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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

JÁ NÃO HÁ SENADORES

Por Eduardo Louro

 

A blogosfera, bem como os media em geral, fez eco das declarações de Jorge Sampaio numa conferência organizada no Porto pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial (APGEI). “Portugal está em apuros” – proclamou Jorge Sampaio. Toda a gente pegou nesta expressão, colou-lhe a célebre “há vida para além do défice” e apontou-lhe o dedo acusador!

“Portugal está em apuros” porque, como hoje vemos claramente, “há vida para além do défice” mas não presta. “Há vida para além do défice” mas é uma vida que nos deixa “em apuros”!

Outras das revelações de Sampaio, no mesmo fórum, que fez carreira mediática foi a ideia que a solução política deve passar pelo entendimento entre as diferentes forças políticas e não por eleições. Se nos “apuros” ninguém podia esquecer o “além do défice”, aqui ninguém pode, e poucos querem, esquecer que foi ele próprio a recusar esse caminho quando na presidência se cruzou com essa oportunidade.

Parece-me oportuno reflectir sobre isto. Sampaio fez dois mandatos presidenciais tranquilos e saiu com altíssimos níveis de popularidade. Que não são alheios à afectividade que introduziu nas suas magistraturas e à emoção que emprestava às suas intervenções públicas, frequentemente acompanhadas de uma “lágrima no canto do olho”. Nem, evidentemente, aos tempos áureos daquela “vida para além do défice”, com os épicos anos de 1998 e 2004!

Quando derrubou Santana Lopes e dissolveu o parlamento Sampaio teve inequivocamente o apoio da imensa maioria de todos nós. Quando, poucos meses antes, com aquela famosa frase sobre o défice se atirou à “obsessão” de Manuela Ferreira Leite pelo combate ao défice, também foi de encontro ao que a maioria da população então pensava. Era fácil porque, evidentemente, ninguém quer fazer sacrifícios. Mas foi assim!

Mas isso hoje já não conta para nada. O estado a que o país chegou, a total degradação das instituições, a desagregação social e a desesperança que tomou conta de todos nós não nos permitem hoje outra atitude que não seja a de apontar o dedo. Responsabilizar todos os que tenham passado pelo poder, mesmo pelos mais altos cargos da nação. Lembrar-lhes que são co-responsáveis. Que não damos qualquer crédito às ideias que emitam partir das suas poltronas senatoriais. E de lhes demonstrar que lhes negamos esse estatuto senatorial!

E, porque assim é, não tem importância nenhuma que Jorge Sampaio, por exemplo, tenha também dito que “o que está em causa não é só um plano de austeridade para sanear as finanças públicas, como também não é só um plano de crescimento a médio prazo, para melhorar o desempenho da economia”, que Portugal necessita “de um plano para reduzir as desigualdades sociais e a pobreza”.

ARBITRAGENS

Por Eduardo Louro

 

Hugo Chavez anda doido – em sentido figurado, já se vê – para assegurar a liderança de um processo de arbitragem na Líbia.

Só ele - já que Fidel Castro, que também desmascara a "colossal campanha de mentiras" sobre a Líbia, como se sabe está doente - diz, está em condições de assegurar a independência arbitral no conflito que opõe o seu amigo Kadhafi – com quem se mantém em contacto permanente – ao povo líbio. Dizem as notícias que o governo de Kadhafi em Tripoli já aceitou essa mediação! E que a Liga Árabe também!

Pronto: soma-se um novo conflito, agora entre a Venezuela e a Comunidade Internacional!

Mas aí abre-se uma nova janela de oportunidade e emerge a figura internacional de Sócrates: negociar o que quer que seja com Kadhafi e com Chavez é com ele!

 

GENTE EXTRAORDINÁRIA VII

 

Por Eduardo Louro

 

Os serviços da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) inscreveram, por erro, a atleta Sara Moreira na prova dos 1500 metros do campeonato europeu em pista coberta, em vez de a inscreverem na dos 3 mil metros: a sua especialidade, onde é vice-campeã europeia e actual detentora de uma das melhores marcas mundiais, e a prova que preparou durante meses e meses de trabalho e sacrifício.

