Derbi ao cair do pano
Desceu o pano sobre este atípico campeonato 2019/2020. Não correu ainda todo até abaixo porque fica para amanhã a última decisão sobre a descida à segunda liga. Mas tapou-se já a parte cimeira da classificação, naquilo que ficara para definir na última jornada, do terceiro ao sexto lugar.
O Rio Ave, num ombro a ombro final levou a melhor sobre o sensacional Famalicão, que num jogo dramático e espectacular, com o Marítimo, no Funchal, perdeu o quinto lugar nos segundos finais, depois de parecer tê-lo assegurado com uma reviravolta fantástica já no período de compensação. E o Braga, ganhando ao Porto, com a vitória do Benfica no derbi, roubou o terceiro lugar ao Sporting.
Mas vamos ao derbi da Luz, onde o Sporting, mesmo que o Bruno Amorim - perder é mesmo lixado, e muda mesmo as pessoas - tenha achado que a sua equipa foi melhor, escapou a mais uma goleada.
O Sporting entrou bem no jogo, no estilo Bruno Amorim, a pressionar alto. O jogo estava aberto, e aos poucos o Benfica foi respondendo até se começar a superiorizar definitivamente a partir dos dez minutos iniciais. Começou então a desenhar-se aquele que seria o melhor jogo da equipa na segunda volta deste maldito campeonato.
O futebol era agradável, e as oportunidades de golo começaram a suceder-se. Aos vinte e sete minutos surgiu o golo, de Seferovic. Que parecia já apenas o primeiro de muitos. Não foi, foi apenas o único em seis claras oportunidades para marcar.
A segunda parte iniciou-se sob os mesmos auspícios, com duas oportunidades flagrantes logo nos dois primerios minutos. Só que voltou a acontecer o que já é habitual: aos poucos o Benfica deixou adormecer o jogo, e adormeceu com ele. Quando deu por ela estava no meio de um segundo quarto de hora que remetia para tudo o que de mau tinha feito no pior período de Bruno Lage. Nesse período o Sporting construiu as suas duas únicas oportunidades para marcar. Aproveitou uma para fazer o golo do empate, o resultado que afinal procurava e que lhe permitiria assegurar o terceiro lugar na classificação.
Por aquilo que foi o Benfica da segunda volta, e em especial depois do regresso da competição, não se esperava que a equipa reagisse e regressasse ao domínio do jogo. Não aconteceu assim porque, seja lá pelo que for, a saída de Bruno Lage fez bem à equipa. Vê-se que tem mais tranquilidade e que está mais forte. E vê-se até que há situações de jogo que vêm trabalhadas do treino, como se viu na forma como defende, e como se viu claramente nas bolas paradas, que já são variadas, e não acabam todas bombeadas sem nexo para a área.
E à entrada do último quarto de hora, com a entrada de Rafa, o Benfica voltou a mandar claramente no jogo e a criar novas oportunidades para marcar. O golo - de Vinícius, que entrara para substituir Seferovic, e que lhe valeu o título de mehor marcador da liga - surgiria a dois minutos dos 90, a garantir uma vitória demasiado curta para aquilo que foi o jogo. Onde a goleada só não aconteceu porque este Benfica de Veríssimo recuperou muita coisa, mas não recuperou ainda a eficácia.
Chegou ao fim este campeonato verdadeiramente medonho, que ainda há poucas semanas parecia poder acabar num pesadelo capaz de se projectar para a final da Taça, daqui a uma semana. Que é muito importante ganhar, e que hoje pode ser encarada com renovadas expectativas.