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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Roaming

 

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Hoje é um dia histórico: acaba o roaming na União Europeia!

O roaming, como se sabe, é uma espécie de sobretaxa que os utilizadores de comunicações móveis nacionais pagam fora do seu país. Numa União Europeia de livre circulação de pessoas e bens de qualquer espécie, as comunicações eram a excepção que o lobby das operadoras de telecomunicações tentou prolongar o mais possível.

Mantiveram-na até hoje, 25 anos depois de Maastricht, 20 depois Schengen, e 16 depois de concluído o actual edifício da União Europeia.

Por isso, mesmo que não fique associado a qualquer nome, a qualquer cidade, ou a qualquer Tratado, o dia de ontem vai ficar na História da Europa como o dia em que foi derrubada a última (?) fronteira entre os seus países membros.

Mas, como sempre tem acontecido, não há bela sem se não.

Portugal vende turismo e, para isso, importa turistas. Muito mais do que os que exporta. Quer isto dizer que as operadoras nacionais entendem que saem prejudicadas. E isso nunca pode acontecer. Nas telecomunicações, nas energias, nos bancos…

Por isso as operadoras nacionais já avisaram que são os portugueses a ter que pagar esse diferencial. A não ser que passemos todos a ir embora…

É sempre assim, e o que parece que é bom acaba sempre por não o ser. Também nisto do roaming

Sebastianismo europeu

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Trouxe aqui o tema na altura própria quando, no comício de Munique, no passado domingo, acabada de chegar de duas cimeiras internacionais – da NATO e do G7 – Merkel, surpreendentemente vestida a preceito de uma verdadeira linguagem europeia, disse que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, nem no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino.

Volto a ele quando disso se quer fazer um  grito do Ipiranga à europeia, e quando se percebe que andam por aí numa roda-viva a espalhar a boa nova:”habemus líder”! 

Que Angela Merkel tem mandado na Europa, ninguém tem dúvidas. Mas, mandar é uma coisa, liderar é outra. O que está está farto de estar provado é que, para Merkel, os interesses da Europa são os da Alemanha.

Não se percebe o sebastianismo!

 

 

 

 

 

Fazer História e contar com a História

 

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É dito e repetido que faltam líderes à Europa. Que os grandes problemas no actual processo europeu são exactamente fruto da falta de rasgo, de visão, de dimensão e de estatura da actual geração de políticos europeus.

Todos sabemos que assim é. E que Angela Merkel é certamente o maior expoente  dessa geração. Que, por ser alemã, se chegou à frente, e quem tem na realidade liderado a Europa. Mas nunca os europeus lhe reconheceram qualidades para encarnar o líder por que a Europa necessita. Pelo contrário, sempre inspirou mais medo que esperança.

Mas tem que se reconhecer que, nos últimos dois anos, a senhora fez alguma coisa por mudar essa imagem. Começou com o problema dos refugiados, e teve um forte empurrão com o espectro da marcha da extrema direita por esta Europa fora. Sim, a ameaça de um pesadelo extremista fez muito do trabalho de "fotoshop" que tem beneficiado a imagem de Merkel nestes últimos tempos.

Ontem, regressada da cimeira do G7 e da Cimeira da NATO, num comício em Munique, fez um daqueles discursos que podem encher a página de viragem na Europa. Quando Merkel diz com todas as letras que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, e no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino, está a escrever História.

Falta agora saber se ela própria consegue estar ao nível da História que está a escrever. E essa é uma dúvida que, mais que Merkel, é a Alemanha, e a sua História, que têm dificuldade em esclarecer.

 

  

Último capítulo?

 

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Como era bom de ver, e ontem aqui previra, o presidente Marcelo ganhou protagonismo no folhetim que há semanas domina os tops mediáticos. Não esperava que fosse tão cedo, ainda no mesmo dia, mas não havia volta a dar: depois de "picado" daquela  forma pelo verdadeiro argumentista da coisa, o presidente teria de sair a terreiro. Não podia ser de outra maneira, e lá teve Mário Centeno de se prestar àquela figura.

O diabo - que afinal existe, mesmo que não esteja de muito boas relações com Passos Coelho - é que de Bruxelas vem música, da melhor, para os ouvidos de António Costa e Centeno. O diabo parte mesmo de Bruxelas, mas vai na direcção errada: ninguém imaginaria que em tão pouco tempo as coisas ficassem viradas do avesso.

Bem podem berrar os vazios e estridentes rapazolas do CDS e do PSD. Bem podem colunistas e comentadores não falar de outra coisa. Bem pode até o presidente, "picado", fazer agora umas ameaçazitas. Enquanto Bruxelas mantiver este sentido de oportunidade Centeno pode dormir descansado. E até finalmente sonhar com o último episódio do folhetim que tanto tem excitado as élites da opinião publicada...

