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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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FUTEBOLÊS#117 JOGO JOGADO

Por Eduardo Louro

 


Um jogo é para se jogar, seja lá qual for. Depois de se jogar fica jogado: o jogo jogado!

Bom, em futebolês, não é bem assim. Até porque contraria em absoluto uma ideia que poderia parecer subjacente: a de que o jogo, depois de jogado, teria acabado. Já era, ficava morto e enterrado e não se falaria mais disso! Ideia que por si só liquidaria de vez o futebolês, como é bom de entender.

Para que tudo fique no seu sítio, e para evitar canibalismos desses, o jogo jogado vai bem para além disso. Desde logo porque se o futebolês - uma linguagem sempre tão prática e ainda mais objectiva, sem deixar de ser redonda, sem perder as curvas que lhe dão forma e beleza - entendeu criar este adjectivo para o jogo, é porque, evidentemente, fazia falta. Porque há o jogo jogado e há os outros!

Muitas vezes há uma equipa que, em jogo jogado, é muito superior ao seu adversário. E no entanto perde. Já sei que estão a pensar: pronto, lá vem o árbitro para a conversa!

Não, nada disso. Até porque, quando isso acontece, quando uma equipa é bem superior ao adversário e perde porque o árbitro assim quer, o jogo deixa de ser um jogo para ser uma roubalheira. E ainda ninguém ouviu dizer que o clássico da semana passada foi uma roubalheira jogada!

Normalmente a superioridade em jogo jogado é invocada quando se perde. Ou até quando se ganha, sem que essa superioridade tenha sido assim tão evidente… Se utilizada sem sofismas nem manhas – na sua pureza imaculada - quer simplesmente dizer que a equipa esteve por cima do jogo (mais uma bela expressão), dominou-o ao longo dos 90 minutos (um sinónimo) e superiorizou-se ao adversário nas diferentes variáveis estatísticas (posse de bola, remates, cantos, etc.). Excepto nos golos!

Acontece de vez em quando. Uma equipa que joga, joga e … nada de golos. A bola sai sempre ao lado ou vai aos ferros e, quando vai direitinha para a baliza lá está o guarda-redes, sempre pronto para as defesas mais impossíveis. Quando se percebe que poderiam estar lá uma noite inteira a rematar que a bola não entraria nunca. E, porque o futebolês também tem uma lei – quem não marca sofre – o adversário, na única vez que chega á baliza, marca. Às vezes marca cada vez que lá vai e, ainda às vezes, vai lá muitas vezes!

Claro que, quando assim é, quando o adversário vai lá muitas vezes, essa história do jogo jogado começa a não passar. Passa-se é para uma visão manhosa do jogo!

Foi o que fez Vítor Pereira – o treinador do Porto – no recente jogo com o Manchester City, os mesmos a quem o Sporting ganhou esta semana. O Porto andou por ali, para trás e para o lado, até os jogadores adversários se chatearem com aquilo, roubarem-lhes a bola e irem por ali abaixo, como cão por vinha vindimada, mostrar-lhes como é: fazendo quatro golos e deixando outros tantos por marcar. Quando Vítor Pereira – e não só, porque muita imprensa, vá lá saber-se porquê, lhe deu cobertura – dizia que o resultado era mentiroso queria dizer, mas mal, que, em jogo jogado, tinha sido superior. Porque, resultado mentiroso seria, duas semanas depois, o da sexta-feira da semana passada, na Luz.

Para além do jogo jogado há ainda o jogo falado, transformado em tão ou mais importante que o jogado. E numa indústria muito paralela à do próprio futebol.

Muito do jogo jogado se decide no jogo falado que decorre antes do início do jogo, jogado. Onde muitos são mestres, e outros autênticos desastres, como Jorge Jesus. Como muito da visão póstuma do jogo jogado, é determinado pelo jogo falado que se lhe segue, branqueando umas coisas e apagando outras para, logo a partir daí, determinar muito dos jogos que ainda estão para jogar.

É por isso que os principais clubes tanto investem nos comentadores que espalham por todos os espaços mediáticos, sabendo que aí, no jogo falado, se joga muito do que acontece no jogo jogado, subvertendo a realidade para a adaptarem fielmente aos seus interesses. É também aí, bem longe dos relvados, escolhendo a dedo os seus peões de brega que, pela mão do mestre Pinto da Costa, o Porto se faz sucessivamente campeão!

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