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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

CONTRASTES

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 

Poderia aqui falar dos contrastes entre as expectativas que tínhamos para o nosso futuro e a realidade que nos cai em cima, entre a verdade que tem sido escondida e a mentira que nos oferecem no discurso político. Acentuam-se as assimetrias sociais e os contrastes ao nível dos sacrifícios e privações que recaem sobre os cidadãos, no esforço para reduzir a enorme divida interna e externa - a tornar-se eterna - divida resultante da tirania do mercado financeiro global e dos diversos protagonistas desta sociedade que, na liderança, deveriam ter o saber, a competência e a honestidade para, com verdade e sem ocultações, resolver em vez de adiar.

O tema é recorrente e quotidianamente agravado, pelo que, para não acentuar os sintomas depressivos, falarei de outros contrastes, entre os sentimentos que nos ficam de outras realidades.

Da glória ao repúdio

Recentemente, ao percorrer alguns dos territórios que estiveram sob o domínio do Império Austro-Húngaro, Budapeste pareceu-me fascinante. De dia, a monumentalidade da arquitectura distribuída linearmente ao longo do Danúbio. De noite, essa mesma grandeza iluminada, reflectia-se nas águas do rio ao som de Strauss, evocando a nobreza desse Império em salões festivos.

Viena e Praga são, igualmente, a expressão dessa grandeza, cujos sinais também podem ser vistos em muitas outras cidades, sendo hoje lugares destacados da divulgação do património histórico, cultural e artístico, fonte de importante actividade turística.

Nos territórios que estiveram posteriormente sob o domínio soviético, no período pós 2ª guerra mundial, nomeadamente na Republica Checa, Eslováquia e Hungria, somos confrontados com o contraste entre os sinais de glória de um Império e a memória, ainda recente, dos tempos da ocupação soviética geradora de manifesto repúdio. Recolhem-se frequentes testemunhos dessa ocupação e das fortes restrições na economia, nos direitos e liberdades individuais, designadamente, como afirmava uma residente em Bratislava, a propósito da repressão do culto religioso “… como processo reactivo, procurávamos manter a vitalidade das igrejas, não tanto por fé, mas porque nos dava uma certa adrenalina."

Do horror ao sublime

Em outro tempo e circunstância, ao percorrer a “Rota do Vinho da Alsácia” subi ao Monte Sainte Odile, onde um convento venera a Sante Odile, protectora da Alsácia. A altitude do lugar permite uma vista deslumbrante sobre toda a região envolvente. As vinhas na proximidade, mais longe, o vale do Reno a separar França da Alemanha, e muitas cidades destes dois países, identificadas em painel informativo no local. Ficamos fascinados pela dimensão, harmonia da paisagem e pela paz do lugar.

No dia seguinte, já em Estrasburgo, procurei informação sobre a existência, naquela região, do que foi um campo de concentração nazi na França ocupada durante a 2ª guerra. Constatei que a sua localização é próxima do Monte Sainte-Odile, pelo que regressei praticamente onde estivera anteriormente.

“Struttof”, nome do campo, rodeado de luxuriante vegetação, é agora um memorial da morte. Percorre-se em silêncio, por respeito aos mártires que ali tiveram a morte brutalmente antecipada. Da visita às áreas do campo, incluindo a câmara de gás e o crematório, interioriza-se o sentimento de inexplicável atrocidade e genocídio cometido pelo ser humano contra o seu semelhante, e de que a história tem muitos e infelizes exemplos.

Naquele dia luminoso, comparando Struttof com Monte Sainte-Odile, ali ao lado, não pude evitar de olhar para o azul infinito do céu, na esperança de ter do Sobrenatural a explicação de como é possível misturar ali, no Paraíso, o Inferno e o Céu, o horror e o sublime?

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