"Um presidente não deveria dizer isto"

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Sabíamos que a França não cumpria o Tratado Orçamental e que daí não vinha mal ao mundo. Sabíamos, pela voz de Juncker, que a França podia violar o défice porque...era a França. Já o radical Dombrovskis era mais sofisticado, e explicava que a França escapava às sanções porque, incumprindo, é certo, tinha para ali umas virtudes no défice estrutural. Que depois já não precisava de explicar...

Ficamos agora a saber que era Juncker quem estava mais perto da verdade. Que a França pode fazer o que quiser com o défice, sem sofrer quaisquer sanções, porque é a França. Porque é grande e acha que não tem nada que ficar sujeita a regras. Isso é para os pequenos e fracos. Mas não lhe bastava achar isso, era ainda preciso impôr isso aos outros.

E é por aí que ficamos a saber que as coisas são assim. Os homens pequeninos não são capazes de permancer enfiados nos seus corpos pequeninos. A Hollande, um dos mais puros exemplares do homem pequenino, não bastava ter imposto aos outros a prerrogativa de não cumprir as regras. Tinha de se saber que tinha sido ele, e mais ninguém, o autor de tamanha proeza. Tinha de se saber que só ele estava à altura de impôr a grandeza resplandescente da França...

Para que tudo se soubesse e nada da grandeza do homem pequenino se perdesse, nada melhor que pôr tudo em livro. O título não podia ser melhor: "Um presidente não deveria dizer isto"!

Uma vergonha, esta Europa...

A vitória da ONU. E de Guterres!*

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António Guterres é o próximo secretário-geral das Nações Unidas, depois de, perante os membros do Conselho de Segurança, ter passado com sucesso praticamente absoluto seis provas de avaliação. Apesar disso, dessa sucessão de sucessos, eram muitas as dúvidas sobre o êxito final da difícil tarefa a que Guterres se lançou que, como se sabe, o levou a rejeitar liminarmente qualquer hipótese de candidatura às presidenciais do início do ano. À medida que ia ultrapassando as sucessivas provas dizia-se até que seguia de vitória em vitória, até à derrota final.

Tudo porque, dizia-se, o novo secretário-geral teria de ser, primeiro, mulher e, depois, do leste europeu, adjectivação que se julgava já fora de moda enquanto conceito geo-estratégico. O próprio Ban ki-moon – também ele a não resistir a meter-se onde não devia – também tinha as "suas mulheres", que não eram de leste - eram de dentro. E porque, à última e completamente a destempo, a Senhora Merkel, e atrás dela a Instituição Europeia, com o Presidente Juncker à cabeça, lançaram a candidatura de uma vice-presidente da Comissão Europeia: uma mulher do leste da Europa. Búlgara, tal qual outra candidata, líder da Unesco, a quem o seu governo retiraria o apoio, transferindo-o para a candidata lançada pela Alemanha, que não continua a não aceitar a velha ordem do pós-guerra que impera na ONU.

 Contra tudo isto, Guterres acabou mesmo por reforçar a votação na sexta e última ronda. Porque era de facto o melhor candidato. E por isso mesmo, porque era o melhor, a sua vitória é uma vitória da própria Organização das Nações Unidas. Só depois é uma vitória pessoal, do grande mérito de António Guterres, a quem o cargo assenta como uma luva. E só mais remotamente uma vitória da diplomacia portuguesa. E mesmo do país.  

Não há ganhadores sem perdedores. Perdeu a búlgara Kristalina Georgieva, que se prestou à triste figura que Merkel lhe reservou. Perdeu a líder alemã. Perdeu o governo búlgaro. Mas, acima de tudo, perdeu a União Europeia. Que mostrou que é cada vez mais um projecto falido.      

 Por cá também houve quem saísse a perder. Mas nem parece. Querem todos ficar na fotografia…

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

 

Kristalina

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O processo designação - chamemos-lhe assim - do próximo secretário geral da ONU mostra bem o estado de completa falência a que chegou a União Europeia. É incrível como tudo serve para tornar evidente que o projecto europeu ruiu de vez...

Com a Alemanha - sempre a Alemanha - no centro do furacão. E sempre com a direita europeia agrupada no PPE... Sempre tudo muito cristalino... E sempre com um português no meio... Do PSD, e ligado a Durão Barroso, de preferência. 

 

 

 

 

No topo da indecência *

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O título de campeão europeu que Portugal conquistou em França, dando aos franceses mais uma oportunidade para mostrarem o seu chauvinismo desbragado que destila mau perder, deixou o país em festa, a rebentar de emoção.

Nada que comovesse os senhores de Bruxelas, mesmo com Mário Centeno a chegar de cachecol ao pescoço, porventura esquecido que esse não é o adereço que por lá mais apreciem num ministro das finanças. Já fizeram a vida negra a um, e ainda se desconfia que tenha sido pelo cachecol…

Nada que comovesse os senhores de Bruxelas – dizia eu – que continuam a ameaçar-nos com as sanções, sem atar nem desatar, nem sim nem sopas. Mas a fazer mal, a fritar em lume brando.

