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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

POIS...POIS...

Por Eduardo Louro 

 

Inequivocamente vamos apoiar Fernando Gomes: com estas palavras, proferidas na apresentação, em Lisboa. da candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol, Luís Filipe Vieira acaba de confirmar o que se suspeitava. “Deixem-no fazer a equipa, deixem-no trabalhar… “, acrescentou!

Ao que se chegou. Pinto da Costa, esse, não apoia ninguém…

 

IR MAIS LONGE QUE A TROIKA

Por Eduardo Louro 

 

Ir mais longe que a troika é uma expressão que entrou no nosso quotidiano, passamos a ouvi-la com tanta frequência que é como que já faça parte da família. Foi entrando gradualmente nas nossas vidas e temos agora a obrigação de a conhecer em toda a sua profundidade.

Foi o governo quem tratou de a fazer chegar até nós quando, pouco de pois de tomar posse, começou a dizer-nos que teríamos de ir mais longe que a troika. Começamos logo a perceber que isso era o eufemismo de vamos ser mais duros, vamos exigir-vos mais sacrifícios do que aqueles de que estão á espera. Não foi preciso nada para percebermos de imediato a coisa: veio logo a metade do subsídio de Natal e ficamos esclarecidos!

Nem tanto. Se percebemos que era irem-nos mais fundo aos bolsos, ficava ainda muito por perceber, até porque, de seguida, surgiu a tal do desvio colossal que ninguém entendeu. Nem mesmo depois daquela explicação do ministro Gaspar, a mudar a posição do colossal como se fosse uma peça de um puzzle.

Depois, bem depois, quando ressuscitou e começou a falar, seria o PS a dizer que não contassem com eles para ir mais longe que a troika. Tudo até à troika, nada para além da troika!

Os mais bem-intencionados de nós começamos a pensar que talvez fizesse algum sentido. Os governos gostam de fazer o mal todo logo no início dos mandatos, para deixar para o fim alguns doces que lhes garantam a reeleição. Talvez o governo queira entrar já a matar para encurtar caminhos e, em vez de levarem três anos a resolver esta coisa, a queiram resolver em dois, ficando a restante metade do mandato para levantar a moral e alargar um pouco a silhueta do pagode. Coisa que ao PS não poderia agradar, preferiria evidentemente que o governo levasse todo o mandato a aperrear-nos a barriga para que as eleições lhe pudessem correr bem.

Não tivemos muito tempo para validar esta tese estratégica de médio/longo prazo de uns e de outros. Também já deveríamos saber bem que nisto de pensar à distância eles nunca deram grandes provas. Nem mesmo quando o tema é eleições!

Começaram a sair os esqueletos dos armários – sector público empresarial, mais BPN, mais umas facturas escondidas numas gavetas de um instituto qualquer e … Madeira, e depois, ainda mais Madeira e ainda a Madeira que há-de estar para vir – e percebemos, finalmente, o que era ir mais longe que a troika.

Temos que ir mais longe que a troika porque, provavelmente num dia de forte nevoeiro – à espera do D. Sebastião – alguém lhe disse que o caminho terminava ali, que para a frente não havia mais nada. Mas D. Sebastião não regressou – se anda há quatrocentos e tal anos para regressar por que raio haveria de escolher precisamente esta altura – e, porque Portugal é um país de sol, o nevoeiro foi levantando e deixando à vista o resto do caminho: mais longe que a troika!

Mas a história não acaba aqui. Não acaba quando desvendamos o mistério e percebemos que ir mais longe que a troika é uma história de esqueletos. A parte de verdadeiro terror da história, mais do que esqueletos, caveiras e lençóis brancos, mete gente exausta, sem ãnimo e sem qualquer reserva energética para prosseguir. Que não consegue ir mais longe e começa a mandar uns papéis – talvez dobrados em forma de aviõezinhos – para fazer o resto do caminho.

Pois é, sãos os fundos de pensões dos bancos – já nada mais resta para a maquilhagem, Bagão Felix, Manuela Ferreira Leite e Teixeira dos Santos já gastaram tudo o que havia no camarim - a fazer o resto do caminho. Porque a meta – o fim do caminho – é para cumprir, garante o governo. Não diz é que é desta maneira!

