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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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FUTEBOLÊS#119 BLOQUEIOS

Por Eduardo Louro

 

 

O futebolês acaba de enriquecer com mais um léxico: bloqueio. Este é pois bem fresquinho!

Curioso é que este novo nado tenha o pai que tem: nada mais nada menos que o trapalhão treinador do Porto. Como me parece que o adjunto mais adjunto do futebol nacional não tem capacidade natural para tamanha criação, desconfio que este não tenha sido um golpe de génio – que não tem – mas antes o resultado de uma sessão de formação acelerada e mal amanhada, tipo novas oportunidades, ministrada pelo chefe máximo.

Quis a criatura, cuja única especialidade é encontrar culpas alheias e desculpas próprias para o insucesso, matriz de uma casa pouco habituada a ele, encontrar nessa sua invenção a justificação para uma derrota que podia e devia ter sido bem mais expressiva. Mas quis mais – e é duvidando dessa sua capacidade de ver mais além que me parece que a lição tenha sido encomendada – quis, fundamentalmente, intervir no desenrolar do que resta do campeonato através do lançamento de um pseudo-anátema sobre um determinado tipo de lance, de forma a condicionar os árbitros. Nesse tipo de lance como, de uma maneira geral, nas arbitragens que tão bem sabe condicionar e manipular.

Vem nessa linha a reclamação – essa sim já a cargo do boss – de um fora de jogo a Hulk. Que nem existiu nem sequer o jogador estava isolado na cara do guarda-redes em condições de fazer golo, como quis fazer crer.

Bom. Mas isso já não é bloqueio. É querer bloquear os outros!

Quem for leitor habitual do futebolês, e ainda esteja nesta altura a ler esta 120ª edição (já sabem, este tem o número 119 mas o primeiro teve o número 0), estranhará que a prosa já vá aqui sem que tenha sequer sido dado um cheirinho que fosse de uma definição de bloqueio.

A verdade é que eu não sei dá-la. Eu não sei definir o este bloqueio do Vítor Pereira! Porque, bloqueios, tem ele muitos: os mais comuns dão-se na altura das substituições, e são já famosos. Simplesmente porque este, que ele deu à Luz – em sentido literal – não existe. É, mais do que uma invenção, uma desculpa de … mau perdedor. E, como já ficou dito, uma estratégia manhosa!

Confesso que cheguei a admitir que esta estratégia manhosa pudesse vir a transformar-se numa espécie de tiro a sair pela culatra. Ao chamar a atenção dos árbitros para as movimentações dos jogadores do Benfica na área adversária nas bolas paradas, eu tive a ingenuidade de pensar que, com a atenção bem centrada nesses lances, os árbitros passassem a ver todos os agarrões, puxões e empurrões com que os avançados do Benfica são sistematicamente brindados. Pura ingenuidade minha, como confirmaria logo na primeira oportunidade: o jogo de ontem em Olhão!

Afinal o árbitro, apesar da atenção que certamente colocou nesses lances, não viu nada de anormal. Nem os empurrões e puxões a Cardozo e a Javi Garcia. Mas viu, num lance que Aimar e um jogador do Olhanense disputaram – ambos - de pé alto, uma agressão do benfiquista a justificar a expulsão… O mesmo árbitro que já tinha visto razão para expulsar o Cardozo no jogo com o Sporting: é só por isso, porque já o fizera antes, que não posso concluir que tenha já sido o resultado da estratégia de bloqueio lançada na passada terça-feira e desenvolvida ao longo de toda a semana.

A verdade é que esta do bloqueio é apenas uma nuance - e por acaso a mais recente – de uma estratégia mais abrangente e bem mais antiga. E que resulta sempre!

O Benfica não ficou com o caminho para o título bloqueado em Olhão – já se tinham visto bloqueios em Guimarães, Coimbra e na Luz, com aquele golo em fora de jogo - pela manobra da expulsão de Aimar. Já antes havia sinais de algum bloqueamento, mas ela impediu qualquer jeito de ultrapassar os bloqueios da equipa.

E começam a não ficar muitas dúvidas sobre a frequência com a equipa bloqueia nas alturas cruciais.

A época competitiva é longa e exigente? É, mas onde é que está surpresa?

Há algumas disciplinas que fazem parte integrante da gestão de uma equipa de futebol de alta competição: planeamento, gestão da condição física da equipa, distribuição de cargas, curvas de rendimento individual e colectivo, gestão dos índices de motivação, gestão psicológica e mental, etc. Quanto mais competente e criterioso for o uso destas disciplinas menos serão os bloqueios, sejam eles quais forem.

Não sei porquê, mas vem-me frequentemente à cabeça uma famosa frase do Prof. Manuel Sérgio, por sinal dado como assessor de Jorge Jesus. Já a aqui trouxe pelo menos uma vez: “um treinador que saiba muito de futebol, se só sabe de futebol, nem de futebol sabe”!

PS: Não fiz qualquer referência à foto do cabeçalho. Os mais velhos lembrar-se-ão certamente. Para os outros: são imagens de uma célebre Supertaça (Coimbra, 1995) com o Benfica, e eram bloqueios frequentes na década de 90. O árbitro bloqueado é José Pratas!

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