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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Coisas do diabo

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A vitória de Rui Rio começou de imediato a produzir efeitos. Ou, talvez melhor, declarações.

Primeiro foi Manuela Ferreira Leite, a quem muita esquerda começara a afeiçoar-se, a dizer que o "PSD deve vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua". Nem sei o que mais impressiona - se o balde de água gelada que despejou em cima dos seus mais recentes camaradas, se a dificuldade de o PSD se libertar do diabo. Se, chamado por Passos, não veio, pode ser que venha agora para lhe ficar com a alma. Comprando, é claro...      

Depois, logo a seguir, veio Assunção Cristas  dizer que “mais importante do que saber quem fica em primeiro lugar nas eleições, o que é importante é saber que partidos é que é que conseguem ter uma maioria parlamentar de, no mínimo, 116 deputados”. Aqui sei bem o que mais impressiona. Mais que o reconhecimento da legitimidade do actual governo, e o abandono de Passos, deixando-o sozinho na tese da usurpação do poder, mais que mais um negócio de alma com o diabo, impressiona que esta declaraçao não tenha impressionado a generalidade da comunicação social.

Mais que desviarem-se desta declaração como quem se desvia de qualquer coisa sem importância, abandonada na beira da estrada, fugiram dela como o diabo foge da cruz!

 

 

 

O aparelho

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De repente -  já lá vão uns meses, é certo, mas foi de repente, logo que se começaram a perfilar para disputar a sucessão -, Santana Lopes e Rui Rio passaram de ferozes críticos a fervorosos apoiantes de Passos Coelho.

Quem os ouve agora nem percebe por que se estão a candidatar para o substituir. Se, como dizem, Passos Coelho fez tudo tão bem, por que é que não continua?

No entanto, como ainda ontem, no debate na TVI, fizeram ambos gala de nos voltar a lembrar, com citações e recortes de jornais, que qualquer deles andou a desancar em Passos Coelho durante todo o consulado da sua liderança. Não lhe pouparam nenhuma!

É curioso que Santana Lopes - que, como se sabe, é tipo de grande à vontade e de pequena vergonha, coisa a que vulgarmente chamamos lata -, quando o seu adversário concluiu (das poucas vezes em que o deixou concluir o que quer que fosse) um rol de recortes de jornais com provas das acusações que fizera ao ainda líder do partido, lhe tenha perguntado quando é que isso ocorrera. E que tenha ficado sem resposta, metendo a viola no saco, quando Rui Rio, voltando aos recortes, enunciou 2009, 2010, 2011, 2013, 2015...  

Não sabemos, se calhar nunca saberemos se, quando durante todos estes anos criticaram tão asperamente Passos Coelho, como agora fazem questão de lembrar um ao outro, qualquer deles, ou ambos, estavam em frontal oposição às suas opções políticas ou simplesmente a colocar-se no sítio que consideravam certo para lhe disputar o lugar. O que sabemos é que as coisas lhes saíram furadas. Passos auto-destruiu-se, mas o seu poder no partido, que tanto trabalho lhe dera a construir, manteve-se intacto. É ele que continua a dominar o aparelho de um partido que cada vez mais se parece com os clubes de futebol, até nas lógicas de poder.

É por isso que Santana Lopes e Rui Rio, nas tintas para a honestidade intelectual, estão hoje tão de acordo na exaltação de Passos Coelho. E é também por isso que, ganhe qual deles ganhar, será sempre um líder de curto prazo. Que fará as malas lá para finais de Outubro do próximo ano. 

Em tão pouco dizer tanto

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Sabe-se que Rui Rio é tido por reserva moral do PSD. Ele próprio tudo tem feio para alimentar de si mesmo uma ideia sebastiânica que faça dele o desejado, sempre à espera da vaga de fundo. 

Como não lhe conheço uma ideia para o país, nada que verdeiramente dê substância a esse estatuto de salvador da pátria que lhe pretendem atribuir - apenas lhe conheço a ideia que faz de si próprio: um poço de virtudes desconhecidas que paira acima de todos os defeitos da classe política - tenho alguma dificuldade em afastar da sua testa o invisível rótulo de populista. 

