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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Estas televisões dão para tudo!

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Já não nos bastava que as televisões pagassem a uma catrefada de tipos para tratarem da vidinha. Uns a destilar veneno da bola, outros a lamber as feridas, outros a limparem as nódoas, ou outros a fazerem-se a Belém. Faltava ainda pagar a alguém para apresentar a sua própria candidatura à liderança do partido, com uma hora para arranque de campanha. Com partnaire e tudo!

Já não falta. Estas televisões dão para tudo. E não querem que lhes falte nada!

O país de luto. E o outro...

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Nem o estado de luto nacional, oficialmente decretado pelo governo que, como se sabe, se destina a fazer destes dias tempo de prioridade aos mortos, de reflexão e respeito pelas vidas perdidas em circunstâncias tão dramáticas, conseguiu instalar no país das televisões a reserva, a serenidade e o respeito próprios da morte.

Há sempre alguém a pôr-se á frente, com pressa em dizer qualquer coisa, quanto mais irrelevante melhor. Sempre assim foi, agora é ainda mais assim. Com as redes sociais, onde é fácil escrever a primeira coisa que vem à cabeça. E com jornalistas que trocam a relevância da informação e o interesse público pelo interesse particular de quem lhe paga, sempre para além de todos os limites da decência.

O país que, de luto, está a dar esta fantástica resposta solidária não merece que, ao lado, esteja o outro que nem os mortos sabe respeitar.

 

PS: Ontem, quando aqui escrevi, ainda não havia fotografia do abraço. Que, estranhamente, também incomodou muita gente..

Solidariedade mediatizada

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Depois dos quinze minutos de fama no Verão, na A1, a distribuir água pelos automobilistas bloqueados pelo inicêndio, um casal de Avanca volta a tomar conta do espaço mediático. 

Por solidariedade, em ambas as circunstâncias: da primeira vez como agente activo; agora como agente passivo, como destinatário. Da primeira vez, compraram mil litros de água, saltaram rails e mataram a sede a gente desesperada dentro de um automóvel parado numa auto-estrada. Poucos meses depois, a braços com a doença e com o desemprego, pedem ajuda. E estão a tê-la, ao que parece. E merecem-na, se é como contam!

Pelo meio, sempre a mediatização. E no meio de tudo a televisão, que usa e abusa das pessoas. Acho eu...

 

Caldo explosivo*

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Ainda as televisões se entretinham, e entretinham os portugueses, com sucessivos folhetins da entrega e captura do fugitivo mais famoso dos últimos tempos quando, de repente, lançam o país em mais uma repugnante novela, a partir de inacreditáveis imagens captadas nas profundezas de um estádio de futebol.

Dir-se-á que são notícia e que, sendo notícia, teriam que ser divulgadas. Será que é assim?  

Vamos lá por partes: essas imagens, que a todos nos deveriam envergonhar, e em especial aos protagonistas, foram obtidas a partir de câmaras de vigilância instaladas no local. Que teriam de ser requisitadas pelas entidades com competência para julgar os factos que tinham chegado ao conhecimento público. Exactamente para isso: para analisar, julgar e punir o que se apurasse ter acontecido. E que estavam à guarda do proprietário dos respectivos equipamentos e instalações: exactamente uma das partes. É, por isso, tudo menos normal que tenham ido parar às mãos de uma estação de televisão. Normal seria que, apenas e só, tivessem ido direitinhas, e na íntegra, parar às mãos da entidade competente para julgar os factos. Depois de as ter solicitado, evidentemente...

Este simples raciocínio deixa claro, e sem grandes dúvidas, que a divulgação dessas imagens não tem nada a ver com notícia. Tem a ver com interesses particulares. Nunca, em nenhuma circunstância, são interesses particulares a determinar o que é notícia. Apenas a relevância para o interesse público justifica a notícia!

Os interesses particulares são evidentes: de um lado uma das partes, que as selecciona e entrega em favor da sua posição de parte; do outro uma estação televisiva, que quer tirar partido em audiências da sua divulgação em exclusivo, mesmo que prestando-se a todo o tipo de manipulação, em violação clara dos deveres de ética e de deontologia.

Seguiu-se depois a esquizofrenia do absurdo à volta dessas imagens. Promovida pela mesma estação e por todas as outras, transformando-as no assunto mais importante do país, com infindáveis comentários e debates, cada um mais imbecil que o outro. Com comentadores e paineleiros para todos os gostos, cada um mais deprimente que o do lado. As redes sociais fizeram o resto e o país parou: não se falou, e não de fala, noutra coisa. A cega e acéfala clubite é apenas a pitada de tempero final neste caldo de cultura explosivo. 

A conclusão é simples: pior que os energúmenos que protagonizam aquelas imagens, só as televisões que moldam em segredo este país. Os resultados já estão aí, à vista. O sucesso do populismo é feito deste caldo!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

É sempre assim...*

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Não sei se o pior já passou. Admito, e acima de tudo, desejo que sim. Sei – sabemos – que o país se cobriu de incêndios, como todos os anos acontece nesta altura do ano. Ou mais, ainda … Apenas numa semana, na última, arderam mais de cem mil hectares de terreno florestal, agrícola e urbano em Portugal. Um pequeno país, onde arde mais de metade do que arde na Europa… É verdade, mais de metade do que arde na Europa é português!

É assim, ano após ano. As televisões invadem as chamas e invadem-se de histeria, pela mão de repórteres que são uma tragédia em cima da tragédia. Fazem também parte da calamidade. Especialistas, sempre os mesmos, enumeram sempre as mesmas causas, e propõem sempre as mesmas soluções. Políticos expressam solidariedade, e ficam-se por aí. Porque fica bem. Os governos negam as evidências: “a minha área ardida é sempre menor que a tua”. E depois prometem mais meios. E cumprem, na maioria das vezes: a cada ano que passa há mais bombeiros, há mais viaturas, há mais aviões, há mais helicópteros … Mas também mais incêndios. E mais gravosos.

Os autarcas reclamam do isolamento, e do centralismo. E pedem mais apoios financeiros para as suas populações. Mas nunca dizem – nem ninguém lhes pergunta – o que é que, da sua parte, fizeram para prevenir ou minorar a tragédia.

Os populares culpam os criminosos. Tudo se resolvia com penas adequadas. Que os tribunais incompreensivelmente não aplicam. Fala-se nos interesses, que não são pequenos, da chamada indústria do fogo. E fala-se de Máfia… Fala-se da Protecção Civil, e de bombeiros. E do eterno presidente da respectiva Liga, que foi presidente de Câmara durante quatro décadas, deputado em não sei quantas legislaturas, e até incendiário num dos três grandes do futebol. Que fala, ralha e barafusta, sempre sem dizer nada que não seja culpar tudo e todos, e exigir mais dinheiro para a organização que domina. Sem nunca dizer o que fez em tantos anos e em tantos cargos.

Fala-se dos ministros que estão de férias. Dos que as interrompem e dos que as não interrompem. Mais grave ainda é se aparecem numa dessas festas de Verão das revistas cor de rosa…

É sempre assim, ano após ano. Como se, tal qual as cigarras que também ardem, assobiássemos todo o ano à espera do Agosto que há-de acabar por devorar o país. Como fossemos todos muito burros, sem nunca conseguir aprender nada…

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Desinformação e provocação

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 É frequente referir-me aqui a questões de ética e deontologia na imprensa, nas televisões e na comunicação social em geral.  

Como já o tenho referido nessas outras ocasiões, este é um problema que os últimos anos agravaram. Não sei se os jornais, as rádios e as televisões são hoje mais parciais porque é maior a crispação política, porque são mais visíveis as feridas abertas na sociedade portuguesa ou se, pelo contrário, o confronto e a radicalização são hoje maiores pela forma como principalmente os jornais, e as televisões os alimentam. O que eu sei é que nunca na democracia portuguesa o enviesamento, a distorção e a manipulação estiveram tão instalados na comunicação social. Que nunca foi assim tão descaradamente parcial.

O problema é claro, e está á vista de todos. E é grave. Já é grave que as televisões estejam permanentemente ocupadas por juízes em causa própria a agir como se estivessem a fazer opinião. É inaceitável que gente que decidiu e decide o rumo do país seja paga – e muito bem paga – para não fazer outra coisa que defender as agendas escondidas que servem. Mais grave ainda é que sejam jornalistas a fazê-lo a coberto de um estatuto e de uma carteira profissional.

São hoje inúmeros os exemplos de jornalistas que são mais conhecidos pela controvérsia que provocam do que propriamente pelo seu mérito profissional. Dispensam-se nomes. São muitos, e conhecidos.

Às vezes, há quem se passe. Esta semana houve quem se tivesse passado. Houve quem arrancasse um microfone suspeito de uma mão insuspeita, com uma pergunta tão estúpida quanto suspeita, e o atirasse ao fundo de um lago. E houve quem se irritasse nas redes sociais, chamando-lhes mentirosos e perguntando por que não são despedidos.

A afirmação faz sentido: são mentirosos, não têm outo nome. Já a pergunta é um pouco, se não mesmo totalmente estúpida: toda a gente sabe que é mesmo por isso e para isso que são contratados. Como despedidos?

Longe vão os tempos em que tudo se tornava irrefutável com um simples “vem no jornal”. Os tempos em que mediante a exibição de uma página de um jornal se acabava com as dúvidas. E com a discussão!

E são os jornalistas os principais culpados disto. Os outros, dos outros. Do outro lado. Como alguns reconhecem. Se calhar só porque também passaram por elas...

 

Tratados por parvos

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Nas suas homilias dominicais na SIC Marques Mendes, no rasto de Marcelo, fala de tudo. “Do leitão às tácticas do futebol” como, com graça, a Marisa Matias se referiu a Marcelo neste fim-de-semana.

Por isso Marques Mendes não podia, como todas as televisões tinham feito, passar ao lado da notícia da semana. A curiosidade era grande: não podia ignorar o tema, que não atingia apenas o seu amigo e sócio Miguel Macedo. Atingia-o também a ele!

Falou da pouca-vergonha da devolução da sobretaxa, mesmo que habilidosamente. Falou de Cavaco, que sem surpresa voltou a defender. Comparou o incomparável, com Jorge Sampaio. E anunciou para amanhã a decisão do presidente, a decisão inevitável, como se esforçou por explicar. Com muitos pedidos de esclarecimento e mais ainda de garantias.

Disse que Elisa Ferreira não aceitou ser ministra do novo governo e, antes de fechar em apoteose com o patético almoço de Sócrates, no alinhamento combinado, lá saiu o tema dos vistos gold e o nome de Miguel Macedo da boca do pivot.                         Verdadeiramente incomodado, mas deixando evidente que não podia deixar de ser assim, Marques Mendes entrou pelo assunto dentro como se de uma penitência se tratasse. Como se a acusação fosse já bem mais que isso, ao ponto de não ter mais por onde se esconder que na exaltação do Estado de Direito... Quando pensávamos que fosse por ali fora e chegar ao seu próprio nome, também envolvido, o pivot tratou do assunto. Parou-o logo ali, lançando-lhe a bóia – “ainda não foi julgado, até lá é inocente” – que Marques Mendes aproveitou para, sem mais – nem mais uma palavrinha – encerrar o assunto. E passar rapidamente para o tema Sócrates…

Marques Mendes – e a SIC – entenderam fazer aquele número. Mais valia que tivessem passado ao lado do assunto. Teria sido mais sério: assim estão apenas a tratar-nos por parvos!

 

 

Coisas intragáveis

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Um ano depois de deixar o governo por envolvimento no caso dos vistos dourados, Miguel Macedo foi esta semana acusado de quatro crimes. No âmbito desse processo, que envolve altos quadros da administração pública, mas ainda noutros, e envolvendo ainda outros altos quadros do ministério que titulava.

É a primeira vez que um ministro de um governo em funções é acusado por crimes - e tantos e de tanta gravidade - no exercício das sua acção governativa. Só por isto, mesmo que nada mais se passasse, é notícia. Tem de ser notícia!

Extraordinário é que não seja. Impressionante é que as televisões tenham passado totalmente ao lado desta acusação do Ministério Público. Que, com a notícia à frente, se tenham desviado dela para nem sequer a encontrarem. Que nem um único comentário tenha merecido a nenhum dos inúmeros comentadores espalhados por essas televisões todas. 

E sabe-se que, em Portugal, se não passa na televisão, não aconteceu... Se ainda havia quem tivesse dúvidas sobre o estado a que isto chegou, ficou esclarecido. De vez!

 

A pluralidade singular ou alguns mais iguais que os outros

Por Eduardo Louro

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Com a manifesta disponibilidade da esquerda para encontrar uma solução de governo -  não, não é uma mais uma Primavera qualquer, até porque de Primaveras está o Inverno cheio - passamos a percepcionar novas realidades. E a surpreender-nos com elas.

Surpreendemo-nos com gente que anda por aí há décadas a apregoar a democracia, a fazer passar-se por democratas respeitados, e respeitáveis, sem que afinal saibam muito bem o que é isso. Surpreendemo-nos com o singular pluralismo pouco plural.

E supreendemo-nos com a comunicação social que encontramos a cada virar de página. Caiu a máscara da independência e da pluralidade das televisões e dos jornais. Caiu a máscara da imparcialidade dos comentadores, tudo gente muito cheia de conhecimento, muito objectiva... Mas afinal com agenda escondida, agora escancarada.

Surpreende-nos que a pluralidade da opinião tivesse a singularidade de um reduto, de uma outra trincheira. Surpreende-nos que uma opinião que tínhamos por livre e desengajada seja afinal uma opinião servil e entrincheirada.

E supreende-nos como, afinal, tanta gente convive tão bem com a democracia da parte, onde uns cabem e outros não. Mesmo que sejam muitos! 

Não fosse isto, esta realidade agora aberta, e muitos de nós continuaríamos sem perceber como o sétimo mandamento do triunfo dos porcos* se tornou no primeiro da nossa democracia... 

Animal Farm, de Orwell, (alguns mais iguais que outros, incluído no título)

Debates televisivos

Por Eduardo Louro

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Parece que está encontrado quadro dos debates televisivos. Pelo menos é isso que se pode concluir da intervenção do director de Informação da TVI na conversa domingueira de Marcelo na sua antena, desta vez de novo com Judite de Sousa.

Como é sabido a coisa estava emperrada na participação de Paulo Portas, que queria intervir nos debates como se fosse mesmo um líder de um partido concorrente às próxima eleições legislativas. Que Portas tivesse isso em mente, nem surpreende muito. Já ninguém se surpreende com ele, o que surpreende mesmo é que fossem as próprias televisões a defendê-lo. 

É de facto absurdo que nos debates entre concorrentes a umas eleições possa participar quem a elas não concorre. Não sei quem é o líder (não, não é a Heloísa Apolónia) do outro partido que desde sempre concorre em coligação com o PCP. Mas sei que nunca passou pela cabeça de ninguém, nem do próprio nem de nenhum director de informação, que pudesse participar nos debates televisivos de alguma campanha eleitoral. 

Não se percebe pois por que é haveria de ser isto a fazer emperrar a coisa. Só que...

Percebeu-se da referida intervenção do Sérgio Figueiredo que haveria debates a dois, entre Passos e Costa, naturalmente. O que se não percebe, embora se tenha percebido claramente que foi dito, é que, depois, haveria debates a cinco, referindo-se aos concorrentes às eleições com assento parlamentar. Começamos a passar com o indicador por cada um dos dedos da outra mão, começamos pelo mindinho e vamos contando: coligação - um; PS - dois; CDU - três; Bloco - quatro...

Falta um. Pronto, já percebemos que as televisões não querem mesmo perder Paulo Portas... Só me parece é que a Heloísa Apolónia não se vai calar. E vão ter que a incluir nos debates, que em vez de cinco terão de passar a seis!

 

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