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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Coisas dramáticas

Capa Jornal de NotíciasCapa Público

 

Os jornais fazem hoje eco, dois deles com destaque de capa, de um estudo que conclui que os alunos provenientes das famílias mais desfavorecidas são os que menos acesso têm aos cursos que exigem as notas mais altas. 

Ninguém se surpreende com a notícia. Quase se poderia dizer que estranho é que seja notícia. Ou que há estudos que não servem para mais do que para nos dizerem aquilo que já sabemos. Num país, como o mundo, cada vez mais desigual é inevitável que cada vez mais seja assim.

O que não podemos achar inevitável é que cada vez mais se feche os olhos a esta realidade, que não só destrói a principal alavanca do sistema como as suas vias respiratórias. A educação é o factor crítico da mobilidade social, e o elevador social a base do sucesso do sistema. 

Acentuar as estratificações no acesso à educação é deixar o elevador fora de serviço, é acentuar desigualdades, e é pôr a História a andar para trás. Chamem-lhe o que lhe quiserem chamar...

Os números não mentem. Mas enganam!

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Portugal atingiu no primeiro trimestre do ano, e pela primeira vez (desde que há estes registos trimestrais, iniciados em 1999), um excedente orçamental. Pela primeira vez as receitas do Estado foram superiores às despesas, no caso em 180 milhões de euros, 0,4% do PIB.

Esta seria uma notícia fantástica se não estivéssemos todos com a sensação que os serviços que o Estado nos presta estão uma lástima, no caos completo. Dos de maior complexidade, como os de Saúde, aos mais banais, como a simples renovação do cartão de cidadão.

Imagino que a maioria de nós, especialmente dos que não têm que sujeitar a sua opinião às cores do cartão partidário, tenha tido alguma complacência com o governo nesta degradação da qualidade dos serviços públicos. Afinal, entre imperativos financeiros  e objectivos ideológicos, a troika e o governo anterior tinham cortado sem piedade na capacidade de resposta do Estado, e a dinâmica de degradação nunca é fácil de inverter. Erguer é sempre muito mais difícil que deitar abaixo!

Mas a verdade é que, por muita boa vontade que tenhamos, temos muita dificuldade em perceber que, atingidos os indispensáveis equilíbrios nas contas do Estado, se continue a cortar no investimento e a cativar despesa para ir mais além nos resultados orçamentais. E não sobra nenhuma vontade de rejubilar com notícias dos melhores resultados nas contas do Estado com os serviços públicos no estado em que de facto estão... Ter boas contas, mas tratar mal os cidadãos, não pode constituir motivo para júbilo para qualquer governante. Deixa a ideia que, mais que uma opção, é uma obsessão.

Mário Centeno garante que estes resultados não têm a ver com cortes nem investimento público nem nas despesas de funcionamento. E atira com números, em particular na Saúde. E em especial ainda com números de médicos e enfermeiros contratados...

Diz-se que os números não mentem. Mas enganam. E também falham ...

O princípio do meio

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Passam hoje 25 anos sobre o bloqueio da ponte 25 de Abril, também conhecido pelo "businão", que muitos dão erradamente pelo princípio do fim do cavaquismo. Foi apenas o princípio de uma nova era na forma de fazer protesto, o princípio do meio e o fim de Cavaco à frente do governo da nação, mas apenas um intervalo no meio do cavaquismo. Que regressaria em pezinhos de lã dez anos depois, forçando uma data de validade há muito esgotada.

Depois de dez anos em S. Bento, e de outros dez de nojo imposto pelos portugueses (bem tentou que fosse apenas metade), seguir-se-iam-se mais dez anos em Belém, de onde Cavaco acabaria de sair de rastos. E de rastos continua, transformado no seu próprio coveiro, o político que, sem ser político, depois de Salazar, mais tempo esteve no poder em Portugal... 

Diálogos curtos

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- O Verão já chegou, e hoje é o maior dia do ano.

- Então? E é por isso que o gasóleo vai aumentar?

- Não, não. Os jornais dizem que "fontes do sector" explicam que os mercados internacionais ficaram hoje muito nervosos quando viram o Trump a gritar: "agarrem-me se não eu vou-me ao Irão"...

- Ah... Percebo... As "fontes do sector" gostam de levar depressa as más notícias às bombas de gasolina...