 

 

FIM DE LINHA

Por Eduardo Louro 

 

O governo grego anunciou expressamente que não irá cumprir o acordo de resgate financeiro assinado com a troika. Já toda a gente sabia que tudo falhara, esta não é mais que a confirmação oficial dessa realidade!

Há muito que se sabe que montante do financiamento - 110 mil milhões de euros – era insuficiente. Há muito que está a ser negociado um reforço de montante idêntico – mais 100 mil milhões. Há muito que sabe que, naquelas condições, o resgate é uma missão impossível. Que, nas mesmas condições, mais 100 mil milhões é apenas mais dinheiro deitado para cima de um problema que a UE, em vez de ajudar a resolver, agravou.

O governo grego diz que este ano o défice será de 8,7% do PIB, contra os 7,6 acordados. Para o próximo ano – se é que alguém acredita que haja na Grécia alguma condição para estabelecer seriamente qualquer previsão – aponta par 6,8, acima dos 6,5 estabelecidos. Enquanto na rua os gregos mandam os homens da troika para casa e gritam que não querem o dinheiro deles, no Luxemburgo, à entrada para a reunião do Eurogrupo - que mais uma vez irá fingir que procura uma solução – o ministro das finanças, Evangelos Venizelos, falava grosso, recusando o papel de bode expiatório e reclamando o orgulho nacional grego. Nada que lhe valha de muito, mas é sintomático…

A economia grega caiu lá em baixo, bateu no fundo. Porque seguia a caminho do precipício e porque a receita do programa de resgate – sempre a mesma e cega austeridade, punição em vez de remédio – mais não fez que dar gás até ao abismo. É a espiral de destruição económica alimentada pelo ciclo vicioso da austeridade!

Ainda se ao menos viesse a tempo de nos servir de exemplo para alguma coisa … Mas já não vem!

 

QUE AJUDA!

Por Eduardo Louro 

 

Que ajuda! Cajuda!

Sou um adepto da União de Leiria – toda a gente tem um segundo clube, e o meu é precisamente o União, clube que vi nascer e crescer como nenhum outro - que integra uma maioria silenciosa (na semana do 28 de Setembro, quando já ninguém se não lembra maioria silenciosa de 74, a expressão vem a propósito) de adeptos que se não revê na actual vergonha que é o divórcio do clube com a cidade, que mais não é que uma sucessão de muitas outras vergonhas que têm marcado os últimos anos de um clube que tinha tudo para ser uma bandeira da região.

Assisti a este início de campeonato nesta precisa condição de adepto desiludido e afastado, vendo ali a equipa mais fraca da liga, logo à segunda jornada, no jogo com o Porto, com um treinador dado como um dos muitos yupis da nova geração que, percebia-se, estava completamente afastado da realidade, como vem sendo habitual neste nosso país. Depois veio Vítor Pontes, um homem da casa e que ali havia sido feliz, apontado, pelo próprio, como um dos delfins do special one, mas que, longe de Leiria, nunca confirmara essa premonição. Duas derrotas e 17 dias depois seria, sem mais nem menos, mais um da vasta lista de humilhados de Bartolomeu, o Pinto da Costa número dois do futebol português.

E regressou Cajuda, um técnico da velha guarda, à boa e antiga escola portuguesa. Que tem reclamado da injustiça de nunca lhe ter sido dada a oportunidade de treinar um grande e, em particular, o nosso comum Benfica. Começou à sua maneira – já estafada é certo mas que, comparada com a do Vítor Pereira, parece saída dos novos compêndios das mais prestigiadas universidades -, dizendo que não tinha medo do jogo com o Braga e avisando os jogadores de que, tem o tivesse, ficasse em casa. Provocou depois os mais puritanos da comunicação quando disse que o empate com o Braga seria um bom resultado.

Mas ganhou, e ganhou bem, o seu primeiro jogo com o novo grande. Depois de uma entrada sufocante do Braga, a equipa primeiro resistiu e, depois, dominou. Dominou toda a segunda parte e desperdiçou oportunidades de alargar o marcador. É Cajuda num dos seus múltiplos milagres, o Cajuda de que a gente gosta.

