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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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FUTEBOLÊS#116 VISÃO (DE E DO JOGO)

 

Por Eduardo Louro

 

Visão é a condição de ver. Deixa de ser uma simples condição - para passar a ser uma invejável capacidade - quando é ver mais além, quando é ver o que escapa os mais comuns dos mortais. Aos que os deuses privilegiaram com esse dom chamamos visionários!

No futebolês é muito mais do que isso. No futebolês há a visão do jogo e a visão de jogo. Aos jogadores requer-se ainda visão periférica, a capacidade de, com a bola nos pés ou debaixo de olho, conseguir ver o que se passa à sua volta, o que está para além do foco principal da sua visão. Aos jogadores, aos que fazem a diferença, exigisse-lhes a visão periférica do coelho, na totalidade dos 360 graus: só assim antecipam jogadas, evitam roubos de bola e, quantas vezes, entradas maldosas de adversários. Que não as do Bruno Alves. A essas, de tão traiçoeiras e brutais, não há visão periférica que valha!

Para ter visão de jogo não é preciso ser-se visionário, mas não está muito longe disso. É preciso ter visão estratégica, o que não é pouco. E ver muito para além da bola, ver o campo todo em cada momento. O que, sendo realmente de elevado grau de dificuldade para os jogadores – e daí estar apenas ao alcance dos sobredotados - obrigados a concentrar o seu foco de visão na bola, no adversário e num ou noutro companheiro, é o mínimo exigível ao treinador.

Por exemplo, neste último clássico entre o Benfica e o Porto, faltou a Jorge Jesus visão de jogo. Depois de, no arranque da segunda parte, ter dado a cambalhota no marcador com o segundo golo de Cardozo, porque não viu o jogo do Manchester City com o Porto – o tal em que Vítor Pereira nos brindou com mais uma estranha e bizarra visão do jogo - ou, o que é bem mais provável, porque se julga mais competente, mais esperto e com melhor visão de jogo que Mancini, não baixou a equipa. Tendo que tirar Aimar do jogo, substituiu-o por Rodrigo – que a portíssima visão de jogo de Bruno Alves se encarregou oportunamente de anular – em vez de alguém (Matic) que ajudasse a segurar o jogo. Depois da cirúrgica expulsão de Emerson, manteve Cardozo – que já tinha feito e bem a sua obrigação – e não fez entrar Capdevilla para a posição que ficou vaga. Porque, por falta de visão de jogo, o tinha deixado na bancada, onde ia bebendo Coca-cola ao lado da lindíssima mulher, de copo de cerveja na mão. Mandou para lá o Gaitan, que não sabe fazer aquilo e que deixou de fazer o que bem sabe.

Já na visão do jogo a única pedra que se pode atirar a Jesus é mesmo a de não ter visto a sua falta de visão de jogo.

Visão de jogo teve permanentemente o árbitro Pedro Proença. Mas há um lance de mestre, de uma capacidade de visão periférica capaz de fazer inveja a Aimar ou a Lucho. É o do segundo golo do Porto, que restabeleceu na altura o empate, um empate de grande amplitude. Porque, com ele, o Porto não só evitava a derrota como deixava tudo empatado nas contas do campeonato, remetendo as contas finais para a diferença geral de golos. Aí, com a equipa do Benfica toda no ataque – e descompensada por via da já referida falta de visão de jogo de Jesus - Proença viu uma falta sobre Witsel. Mas logo se sobrepôs uma visão superior: viu que, em consequência da falta, o Witsel ficava estendido à entrada da grande área do Porto – pelo que não poderia ocupar o seu lugar no centro do campo – e viu que o Javi teria de se deslocar para a direita para compensar a falta de Maxi Pereira, também no ataque. E percebeu logo, tal a visão de jogo, que estava ali aberta uma SCUT para o James. Sem portagens!

Também na expulsão de Emerson revelou boa visão de jogo. Se já tinha dado um empurrão para o empate por que não concluir o serviço? Já nas sucessivas faltas de Maicon, Otamendi, Janko e, especialmente Djalma, e no fora de jogo com que arrumou com a questão, nada mais que ligeiros problemas de visão.

Problemas com a visão do jogo continuam a ter os comentadores das televisões. Quase todos mas, muito particularmente, os da Sport TV. Até o superlativo Luís Freitas Lobo viu um grande golo de Ulk e não viu que o Artur estava a dormir e deu um frango. Viu que a falta de Emerson que lhe valeu a expulsão era merecedora de cartão amarelo, mas não viu a que a anterior não o era, nem que as inúmeras e sucessivas faltas grosseiras de Djalma – já depois de amarelado - o deviam ter impedido de terminar a primeira parte em campo. E não viu o fora de jogo no golo da vitória do Porto. Foi preciso que o jogo terminasse para, depois de tantas repetições – o que também não é habitual na Sport TV – concluir, sem ênfase, que havia fora de jogo!

Claro que sei que, se poucos têm visão de jogo, toda a gente tem (a sua) visão do jogo. Mas poucos conciliam visão de jogo com visão do jogo. Pinto da Costa é, também nisso, mestre. Com a sua visão de jogo tem uma visão do jogo - que nem é sua, é a dos seus jogadores – na qual ficaram dois penaltis por assinalar a favor da sua equipa. Por essas e por outras é que até de uma espécie de treinador como Vítor Pereira consegue fazer um treinador campeão!

 

PS1: Logo no início tive uma visão do jogo lamentável: vi os miúdos que costumam entrar em campo pela mão dos jogadores de ambas as equipas, de mãos dadas apenas com os jogadores do Benfica. Cada um com um miúdo em cada mão e com os jogadores do Porto de mãos vazias!

PS2: Não é normal haver duas edições consecutivas do Futebolês. O normal é uma em cada sábado. Esta é uma excepção, que talvez se compreenda!

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