Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Banha da cobra

Escola do século XXI, ou a banha da cobra educativa | Escola Portuguesa

Ficamos hoje a saber que nos Estado Unidos, e nos restantes países mais desenvolvidos, esta crise epidemiológica deverá chegar ao fim no terceiro ou no quarto trimestre do próximo ano, mas que é possível que regressemos à normalidade já no primeiro ou no segundo trimestre.

E quem é que nos vem dizer estas coisas, a apontar para a luz no fim do túnel?

Um grupo de cientistas de um conglomerado de universidades mundiais? A OMS? Um departamento especializado de uma estrutura europeia ou americana de que nunca tínhamos ouvido falar?

Não. Nada disso. Quem nos diz isto é uma consultora americana de negócios: a McKinsey!

Que explica - não fossemos nós duvidar - que, depois de desenvolvida a vacina, e da sua aplicação a parte suficiente da população, bastam seis meses para ser criada a imunidade de grupo. E que todos estes passos cabem no seu calendário se a produção da vacina permitir rapidamente a disponibilidade de milhões de doses, se as cadeias de distribuição forem eficazes e se milhões de pessoas se disponibilizarem para ser vacinadas logo na primeira metade de 2021.

Uma empresa de consultoria empresarial poderá intervir na capacidade de produção e na gestão da eficácia da distribuição. É aí que está o seu negócio. Já a descoberta e os testes da vacina, e o processo de vacinação, que é o que verdadeiramente está em causa, são tudo coisas que não lhe dizem respeito, e que extravasam completamente o seu campo de intervenção.

Mas isso não interessa nada, como diria a outra. O que interessa é que a mensagem passe e chegue onde terá de chegar. Nem que para isso se tenha de descer ao nível da banha da cobra. 

E depois não querem que os consultores tenham má fama...

 

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog

 

Acabei de regressar do Brasil, onde voltei precisamente dez anos depois. Por mera coincidência, de novo em tempo de campanha eleitoral!

Voltei pois a encontrar um país em campanha eleitoral. Encontrei um país com algumas diferenças mas uma campanha eleitoral bem diferente.

Sempre um Brasil de dupla face – sinais de desenvolvimento próprios de uma potência mundial convivem, lado a lado, com os mais evidentes sinais de terceiro-mundismo –, mas agora um país que todo o mundo cobiça. Qual garota de Ipanema, filha adoptiva do talento de Vinícius (…olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…) que todos querem para namoradinha!

Nunca antes o mundo olhou para o Brasil deste jeito!

Um país que todos os dias atinge novos máximos nos mais diversos índices, a fazer lembrar aquelas semanas loucas das bolsas. Batem-se sucessivos recordes e cria-se a ideia que o limite é o céu. Depois cai tudo, mas isso é outra estória! Esperemos que seja!

Foi este país que vim encontrar, mas … em campanha eleitoral.

A primeira sensação foi que não tinha chegado a sair de Portugal. Sucesso atrás de sucesso, cada indicador melhor que o outro. Os milagres do Estado Social… Estava ali tudo, não faltava nada: aquilo era o discurso que eu ainda levava nos ouvidos. E, no entanto, estava do outro lado do oceano! O país era outro mas o discurso era o mesmo. Fantástico! Nunca antes tinha visto uma coisa assim!

Depois do choque inicial comecei então a perceber as nuances do discurso. Comecei por perceber que os dados e os indicadores que sustentavam o discurso faziam sentido. São produzidos pelo INE lá do sítio – o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – variam a sério, não em cagésimos, são lidos correctamente e impressionam mesmo!

Mas era um discurso cheio de “nunca antes”. Nunca antes de Lula, claro!

Todos aqueles dados e indicadores impressionantes têm uma única referência: o Presidente Lula. O mérito por tudo o que de bom se passa hoje no país é dele. E só dele! Há já quem diga que se eliminará Pedro Álvares Cabral para entregar a Lula o mérito do descobrimento do Brasil!

É este o registo de uma campanha eleitoral onde o presidente se sobrepõe ao candidato. Destinada a assegurar uma continuidade dinástica, bem mais própria da velha linha latino-americana que das democracias modernas do mundo que hoje namora o Brasil, e onde o presidente não se comporta de forma condizente com o seu prestígio pessoal. Bem maior no exterior do que internamente!

