Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Ilegitimidades*

 

Resultado de imagem para fundos da solidariedade pedrogão

 

A gestão dos donativos dos portugueses para as vítimas dos incêndios do Pedrógão Grande dominou o espaço mediático da semana.

Foi trazido para a actualidade com o óbvio e mal disfarçado objectivo de dele tirar dividendos políticos. Não é novidade, por evidente limitação de capacidade política, agravada por gritante falta de imaginação, são recorrentes as tentativas de aproveitamento político da tragédia.

Desta vez o fito era lançar na opinião pública a ideia que o Estado – o governo – simplesmente dera sumiço aos largos milhões de euros brotados da generosidade dos portugueses, na extraordinária onda de solidariedade que a sociedade civil prontamente montou para responder às necessidades das vítimas da tragédia.

E correu mal. É normalmente assim, e apetece dizer que ainda bem que é assim. O chico-espertismo politiqueiro, como a mentira, tem perna curta. O governo explicou rápida e claramente a situação do fundo que tinha sob a sua gestão, e logo deixou à vista de quem quer ver – há sempre quem não quer ver – que por ali a coisa era transparente.

Não foi essa, no entanto, a sensação que, chamadas naturalmente a terreiro, nos deixaram as instituições privadas que ficaram com a guarda da esmagadora maioria dos valores arrecadados. O que começamos logo por ouvir, quer da parte da Caritas quer da União das Misericórdias, foi que as nozes seriam menos que as vozes. Que não senhor, não tinham nada ficado com a maior fatia.

No fim, a opinião pública ficou esclarecida acerca dos 1,9 milhões de euros do fundo gerido pelo governo, mas não ficou esclarecida com nada mais. E percebeu que, com as nozes da Caritas e da União das Misericórdias, começava a não ser fácil chegar às vozes que todos tínhamos ouvido nas televisões, e em particular naquele espectáculo de solidariedade, transmitido em conjunto pelos três operadores de televisão.

No fim, a opinião pública ficou – ou deveria ter ficado - sem grandes dúvidas que tem de caber ao Estado a responsabilidade por toda a logística de fazer chegar a uns portugueses aquilo que outros portugueses doam. Cêntimo por cêntimo, sem nada ficar pelo caminho em bolsos indevidos. Sem que um cêntimo seja desviado para os custos da operação, pela simples razão que, o que o Estado arrecada em impostos na solidariedade dos cidadãos, é mais que suficiente para financiar toda a operação.

No fim, a opinião pública ficou – ou deveria ter ficado – com a certeza certa que não é legítimo haver quem faça negócio com a solidariedade com que uns ajudam suavizar a desgraça de outros.

No fim, ficou mais um tiro no pé desta gente que vê sempre Estado a mais em tudo o que não seja o Estado que olhe apenas pelo seu estado.

No fim, ficou a faltar que os chicos espertos da politiquice corassem de vergonha. Mas era necessário que soubessem o que é isso. E sabemos que não sabem!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Tema do dia

Imagem relacionada

 

Na ordem do dia esteve a gestão e a distribuição dos fundos angariados pela solidariedade nacional destinados à ajuda às vítimas dos incêndios.

Há razões de preocupação com o tema. É monstruoso que a generosidade e a solidariedade dos portugueses acabe por não chegar ao seu destino, quando tanta falta fazem. E é inaceitável que tão volumosos fundos, que os portugueses tão prontamente mobilizaram, tão propagandeados no acto de recolha, desapareçam depois do seu escrutínio.

Não foi disto no entanto que se tratou quando o assunto foi hoje trazido para a ordem dia. O que a direita, e a equipa de Passos em particular, quiseram projectar foi outra coisa. Foi simplesmente continuar a cavalgar a onda do Pedrogão, foi prosseguir a lamentável exploração da desgraça, iniciada, como se sabe, com os suicídios que não aconteceram, e prosseguida com a lista dos mortos.

É fácil de perceber que assim é.