Desde que há semanas se deixou de tretas e disse finalmente que estava ali para assumir a liderança do partido - assumir é completamente diferente de conquistar, os sebastiânicos não conquistam nada, aceitam, no limite, no fim de tudo, esgotadas todas as alternativas, e com grande espírito de missão o seu próprio destino - era preciso que dissesse alguma coisa. Alguma ideia, por mais elementar que fosse.

Pois acabou de acontecer esse momento histórico em que o desejado apresenta a sua primeira ideia para o país. E a sua primeira ideia é, imaginem, criar um novo imposto. Exactamente, nem mais, nem menos: um novo imposto!

Ficamos esclarecidos. Tão esclarecidos que nem valia a pena ouvir mais nada...E não valia, de facto. Porque, se ouvi-lo dizer que esse novo imposto não aumentaria os impostos, é ouvir o que há dezenas de anos ouvimos, ouvir a explicação que deu é absolutamente assustador. Dizer que o novo imposto teria correspondência na descida dos impostos sobre o rendimento e no IVA, que se destinaria exclusivamente a pagar os juros da dívida (reforço: os juros, apenas os juros da dívida, e não a dívida, como titulam os jornais), é dizer que corta na educação, na saúde e nas funções sociais do Estado. Sem diferença nenhuma do que tem sido feito. Mas dizer que seria bem recebido pelos portugueses, porque prefeririam pagar dívida - em clara manipulação seriam levados a pensar que estariam a pagar dívida, uma impossibilidade, mas estariam apenas a pagar juros da dívida  - a pagar a educação, a saúde e as outras funções do Estado Social, é todo um vasto e completo manifesto político.

Tardou a lançar uma ideia, mas quando a lançou, e mesmo parecendo falar pouco, Rui Rio disse tudo. Disse que vai fazer o que todos antes de si fizeram: lançar impostos. Disse que sobre os juros e a dívida não há nada a discutir, apenas tudo a pagar. Disse o que pensa das funções do Estado. Disse o que pensa do financiamento da saúde e da educação. E disse o que pensa dos portugueses... 

Disse tanto, e em tudo o que disse, nada o distingue de Passos Coelho. E se nada o distingue, alternativa não é certamente!

 

 

 

Adiantado estado de isolamento

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Depois de há poucas semanas ter garantido a renovação da liderança do partido por números norte-coreanos, Pedro Passos Coelho chega às vésperas do Congresso em adiantado estado de isolamento, cada vez mais entregue a si próprio. Aquele aplauso espontâneo e demorado do restrito núcleo dos apoiantes/dependentes feito deputados, ontem, no Parlamento, é prova disso mesmo. De decadência, de que o fim da linha está próximo, a lembrar Marcelo Caetano em Alvalade, a poucos dias do 25 de Abril, faz hoje precisamente 42 anos.

Não é apenas Paulo Rangel, que pode não ter princípios, mas não é estúpido, a perceber isso. Nem Rui Rio, que também não. Nem estúpido, nem modesto: "Se eu lá fosse, ainda me arriscava a ser um elemento central do congresso ...eu não quero perturbar"!

 

 

Há passos e Passos...

Por Eduardo Louro

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Entre passos atrás e passos á frente, e às vezes passos para o lado, com a sempre adiada vaga de fundo cada vez mais virada para vistas do Guincho,  Rui Rio lá vai construindo a história da sua candidatura a Belém. Sem dúvida, uma história de passos...

Que a Passos dava jeito, e que por isso sempre alimentou... Mas que a Rio só dava jeito em função do destino de Passos. Deu passos atrás e à frente, deu passos para entrar e para logo sair, para estar sem estar e sair sem sair ... de cena. Finalmente a revelação: será candidato se a coligação ganhar! E já está tudo combinado com Passos...

Que surpresa! 