É preocupante, e bastante questionado em sectores insuspeitos da sociedade brasileira, este envolvimento e esta personalização meio chavista da campanha. Tão mais preocupante quanto se sabe que nunca foi desmantelada a rede de corrupção com epicentro na sua Casa Civil. Que todos os dias faz prova de vida.

Parece-me que nem o Brasil nem a senhora Dilma Roussef mereciam isto. Nem, acima de tudo, Lula!

Respostas mal amanhadas

Visitas a casa de amigos ou familiares duplicaram entre março e maio

 

Não passou despercebida a presença da bastonária da Ordem dos Enfermeiros na convenção do chaga. Não passaria, sabe ela, e sabemos todos. E por isso alguma justificação teria de dar: “Não sou apoiante do Chega, nem tenho de apoiar as propostas do Chega ou fazer parte de alguma comissão de apoio para ir cumprimentar um amigo” - foi a resposta que deu à inevitável pergunta.

Não diz quem é o amigo, mas não é difícil de adivinhar. E é mesmo possível supor que por lá tivesse muitos... Tenho para mim que as visitas aos amigos pertencem à esfera de privacidade de cada um. Quando acontecem no espaço público é outra coisa. E a deslocação a um evento público para cumprimentar um amigo não é nem uma visita, nem um cumprimento. É uma forma de expressão pública de apoio. Se o evento é de natureza política, isso é expressão - legítima, não é isso que está em causa - de público apoio político.  

Daí que o melhor que se pode dizer da explicação da bastonária é que está mal amanhada. "Não sou apoiante"... mas venho apoiar!

Não havia necessidade, mas é o sinal dos tempos.

Chaga

Política, a competição das virtudes e o marketing vazio – Comunidade  Cultura e Arte

 

Esse partido de que não se pode dizer o nome, por causa do algoritmo, reuniu este fim de semana em Convenção Nacional. Onde o seu líder, cujo nome é, pelas mesmas razões impronunciável, acabado de eleger com mais de 99% dos votos, mas com grandes dificuldades em fazer aprovar a sua direcção e estratégia, garantiu transformar a agremiação na terceira força política do país e disputar pessoalmente a segunda volta das presidenciais    

A coisa foi agitada, e não foi só por ter sido preciso esperar pela terceira votação para conseguir aprovar a  direcção. A GNR teve mesmo de por lá aparecer para pôr alguma ordem naquilo, porque aquela gente faz questão de insistir que a pandemia não passa de uma questão ideológica, e que distâncias e máscaras, como bem ensinam Bolsonaro e Trump, não é coisa para eles.

Mas não foi esta agitação que mais me chamou a atenção nesta reunião. Interessava-me mais, num partido em que apenas o líder se conhecia, e que crescia nas sondagens pela mobilização dos desiludidos da democracia, os que vêm engrossando a enorme legião de abstencionistas, perceber quem começava a chegar-se atrás do cheiro a lugares de deputados, presidentes de câmara, vereadores ou até de juntas de freguesia. Ver esses nomes e as suas manobras de bastidores. 

E viu-se uma coisa interessante. Viu-se, por exemplo, que um ou outro nome vinha do PNR. Mais uns tantos vinham da Aliança, do Pedro Santana Lopes que por aí vai andando, e que grande parte vem mesmo directamente do PSD. Se juntarmos a malta da Aliança, que também de lá chegou há pouco tempo, percebemos que este partido de fora do sistema, que se alimenta de desiludidos do regime, é constituído por gente que fez todo o seu percurso político no PSD. Que fez o regime, com tudo o que de certo, e de errado, ele tem.

Não consigo perceber é se isto diz mais sobre o PSD se sobre este partido que não pode dizer o nome. Há quem lhe chame "chaga". Parece-me bem: vou adoptar!

Tour de France 2020 VI

Tour de France: feu d'artifice slovène sur les Champs-Elysées - Libération

 

Terminou o 107º Tour de France. "Aux Champs Elysées", como dizia uma canção, "comme d`habitude", como dizia outra, na etapa 21.

Em Paris ganhou o irlandês Sam Bennett, da Quick Step, e confirmou a camisola verde que há muito vestia, mas que o eterno vencedor da classificação por pontos, o eslovaco Peter Sagan, da Bora, ainda poderia discutir. 