 

 

Tema(s) da semana*

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(Imagem daqui)

Não fosse o desenlace da telenovela João Félix, com essa transferência de 120 milhões de euros do Benfica para o Atlético de Madrid, e o nome da semana teria sido o de Miguel Duarte, outro jovem português, ligeiramente menos jovem mas nem por isso menos digno de admiração - antes pelo contrário – cuja história saltou para o topo da actualidade no início da semana, com a notícia de que corria - e corre – o risco de ir parar à prisão, acusado pelo governo italiano de auxílio à imigração ilegal

Em 2016 Miguel Duarte decidiu não ficar de braços cruzados a assistir ao trágico destino de milhares de pessoas e integrar-se numa “organização não-governamental” (ONG) alemã que presta apoio humanitário aos desgraçados que fogem da perseguição, da miséria e do terror para se entregarem, primeiro, nas mãos de outros seres humanos sem escrúpulos para, logo a seguir, ficarem entregues a um destino com destino certo no naufrágio dos botes em que são despejados nas águas do Mediterrâneo.

Ajudou a salvar da morte milhares de pessoas - 14 mil - que teriam engrossado os números incalculáveis da maior tragédia do século, que deveria envergonhar o mundo mas que, pelo se vai vendo, não incomoda sequer muita gente. Deixou a sua casa, a sua família e a sua vida para organizar para partir em ajuda de quem nada tem, e a quem tiraram tudo do pouco que alguma vez teve, num exemplo da mais nobre solidariedade que enaltece a condição humana. E agora é acusado de um crime, e em vias de uma condenação a 20 anos de prisão – note-se: 20 anos! -, por um governo italiano para quem os valores da dignidade humana não constituem apenas princípios descartáveis. Não contam, simplesmente…

Foi tardia, e nem sempre convincente, a reacção das entidades portuguesas, que mais pareceu  vir a reboque da onda que foi crescendo na opinião pública, o único verdadeiro consolo que Miguel Duarte encontrou nestes dias, materializado em diversas iniciativas da cidadania, e particularmente na resposta pronta a uma operação de “crowdfunding” lançada para financiar a sua defesa.

Fraco consolo para quem deu tanto. Miguel Duarte merecia melhor. Porventura João Félix também - não mereceria certamente que a sua história se cruzasse com esta!

PS: Fantástica, esta ilustração de Vasco Gargalo.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Diálogos curtos

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Solta um, passando os olhos pela revista: "Os portugueses são dos que mais mentem sobre as férias. Um estudo concluiu que 31% dos portugueses mente sobre as suas férias. No estudo começaram por perguntar aos entrevistados se tinham mentido sobre qualquer aspecto das suas férias e, logo aí, 60% respondeu que sim".

Apressa-se o outro: "E os autores do estudo acreditam nas respostas" ... 

 

 

Keep America great

 Foto: Cristobal Herrera/EPA

Em Orlando, na Florida, Donald Trump acabou de arrancar com a campanha da recandidatura. A tentar convencer que voltou a fazer grande a América ("make America great again"), como se a América alguma vez tivesse deixado de ser grande, a proposta de Trump é, agora, a de a manter grande. E o lema  "keep America great".

Estranha noção de grandeza é a de Trump. Bastou que ontem, em Sintra, Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, tenha dito que poderia regressar ao programa de compra de dívida (e com isso ter animado os mercados financeiros), para Trump vir a correr para o Twitter mostrar a pequenez da sua grandeza. Escreveu o presidente americano que garante ter tornado a América grande, e que promete continuar a mantê-la grande: “Mario Draghi acaba de anunciar mais estímulos, o que imediatamente desvalorizou o euro em relação ao dólar, tornando injustamente mais fácil para eles concorrerem contra os EUA. Fazem-no de forma impune há anos, juntamente com a China e outros."

 

 

 

Business as usual ...

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Resisti a escrever o que quer que fosse sobre a transferência de João Félix até que estivesse realmente confirmada sabendo-se, como se sabe que, nestas coisas, a verdade nunca chega antes de uma infinidade de mentiras, produzidas por uma máquina diabólica sempre a funcionar em alta rotação.

Sabe-se agora, parece que já não há volta a dar-lhe, que João Félix vai para o Atlético de Madrid. Dizem-nos, diz-nos a mesma máquina, que pelo valor da cláusula de rescisão. Pelos tais 120 milhões de euros, transferência que passa a constar do top 5 mundial.

Será certamente. Poucas dúvidas sobram disso. Mas muitas se levantarão sobre o destino de tanto dinheiro... Uma coisa pode ser dada por certa: se alguém esperava que este negócio resultasse do simples accionamento de uma cláusula de rescisão de um contrato, em que uma parte se apressa a depositar o respectivo valor deixando a outra paralisada e sem qualquer possibilidade de reacção; esqueça!

Não foi nada disso que se passou. E como não foi nada disso que se passou, toda a gente negociou com toda a gente sem restrições de qualquer espécie - incluindo o clube de Madrid com o jogador -, não há forma de os 120 milhões serem 120 milhões a entrar nos cofres do Benfica. Jorge Mendes esteve envolvido - está sempre - e não sai de mãos a abanar. Nem nada que se pareça...

