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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

POR ESTAS E POR OUTRAS

Por Eduardo Louro

 

As notícias que o Expresso tem vindo a divulgar sobre os serviços secretos da República impõem-nos a maior preocupação. Pelos factos divulgados, pela noção que nos dá de mais um Estado dentro do Estado – a falta de transparência na organização das estruturas de poder leva-nos a descobrir cada vez mais situações destas, de órgãos de poder acima da lei e de estruturas de poder impassíveis de escrutínio democrático – e, acima de tudo, pelo sentimento de impunidade que percebemos ter tomado conta da sociedade portuguesa.

Como se sabe, a figura central desta novela é, desde que foi estreada com o caso Bairrão, Silva Carvalho, o espião que deixou a Direcção do SIED para integrar os quadros da Ongoing, vá lá saber-se por e para quê. Tenho dado voltas à cabeça para tentar perceber por que razão um especialista de serviços secretos se há-de transformar num alvo apetecível e num quadro interessante para uma empresa privada – mesmo que algo estranha - e não cheguei a nenhuma conclusão que me acalmasse a inquietação.

No último sábado mais uma revelação, bem na sequência dos capítulos anteriores. Desta vez o tal Silva Carvalho tinha pedido aos serviços secretos que antes chefiara para investigarem um cidadão madeirense, por acaso produtor de vinho na Madeira. Concluía-se que esse pedido de investigação tinha sido requerido ao ex-espião, e agora quadro da Ongoig, por um dos seus novos colegas - presidente da filial angolana – que havia casado com a ex-mulher daquele cidadão madeirense.

Fantástico! Um tipo acha que, apenas porque o outro foi marido daquela que é agora a sua mulher, torna-se interessante obter informações sobre a vida dele. Não se sabe por nem para quê, mas também não é da nossa conta. Coisas pessoais, da vida privada! Traumas, quem sabe?

Mas não recorre a um detective privado, nem sequer a uma dessas empresas especializadas em bisbilhotar a vida e as contas de cada um de nós. Não! Ele sabe, ou acha, que tem agora alguém na empresa que lhe trata disso de borla! Que põe os serviços secretos do país a tratar-lhe do assunto!

Tê-lo-á em grande conta! Sem dúvida! Acha que alguém que ocupou um dos mais altos - e de maior responsabilidade – cargos dos serviços secretos do Estado não terá pejo em recorrer a pessoas e meios desses serviços para lhe satisfazer um capricho. E em grande conta terá ainda a empresa que lhe paga o ordenado, capaz de contratar um tipo que se presta a essas coisas…

Pior que isto é impossível. Mora neste episódio deste folhetim das secretas o que de pior mina e corrói a sociedade portuguesa!

Um tipo que se transfere dos serviços secretos do Estado para uma empresa privada disponível para tudo: se está disponível para estes caprichos é óbvio que não conhece limites à utilização de eventuais segredos de Estado. Os mesmos que a maioria parlamentar invoca para não permitir a audição dos responsáveis por esta escandalosa pouca-vergonha…

E um outro tipo que acha que os Serviços Secretos do Estado devem ser postos ao serviço dos seus caprichos. Um tipo com um conceito de cidadania notável que se acha um rei nesta república das bananas!

Estes sim, são os males que nos tolhem o desenvolvimento. Bem podem inventar mais impostos, bem podem rapar todo o nosso ordenado no fim do mês que não resolvem coisa nenhuma… Infelizmente sabemos bem que é mais fácil lançar impostos que acabar com gente e com coisas destas!

 

 

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