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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

ESTRATÉGIA E ACASO

Por Eduardo Louro

 

A selecção nacional de sub 20 conquistou um brilhante segundo lugar no campeonato do mundo, na Colômbia, quebrando, assim, um longo jejum de êxitos desportivos das nossas selecções de futebol, e em particular das mais jovens, escalões onde especialmente ao longo da década de 90 - o primeiro título mundial tinha surgido em 1989, em Riade - nos habituamos ao sucesso.

O sucesso da prestação da equipa portuguesa na Colômbia, inquestionável e que, de repente, pôs toda a gente a olhar para esta selecção - muitos nem sabiam que existia – voltando a unir os portugueses à volta do seu futebol, levanta a velha questão dos objectivos das selecções jovens. Tão simplesmente isto: deverão as selecções jovens, ditas de formação, estruturar-se para ganhar títulos ou, pelo contrário, deverão antes estruturar-se e vocacionar-se para assegurar o futuro competitivo da selecção principal, esta sim, ganhadora e porta-estandarte da verdadeira competitividade na mais globalizada das indústrias que é o futebol?  

Este é uma questão antiga. Mas também curiosa: é que só vem à tona quando uma qualquer selecção de jovens atinge o sucesso desportivo. Quando estas selecções não ganham nada – nem se percebe que estejam a construir coisa alguma – não há qualquer questão. Ninguém se lembra que nada está a ser feito em prole do desenvolvimento e do futuro do futebol português. É verdade, é assim. Porque nós somos mesmo assim: se não temos nada, está tudo bem; mas se temos alguma coisa decidimos minimizá-la para enfatizar o que não temos!

E no entanto a questão existe, é séria e deve colocar-se: o que mais importa? Vencer campeonatos da Europa e do Mundo de sub 17, sub 19 ou sub 20 ou preparar o futuro? O que não me parece bem é que apenas seja lembrada quando ganhamos alguma coisa…

Excepção feita ao Brasil e à Argentina – que, por razões demográficas, sociológicas, de desenvolvimento e até de natureza - têm um campo de recrutamento praticamente inesgotável, as grandes potências do futebol mundial não eram as mais bem sucedidas nas competições do futebol jovem. E isto pareceria apontar num sentido claro: as grandes potências encaram a competição no futebol jovem como mero espaço de crescimento. De formação e maturação de futuros craques!

Ora, parece-me que o que se passa em Espanha vem esclarecer muitas destas coisas. Não há dúvidas, pelo menos da minha parte, que nuestros hermanos detêm, de há década e meia a esta parte, a melhor escola de formação do mundo. Neste período obteve assinalável sucesso competitivo nos escalões mais baixos e foi, por uma única vez – Nigéria, 1999 – campeão mundial de sub 20, onde não conta com mais qualquer presença na final. Mas foi essa selecção que se fez campeã da Europa em 2008 e do Mundo em 2010. E que vem encantando o planeta com um futebol do outro mundo, que deixa argentinos e brasileiros rojos de vergonha! Uma selecção que já vem muito de trás e sempre ganhando!

Quem seguiu com alguma atenção este campeonato realizado na Colômbia pôde perceber que a selecção espanhola foi a que melhor futebol apresentou, igualzinho ao da selecção A - campeã europeia e mundial, repito – e que só não ganhou por circunstâncias próprias do jogo, onde nem sempre ganha a melhor equipa. Ficaram pelos quartos de final, eliminados pelo Brasil - depois de um jogo fabuloso que dominaram por completo - através dos pontapés da marca de grande penalidade, mas pôde perceber que ali, naquela equipa e naquele campeonato do mundo, se estava a tratar do futuro do futebol espanhol! E concluir que esse futuro está assegurado.

Pois bem: a selecção portuguesa foi brilhante – não retiro uma vírgula ao que aqui deixei logo depois da final perdida – mas percebeu-se que tocava a solo. Onde havia coisas que não batiam certo. Que nada daquilo tinha a ver com uma ideia para o futebol nacional, que era mesmo, como então salientei, a antítese daquilo que o caracteriza, virado exclusivamente para o resultado naquela competição.

Não direi que esta nossa selecção, agora recebida em apoteose, tenha morrido em Bagotá, logo que o árbitro deu o apito final – como poderiam sugerir os últimos minutos daquele dramático prolongamento – mas ninguém consegue ver ali o futuro que se vê aqui ao lado.

A FPF, que há muito se desligou da formação e que vive à grande à custa do tempo em que a fez, terá de perceber que há estratégia e acaso. Enquanto há dinheiro…

 

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