Leiria, apesar de tudo, agradece. E Vítor Pereira também: a derrota de Jardim poderá ser mais um desvio na sua rota para o Dragão. Esta terá sido a melhor notícia que recebeu antes do jogo com a Académica!

Futebolês #95 CHICOTADA PSICOLÓGICA

Por Eduardo Louro

 

É uma das expressões do futebolês mais vulgarizadas. A chicotada psicológica é uma chicotada aplicada ao treinador na expectativa que produza efeitos psicológicos nos jogadores, que lhes dê a volta ao estado anímico.

Tem, como não podia deixar de ser – o futebol(ês) é isto mesmo – o seu lado anacrónico: o acto não produz os seus efeitos sobre o sujeito mas sim em terceiros. O treinador é que é chicoteado para que os jogadores emendem caminho. Ou os jogadores é que andam por maus caminhos mas o treinador é que leva o castigo.

Tem uma explicação simples: o treinador é só um; os jogadores são às dezenas. E outra, também pouco complicada: por cada treinador empregado há no mínimo dez à espreita, à espera e a fazer figas para que as coisas lhe corram mal. Mal surge a oportunidade e lá está um disposto as dar o seu cunho pessoal, a fazer crer que a equipa vai passar a ganhar os jogos todos e a injectar moral naqueles jogadores como se de penicilina se tratasse.

Uma vez por outra a coisa até resulta, e é isso que dá força à chicotada psicológica. Ninguém se lembra das vezes em que tudo fica na mesma, essas não contam para nada. Em memória ficam as que resultam!

Em menos de dois meses de competição muitas foram já as chicotadas. A primeira deu-se em Guimarães, logo na segunda das seis jornadas já cumpridas, quando o mestre do verbo – com uma linguagem própria, o já famoso machadês, que ameaça a hegemonia do futebolês – foi trocado pelo que estava em Paços de Ferreira donde, por causa de um boné ridículo que são obrigados a usar, estão todos doidinhos para fugir.

Esta mudança de Paços de Ferreira para Guimarães começa já a tornar-se um clássico. Não fosse o Sporting, entretanto e sem saber muito bem como, ter desatado a marcar golos no primeiro minuto e a conseguir aguentar-se nos restantes oitenta e muitos, e já começávamos a ver o tipo que veio da capital do móvel, sem aquecer o lugar na capital da cutelaria (será que ainda é ou já só sobra o mito?), a caminho de Alvalade…

Em Leiria mora – mas não joga – o campeão das chicotadas. Já vai no terceiro treinador, agora o velho Manuel Cajuda – dois regressos, o seu próprio regresso a Leiria e o regresso de Bartolomeu a treinadores feitos -, depois da chamada ao castigo (vingança antiga?) de um homem da casa - o pobre do Vítor Pontes - que viu o sonho de voltar ao trabalho depois de tantos anos de desemprego esfumar-se em apenas 17 dias.

Mas o chicote não pára, continua no ar, ameaçador. Agora que o Domingos Paciência parece tê-lo afastado para o lado, lá está ele bem à vista em Vila do Conde – o chicote não sabe o que é gratidão, não é Carlos Brito? – e, de novo, em Paços de Ferreira, onde o novo portador do boné (o boné – outro boné - era a imagem de marca do Pedroto, o Zé do Boné como, entre outras coisas, lhe chamavam) ainda não conseguiu um pontinho sequer. Mais escondido, mas nem por isso menos à mão de semear, está ele no Dragão.

Sim, sim! O Vítor Pereira já tem as costas a jeito, não vá a solidariedade portista de Coimbra falhar desta vez. E pode muito bem falhar, porque já se diz que na calha estará mesmo o rapaz de Coimbra. É que o Porto já lhe tomou o gosto, foi de lá que veio o último, o da cadeira de sonho… Que tão rapidamente deixaria vazia, e com tanto vazio à volta!

Creio que Vítor Pereira já pouco poderá fazer para fugir do chicote. Está perdido e sem Norte; o que o Norte não perdoa!

Não basta querer parecer. Se fosse assim - como ele afinal pensava que era - haveria mais Mourinhos e mesmo Vilas Boas. Há realmente muita coisa que o ainda treinador do Porto não sabe. A começar pelo princípio de Peter, tão simples e tão velho…

 

 

 

 

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