lhes uma segunda oportunidade. À meia hora de jogo, quando o Portimonense era já dono e senhor do jogo, Lizandro fez o segundo golo, na sequência de um canto.

Os jogadores do Benfica não ligaram muito a essa segunda oportunidade. Não perceberam que aquilo era uma dádiva divina a agarrar com ambas as mãos. E o jogo foi para intervalo com o Portimonense com mais cantos, mais remates e com a mesma posse de bola do Benfica.

Logo no arranque da segunda parte, o Benfica teve o que merecia. Mais um livre lateral e ... golo. Rui Vitória mexeu na equipa, e mexeu mal. Já tinha estado mal nas três caras novas que introduzira de ínício - Svilar, Samaris e Zivkovic, por sinal os piores de todos - e foi por aí que teve que começar, retirando o destrambelhado grego e o jovém sérvio, acabado na jogada inicial, substituídos pelos miúdos Keaton e Diogo Gonçalves. Que só não foram piores ainda porque ... era impossível. Pior ainda era, e foi possível, com a última, com a entrada de Sferovic (quando já não se acredita em nada, acredita-se em millagres) para o lugar de Pizzi.

E como os deuses, ao contrário dos jogadores do Benfica, não dormem, quando faltavam 6 minutos para o final, um canto palerma deu no golo do empate. E no adeus à Taça da Liga, aquela que dantes era ... certinha. Favas contadas, noutros tempos.

O que está a acontecer ao Benfica resolvia-se mandando embora dez ou onze jogadores. Como se sabe, no futebol nunca acontece assim. Como não é possível mandar embora tantos jogadores, e alguém tem que sair...

 

Finalmente uma reviravolta

 

Foi um Benfica complicativo, que começou por prometer, com jogadas bem desenhadas como forma de penetrar na defesa bem fechada do Portimonense.

O problema foi que começaram a tornar-se cada vez mais raras, e o Benfica passou a encontrar cada vez mais dificuldades em entrar no meio das duas linhas defensivas, muito juntas, que o Portimonense foi reforçando à medida que, ia apostando em descidas rápidas, sempre através de um miúdo japonês que parece ter muito futebol.

A primeira parte não foi muito mais que isto. E isto foi pouco para ganhar o jogo.

A segunda foi muito mais que isso. Mas não foi melhor, mesmo que Rui Vitória tenha tentado outras opções. Desde logo com a troca de Cervi, claramente longe do seu melhor, por Salvio. Que deu bem mais ao jogo!

O Benfica continuou a falhar passes, muitos deles comprometedores, e o jogo não fluía. Até que o Portimonense fez o golo, apenas 10 minutos depois do reatamento.

Se as coisas estavam difíceis, mais ficaram. Sabe-se que as reviravoltas andam há muito afastadas da história dos jogos do Benfica. Valeu que o empate demorou menos de 5 minutos, num penalti que deu também em expulsão para o autor da falta.

Rui Vitória voltou a ver bem, com as entradas de Filipe Augusto - com a saída de Lizandro e recuo de Samaris, que a partir daí pareceu que andava à procura do autogolo – e de Raul, com a saída de Eliseu. Viu bem, mas as coisas não saíram bem. A ideia era boa, mas na prática não funcionou.

A reviravolta no resultado, essa coisa de que os benfiquistas estavam desabituados, surgiu a 10 minutos dos 90, num golão de André Almeida. Pensou-se que, com esse golo, e com o adversário com menos um e previsivelmente a adiantar-se no terreno, a tranquilidade voltaria à equipa e mais golos viriam.

Nada disso. Esses últimos 10 minutos foram tenebrosos, com a Luz de coração nas mãos. E o Portimonense fez aquilo que já se esperava: o golo do empate, aos 88 minutos.

Valeu que o jogador do Portimonense estava em fora de jogo. Que, se o árbitro assistente não viu, o vídeo-árbitro teria de ver. Mas também já no primeiro golo não tinha visto que fora precedido de falta sobre um jogador do Benfica.

Mas desta vez viu. E a Luz suspirou de alívio.

Mais que as muitas incidências de um jogo muito complicado, e pouco auspicioso para o que aí vem, fica a certeza que o futebol do Benfica exige aos jogadores o pleno da inspiração. Com um ou dois jogadores desinspirados, e mais um ou outro a quem as coisas não corram pelo melhor, está a tornar-se fácil aos adversários encontrarem o antídoto.

 

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