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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Futebolês #54 CIRCULAÇÃO

Por Eduardo Louro

 

A circulação, em futebolês, nada tem a ver com ruas, estradas ou auto-estradas. Ou com peões, motas e carros. Ou com engarrafamentos. Refere-se à bola e à forma como ela evolui no tapete verde ao sabor dos movimentos dos jogadores.

Fazer circulação quer apenas dizer que uma equipa consegue fazer passar bola sucessivamente pelos seus jogadores. Aos adversários apenas é dada a cheirar!

Nesse sentido tem alguma coisa a ver com posse, outra das expressões do futebolês.

Uma equipa que privilegie a posse, como se diz, faz circulação. Quer dizer: desenvolve o seu processo de construção a partir de uma filosofia de posse e circulação, ao contrário de uma equipa que assente o seu jogo no passe longo ou no contra ataque a partir de transições rápidas (100% futebolês)!

Evidentemente que o actual expoente máximo da circulação de bola é o Barcelona, seguido pelo Arsenal. Fazem as delícias do espectador e, atrevo-me a dizê-lo, da própria bola. Que se delicia com a forma como é tratada por gente daquela categoria: Messi, Xavi, Iniesta, Nasri, Fabregas ou Van Persie são de um cavalheirismo ímpar no tratamento da bola. Fazem-na feliz!

Não faz circulação quem quer. Fá-la quem tiver, na quantidade necessária, jogadores de enormíssima qualidade para o fazer. Como são, entre outros, aqueles três primeiros – todos às ordens do mestre Pepe Guardiola – que esgotam a short list de onde sairá o melhor do mundo a anunciar daqui a poucas semanas, no início do ano.

Como também se consegue perceber, dispor de um conjunto de jogadores de altíssima categoria, sendo condição necessária não é, no entanto, suficiente: falta o mentor da filosofia de jogo, o treinador. Se não pertencer à escola que faz da circulação uma ideia de jogo, não conseguirá construir uma equipa capaz de fazer da posse e da circulação da bola um espectáculo ímpar como é um jogo de futebol. De ataque e de golos!

Essa é a escola que, com pequenas variantes, encontramos em Barcelona e em Londres e que se exibem para o mundo a partir do Nou Camp e do Emirates Stadium, sob as batutas de Guardiola e de Wenger! E que há 40 anos nasceu em Amsterdão!

Que a selecção espanhola, campeã da Europa e do Mundo, importou da Catalunha. Como a holandesa de há trinta e muitos anos, a laranja mecânica do então futebol total de Rinus Michels, importou do Ajax de Amsterdão.

Em Portugal a circulação parece que não é a mesma coisa. Não encontramos exemplos desta nobre dimensão do jogo, apesar de ainda recentemente a nossa selecção ter engasgado a circulação espanhola, como que a lembrar os engulhos da introdução de portagens nas SCUT. Mas isso foi uma ocorrência. Apesar de saborosa uma mera ocorrência!

Por cá a circulação tem mais a ver com jornais do que com a bola -se calhar não é por acaso que a circulação, no caso a circulação paga, seja utilizada na avaliação de desempenho comercial dos jornais – tem a ver a forma como se põem a circular notícias com objectivos de uma precisão cirúrgica!

Que o Benfica vai mal todos sabemos. O tema tem sido aqui frequentemente abordado ao longo desta época, desde Agosto.

O que se calhar nem todos sabemos é das notícias postas a circular com o objectivo, único e preciso, de aprofundar esse estado depressivo. De carregar bem para baixo!

Agora são as contratações de Janeiro. Nomes e mais nomes, todos os dias!

Com que objectivo? Com dois: destabilizar a equipa e desmobilizar os adeptos, com os inevitáveis falhanços!

A última destas notícias então é fantástica: dava conta que Kleber, jogador do Marítimo por empréstimo do Atlético Mineiro, chegaria ao Benfica já em Janeiro. Toda a gente sabe que a transferência deste jogador para o FC Porto é assunto arrumado desde o Verão passado. Que só não se concretizou na altura por falta do acordo com o Marítimo, circunstância que levou o jogador, em retaliação, a adiar sucessivamente o seu regresso ao Funchal.

