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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

COISAS DA PUBLICIDADE (I)

 Por Eduardo Louro 

 

Passa por aí um spot publicitário a um determinado produto de um determinado banco, daqueles que não têm dinheiro para pagar a Mourinho ou a Cristiano Ronaldo e que, por isso, lançou mão de três ex-jogadores de futebol, um de cada um dos três grandes, como não podia deixar de ser.

O anúncio, apelando a um trocadilho entre o banco – o banco de suplentes – e o banco itself, assenta na narrativa da solução que está no banco: o jogador suplente que sai (ou salta) do banco para resolver a partida, ou mais do que isso…

É Jorge Couto, o antigo jogador do Porto que diz que, num jogo com o Salgueiros – já foi há muito tempo, ainda havia Salgueiros – saiu do banco e marcou dois golos decisivos. É Paulo Alves, enquanto jogador do Sporting, que diz que, num jogo com o seu Gil Vicente saiu do banco e fez também dois golos. E César Brito, do Benfica, que vai buscar à memória os dois golos que, também saído do banco, marcou ao Porto nas Antas.

Até aqui tudo bem. A narrativa dos três é a mesma, embora se possa questionar se é a mesma a importância dos dois golos de cada um, ou se a dimensão do feito, em razão do jogo e do adversário, é idêntica. Mas cada um só pode contar o que foram os seus feitos e não o que gostaria que tivessem sido!

O busílis da coisa surge na última frase de cada um deles, mesmo no fecho da mensagem. O Jorge Couto e o César Brito terminam – ambos – com  “ganhamos o jogo e … fomos campeões. Já o Paulo Alves termina com um épico “ganhamos por três a zero”!

Parece-me evidente que, mais do que promover o banco e o seu produto, esta criação publicitária tem como objectivo uma provocação ao Sporting. Não diria que pretenda propriamente achincalhar, mas não perdoa uma alfinetadazinha marota!

Logo que vi este anúncio pela primeira vez tive como certa a veemência do protesto sportinguista. A minha dúvida era se a reacção – certamente violenta – partiria do vice, Paulo Pereira Cristóvão, se de Godinho Lopes. Surpreendentemente … nada! Nem de nenhum dos diversos comentadores por aí espalhados pelos jornais, rádios e televisões, sempre tão prontos a denunciar coisas que nem nos passam pela cabeça…  

Ainda admiti que fosse uma questão de tempo. Que andassem tão ocupados a documentar a denúncia pública dos actos graves do presidente do Benfica, no final do último dérbi, que não lhes sobrasse tempo para reagir atempadamente a mais esta provocação.

Pelos vistos, não!

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