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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

É esta a nossa sina. Passamos pelo último ano desgovernados porque vinham lá três eleições: um país adiado à espera das eleições, que eram muitas, um fartote! Passamos este exactamente na mesma, sentados à espera que o tempo passe. A adiar, a nossa verdadeira especialidade! Porque o governo é minoritário e a oposição precisa de tempo para se organizar. Quando, finalmente, está organizada – quer dizer, quando as sondagens começam a dizer que chegou o momento – entra-se no tempo em que nada pode acontecer: os últimos seis meses do mandato presidencial. E lá ficamos outra vez à espera de eleições, agora de presidenciais. E de mais seis meses, os primeiros do mandato, em que nada continua a poder acontecer…

E assim passamos 2009, estamos a passar 2010 e passaremos 2011. Três anos, no coração da maior das crises da nossa história recente, apenas a deixar passar o tempo, sem nada fazer.

Nada? Bom, não é bem assim! Sempre se vai fazendo alguma coisa: continua a aumentar-se uns impostos e renova-se a frota automóvel do Estado, conforme noticiava o Correio da Manhã de anteontem.

O que nos vale é o Presidente da República. É certo que não faz nada para alterar este estado de coisas. Mas vai-nos dando umas lições de economia, porque disso sabe ele. Mal amanhadas mas não deixam de ser umas liçõesitas, sempre acompanhadas por um atestado de competência (“…eu sou professor de economia…”) e por um certificado de desresponsabilização com que sacode de água do capote: “eu ando há muitos anos a avisar “!

Great

Trump usa máscara em público pela primeira vez durante visita a ...

 

Finalmente, como se tivesse a vergonha que não tem, Trump surge em público de máscara. A máscara, símbolo da capitulação ao medo, próprio dos fracos, é agora uma grande coisa. como se para trás nada tivesse existido. Great !

Como se a América e não tivesse tornado no espaço com mais infectados covid. Líder desta classificação,  seguida da Rússia, Índia e Brasil... 

Great em indecência. Inacreditavelmente indecente a forma como decretou um indulto presidencial a um seu antigo conselheiro condenado a uma pena de três anos e quatro meses de prisão, por ter mentido no Congresso, justamente para defender Trump no tal provado conluio com a Rússia. Digno de uma série da Mafia: "nada há-de correr mal, mas se correr eu vou sacar-te da prisão" - só que, em vez de dito por um qualquer padrinho de uma família mafiosa, dito pelo Presidente da América. 

 

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

1. Caiu o pano sobre o mundial!

Precisamente um mês depois – o que quer dizer que o Quinta Emenda cumpre hoje o seu primeiro mês – o primeiro mundial africano chega ao fim.

O primeiro sentimento é de regozijo pelo sucesso organizativo de um acontecimento desta dimensão num continente sempre adiado. É certo que falamos do mais desenvolvido dos seus países, mas representa todo um continente e todo um povo. Que merece e tem de ter crédito!

O segundo é de tributo. De um tributo a Nelson Mandela e ao país que inventou!

Se com o mundial de rugby, em 1995, Nelson Mandela ganhou um país, o seu país mais livre e mais justo, com este mundial de futebol, de que foi o primeiro impulsionador, reforçou a sua identidade nacional. Hoje também brancos jogam futebol e negros também jogam rugby. E não era assim!

Foi com emoção que, depois de impedido pelo destino, tantas vezes cruel, de abrir o campeonato, testemunhamos a tremenda ovação com que Mandela foi brindado no seu encerramento.

2. O sentimento que fica é que desportivamente o mundial foi um êxito. Com grandes espectáculos de futebol e, para nós que o vimos através da televisão, com grandes espectáculos televisivos.

Normalmente retemos as últimas impressões e tendemos a esquecer as primeiras. Mas a verdade é que, salvo poucas excepções, os espectáculos de bom futebol começaram apenas na terceira e última ronda da fase de grupos.

Já vem sendo habitual que a fase inicial de grupos seja enfadonha e desinteressante, o que poderá levar a questionar o modelo. Compreendo, face aos interesses em jogo, que seja difícil encontrar alguma alternativa. Claro que a FIFA, com os meios de que dispõe para a promoção do negócio, consegue contornar este handicap transformando, apesar de tudo, este evento num fenómeno cada vez mais inclusivo, mais abrangente e mais transversal.