A atleta, diz-se, encontra-se em grande forma e alimentava legítimas expectativas de uma medalha.

O presidente da FPA, Fernando Mota, apresentou de imediato a demissão. Quando tudo falha resta a nobreza de carácter. Não resolveu nada – dirão alguns! Só fez o que tinha a fazer, nada de mais – dirão outros!

Sim, mas não estamos habituados a isso. Em Portugal a culpa é solteirona, a água é sempre sacudida do capote… As responsabilidades são sempre dos outros!

Vemos isso no governo, todos os dias. Mas vemos isso também todos os dias no nosso dia a dia.

Por esta cultura, teria sido muito fácil a Fernando Mota culpar o funcionário ou a funcionária que errou. Mas não, teve a nobreza suficiente para reconhecer o sofrimento causado ao outro: uma atleta, a quem a incúria deitava borda fora meses de sacrifícios e destruía objectivos de uma vida. E perceber que, nada podendo reparar, tinha de tomar a única atitude digna que lhe restava.

Seria bom que a gente extraordinária que manda neste país olhasse bem para este exemplo!

 

SEM PRESIDENTE, SEM GOVERNO E SEM NADA

Por Eduardo Louro

 

Ontem o ministro das finanças, e logo a seguir o primeiro-ministro, vieram avisar o país de que o governo tudo faria para cumprir o défice orçamentado. Tudo, explicaram bem, é mesmo tudo!

Nós ouvimos estas coisas e ficamos à rasca: o que é que aí virá agora?

O que é que se estará a passar para, sem mais nem menos, desatarem a falar destas coisas? É que acabaram de nos dizer que a execução orçamental estava a correr muito bem: o mês de Janeiro tinha sido excepcional – a despesa 60% abaixo da de Janeiro de 2010 (sabemos que se estão a comparar alhos com bugalhos, mas enfim, deixemos passar as boas notícias) – informava-nos o governo ainda há uma semana através da manchete do Expresso. O próprio Sócrates, enquanto ia confirmando as ameaças de Teixeira dos Santos, dizia, ao mesmo tempo, que não, não estava à espera que fossem necessárias medidas adicionais: era bom de ver – dizia ele – que se fossem necessárias já estariam no orçamento!  

Mas isso é ele a falar: como já todos sabemos vale o que vale. Pouco! O que fica, o que conta, é que foram logo os dois – um a seguir ao outro, a meter-nos medo com mais papões!

Seria por estarem na véspera da viagem de beija-mão à Alemanha? Ou será, ao contrário, porque já sabem o que Ângela Merkel lhes vai mandar fazer?

Seja pelo que for são sempre razões mais do que suficientes para ficarmos preocupados. Mais impostos? Mas como? Mais cortes na despesa social? Mas onde?

Daí que, naturalmente, tenha sido pedido um comentário ao presidente. Um presidente de que já não dávamos conta há uns tempos!

Também não é de agora, se bem que agora haja uma boa desculpa: o novo presidente ainda não tomou posse!

E, claro, se ainda não tomou posse não é presidente. Tudo explicado!

Quem fez a pergunta deveria saber que um presidente que é mas não é não responde. Que só fala depois de tomar posse…

Confesso que até não me parecia mal: haveria aqui um espaço de tempo qualquer sem presidente. Não sabia bem que período seria esse, mas isso era seguramente um problema meu!

Afinal não é nada disso. Há sempre presidente, não há qualquer vazio presidencial. Porque, logo a seguir, ele promulgava a lei que – facilita ou permite ou lá o que é – a mudança de sexo e de nome. E falou! Disse que o fazia por imperativo constitucional. Não era isso que ele queria mas era obrigado a isso!

Falar por falar eu teria achado muito mais graça se ele o tivesse feito para nos explicar – ele que até é professor de economia – o que é que aqueles dois maduros querem dizer com aquilo… Mas pronto, esperemos pelo dia 9. Já só falta uma semana!