A circulação desta notícia, cuja origem é bem fácil de identificar – difícil mesmo é perceber a facilidade com que lhe foi dada cobertura –, conseguia juntar um terceiro àqueles dois objectivos: exaltar mais uma banhada do FC Porto nesta guerra das contratações.

Que raio de circulação!

Apetites

Por Eduardo Louro

   

 

Sem que o esteja anunciado anuncia-se para o primeiro trimestre do novo ano um novo jornal. Ano novo, jornal novo: um semanário! Promovido, ao que se diz, pelo famoso Rui Pedro Soares, dirigido por Emídio Rangel e pronto a fazer cumprir um velho desígnio do PS, tantas vezes perseguido, outras tantas atingido e outras tantas ainda falido.

Mas assim é que é: quem quer controlar jornais ou fá-los ou compra-os! O Rui Pedro Soares, para não falhar este desígnio, aposta nos dois tabuleiros: quer comprar o SOL, ao que se diz em troca da indemnização que reclama, mas, prevenindo qualquer eventual insucesso nesta pretensão, avança no plano B e vai fazer o seu próprio jornal!

Não tenho dúvidas sobre o sucesso do projecto. Por uma lado um eminente gestor – o boy Rui Pedro – e, por outro, um senhor comunicação que lançou a TSF e a SIC e recuperou a RTP! Uma dupla perfeita e … de sucesso!

Ao primeiro, capacidade empresarial não falta. Como se viu na PT, onde foi o verdadeiro mentor da ambiciosa estratégia de desenvolvimento empresarial a partir da decisiva aposta na indústria de conteúdos de que a TVI era, obviamente (e apenas!!!) o principal pilar. Nem sequer capacidade de gestão, como se viu no Tagus Park. Nem capacidade financeira, depois do curto mas intenso processo de acumulação de capital que a sua passagem pela administração da PT lhe proporcionou – ao que se diz 1,533 milhões em salários em 2009 acrescidos de 1,8 milhões de indemnização pelo abandono prematuro do Conselho de Administração.

Ao segundo, a Emídio Rangel, não lhe falta perfil. Ao profundo conhecimento operacional acumulado em jornais, rádio e televisão, juntou as recentes aptidões de comentador e defensor oficial da situação. É o dois em um do projecto!

Só há um pormenor, um pequeno problema. Não, não é o facto do negócio de jornais ser um quase ilimitado sorvedouro de recursos, porque dinheiro, para estas coisas, nunca será problema: ninguém liga nenhuma ao Eric Cantona. É o mercado! Ou será que, também para estas coisas, nunca haverá crise? Que haverá sempre os mesmos do costume dispostos a assegurar muitas páginas de publicidade?

Afinal os negócios não estão parados. E há apetites insaciáveis!

Coisas esquisitas

Por Eduardo Louro

   

 

 Segundo o Diário Económico de hoje o primeiro-ministro José Sócrates admite reforma das leis laborais. Entrando na notícia fica a saber-se que “o primeiro-ministro promete revelar em breve pormenores sobre a reforma do mercado de trabalho, uma das recomendações de Bruxelas”.

Ainda há bem poucos dias Sócrates jurava a pés juntos que não havia nada a mexer neste domínio. Que a reforma da legislação laboral já havia sido feita!

Estamos, evidentemente, habituadíssimos a que este primeiro-ministro diga uma coisa e, logo a seguir, o seu contrário. O que por aí não faltam é vídeos e recortes de jornais a ilustrar este mimetismo camaleónico da personagem!

Não é portanto esse o ponto: já não vale a pena bater mais no ceguinho!

É outro… Ou outros! É que não somos nós a decidir o que quer que seja, é que perdemos completamente a soberania. Perdemos a vergonha, perdemos a cara e, claro, perdemos a coluna vertebral.

A Europa – esta actual União Europeia (UE) – é que decide o que temos ou não temos de fazer. E depois comunica-nos as decisões de uma maneira verdadeiramente extraordinária: quando decidiu que a Irlanda teria recorrer ao fundo europeu FMI(zado), e à sua receita associada, diz-nos que a Irlanda decidiu pedir ajuda! Quando chama a Bruxelas o nosso ministro das finanças para lhe dar ordens diz que o governo lhes apresentou um sério programa de reformas. Quando decide, com critérios e bases técnicas insondáveis – ninguém consegue perceber qualquer relação causa/efeito entre esta crise, seja ela nacional, internacional ou lá o que quiserem, e a legislação laboral –, que Portugal tem que liberalizar o despedimento individual (é só isso que, como é evidente, está em causa) faz uma mera recomendação.