E começaria por aqui o capítulo das desilusões deste sensacional Tour 2020. Sagan, o mais bem pago ciclista do mundo, não ganhou hoje - foi terceiro na etapa - como não ganhou nunca a qualquer dos sprinters com que teve de competir. E para quem foi durante sete anos consecutivos o vencedor da classificação por pontos, a quem se não conhecia outra camisola que a verde, foi pouco. Tudo tem um fim, e este poderá ter sido o fim de um longo reinado no mundo dos sprints.

A decepção maior vai indiscutivelmente para Ergan Bernal. De super favorito a super derrotado vai um fosso muito grande todo ele cheio de decepção. E logo a seguir para o seu compatriota Nairo Quinta, o 17º classificado a mais de uma hora dos três primeiros.

Também a corrida do nosso Nelson Oliveira nos desiludiu. E nem foi pelo 55º lugar na classificação, a mais de 3 horas dos primeiros, foi mesmo pela corrida que fez. Por exemplo, no lugar a cima, a pouco mais de 5 minutos, classificou-se um dos maiores - se não mesmo o maior - animadores da corrida, o suíço Marc Hirschi. Ganhou uma etapa, foi segundo e terceiro noutras duas, e foi considerado o super-combativo deste Tour.

Colectivamente foi a Ineos, a sucessora da espectacular Sky, a grande desilusão da prova. Tudo lhe correu mal, a começar logo na constituição da equipa, sem Chris Froome e sem Geraint Thomas. Falhou a aposta em Bernal, acabando por penalizar Carapaz, e o seu melhor corredor não conseguiu melhor que o 13º lugar na geral, atrás - mas a mais de 8 minutos - do veteraníssimo Valverde.

A Jumbo (segunda classificada) chegou a parecer, mas só isso, a parecer a herdeira da Sky na forma como controlou toda a corrida. Controlou tudo, só não controlou o que não podia controlar - o contra relógio. Aí, com os corredores entregues a si próprios, não pôde fazer nada por Roglic. O que valoriza ainda mais a vitória de Pogacar, com uma equipa - a Emirates, também de Rui Costa, incomparavelmente  mais fraca e nos últimos lugares (9º) na classificação, que a Movistar voltou a ganhar.

No fim fica uma competição espectacular e a revelação de uma mão cheia de jovens ciclistas de grande qualidade futuro - a começar evidentemente no sensacional Pojacar - que garantem a espectacularidade  do Tour, e da modalidade, para os próximos anos.

 

 

Tour de France 2020 V

 

Golpe de teatro no Tour. Contra todas as expectativas Pogacar chegou ao contra-relógio de hoje, na penúltima etapa, destroçou toda a concorrência, e ultrapassou o seu compatriota Roglic, dado por toda a gente como o vencedor antecipado.

Aos 21 anos - o mais jovem de sempre do Tour, se não tivesse havido, em 1904, um rapaz de 19 anos a fazer o mesmo - na sua primeira participação Tadej Pogacar ganhou o Tour. Para gravar o feito a letras de ouro, foi o primeiro na classificação da montanha (há dois dias, na despedida dos Alpes, dava aqui por garantida esta classificação pelo equatoriano Carapaz, desconhecendo - mea culpa - que o contra-relógio de hoje, que acabava em montanha, ainda contaria para essas contas), foi naturalmente o primeiro na juventude (camisola branca), e ganhou três etapas. Tudo isto depois de ter sido uma das vítimas do vento, naquela sétima etapa, onde perdera minuto e meio. Ninguém ganhou tanto!

No contra-relógio de 36 quilómetros Pogacar foi simplesmente espectacular, ganhando 1:21 ao holandês Tom Dumoulin, campeão do mundo da especialidade, e ao australiano Richie Porte - os dois grandes candidatos à vitória na etapa - 1:31 ao alemão Van Aert (uma surpresa) e 1:56 a Roglic, que partira com a vantagem, dada por segura, de 57 segundos. 

O esperado excelente resultado de Richie Porte valeu-lhe o pódio. Admitia-se que pudesse de lá apear Miguel Angel Lopez, o que não se esperava era que o contra-relógio atirasse o jovem colombiano por ali abaixo. Caiu para sexto, ultrapassado ainda pelos dois espanhóis do top ten, que até acabou por dar top five: Mikel Landa e Eric Mas.