A Passos interessa ter tudo combinado com Rio, mesmo que, se perder, isso lhe valha de pouco. Rio está interessado em dar passos em direcção á cadeira de Passos. Se ele de lá não for obrigado a levantar o rabinho, não há nada a fazer... Sem nada a fazer, e para nada fazer, não há melhor que Belém. E sempre pode ser que os passos do Passos o ajudem no passo maior que a perna que terá que dar para defrontar o Marcelo.

Bom mesmo era que a coligação perdesse, não era Rui? Eu também acho... É que há passos e Passos, e uns são mais seguros que outros. Não precisave era de chamar para aqui os interesses do país, que não têm nada ver com os passos que quer dar!

Coisas estranhas (II)

Por Eduardo Louro

 

Confesso que não sei o que acho mais estranho: se a ostensiva vontade comum de António Costa e Rui Rio exibirem as suas convergências; se a própria convergência de ambos na oportunidade e na importância de ressuscitar agora a regionalização?

Não faço ideia do que passará pela cabeça de ambos. Poderei até perceber que Costa pretenda continuar a fazer de morto - mesmo que para isso tenha de me esquecer que foi por aí que morreu António José Seguro - adiando, se calhar para sempre, qualquer posição sobre os verdadeiros e gravíssimos problemas do país. Não aceito, mas não me surpreende... E que por isso, em vez de falar do tempo ou do Benfica, venha falar de regionalização ... E, tratando-se de uma deixa de Rui Rio...

Poderei até perceber que, nesta altura, para Rui Rio não haja até melhor tema que a regionalização. É também a maneira de não dizer nada sem estar calado, e muita da sua gente gosta do tema...

Mas o que eu gostaria mesmo de entender é por que é que eles fazem isto assim ... 

Ponto de viragem

Por Eduardo Louro

 

 

O país vibrou com as primárias do PS, disso não me parece que fiquem dúvidas. Muita gente correu a inscrever-se para votar e muita gente seguiu a par e passo a campanha, como o provam as próprias audiências dos debates televisivos.

Não sou dos que pensam que isto represente um sobressalto cívico, que o país tenha de repente saltado da cadeira – ou do sofá – e acordado para o activismo perdido. Que de repente o país se reconciliou consigo próprio, e quer intervir activamente no seu destino. Nada disso, os números ainda não dão para isso. E os partidos ainda são muito como o clube de futebol…

Mas também não acho que se possa ficar pela mera escolha de um novo líder partidário, que foi verdadeiramente a escolha de um candidato a primeiro-ministro, exista ou não essa figura.

Não sei se esta ideia das primárias veio assim tanto para ficar quanto nos vão dizendo muitos dos analistas políticos. Enquanto primárias, não me parece. Mas enquanto forma de legitimação democrática e agente da transparência e da revitalização que é necessário levar aos partidos políticos e, por essa forma, ao regime, não tenho qualquer dúvida que é muito importante que seja uma ideia para ficar. Quero com isto simplesmente dizer que não me parece que se institucionalize como ideia de primárias propriamente ditas, mas que não poderá deixar de ser a forma dos partidos escolherem as suas lideranças.

Para além do que deste processo fique para o futuro do regime, também este resultado expressivo de dois terços que António Costa alcançou, se torna no mais relevante e decisivo facto político desta parte final da legislatura.

É que ninguém no PSD pensará neste momento que Passos Coelho, com o que foi e é o governo e ainda com todos os problemas que o envolvem, e que, tantas as contradições e trapalhadas, estão longe de estar ultrapassados, tenha qualquer hipótese de ganhar as próximas eleições a António Costa. Que, há não muito tempo, sagaz, anunciou ser Rui Rio o seu adversário

Mas Rui Rio não é apenas o adversário que o PSD tem para António Costa. É também, e acima de tudo, o líder que o PSD tem para se coligar com Costa. Quer isto dizer que o PSD percebe neste momento que só com Rui Rio garante a manutenção do poder. Contra António Costa ou com António Costa!

Creio que Passos Coelho percebe isto. E percebe que, se como António José Seguro insistir em resistir ao óbvio, poderá abrir a caixa de Pandora que afastará por muitos anos o PSD do poder. Posso estar enganado, mas não vejo como Passos possa estar a fazer outra coisa que não seja escolher a melhor forma de sair pelo seu pé… 

Mais que o primeiro dos últimos dias do governo, este é um ponto de viragem!