E quando recusamos aumentar o salário mínimo em 25 euros mensais – para uns míseros 500 euros –, à revelia de tudo o que há muito estava acordado entre os parceiros sociais e da sua própria vontade, sim mesmo contra a vontade das entidades patronais, e à revelia do mais elementar bom senso, fazemo-lo com medo, sim com medo, da reacção da UE.

Claro que, chegados onde chegamos, todos percebemos que há facturas a pagar. Percebemos que não é em vão que se fazem tantas asneiras como temos feito, ou como temos permitido que fizessem. Percebemos, caídos no desgoverno em que caímos, que temos inevitavelmente de perder soberania. Muitos, nas actuais condições, até o desejam: creio que, entre os portugueses, nunca terão sido tantos os federalistas.

Mas o que não percebemos é que essa perda de soberania seja apenas isso. Sem nada em troca e apenas, mais uma vez e como sempre, um mero exercício de humilhação!

Tão esquisito quanto as coisas esquisitas que de lá vêm…

Inclusão

Por Eduardo Louro

   

 

 A Câmara Municipal, o Governo Civil e o Instituto Politécnico, todos de Leiria, aproveitaram a passada sexta-feira, dia 3 – Dia Internacional da Pessoa com Deficiência – para realizar a I Gala da Inclusão: uma iniciativa a todos os títulos meritória para, a partir de Leiria, sensibilizar a sociedade para a inclusão de pessoas portadoras de deficiência mas igualmente portadoras de múltiplas capacidades e virtudes. E, acima de tudo, credoras de respeito e dos mais variados factores de dignidade.

Foi bonito ver sair de Leiria um exemplo destes, virado para a realidade global da inclusão que, como tudo, começa nas crianças, e passa pelas acessibilidades, e pela educação. E pela formação! Mas que passa por muito mais: passa por nós, passa pela nossa própria sensibilização e pelo combate ao preconceito!

Foi bonito saber que em Leiria, no Instituto Politécnico, há quem se preocupe seriamente com estas coisas. Que há um Centro de Recursos de Inclusão Digital (CRID) que produz um fantástico trabalho em prole da inclusão. E que lançou uma campanha – “mil sorrisos, mil brinquedos” – através da qual uma enorme quantidade de brinquedos convencionais foi convenientemente adaptada à utilização por crianças portadoras de deficiência.

Foi bonito de ver a distribuição destes brinquedos por diferentes delegações de todo o país da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral.

Foi bonito saber que já há em Portugal empresas e organizações que dizem não ao preconceito e que promovem de facto a inclusão, cruzando muitas vezes empreendedorismo e pioneirismo.

E foi bonito de ver, como não podia deixar de ser, o espectáculo transmitido em áudio descrição e interpretado em linguagem gestual. Fiquei a perceber que é possível cantar em linguagem gestual, o que é absolutamente extraordinário. Que nem a surdez impede que se apreciem a música e as canções do David Fonseca!

 

PS: Para que conste, os galardões foram atribuídos ao grupo Impresa (comunicação), à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD (Curso de Engenharia de Reabilitação), grupo Auchan (boas práticas), World Bike Tour (desporto), ZON Lusomundo (acessibilidades) e Alunos da Escola Superior de Tecnologia e Gestão – ESTG do IPL (mérito regional, pela campanha “mil sorrisos, mil brinquedos”).

Futebolês #53 MANDAR

Por Eduardo Louro

 

 

No futebolês, o verbo mandar tem grande paralelo com o verbo queimar, aqui trazido há duas semanas. Também é de uso e abuso!

Poderíamos ser tentados a pensar que o verbo mandar tivesse passado de moda: não se manda, tomam-se decisões. Decide-se colegialmente, nada se impõe! E implementa-se, não se manda fazer! Lidera-se, pura e simplesmente…

Mas isso é nas novas teorias das organizações e na modernice dos novos processos de liderança. Ou simplesmente no domínio do todo-poderoso politicamente correcto! No futebol, apesar do seu contributo para as teorias de gestão, e em particular das comportamentais, com gurus de dimensão mundial – com Mourinho à frente de todos –, ainda se manda! E de que maneira!