Mesmo assim parece-me que haverá que velar pelo espectáculo. Para isso, e para além de eventuais modificações no modelo competitivo da primeira fase, também o timming, no final de uma época desgastante, é inimigo da qualidade do espectáculo. Sei da complexidade que é mexer nos calendários competitivos, mas realizar estas provas em Setembro/Outubro daria certamente outras garantias.

Este foi, ainda, o campeonato do mundo que, depois daquele domingo negro, pode ter levado a FIFA a abrir as portas ao uso das tecnologias na arbitragem.

3. Fica ainda um sentimento de justiça competitiva. As três selecções que ocupam o pódio, exactamente nos lugares que ocupam, são as melhores deste campeonato do mundo. O futebol, como a economia, frequentemente premeia os especuladores. Neste mundial isso não aconteceu, os especuladores foram normalmente penalizados. A excepção, que confirma a regra, foi a Argentina, afastada pelo romantismo e pela ideia de que a Maradona tudo se perdoa!

A Espanha ganhou porque foi a melhor equipa mas também foi sempre fiel aos seus princípios, nunca de descaracterizou para de adaptar ao adversário. Ao contrário de todos os outros …

O Brasil, o grande favorito, foi para casa sem honra nem glória precisamente por isso. Não lhe faltaram jogadores. Tinha lá dos melhores. Quis ser uma equipa europeia, faltaram-lhe os seus princípios, faltou-lhe samba! A Alemanha talvez tenha falhado a final por achar que, contra a Espanha, poderia especular como fizera com a Inglaterra e a Argentina.

4. A final foi um grande jogo de futebol entre as duas equipas melhores equipas da prova. Holanda e Espanha assentam o seu jogo numa mesma matriz com um denominador comum: Johan Cruiff!

É fantástico como uma personagem, mesmo sendo uma das maiores de sempre do futebol consegue, depois de tantos anos de afastamento dos campos, marcar tão fortemente o melhor futebol do mundo na actualidade. Há mais de 30 anos transportou para os relvados uma concepção de jogo nascida no Ajax de Amsterdão. Terminada a carreira de jogador, já em Barcelona, semeou-a cuidadosamente. Deixaram-na crescer, conheceu os melhores tratadores e está hoje melhor que no seu habitat natural!

Uma cópia melhor que o original: esta Espanha é melhor que esta Holanda porque tem muito bons jogadores em maior quantidade, porque é uma equipa muito mais equilibrada (a defesa holandesa tem alguma dificuldade em suportar o resto da equipa, em empurrá-la sustentadamente para a frente) e muito mais trabalhada. Porque assenta num grande bloco (70% da equipa) de um clube – o Barcelona – e porque trabalham juntos nas selecções desde os 16 anos.

5. O novo campeão do mundo é portador do futebol mais apelativo e mais entusiasmante da actualidade. Um futebol nado e criado em Barcelona que a selecção espanhola em boa hora adoptou.

Hoje nuestros hermanos estão em fiesta. É, mais uma vez, um feito extraordinário do futebol: une o que tanta coisa separa!

No meio de tudo isto há um português que, apesar de ir receber três campeões do mundo, poderá não ficar com o trabalho facilitado: sabe-se como o Real Madrid e Mourinho não são muito adeptos do futebol do Barcelona. O futebol que a Espanha e o mundo hoje não se cansam de aclamar como o melhor!

O vírus*

O que aprendi sobre os Portugueses | Geral

 

Pôde ler-se ontem no Diário de Notícias que, com a pandemia, e os exames à distância, um número crescente de estudantes universitários está a abordar centros de explicações para contratar professores que os substituam nesse acto de avaliação. Surgem com ofertas irrecusáveis com um simples propósito: que um professor lhe faça o exame.

A reportagem não arrisca números. Mas os diversos entrevistados que dão testemunho do modus operandi dizem invariavelmente que, se tomarem por amostra estatística representativa o que é do seu conhecimento pessoal, este é um fenómeno de grande escala. E quer dizer aquilo que todos nós há muito conhecemos da sociedade portuguesa: uma sociedade que convive bem com a fraude, a corrupção, e o chico-espertismo. Onde viver do expediente fácil é sempre mais compensador que viver do trabalho.

Num país onde os dirigentes políticos falsificam habilitações e currículos, fazem exames ao domingo, pagam a quem lhe escreva livros, que depois compram até esgotar edições, não é de estranhar que a elite de amanhã procure comprar resultados de exames, para que mais facilmente lhes sejam franqueadas as portas para o lado de lá da impunidade.  