 

 

 

Procura activa de emprego

Por Eduardo Louro

 

Quando, há dias, foi apresentada a plataforma “Uma agenda para Portugal”, dada na altura como a passadeira vermelha estendida a Rui Rio, o ex-presidente da Câmara da Invicta correu a demarcar-se da iniciativa, dizendo-se fora da política, que a única coisa que agora procurava era trabalho. Que não era de famílias e que precisava de se fazer à vida...

A verdade é que, desde aí, não há dia - diria mais, hora que seja - em que se não ouça falar dele: Rui Rio recusa convite de Passos Coelho para o Banco de Fomento; Rui Rio em conferência à porta fechada, iniciativa da plataforma “Uma agenda para Portugal”; Rui Rio quer consensos políticos para "acabar com isto" da dependência do Tribunal Constitucional; Rui Rio propõe que a abstenção eleja cadeiras vazias na Assembleia da República; Rui Rio diz que "temos visto demasiada política na justiça e demasiada justiça na política"; Rui Rio diz que o país corre o risco de caminhar para uma "ditadura sem rosto" ...

Fora da política, aí está ele a fazer-se à vida: um exemplo na procura activa de emprego!

Dia internacional contra a corrupção

Por Eduardo Louro

 

O novo banco público, dito de fomento, estará de pé no primeiro semestre do próximo ano.

Já há um banco público – a Caixa Geral de Depósitos – que tem tudo para fazer o que deste se pretende, ao que se diz gerir a distribuição dos fundos europeus do novo quadro comunitário que aí vem. Tem mesmo tudo, e seguramente em tudo tem vantagens comparativas com qualquer novo operador. Acresce que também a banca privada pode fazer o mesmo, como de resto o tem feito nos anteriores quadros comunitários.

Se já isto nos pode levar a torcer o nariz ao novo banco do Estado, mais estranho é ainda que esta seja uma iniciativa de um governo que tudo quer tirar do Estado. Que privatiza tudo o que mexe, que acabou de vender os Correios, que são públicos em praticamente todo o mundo, e que pretende mesmo transferir para o sector privado grande parte dos serviços de natureza eminentemente pública, nalguns casos, como os da saúde e da educação, em situações de verdadeira parasitagem.

À partida, o mínimo que se poderia dizer desta ideia que nasceu nestas cabecinhas do governo, a que muito rapidamente deu forma, é que não joga a bota com a perdigota. Não faz sentido!

A menos que pensemos um bocadinho no que pode representar este novo banco. Que comecemos a perceber que vai poder intervir na economia como nenhum outro, porque é muito, mas mesmo muito, o dinheiro que vai ter à disposição, mas porque vai até poder entrar no capital das empresas e na gestão dos próprios projectos. E que percebamos finalmente o imenso pantanal de promiscuidade entre o público e o privado que este banco poderá potenciar…

É isso. Aí está. Para já garante mais uns postos dourados para umas dezenas de boys, cujo pontapé de saída foi dado com a palhaçada – perdoem-me a expressão – do convite a Rui Rio que, como não poderia deixar de ser, recusou. Um convite que diz tudo sobre a falta de escrúpulos que, também a este propósito, passa pela cabeça deste governo.

Não é porque o banco vai ter sede no Porto que Passos Coelho convidou Rui Rio, embora possa ter sido por isso que convidou Paulo Azevedo (portuense deslocado em Lisboa, ex-BCP) o indigitado presidente cujo perfil nada, mas mesmo nada, tem a ver com o de Rui Rio. Não terá certamente sido por isso que o lugar de Franquelim Alves (quem quiser avivar a memória pode fazê-lo aqui e aqui) foi o primeiro a ser reservado, com o seu nome a ser imposto ao presidente, mesmo que esse se chamasse Rui Rio...

Comemora-se hoje o dia internacional contra a corrupção. Não sei porque é que me lembrei disto! 

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