Os fundos angariados com a extraordinária mobilização da sociedade civil foram objecto de recolha e administração por parte de diferentes entidades. Foram, tanto quanto se sabe, entregues à União das Mesericórdias e à Caritas, instituições, como também se sabe, especialmente admiradas e apreciadas pela direita. São instituições charneira da sua visão da política social, cuja margem de intervenção se preocupam sempre em alargar como solução para todos os problemas.

O governo criou também um fundo para gerir os recursos doados pelos portugueses. Chamou-lhe Revita e conta com um saldo de 1,9 milhões de euros. O que a direita fez foi pegar neste número para, na opinião pública, fazer dele o resultado público daquela gigantesca onda solidária. O que pretendeu foi confrontar este número, estes 1,9 milhões de euros, com os números percepcionados pelos portugueses, especialmente através das televisões. 

Foi isto que esta direita pretendeu, continuando nada incomodada em chocar violentamente contra os princípios que seria suposto defender. 

Solidariedade mediatizada

Resultado de imagem para solidariedade humana

 

Depois dos quinze minutos de fama no Verão, na A1, a distribuir água pelos automobilistas bloqueados pelo inicêndio, um casal de Avanca volta a tomar conta do espaço mediático. 

Por solidariedade, em ambas as circunstâncias: da primeira vez como agente activo; agora como agente passivo, como destinatário. Da primeira vez, compraram mil litros de água, saltaram rails e mataram a sede a gente desesperada dentro de um automóvel parado numa auto-estrada. Poucos meses depois, a braços com a doença e com o desemprego, pedem ajuda. E estão a tê-la, ao que parece. E merecem-na, se é como contam!

Pelo meio, sempre a mediatização. E no meio de tudo a televisão, que usa e abusa das pessoas. Acho eu...

 

Desigualdades e solidariedade

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 

O estudo da organização não-governamental Oxfam, divulgado no passado dia 9, em Madrid, intitulado “Europa para a maioria, não para as elites”, vem revelar que a Europa está a registar níveis “inaceitáveis” de desigualdade em 2015, com um quarto da população da União Europeia (UE) a viver em risco de pobreza e de exclusão social. De 2009 a 2013 houve um aumento de 7,5 milhões de pessoas na UE em situação de pobreza extrema. Nesse mesmo período, o número de bilionários aumentou de 145 para 222, e continuou a crescer até hoje, para os 342. Já em Janeiro de 2014, a Oxfam divulgava um relatório que mostrava que o património das 85 pessoas mais ricas do mundo equivale às posses de metade da população mundial. Curiosamente, na mesma altura, a Universidade Católica Portuguesa e o Instituto Luso-Ilírico para o Desenvolvimento Humano, apresentaram um estudo que revela que os portugueses com mais habilitações e mais rendimentos são os que dão menos importância à solidariedade, à justiça e aos valores democráticos, comportamento que atinge 46.7% entre os que ganham mais de 4 mil euros por mês.

Na génese do agravamento das desigualdades está a perda de postos de trabalho, corte de salários e serviços públicos em vários países, como Portugal. O aumento de pobres e também dos bilionários é o resultado que o estudo da Oxfam classifica de “injustiça inaceitável”. O estudo denunciou ainda a “excessiva influência” que exercem os grandes grupos económicos e de interesse no seio da UE. Em 2014, 82% dos participantes dos grupos de peritos em matéria fiscal da Comissão Europeia representavam interesses privados ou comerciais.

Alberto Castro, num artigo de opinião no JN, em 07.10.2014, aborda a desigualdade na distribuição da riqueza, com base nas análises do economista francês Thomas Piketty, no seu livro “ O capital no século XXI”, onde este constata que o movimento de concentração da riqueza tende a acentuar-se, face ao actual quadro de globalização, sistemas de financiamento e poder nas empresas. A questão da (des)igualdade é polémica e muitos consideram que tudo se centra no objectivo mítico da igualdade de oportunidades. “Mas a desigualdade é, no essencial, uma questão moral e política, e que a partir de um patamar, se torna igualmente uma questão económica, o que é reconhecido por instituições insuspeitas de serem de esquerda como, por exemplo, pelo FMI ”. Justificam-se, assim, as políticas de apoio aos mais carenciados ao nível do emprego, da educação, mas também do seu rendimento, nomeadamente através do aumento do salário mínimo.