Claro que haverá quem venha a correr dizer que só Jorge Mendes é capaz de fazer negócios deste nível. E são até capazes de trazer para aqui o caso de Bruno Fernandes, de que foi afastado. Mas não colhe. Pela simples razão que João Félix ... não era para vender!

O presidente do Benfica disse sempre que o queria manter no clube, renovar-lhe o contrato e aumentar até a cláusula de rescisão. Que, apenas obrigado pela activação da cláusula prevista no actual contrato, abriria mão do jogador. E por isso não se percebe por que surgiu Jorge Mendes no negócio. Se não era para vender, porquê um vendedor? Nem por que o Atlético de Madrid pôde começar a apresentar propostas a um jogador que não estava livre para negociar, nem era para vender, sem que isso fosse denunciado por hostilidade.

Mas, claro, estamos a falar de negócios - "business, as usual". Onde tudo o que importa é ganhar dinheiro a qualquer custo. Ninguém olhou muito para mais lado nenhum que não esse. Nem o miúdo, sempre o elo mais fraco nestas coisas. Que, deixando-se ir na conversa de todos os que o rodearam, cada um com as suas preocupações e com os seus interesses, corre sérios riscos de, naquele clube e naquele futebol de Simeoni, hipotecar uma carreira que poderia ser brilhante. 

O Manchester City, de Guardiola, a alternativa mais robusta, ganha títulos, tem um futebol de primeira água, à medida das mais evidentes qualidades do miúdo, e pretendia deixá-lo na Luz, mais 6 meses ou um ano, passando depois integrá-lo na equipa. No Manchester City iria encontrar Bernardo Silva, uma referência na equipa. Atlético de Madrid vai encontrar fantasmas: João Pinto, Simão, Gaitan... e um clube com enorme dificuldade em conquistar títulos. Vai cair num futebol eminentemente físico e encontrar bancadas cansadas de não ganhar, que nada perdoarão a um miúdo que custou como gente grande. Da maior. Mas, acima de tudo, a diferença é esta: no Manchester City João Félix poderia aspirar a ser bola de ouro. No Atlético de Madrid, nem por sonhos...

Pode perceber-se que, com tanto dinheiro, ninguém se tenha lembrado disto. Não se entende é que o próprio João Félix não o tenha percebido!

 

Eles andam aí...

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O governo português pronunciou-se finalmente - através do ministro dos negócios estrangeiros - sobre a situação do nosso compatriota Miguel Duarte, ontem aqui trazida. E manifestou-lhe todo o apoio diplomático, esperemos que lhe valha de alguma coisa... Do lado do Presidente Marcelo, o das palavras, é que nem uma ... Continua tudo na mesma.

Mas não é nem pela reacção do governo, nem pela falta de reacção do Presidente, que regresso ao tema ontem aqui trazido. É apenas para dar conta dos trogloditas que invadiram a caixa de comentários e que dão um bom exemplo do que por aí anda. Não é frequente este blogue ser atacado por esta carga de imbecilidade. À excepção dos textos sobre o Bolsonaro - aí é fatal, se falo desse especimen é certo que que "eles" aparecem - é raríssimo surgirem por aqui estes exércitos armados de ignorância até aos dentes, ao serviço do que de mais repugnante possa caber na cabeça de um ser humano.

Não os apaguei porque, por regra, não o faço. E porque, sendo mau que haja gente desta, não podemos ignorar que existem. Tenho é vergonha de vos convidar a dar lá uma espreitadela... 

 

 

"Salvar vidas não é um crime"

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Um jovem português - Miguel Duarte - que integra uma ONG alemã (Jugend Rettet) e que há dois ou três anos se dedica a tentar salvar vidas no Mediterrâneo, foi acusado pelo governo italiano de Matteo Salvini (mesmo que o primeiro-ministro seja  Giuseppe Conte) de auxílo à imigração ilegal, o que lhe poderá valer 20 anos de prisão.

Choca que haja gente como Matteo Salvini, que entenda que salvar da água pessoas que estão a morrer afogadas possa ser um crime. E logo tão condenável e tão grave que valha 20 anos de prisão. Mas na verdade já sabemos o que esperar dos Salvinis desta vida. Choca que não tenhamos ouvido ainda uma palavra do nosso primeiro-ministro, nem digo de apoio e garantias de defesa para este cidadão português - para que de resto já pediu ajuda, que está a correr por conta das habituais correntes de solidariedade - mas de um esboço de protesto que seja junto do governo italiano. E choca que o Presidente da República, que tem sempre palavras para tudo e sobre tudo, não tenha encontrado uma para este nosso jovem compatriota. 

 

 

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