E para vocês: Boa viagem! Não se esqueçam dos nossos cumprimentos à Srª Merkel ... E digam-lhe que ela está nos nossos corações!

PARADOXO IMBECIL

Por Eduardo Louro

 

Acabo de tomar conhecimento desta: as mulheres que tenham interrompido voluntariamente a gravidez, nos termos da lei da respectiva despenalização, têm direito a subsídio de maternidade.

É verdade, este aborto existe! Está plasmado na lei! Alguém escreveu uma barbaridade destas, alguém aprovou uma imbecilidade destas, e alguém promulgou esta aberração!

Impunemente! E sem sombra de pudor...

CHOQUE DE GERAÇÕES

Por Eduardo Louro

 

A opinião publicada tenta reinventar a velha luta de classes de Marx aplicando-a agora a um novo conceito em que as gerações substituem as classes sociais. Onde as gerações mais novas são agora o proletariado oprimido e explorado pela burguesia opressora e exploradora que são os mais velhos. Os seus pais, vejam bem!

A ideia começou a espalhar-se já há alguns anos com a perspectiva de, pela primeira vez, os filhos poderem vir a ter uma qualidade de vida inferior à dos seus pais. Sem grandes justificações mas apenas porque sim.

Depois foram os investimentos públicos nas mais diversas infra-estruturas a dar uma mãozinha. Que, agora cada vez mais sofisticados e exigentes nas suas múltiplas variáveis, projectam responsabilidades financeiras sobre várias décadas, a partir de cada vez mais sofisticadas engenharias financeiras “legitimadas” por um princípio novo que se dá pelo nome de utilizador-pagador. Ora, se as gerações vindouras virão a ser utilizadoras…

Claro que também herdam muitas dívidas sem contrapartida, porque se andamos há tanto tempo a consumir mais do que produzimos, alguém haverá de pagar isso. Se pagar… mas isso é outra estória!

Mas também o mundo mudou. E muito! Apenas três exemplos bem espalhados pelas duas últimas décadas: o desabamento do bloco de leste,  a posterior e consequente globalização, e a questão demográfica.

Com o desaparecimento, por implosão, do bloco soviético desapareceu também o grande “regulador” do sistema. Paralelamente aumentava esmagadoramente a oferta de uma mão-de-obra bem qualificada e barata.

A globalização gera deslocalizações de investimento, com a consequente perda de postos de trabalho mas, fundamentalmente, obriga à deslocalização de recursos, com o surgimento de largos milhões de novos consumidores que aspiram um dia chegar aos padrões de consumo do mundo desenvolvido.

E que, com a ajuda  da redução da taxa de natalidade nos países mais desenvolvidos, põem em causa uma enorme série de coisas que dávamos por adquiridas: os tais célebres direitos adquiridos que muitos, por andarem distraídos ou por quererem distrair os outros, querem dar por sagrados.

As novas gerações vivem níveis de conforto como nenhuma outra. Apresentam-se como a geração mais qualificada. E são – no na realidade, porque dispuseram de condições como nenhuma outra. Mas é também por isso, porque essa qualificação não é hoje uma vantagem comparativa tão decisiva como nas gerações anteriores, que lhes está mais fechado o acesso aos níveis de conforto dessas gerações. Recorrendo à imagem – que não é minha, vi-a por aí, não sei onde – de um diploma equiparado a um bilhete de lotaria, agora, com tantos, é mais difícil ser premiado.

Parece-me que seria mais interessante discutir isto – isto e o resto, bem entendido, porque os problemas existem, não são meras invenções destes jovens de hoje, como existem todos os outros que afectam todos os outros, em particular os que têm o azar de cair no desemprego logo a partir dos 40 anos – do que inventar uma guerra de gerações alimentada por uns tantos analistas que, à esquerda e à direita, gostam de se entreter com exercícios que acabam mas é por chocar as gerações. Todas!   

Creio que, nunca como agora, aquilo que sempre entendemos como choque de gerações esteve tão esbatido. O que hoje temos para enfrentar não é um choque de gerações, são dificuldades, e muitas, que atravessam todas as gerações. Estamos todos à rasca, essa é que é essa!

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