Manda-se no jogo. Bom, dir-se-á que quem manda no jogo é o árbitro. E de certa forma assim é! Mas isto traz-me à memória aqueles azulejos que se viam nas lojas de artesanato ou de artigos regionais – pelo menos na minha região. Diziam assim (hoje já não seria politicamente correcto): “Cá em casa manda ela … e nela mando eu”!

Pois, no jogo manda o árbitro. Mas, depois, há quem mande nele! Tem havido…quem, assim, tenha mandado no jogo!

Mas mandar no jogo não é sequer isso. Não é nesse sentido. Mandar no jogo, assumir uma atitude mandona, tem a ver com isso mesmo. Com a atitude com que e equipa entra no jogo, impondo-se claramente ao adversário. Impondo a lei do mais forte e subjugando o mais fraco. Pode até deixá-lo respirar, não o sufocar. Mas subjugá-lo claramente! Assim como o Barcelona fez ao Real Madrid no início desta semana!

Isto de mandar no jogo tem que se lhe diga. Diz-se em futebolês que um joga o que o outro deixa. Transfere-se assim para o domínio da relatividade o desequilíbrio no confronto de duas equipas num jogo de futebol: pegando no exemplo anterior, o Barcelona jogou muito porque o Real, jogando pouco, o deixou; ou, ao invés, que o Real jogou pouco porque o Barça, jogando muito, não o deixou jogar mais.

Transportando isto para o mandar também se poderá dizer que cada um manda o que o deixarem mandar. O que não deixa de apontar para uma subliminar mensagem de apelo à subversão. Mesmo à revolução!

Mandar é mesmo atitude de mandão, de patrão à maneira antiga que não à patrão do futebolês – que é bem outra coisa, como aqui vimos já há muito tempo.  De dono e senhor! E por isso mandar no jogo é também tornar-se dono e senhor do jogo!

No entanto no jogo manda-se em muitas coisas e mandam-se muitas outras. Mesmo sem mandar no jogo!

Manda-se o árbitro para todo o lado. Que se vinga e manda os jogadores para a rua. E os treinadores! Veja-se o caso do Vilas Boas: dois empates, duas vezes para a rua. E já disse que ainda iria mais vezes… Eu espero que sim. Mas, se têm de o mandar para rua cada vez que empata, como será quando começar a perder?

Também os jogadores fazem tudo para mandar os colegas (??) adversários para a rua, quando deveriam ser eles próprios a ser mandados porta fora. Há por aí muitos especialistas. Fazem cada fita… Quando começarem a ser mandados ficar de fora talvez se emendem. Por vergonha e por lealdade é que já vimos que não!

E também ainda se manda à fava. Ou às ortigas. Foi o que Jorge Jesus fez no domingo ao repórter da TVI. Mandou-o à fava e, com um tchau, deixou-o a falar sozinho.

Uns acharam bem. Outros nem por isso. Uns acham que é apenas mais um episódio no folhetim de um ataque aberto da comunicação social. Outros que não passa de mais um sinal da desorientação que este ano se apossou do treinador do Benfica

Uns e outros poderão ter alguma razão. Quem a não tem, e que nada tinha a ver com isso, é seguramente o FC Porto, que se apressou a emitir um comunicado descabido: mais uma mera acção de guerrilha. Mandar o barro à parede? Não, apenas mandar areia para os olhos!

 

Candidatura P(IIG)S

Por Eduardo Louro   

 

E lá foram eles… Já lá estão, contentes e confiantes!

E nós cá ficamos, presos a um olhar distante fixado nos mercados. Percebemos que riem. Que riem perdidamente!

Não percebemos o que dizem … Mas lemos-lhes os lábios: “ … loucos e contagiados, o que é que lhes havemos de fazer?”

A mim inquieta-me apenas uma dúvida: em que candidatura votará a Alemanha?

E o que pensará a Srª Merkel disto tudo? Nunca o iremos saber... Vão fechar o Wikileaks!

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