É este o grande vírus há muito instalado em Portugal e para o qual não parece haver antídoto, nem vacina, nem cura. Uma sociedade tão aberta à viciação só pode ser uma sociedade infectada, sem presente e sem futuro, e cada vez mais fechada ao desenvolvimento e à decência.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Contas feitas

 

O Benfica chegou hoje a Famalicão condenado pela comunicação social a carimbar a festa do Porto. Durante a semana os títulos dos jornais não faziam mais que antecipar a vitória, certa, do Porto em Tondela, a derrota, mais que certa, do Benfica em Famalicão, e a festa certa dos portistas. Com alertas a propósito, porque o vírus não aprecia festas. O próprio presidente da Câmara Municipal, e não sei do quê no clube, avisara que não iria abrir as portas.

Esperava-se que a equipa encarnada, que já dera melhor conta de si no jogo do passado sábado, com o Boavista, não estivesse pelos ajustes, e tudo fizesse para ganhar o jogo, e adiar o inevitável. É inevitável, mas tenham calma.

Durante 75 dos 90 minutos o Benfica mostrou vontade, e até qualidade para afirmar isso mesmo. Logo aos três minutos o super dragão que arbitrou o jogo transformou um penalti sobre Cervi num cartão amarelo - um dos muitos com que brindou os jogadores do Benfica - para o pequeno argentino, que foi um dos melhores da equipa. Que logo a seguir viu o guarda-redes Defendi - regressado à baliza, provavelmente pela sua história em jogos contra o Benfica - negar-lhe o primeiro golo. 

Golo que só surgiria aos 37 minutos, depois da habitual série de desperdícios. Mas também depois de se perceber que alguma coisa tinha mudado: pela primeira vez desde há muito tempo o Benfica não sofria um golo na primeira vez que o adversário chegasse à sua baliza. Circunstância que, não sendo a razão por que  perdeu este campeonato, porque são muitas, como se sabe, é também a razão por que o Porto, a quem nunca isso aconteceu, o vai ganhar.   

Durante toda a primeira parte o Benfica mandou no jogo, foi sempre superior, e poderia ter alcançado um resultado que o pusesse a coberto das muitas incidências em que o futebol da equipa é fértil. Na primeira meia hora da segunda parte, se bem que com menos continuidade, teve sempre o jogo na mão. Golos é que não.

Depois começaram as mexidas dos treinadores. Primeiro o do Famalicão, com substituições que logo deixaram perceber que iriam mudar aquele jogo. Depois, e parecia que já tarde, o do Benfica. Percebia-se que era necessário mexer em algumas peças, fosse pela carga de amarelos que pesava sobre os jogadores do meio campo, fosse pelo esgotamento físico de outros, como Cervi, Chiquinho ou Pizzi. Mas percebeu-se logo que o melhor teria sido não mexer em nada.

Vinícius não marca. E não marcando pouco contribui para o jogo. Seferovic também não, mas dá neste momento muito mais à equipa. Samaris pode querer muito, mas pode muito pouco.E atrapalha muito. Rafa está uma lástima, uma sombra do que era há uns meses. E Jota não pode, não parece que queira, nem nunca tem tempo para demonstrar outra coisa. 

E a coisa ficou assim, com os que lá estavam já sem poder dar mais, e com os que entraram a não serem capazes de fazer melhor. Ficando assim, e sabendo-se que não há jogo em que o Benfica não sofra golos, à entrada dos últimos quinze minutos, ficou claro que, não tendo marcado quando teve tanto tempo e tantas oportunidades para fazer mais dois ou três golos, o Benfica não ganharia este jogo. E só acabou por não o perder  porque não calhou. Porque, ao contrário do que costumava acontecer, o adversário não fez de cada oportunidade um golo.  

Acabou por impedir a anunciada festa portista. Mas, ao deixar o rival a um único ponto da conquista do campeonato, permitiu uma mini-festa que pouca diferença faz. E à vergonha que é perder um campeonato que esteve ganho, vai somar-se a vergonha de o perder com a absurda diferença pontual que se adivinha.  

É política

O que é Política? Significado e regimes políticos - Toda Matéria

 

O Presidente da República e o primeiro-ministro, se bem que em registos diferentes, anunciaram ontem o fim das reuniões do Infarmed, assim ficaram conhecidos os encontros regulares entre a política e a ciência para análise da evolução da pandemia.

Parece estranho que, quando os números se complicam a olhos vistos, e o ministro Santos Silva resume a política externa ao praguejar diário contra os novos inimigos do país  - ontem foi a vez da Escócia e da Finlândia vetarem entradas provenientes de Portugal, mais dois novos inimigos -, os políticos digam que pronto, já sabem tudo e não precisam de saber mais nada. Mas não é, é política!

Rui Rio, que também por lá aparecia, já tinha dito isso, que não havia necessidades dessas reuniões. Parece estranho ver Rui Rio a criar um facto político, isso tem estado fora das possibilidades. Mas, lá está... é política!

Mário Centeno foi ontem - dizem - vexado no Parlamento, na audição parlamentar que se segue à sua nomeação para governador de Banco de Portugal, que não serve para nada. Se não para isso, vá lá... E que acabou com João Cotrim de Figueiredo, o líder e deputado único da Iniciativa Liberal, a anunciar a intenção de interpor uma providência cautelar contra a nomeação. Ninguém percebe, nem o próprio, o que é que a esta nomeação tem a ver com a Justiça. Nem como é que os tribunais a podem impedir. Mas é política!

Pelos vistos ontem foi um dia cheio de política...

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

Já por diversas ocasiões e nas mais variadas circunstâncias tive oportunidade de me expressar sobre a fantástica máquina de marketing em que Cristiano Ronaldo se transformou.

Interrogo-me frequentemente sobre o que terá sido decisivo na construção desta poderosíssima máquina e nunca encontro uma resposta.

A verdade é que Cristiano Ronaldo soube transformar-se (ou permitiu que o transformassem) numa super star verdadeiramente global e sem paralelo. A estrela de dimensão global que saíra do futebol, mas que no firmamento está hoje muito distante da do nosso CR, era David Beckham. Que era um jogador de futebol endeusado, com bom aspecto mas – fundamental – casado com uma Spice. Só isso lhe garantiria o acesso à máquina fantástica do star system! O Cristiano está nas antípodas do spice boy. Não teve quem o levasse para lá, foi ele lá ter, a partir da criança da Madeira só e desterrada em Lisboa. E do jovem cheio de borbulhas que aterra em Manchester. Foi sem esconder as suas origens, o pai e a sua morte. Sem esconder a mãe e as suas circunstâncias. Antes pelo contrário, mostrando-a sempre como o centro da sua vida. Dando-lhe um protagonismo único! Mostrando as irmãs. Uma delas expondo-a mesmo ao mundo do espectáculo, provavelmente em circunstâncias que, à luz das leis do star system, seriam fatais.

Será que, afinal, é aqui que encontramos a resposta?

A recente divulgação da sua nova condição de pai também não nos esclarece essa dúvida, mas ajuda-nos a perceber a perfeição do funcionamento da máquina. E a mestria com que é utilizada!

Tinha acabado de chegar de um campeonato do mundo, a maior montra do planeta, em franco mau estado. Nada lhe tinha corrido bem – e nem interessa agora saber se a culpa é dele, da equipa ou do treinador – com as últimas imagens a mostrarem um CR derrotado a cuspir para o operador de câmara (foi essa a imagem que fizeram passar e que correu mundo) e em evidente choque frontal com o seleccionador, que responderia ao “perguntem ao Carlos Queiroz” com a ameaça de lhe retirar a camisola, “demasiado pequena para o seu corpo”. E, de repente: “ É com muita alegria e emoção que informo ter sido recentemente pai de um rapaz”…

E o filho já está no Algarve, com a mãe. A sua mãe, a mesma Dª Dolores Aveiro, sempre na primeira linha!

Não há mais comparações com Messi. Não há mais perguntas incómodas. Não há mais nada nem nada mais interessa. O que interessa é que o bebé se chama Ronaldo e que o novo pai adora crianças. E que sabe pegar nos bebés... E que já tinha dito que entretanto haveria de ter um filho, como se um filho do CR não tivesse também 9 meses de gestação.

Brilhante!

E tudo volta ao normal. Férias com a nova namorada (Irina, não é?) em New York e um novo negócio de roupa de bebé nas lojas CR 7.

Render da guarda

Carlos Costa: Centeno pode ser um grande governador do Banco de ...

 

Chegou ao fim o (segundo) mandato de Carlos Costa, que ficará como o mais polémico governador do Banco de Portugal. A seu respeito não surgem opiniões favoráveis ou juízos positivos ao seu desempenho ao longo de 10 anos à frente do Banco Central, seja de que quadrante for.

Confirmado para o segundo mandato por Passos Coelho  a poucos dias das eleições de 2015, já depois do que fora todo o desastre do BES e o cataclismo que foi a resolução, em condições nada escrupulosas, Carlos Costa foi sempre um governador hesitante e sem qualquer capacidade de antecipação, limitando-se a acompanhar as desgraças que ora lhe surgim, ora ele próprio provocava.

Ainda hoje, e a propósito da falta de escrutínio aos negócios que levam às perdas que determinam as sucessivas injecções de dinheiros públicos, é manchete no Público que o "Novo Banco perde 329 milhões de euros em venda a Fundo ligado ao seu chairman". 

E começa o de Mário Centeno. Mal!

Não começa mal por não começar hoje, mas apenas no início da próxima semana, depois de abandonar a liderança do euro-grupo. E isso obrigar também Carlos Costa a mais uns dias extraordinários. Nem porque Mário Centeno não tenha preparação para o cargo. Nem porque seja proibido, era só que faltava: insistir em ocupar um lugar para que estava impedido.

Mário Centeno diz que não conhece país algum que proíba por lei a transição de um ministro das finanças para a governação do seu banco central. Acredito que não conheça, como acredito até que não haja. Por duas razões muito simples: em países onde valha tudo, se vale tudo, não se proíbe. Nos países onde a regulação e a independência são levados a sério, isso é tão óbvio que nem é preciso ser proibido. 

E que não é a primeira vez que por cá acontece. É verdade. Já aconteceu uma vez, num dos governos de Cavaco Silva. Que talvez não seja o melhor dos exemplos no funcionamento das instituições.    

Tudo e apenas argumentos de falta de exigência e da transparência que têm de ser indiscutíveis nas instituições de regulação de um regime democrático num Estado de direito.

E isto não carece sequer de demonstração. É intuitivo. Acho eu... 

Estrelas cadentes

Perplexo” com caso, Carlos Alexandre ordena que segurança não ...

Acolhendo e dando forma à proposta do Ministério Público o juiz Carlos Alexandre suspendeu António Mexia e Manso Neto das suas funções no topo da gestão da EDP e da EDP Renováveis, para além de lhes impôr uma série de proibições e restrições e uma caução de um milhão de euros a cada um.

A decisão do juiz mais discutido do país teve como consequência imediata um rombo de 700 milhões de euros nas duas empresas. Só a EDP mãe perdeu de imediato em bolsa perto de 500 milhões de euros!

E muito provavelmente com a sua carreira profissional de mais uma das estrelas da gestão portuguesa. Ou, dito de outra maneira, da última das estrelas da galáxia de Ricardo Salgado. António Mexia parecia ter-lhe sobrevivido, mas não passou de uma ilusão provocada por um raio de luz. O raio da luz onde pagamos tudo.

Esperemos que Carlos Alexandre se esteja a guiar por padrões de rigor e competência, e não por meros instintos mais ou menos primários, como tantas vezes a se vê. E que o Ministério Público tenha feito bem o trabalho que tinha a fazer, para que nada venha a cair que nem um baralho de cartas, como já se teme que esteja para acontecer com o processo Sócrates.

Ser forte com os fortes é ser sólido na acusação. Sem factos probatórios sobram apenas fogachos que acabam por destruir o que ainda vai sobrando da credibilidade da Justiça. Esperemos que não seja assim...

Há 10 anos

 

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

Desde que, há uma semana, a assembleia-geral da PT recusou a oferta da Telefónica para a compra da sua participação na Vivo, a golden share passou para o top da actualidade. Não sei se por mérito da golden share se por demérito da selecção nacional e de Carlos Queirós! Sei é que, desde então, não houve um único dia em que a matéria não estivesse na crista da onda.

E por lá continuará, até porque será conhecida amanhã a sentença do Tribunal da Comunidade sobre esta forma dos Estados permanecerem nos centros de decisão de certas empresas privadas.

Não sendo muito difícil antecipar essa decisão – o mais do que certo chumbo das golden share – não é necessário ser bruxo, nem sequer recorrer ao tal polvo que acerta nos resultados do mundial, para também antecipar um conflito político do governo português com a União Europeia. Os dados estão lançados: Sócrates já apontou o dedo ao ultra liberalismo europeu e Durão Barroso já veio dizer que a decisão – que já todos sabemos qual é, menos, ao que quer fazer crer, ele próprio – é judicial, que não tem nada nem de política nem de ideológica. E que as decisões judiciais são para cumprir! Evidentemente que nem todas, digo eu. A maioria é mesmo para … contestar e para recorrer!

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