Ainda não tinha falado do português Nelson Oliveira, porque não havia nada (de bom) para dizer. Esperava pelo contra-relógio de hoje, a sua especialidade, para falar dele, na expectativa de um bom desempenho, que seria sempre entre os dez melhores. Foi 27º, com mais 4:42 que Pogacar. E 56º na geral, num Tour em que foi demasiado discreto. 

Arrasar de luto

O resumo do Famalicão-Benfica em 5 minutos - I Liga - SAPO Desporto

 

Foi um Benfica de luto que abriu o campeonato, em Famalicão. Todo de preto, a razão de terça-feira não era para menos. De luto mas não pesaroso e carpideiro. Pelo contrário, de feridas lambidas e disposto a vida nova.

Não sei bem o que é arrasar. Se é jogar bem, marcar muitos golos, impedir que Zlobin se transformasse em Zivkovic, ignorar árbitros e VAR´s e ridicularizar manobras de bastidores, como por exemplo, um win-win entre vendedor e comprador, a atrasar uma contratação fechada para utilizar um jogador (tido por bom, se não não o contratavam) neste jogo; se é isso tudo, o Benfica arrasou. 

Jogou bem, marcou cinco bonitos golos (o do Famalicão também não é nada de deitar fora, mesmo que não lhe tenha achado graça nenhuma), e deixou por marcar outros tantos. Não deixou espaço para que a arbitragem desse um ar da sua graça, e um tal Toni Martinez acabou por ter de sair com o rabinho entre as pernas.

Para além de ter então arrasado, também o treinador do Benfica esteve bem. Muito bem, até. Bem ao substituir no onze inicial quatro dos jogadores que não tinham estado bem na segunda parte de Salonica. Se só podem jogar onze de cada vez, que joguem os melhores onze de cada vez!

E muito bem ao incluí-los nos substitutos. Dos quatro que saíram da equipa apenas o Pedrinho não entrou, e mesmo esse por uma causa maior: a opção de utilizar o Diogo Gonçalves  em Famalicão. Diogo Gonçalves que - já se percebeu - irá ser trabalhado para lateral direito, e isso é uma excelente notícia. A Pizzi, Vinícius e Weigl o jogo e o treinador disseram que não entraram de início porque outros estavam melhor, mas que noutros jogos poderão ser eles a estarem melhor. Mesmo que para Vinícius e Weigl a coisa não esteja fácil.

Saliento estes aspectos porque estas não eram virtudes atribuídas a Jesus. Pelo contrário, os seus  maiores defeitos prendiam-se todos com a falta de sensibilidade para estes "pormaiores" da gestão de recursos humanos. 

Depois, claro, a estreia de Waldschmidt, que já tardava, foi fantástica. Dois golos (o primeiro e o último, pelo meio Everton, Grimaldo e Rafa) que lhe vincaram a classe, e uma exibição de campo cheio. A confirmação que Everton é mesmo craque, e a surpresa de uma integração perfeita neste futebol que obriga a correr muito, e nem sempre é para a frente. Gabriel a 6, muito bem e muito, mas muito acima de Weigl. E Taarabt, um transportador como não há outro, mas sempre a precisar de gelo na cabeça. Até ontem, num jogo arrasado, ferveu em pouca água. 

O luto da eliminação da Champions parece que está feito. E como os adeptos não têm que olhar para as contas bancárias...

 

Regresso às aulas*

Regresso às aulas: Vai ser complicado garantir que as regras são cumpridas  - Portugal - SÁBADO

 

Talvez nenhum sentimento se cole tanto ao regresso às aulas como a ansiedade. É certo que também lá cabem alegria, expectativa, sonhos e ilusões. Mas nada bate a ansiedade dos que entram pela primeira vez no mundo desconhecido da escola. E a dos pais que os deixam pela primeira vez à porta desse mundo novo.

É sempre assim a cada ano que passa. Primeiro é  a excitação das compras do material para a escola, do que é imprescindível e do que pouca ou nenhuma falta virá a fazer, porque há muito que o mercado potencia sem limites a oportunidade que aqui descobriu. Mas depois vem a angústia do fim das férias, a adaptação a novos ritmos, o adeus a zonas de conforto. E vêm as expectativas, as dúvidas e as inseguranças. De pais e de filhos…   

Este regresso às aulas, que teve no dia de ontem o seu ponto alto, e a data limite para que as escolas abrissem as portas aos seus alunos, tem tudo isso. Mas tem muito mais, com muita mais ansiedade.

