DESFECHO CLÁSSICO
Por Eduardo Louro
O clássico do futebol espanhol – agora com expressão mundial – teve no Barcelona um vencedor de mérito indiscutível, confirmando uma superioridade competitiva sobre o Real Madrid contra a qual Mourinho nada pode fazer, por mais voltas que dê. E que tem dado! Mourinho só se pode queixar da maldita sorte de apanhar com este Barcelona!
O Barcelona chegou ao jogo e, como gente fidalga e de boas maneiras, primeiro ofereceu a sua prenda (estamos no Natal) e só depois se apresentou. Deu um golo de avanço – aos 16 segundos, numa oferta do guarda redes Vítor Valdez - e depois, de imediato, partiu para ganhar o jogo.
O handicap do Real Madrid face a este Barcelona não é de um só golo. É de muito mais!
Poderá Mourinho lamentar-se de falta de sorte, como de resto já o fez, à revelia – mesmo penalizando - da sua imagem de profissional ímpar, para quem nunca as coisas se resumirão a meros factores aleatórios de sorte e azar. O segundo golo do Barcelona, é certo, tem a marca da sorte: aquela bola quis entrar naquela baliza e nada havia que a pudesse contrariar, pegando na imagem feliz de Luís Freitas Lobo. Em circunstâncias idênticas houve uma bola que, ao contrário, não quis entrar na baliza à guarda de Valdez. Recusou-se! E por duas vezes Cristiano Ronaldo poderia ter marcado, falhando o que normalmente não falha!
E isto leva-nos mais uma vez ao confronto directo entre Messi e Ronaldo e ao peso que têm no jogo quando se defrontam. Sai sempre Messi a ganhar - não me lembro sequer de uma excepção – e é este o factor decisivo, muito mais que sorte e azar. Sendo jogadores completamente diferentes, nunca deixarão de ser o pêndulo da exibição das suas equipas. E a verdade é que a confiança que sempre se notou no argentino nunca passou perto do português. Messi nunca se escondeu – como nunca se esconde - do jogo, não deixa para os outros aquilo que lhe compete a ele, toma a iniciativa sem medo e não falha. Cristiano Ronaldo, não se podendo dizer se tenha escondido do jogo, foi muito menos interventivo e mal sucedido em todas as iniciativas mas, acima de tudo, e o que faz toda a diferença, falhou dois golos que não podia falhar. E porque normalmente não falha, não deixará de revelar o condicionamento psicológico que estes confrontos directos com Messi já produzem no CR7.
Ronaldo é certamente o melhor jogador do mundo – deste mundo - porque Messi, esse, é simplesmente um jogador do outro mundo. Mas a superioridade estrutural deste Barcelona nem sequer se esgota neste pormenor. Nem no seu inesgotável tiki taka. É feita de tudo isto mas é, fundamentalmente, feita de crença. Da confiança que um Puyol intransponível e que cresce à medida das exigências do jogo, transporta para toda a equipa. Bem visível na forma como, pouco depois dos 16 segundos de jogo, foi buscar a bola ao fundo das suas redes, pegou nos colegas e os empurrou para o jogo, enquanto Benzema festejava com colegas e adeptos.