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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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SOLUÇÃO: O MAR!

 Por Eduardo Louro 

 

O saudoso Ernâni Lopes não se cansou de apontar o Mar como centro da estratégia de desenvolvimento do país. Foi o Mar que fez Portugal e lhe deu dimensão histórica e é o Mar que nos dá futuro, começando por nos arrancar da periferia para nos colocar no centro do mundo.

Nos últimos tempos interiorizamos a ideia do enorme disparate que foi andar de costas voltadas para o mar durante tanto tempo. Destruímos a indústria de construção e reparação naval, onde éramos dos melhores. Destruímos a marinha mercante. Destruímos as pescas. Até grande parte da costa destruímos!

O reconhecimento dos erros é sempre um bom primeiro passo!

O Mar não nos liberta apenas dos grilhões da condição periférica. O Mar faz-nos grandes: se a União Europeia aprovar – e não se vê por que não – a extensão da Zona Económica Exclusiva, Portugal passa a ter uma extensão idêntica à da Índia. E o Mar pode fazer-nos ricos, e até poderosos! Pelo nosso posicionamento estratégico no coração do Atlântico, no sistema central das rotas marítimas, pelas condições naturais e estratégicas dos nossos portos, e ainda pela imensa gama de recursos naturais que o nosso mar armazena, alguns só recentemente conhecidos.

Há especialistas – na circunstância refiro-me a António Costa e Silva e ao artigo que publicou este fim-de-semana no Expresso - que nos vêm dando estas boas notícias. O nosso mar esconde a maior mancha de sulfuretos polimetálicos do mundo. É rico em níquel, cobalto, ferro, magnésio, cobre, zinco, chumbo, ouro e prata. Mas também petróleo e gás, ao que parece em condições de viabilidade de exploração.

Tudo isto são boas notícias. Excelentes notícias. A má notícia é que não ouvimos o poder político falar disto! E não será certamente por não gostar de dar boas notícias, apesar de termos muitas razões para achar que, de facto, não gosta. Repare-se que ainda ontem corriam mundo imagens da ministra do trabalho do novo governo italiano, comovida e em pranto a anunciar medidas de austeridade (cortes salariais) do seu governo, em contraponto com o à vontade com que o nosso governo, como quem fala de justa punição, nos faz esses anúncios.

Mesmo que gostasse de dar boas notícias, o que parece é que o governo não faz a mínima ideia nem disto nem do que fazer disto. Que não tem tempo nem talento para mais que seja aumentar impostos, cortar nas funções do Estado, e vender os últimos anéis. Que o ministro da economia, de tão preocupado com os altos salários e as poucas horas de trabalho dos portugueses, não tem tempo para falar com quem sabe destas coisas. Já que ele, como bem já percebemos, não sabe!

Não sei se algum dia alguém virá explicar por que razão, quando o país atravessa um dos mais dramáticos períodos da sua História, quando os portugueses precisam como nunca de esperança, ninguém vem dizer que está ali um caminho.  Por que é que não há uma estratégica de mobilização do país para os desafios que esta oportunidade abre? Por que é que não temos uma única ideia para lançar mãos ao mar. Por que é que, no país dos grupos de estudo para as coisas mais disparatadas e inconsequentes, não há uma estrutura que reúna as melhores competências nacionais à volta do mais importante desígnio nacional?

Talvez devêssemos começar a pedir explicações!

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