As escolas abrem na fase da maior actividade da pandemia, aos níveis de Abril, mas num período de maior complexidade e de mais incerteza, com a (grande) probabilidade de terem de voltar a fechar transformada numa espada sobre a cabeça de todos nós. Mesmo dos que, não tendo filhos em idade escolar, acham que não têm a nada a ver com o assunto.

Têm. Temos todos. Os pais, que tiveram que lidar todos estes meses com os filhos em casa, com a vida virada do avesso, não vão conseguir passar por outra igual. E isso toca-nos a todos. As escolas fechadas aprofundam desigualdades e, a cada vez que a desigualdade cria mais desigualdade, nasce uma espiral de crescimento exponencial do número dos que ficam definitivamente para trás. 

E isso toca-nos ainda mais a todos…

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Tour de France 2020 IV

A três dias de terminar em Paris, concluídas as etapas dos Alpes, as principais classificações da Volta a França estão definidas. É certo que o contra-relógio de sábado, na véspera da chegada aos Campos Elíseos, ainda poderá provocar alguns ajustes. Mas não mais do que isso: os 57 segundos de  vantagem que Roglic tem sobre o seu compatriota Pogacar serão suficientes para ganhar o Tour deste ano.

Para trás ficaram três etapas decisivas, e todas elas espectaculares, onde os dois eslovenos continuaram a demonstrar que são os que estão mais fortes. A etapa de terça feira, depois do descanso,  deu o mote para esta sequência demolidora nos Alpes. 

O equatoriano Richard Carapaz, da Ineos, já liberto da ajuda a Bernal, que deu o berro justamente nesta etapa, e também já muito atrasado na geral, atacou a etapa numa fuga bem sucedida e que ganhou muito tempo ao grupo dos primeiros da classificação. O grupo em fuga foi-se diluindo, e o próprio equatoriano acabou por não resistir ao alemão Lennard Kamna, da Bora, que  chegou isolado a Villard-de-Lans, pouco menos de minuto  e meio antes de Carapaz, o segundo, mas com mais de 15 minutos de vantagem sobre os principais corredores do pelotão.

O vencedor do ano passado, que há muito vinha dando sinais de não poder responder à condição de super favorito com que chegou, acabou aqui, sem honra nem glória. Terminou a etapa, mas não resistiu nem ao fracasso nem o trambolhão que levou na tabela classificativa. Acabou por sair pela porta mais pequena que um ciclista conhece: a desistência pelo peso da derrota.

Seguiu-se a etapa mais dura desta edição, a 17ª, entre Méribel e La Roche-Sur-Foron, em altitudes superiores aos dois mil metros, chegando mesmo aos 2400 no Col de la Loze, com rampas com mais de 20% de inclinação. Era a etapa dos colombianos. E foi, mas não a dos de maior nomeada. Foi a etapa de Miguel Angel Lopez (Astana), mais um jovem, que foi o mais rápido a acelerar do grupo dos favoritos não só para obter a vitória, mas também para chegar a terceiro na classificação geral. E foi a etapa da confirmação dos dois eslovenos, com Roglic a superiorizar-se a Pogacar - que acabaria por conquistar a camisola das bolas vermelhas, de melhor trepador - na disputa do segundo lugar na etapa, e a ganhar-lhe, com a bonificação, mais 15 segundos, fixando a diferença actual nos já referidos 57 segundos.

Hoje, na despedida dos Alpes, mais uma etapa com grande animação, num percurso de constante “sobe e desce”. Vingou uma fuga de 32 ciclistas, mas no fim só dois lograram sucesso: Kwiatkowski, e Carapaz, companheiros na Ineos, que cortaram a meta abraçados, com equatoriano a abdicar da vitória  que perseguia há três dias para a oferecer ao seu colega polaco a sua primeira vitória no Tour. Roglic foi quarto, logo seguido de ... Pogacar, que acabou por perder para Carapaz a liderança já definitiva da montanha. E tem a vitória à distância dos 35 quilómetros do contra-relógio de sábado.  

O pódio também parece definido, com Roglic, Pogacar e Miguel Angel Lopez. Muito embora não seja de descartar a hipótese de, no contra-relógio, o australiano Richie Porte ganhar ao colombiano os quase dois minutos que o separam do terceiro lugar.

 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics