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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

AGOSTO

 Por Clarisse Louro *

 

Aí está Agosto. Aí estão as férias!

Ainda não consegui perceber por que tudo tem que parar em Agosto. Se por uma questão de economia, de gosto ou apenas mais uma medida desadequada a que temos sido habituados ao longo dos últimos anos.

Eu, por questões profissionais e contra a minha vontade, tenho mesmo que tirar férias em Agosto: com aulas e exames até finais de Julho, e responsabilidades na programação do novo ano académico, tenho que estar de regresso ao trabalho logo no dia 1 de Setembro para que, em meados de Setembro, se recebam os novos e os velhos alunos para mais um ano de trabalho. Não tenho alternativa!

Ao contrário dos outros anos, em que neste mês nada acontece e tudo pára, neste tudo acontece: no Mundo na Europa é o desnorte total. Os mercados financeiros, ao contrário do que seria de esperar nesta altura, estão freneticamente agitados, com crashes por tudo o que é Bolsa. A crise das dívidas soberanas aí está, cada vez mais viva, agora a entrar pelas grandes economias europeias e a mostrar que o problema está longe de se limitar às pequenas economias periféricas. Os Estados Unidos viveram dias de angústia, à espera de um acordo político que lhes permitisse evitar roturas de cumprimento neste Agosto, que culminaram na redução da notação de rating. Abandonaram o AAA, deixando os chineses de cabelos em pé.

Na Europa o buraco negro aproxima-se a grande velocidade sem que se vislumbre a mínima capacidade de o enfrentar. Os líderes europeus interrompem as férias de Agosto mas nada resolvem, tudo fica na mesma. Em finais de Julho tomaram decisões, mas em Agosto decidiram deixá-las na gaveta. Melhor fora que as não tivessem tomado, o descrédito seria menor…

Por cá também as coisas vão de mal a pior, por muito que a troika nos tenha vindo dizer que estamos no bom caminho. Diz-nos a troika porque o governo não nos diz nada: nem isso nem outra coisa que não seja que é necessário aumentar impostos. Daqueles que somos todos nós – sempre os mesmos - a pagar! Dos outros não, não aumentam ou até são para baixar, como a Taxa Social Única!

Disse, mas depois disse que não disse, que tudo isto era por causa de um desvio colossal. Agora a causa é já um desvio previsível. Mas, pelos vistos, inexplicável! É que isto de conferências de imprensa sem direito a perguntas também não ajuda nada…

E, a pouco e pouco, o capital de esperança de que o novo primeiro-ministro e o novo governo eram portadores vai-se desvanecendo. Pela minha parte vejo-me já a abeirar da engrossada fila dos desiludidos, eu que conheci de perto o actual primeiro-ministro, que me empenhei na sua candidatura, que me identifiquei com boa pare do seu pensamento político e que tantas esperanças cheguei a depositar nesta solução!

Dizia-nos o actual primeiro-ministro, antes das eleições, que sabia muito bem onde e no que cortar na despesa. Que sabia muito bem onde cortar a gordura do Estado! Parece que não sabia. Nem sabe ainda… Mas também dizia que não iria aumentar impostos e, como todos os seus antecessores, foi a primeira coisa que fez!

E vemos que vale tudo. Que as forças armadas, por exemplo, não entregam há meses os valores de IRS retidos. O que é crime, como todos sabemos! Que, para cobrir mais uns quantos despautérios do BPN e uns desmandos do Dr Jardim, se vai voltar às maquilhagens das transferências de fundos de pensões. Desta vez da banca!

Enfim: valha-nos que ainda há umas férias para gozar. É aproveitá-las bem. É o que continuarei a procurar fazer no que ainda me resta das minhas, agora que, pelo menos aqui por estas bandas, o sol, o calor e estes finais de tarde deliciosos tomaram definitivamente conta deste Agosto!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

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