A maior sanção é a ameaça permanente de sanções. É a chantagem, o medo… Há gente que acha que é chantageando e impondo o medo que se conduz a União Europeia, vejam bem ao que isto chegou. Gente sem interesse, mas cheia de interesses …Como Durão Barroso, que nem sequer hesitou um segundo no momento de dar um autêntico golpe de misericórdia na Comissão Europeia.

Quando, enquanto expressão máxima das instituições europeias, mais precisava de ser prestigiada, reforçada, e credibilizada, Durão Barroso abre a porta directa que dá para a alta finança mundial e deixa-a escancarada para toda a gente ver como os senhores do mundo põem e dispõem do poder na Europa, para a partir daí porem e disporem dos povos.

Não o fez, evidentemente, para nos mostrar mais nada que a sua ambição pessoal desmedida e a forma nada escrupulosa como sempre tratou da vidinha. E que de nada valeu aos seus antepassados na Comissão Europeia terem estabelecido uma generosa pensão – e sabe-se bem como são largas as mãos da União Europeia nestas coisas – para evitar tentações aos seus mais altos representantes na reserva.

Barroso, que nunca teve vida profissional que se lhe conhecesse para além da política, não atingiu o topo da carreira empresarial, como, provavelmente por ironia, afirmou o presidente Marcelo. Limitou-se a atingir o topo da indecência!

 

PS: Procurei uma foto para ilustrar este texto, como faço habitualmente. Pesquisei por "indecência" e, entre muitas fotografias de muitas indecências, lá estava esta. Por isso a aproveitei.

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Por que é que estão aqui?*

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Cada vez se percebe melhor que o referendo britânico à sua permanência na União Europeia nunca foi mais que um instrumento de luta política palaciana.

Começou com Cameron, que sempre que estava mais atrapalhado se lembrava dele. Até, se calhar enganado pelas sondagens, fazer dele promessa eleitoral.

Não se sabe que efeito terá tido na esmagadora vitória de Cameron nas eleições de há pouco mais de um ano. Mas, a avaliar pelos resultados do referendo, não custa muito a admitir que não terá sido pouco.

Recolhida a vantagem que pretendia, alcançada a expressiva vitória eleitoral que lhe permitia manter o poder no reino e abafar os opositores internos, Cameron escondeu a mão com que efectuara o arremesso, e passou a porta-estandarte do fica. Do bremain.

No fim, não ganhou nada com isso. Tornou-se mesmo no maior perdedor do referendo, acabando a perder tudo: o partido e o país. A pedra caiu-lhe em cima, e aleijou bem.

Não foi no entanto o único a instrumentalizar o referendo. A maioria dos que deram a cara em favor do abandono, fê-lo também a contar com os dividendos que dai retiraria para o futuro. Provavelmente não o teriam feito se estivessem verdadeiramente convencidos que o resultado seria o que foi.

Hoje, uma semana depois, isso está mais ou menos dissipado. Foi no entanto demasiado evidente nos momentos que se seguiram ao encerramento das urnas, e mesmo depois de divulgados os surpreendentes resultados. Ao ponto de, praticamente de imediato, se começar a falar de um segundo referendo que corrigisse os então inesperados resultados deste.

Irónico, quando no que toca a consultas populares, a história da União Europeia é a de fazer tantas quantas as necessárias para atingir os resultados desejados.

Não menos irónica, e mais irresponsável ainda, é a reacção institucional da União Europeia. A começar na reunião imediata dos seis países fundadores, em Berlim, como se fossem os guardiães do templo. Como se, seis décadas depois, gozassem de prorrogativas especiais… Como que a puxar dos galões, sem repararem que estão ferrugentos, que já não há brilho que de lá saia…

Depois, a lamentável prestação do presidente da comissão europeia no Parlamento Europeu, quando disse aos euro deputados britânicos que era a última vez que aplaudiam, antes de lhes perguntar: “por que é que estão aqui?

Àquela hora da manhã não era plausível que o Sr Juncker estivesse já com os copos… As ususal

E, por fim, a renovação das ameaças de sanções a Portugal e à Espanha. Por fim, não. Porque ainda sobrou tempo ao Sr Schaubler para ter o descaramento de, para voltar a ameaçar Portugal, lançar pela boca fora que está à ser preparado um novo programa de resgate ao país.

Se é desta maneira que o radicalismo cego que se apoderou dos destinos da União Europeia reage à saída de um dos seus maiores membros, a sua segunda maior economia e a quinta maior do mundo, não é preciso muito tempo para que sejam muitos mais os europeus, e não o Sr Juncker, a perguntar-se por que é que estão aqui…  

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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