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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O POVO AGUENTA

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 

Em 1968, Urbano Tavares Rodrigues, preso pela PIDE em Caxias, sujeito a tortura até à exaustão, é submetido a exame de um médico de serviço que confirmou - “ele aguenta! aguenta! continuem que o gajo aguenta - Só muito mais tarde outro médico atestou que aquelas condições, a continuarem, conduziriam à morte do recluso.

Vem este facto a propósito da tortura a que nos encontramos sujeitos com os agravamentos sucessivos: fiscais, económicos e sociais, dia após dia, a penalizar sempre os mais fragilizados e a arruinar gradualmente a classe média, num processo suicida a caminho de um eventual abismo, mas que a governação, chama antes, o vislumbre da luz ao fundo do túnel e início do caminho para a recuperação.

Nesta prisão onde nos meteram e nos metemos – Sim! dizem-nos que o Povo também é culpado, porque vive acima das possibilidades – o Povo aguenta! Paga mais impostos, perde benefícios, e não tem alternativa, porque não tem sedes de empresas na Holanda ou Luxemburgo, nem recursos financeiros em paraísos fiscais, nem segurança laboral devido às reformas estruturais e à democratização da economia, que o governo diz necessárias como resultado do acordo assinado com a troika. Além de tudo isto, o Povo tem de pagar o valor de mercado ou de conveniência política!? de Eduardo Catroga, os desvarios de Alberto João Jardim, entre muitos outros. 

Nesta prisão, não de muros e grades, mas de circunstâncias, falta é o médico que ateste o nosso limite de resistência. O Presidente da República mostra fraqueza no discurso ditado por uma consciência pesada pela sua governação no passado, o que não lhe favorece a referência aos bons princípios do seu cargo: a ética, a moral, a equidade na repartição de sacrifícios e recomendações para a recuperação económica e bem-estar social. Preocupa-se no discurso mas não actua! A troika, por sua vez, vai-nos sugando até á ultima gota de sangue, até à devolução do ultimo euro emprestado com elevados juros, independentemente de quem fica pelo caminho, de quem emigra, de quem fica desempregado, de quem passa fome, de quem entrou em depressão ou lhe falta a saúde e não tem dinheiro para se tratar, de quem salta para marginalidade e, simultaneamente, estende a mão ao apoio social, enquanto houver.

A propósito de apoio social, apelo à maioria dos trabalhadores e pensionistas que procuram sobreviver com modestos recursos, para fazermos uma colecta e ajudar o Presidente da Republica cujos rendimentos não lhe chegam para as despesas, tendo de recorrer às poupanças que ele ainda consegue ter, e como os pobres são sempre solidários - por favor, ajudem o homem!

Muito poucos falam na Islândia! Ao que consta, o povo revoltou-se e saiu à rua exigindo do governo de coligação a investigação dos crimes que levaram o país à falência e disseram não ao resgate dos bancos. O governo aceitou mudanças constitucionais e a criação de uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, representantes das diversas actividades, profissões, organizações cívicas e sindicais. A revolta da cidadania islandesa em 2008, foi silenciada na Europa para evitar alastramentos, mas permitiu um crescimento de 2,1% em 2011, e espera-se um crescimento de 1,5% em 2012, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. – para nós, parece ficção!

Na Islândia os culpados vão para a cadeia, aqui vão de férias com chorudas remunerações.

As crises interessam sempre a alguém! E o Povo aguenta!

 

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