À escala global, recordo Franco Cazzola (in “O Que Resta da Esquerda”, 2011), sobre a falência dos partidos de esquerda, perante a falta de intervenção mais determinante no combate às desigualdades sociais, citando como exemplo o desequilibro remuneratório nas empresas: “Há 30 anos o gestor americano mais bem pago ganhava 90 vezes o salário do funcionário médio. Hoje ganha 400 a 600 vezes mais”.

Por cá, a coligação no governo tem dado uma ajuda ao agravamento das desigualdades com as políticas de austeridade, por vezes, além da troika. Ao nível da política externa, a recente abolição do poder judicial pelo presidente Obiang na Guiné Equatorial, país acabado de entrar na CPLP, com a condescendência dos nossos representantes, Passos Coelho e Cavaco Silva, é, também, de alguma forma, exemplo da fraqueza do nosso governo em matéria de combate às tiranias económicas e às desumanidades de alguns estados.

No actual quadro das migrações, a solidariedade à integração dos refugiados de zonas de guerra, é um imperativo, mas um esforço que o nosso governo timidamente se prestou a dar, mas que agora amplia, porque a sensatez e os exemplos de Angela Merkel e do Papa terão condicionado o desnorte de Bruxelas, que finalmente começa agora a concertar uma intervenção de apoio aos refugiados.

No combate às desigualdades e á exclusão social, a solidariedade dos contribuintes é possível, como diz a experiência, desde que estes percebam como, e em que são gastos os seus impostos, sendo dispensáveis os argumentos malabaristas, como os utilizados por Passos Coelho no passado debate com António Costa, a propósito do descalabro do BES e o consequente esforço financeiro a exigir dos contribuintes. Como alguém diz: “Na política pública, a transparência é essencial”

 

A solidariedade compensa. Sempre!

Por Eduardo Louro

 

Não sei se, por esta altura, há benfiquistas muito felizes. Não serei um deles, mas tenho de confessar que compenso muita da tristeza, e até da angústia que me invade, com a enorme onda de solidariedade que, mais que simplesmente notar-se, se sente na equipa.

Aquilo a que assistimos, e pudemos voltar hoje a ver na Suíça, no jogo com o Athletic de Bilbau, é a extraordinária solidariedade de todos jogadores com um colega que invariavelmente os visita em cada Verão, com quem partilham todos os anos os meses de Julho e Agosto. Não querem mais bulling, como aqui lhe chamei, sobre o pobre do Jara e, num gesto de solidariedade nunca visto, decidiram ser onze Jaras em campo!

Claro que, se como já lá diz o Jorge Jesus só trabalho não basta, é também preciso qualidade, também para tamanha campanha de solidariedade só os jogadores não bastam, é também precisa a administração. E é também preciso o próprio treinador!

E a grande verdade é que não fugiram, não viraram a cara à missão… Foram também de uma solidariedade fantástica e trataram de arranjar mais e mais jogadores, cada um pior que o outro e todos ainda piores que o próprio Jara…   

Digam lá se não é bonito?

Confesso-me tocado, bem lá no fundo do meu coração benfiquista. Com este tão bonito e tocante acto de solidariedade, e com os apelos que os comentadores da BTV - sim, encurtou o nome, já não é Benfica, é apenas B - lançam ao meu melhor espírito de compreensão, e com as explicações que encontram para tudo isto, já me sinto outro. Qual angústia, qual carapuça...

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

JORNAIS

AFINIDADES

BENFICA

OUTROS QUE NÃO SE CALAM

FUTEBOLÊS

TROIKAS

FUNCIONALIDADES

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics