ET PLURIBUS UNUM
Por Eduardo Louro

Não há vitórias morais (ponto final, parágrafo!).
Mas há derrotas que em nada diminuem quem perde. Como esta do Benfica, que em nada atinge o seu prestígio e a sua glória…
Não é nas derrotas que se constrói a confiança, mas não pode ser, nem certamente será, esta a minar a confiança imprescindível para encarar esta parte final do campeonato, a começar já na próxima segunda-feira, em Alvalade. A confiança dos jogadores, e a confiança dos adeptos, sai reforçada desta derrota!
O Benfica não conseguiu chegar às meias-finais da Champions - onde encontraria o Barcelona - perdeu a eliminatória para o Chelsea - e perdeu até os dois jogos – mas foi digno de lá chegar. Porque perdeu o jogo da Luz por o árbitro não ter assinalado um penalti claríssimo por mão de Terry. E perdeu o jogo de Stamford Bridge porque o árbitro assinalou um penalti a favor do Chelsea que não existiu. Porque um árbitro lhe negou penalti a seu favor, e outro penalizou-o com um que não existiu. Mas porque, no jogo de hoje, o árbitro fez muito mais do que isso.
Usou de critérios diferentes para as duas equipas, penalizando sistematicamente os jogadores do Benfica, enquanto tudo permitia aos do Chelsea. No penalti que resolveu assinalar, logo à passagem dos vinte minutos de jogo, distribui três cartões amarelos, um dos quais a Maxi Pereira, a quem mostraria o segundo pouco depois – porque, quando depois de tentar o corte, acabando por deslizar na relva e atingir, sem violência, um adversário – deixando o Benfica a jogar com 10 durante mais de uma hora.
Mas o Benfica estava ali para demonstrar a clara superioridade da sua qualidade de jogo. E, mesmo com 10, mesmo com esta arbitragem miserável (a da Luz, ao negar o tal penalti, teve influência no resultado mas ficou-se por aí) e mesmo a estranha e bizarra circunstância de não dispor de um único central para este jogo – obrigando à adaptação de Javi e de Emerson a essas funções – foi muito superior ao seu adversário, criou oportunidades para ganhar o jogo e a eliminatória, chegou ao empate e pressionou a equipa inglesa, calando os seus adeptos e deixando-os a roer as unhas. Acabaria por perder o jogo, quando, mesmo no fim, depois da cobrança de um livre que alimentara a esperança do golo redentor, com todos os jogadores na área dos ingleses, Raul Meireles ganhou o ressalto e correu sozinho para marcar o 2 a 1 final.
Os jogadores do Benfica foram simplesmente brilhantes: et pluribus unum. Todos, mas especialmente Matic (por que não joga mais?), Javi, Emerson (o patinho feio, a jogar a central, não teve um deslize e foi sempre valente), Witsel e Aimar. Na primeira parte Gaitan – para uma plateia que não tira os olhos dele - foi simplesmente deslumbrante.
E também Jorge Jesus esteve muito bem. Na preparação do jogo – aquela dupla de centrais improvisada não esteve bem por simples acaso, como é bom de ver – e, depois, no banco. Na forma como reagiu à expulsão, na forma como a equipa sempre acreditou e, por fim, nas substituições.
Temos equipa para atacar a parte final do campeonato, para ganhar os cinco jogos que faltam e, se assim for, conquistar o título de campeão nacional. Que, sustentado nas melhores exibições de grande parte da época, durante tanto tempo teve no bolso!