OS IMPOSTOS DA SENHORA LAGARDE
Por Eduardo Louro
Já não bastava a forma desastrada e inaceitável como a directora do FMI, Christine Lagarde, se referiu às crianças africanas e às gregas para falar de fuga aos impostos na Grécia. Desastrada, gravemente ofensiva de uns e de outros - de crianças africanas e de crianças gregas, mas em especial dos gregos – e da inteligência de todos nós. Como se quem fugisse aos impostos na Grécia – ou em qualquer outra parte - fossem exactamente os mais pobres, os pais das crianças que sofrem!
Não bastava isto. Era ainda preciso que ela própria não pagasse impostos. Que auferisse de rendimentos próximos de meio milhão euros anuais sem que, por isso, pagasse um cêntimo de impostos. Que autoridade!
Este é um mundo perdido, sem pés nem cabeça. Um mundo desigual, feito por e para uns poucos, que se arrogam ao direito ao disparate e à afronta sem perceberem que continuam a esticar uma corda que já não estica mais.
Quando a Europa o FMI e o mundo querem desesperadamente inclinar o sentido de voto dos gregos para os que, ironicamente, os levaram à actual situação – aqueles que enganaram os gregos e os europeus, que, com a ajuda dos Goldman Sachs boys, mentiram durante anos e anos nas contas que apresentaram à União Europeia, são os que eles proclamam agora como salvadores da Grécia, do euro, da Europa e do mundo – o comportamento da Senhora Lagarde mais não faz que acentuar o sentimento de revolta dos gregos.