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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

HELLO OITAVOS

Por Eduardo Louro 

 Um empate com sabor a vitória (SAPO)

O Benfica já lá está. Nos oitavos de final da Champions, por onde não andava há uns tempos! Uma saudação aos oitavos vinda desde Manchester, a very british hello…

Foi sofrido, é certo, mas é assim que as coisas sabem sempre melhor. Não foi uma grande exibição mas foi um jogo bem conseguido que garantiu muitas coisas: o apuramento, que era o mais importante, e a invencibilidade na época, que é sempre notável. O Benfica continua sem perder qualquer jogo oficial, provavelmente a única na Europa a este nível de competição!

Mas nem tudo são rosas e há a lamentar a lesão de Luisão. Mais que qualquer outra coisa. Mais, muito mais, que o golo do empate dos ingleses, obtido em fora de jogo. Irregular, portanto!

E o Teatro dos Sonhos calou-se para ouvir cantar Benfica. Foi bonito!

TENTAÇÕES

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 

Aproveitando a sugestão aqui abaixo deixada, visitei a XIII Mostra de Doces e Licores Conventuais no Mosteiro de Alcobaça, evento que mobiliza todos os sentidos, para deleite de um ambiente monástico que mistura o virtuosismo do celestial com a sensualidade do profano. Que nos convida ao pecado e ao devaneio pelas barrigas de freira, maminhas de noviça, papos de anjo, toucinho-do-céu, beijinhos de freira, pecados de anjo, pecados de freira, divina gula…. E tantas e tantas mais tentações!

Os conventos nunca estiveram isentos destes e outros pecados, sendo consentidos alguns prazeres que notificaram mestres da arte da gastronomia e da doçaria. Entreguemo-nos pois ao pecado da gula sem que o peso da culpa que nos leve, sem mais, aos infernos.

Terminamos a visita saindo dos claustros do mosteiro pela porta que dá acesso à sala dos reis, e desta à nave da igreja de Santa Maria, onde nos deixamos elevar com as linhas arquitectónicas do gótico e as ressonâncias dos cânticos litúrgicos. Assim, apaziguamos o sentido de culpa, redimimos os pecadilhos cometidos ali ao lado e saímos com a promessa de moderação… Até daqui a um ano, até à próxima mostra de doces conventuais, mantendo a esperança que as sanções da troika e a mediocridade da governação nos não retirem por inteiro o acesso ao prazer de viver.

 

GENTE EXTRAORDINÁRIA XII

Por Eduardo Louro 

 

O António José, Seguro de que é gente extraordinária, lembrou-se agora de perguntar pela legitimidade democrática da troika.

Quando esses senhores falam é em nome próprio ou representam as instituições? O BCE e a Comissão Europeia estão de acordo? Quem tomou a decisão? Qual a base democrática?”

Extraordinárias perguntas, de gente extraordinária!

Futebolês #102 GRUPO DE TRABALHO

Por Eduardo Louro

É frequente encontrar expressões do futebolês exactamente iguais às do português corrente. Nunca querem dizer o mesmo, têm significados completamente distintos. Poderíamos dizer que são expressões homófonas, que é coisa que não existe mas poderia muito bem existir!

Grupo de trabalho é uma expressão frequente na linguagem portuguesa. Por tudo e por nada em Portugal se cria um grupo de trabalho. É, muitas vezes, o primeiro passo para se não fazer nada, mas isso são contas de outro rosário. Com pior fama só mesmo as comissões parlamentares de inquérito. Não sei se será por isso – por nem sempre dar os melhores resultados, como ainda esta semana foi o caso do do serviço público de rádio e televisão, ou simplesmente pela moda dos anglicismos - que se tenha começado a substituir o grupo de trabalho por task force!

O grupo de trabalho é, em linguagem corrente, marcado pelo circunstancialismo. Cria-se um grupo de trabalho para uma tarefa específica – daí que a expressão inglesa faça mesmo sentido – que se esgota com a própria tarefa. Já em futebolês o grupo de trabalho é permanente. Não é um grupo construído para desempenhar uma determinada tarefa, mas um conjunto de equipas multidisciplinares integradas numa organização com missão, objectivos e estratégia.

Em futebolês o grupo de trabalho integra os jogadores - o plantel - e as equipas técnica, médica e administrativa, donde emerge o treinador com uma liderança absoluta. Seja na estrutura inglesa, onde o treinador – coach - é substituído pelo manager (o líder da organização que integra grupo de trabalho – Mourinho, no Real Madrid, para atingir esse desiderato não descansou enquanto não afastou o director desportivo, Jorge Valdano) seja na estrutura à portuguesa, que espalhou directores desportivos por tudo o que é sítio, mas quem manda é o treinador.

Em qualquer circunstância é claro que plantel e treinador são as peças fundamentais e a chave do grupo de trabalho. O resto, quanto menor visibilidade menor. Pede-se-lhe descrição e eficácia!

Vejamos o caso da selecção nacional. Porque está em alta, agora que tem na mão o guest card dos convidados de última hora para a festa de Junho na Polónia e na Ucrãnia, e porque, estando integrada numa organização de grande dimensão e dispondo de todas as estruturas, é actualmente um dos mais flagrantes exemplos do poder absoluto do treinador. No grupo de trabalho está lá tudo: um vice-presidente da Federação, um director desportivo, um departamento médico, etc.. Mas quem manda é o Paulo Bento! Para o bem e para o mal. Demasiadas vezes para o mal…e sempre em nome da defesa do grupo de trabalho! No futebol toda a gente põe a defesa do grupo de trabalho acima de tudo...

Para defender o grupo de trabalho foi inflexível com Ricardo Carvalho. Mas o grupo de trabalho é que deveria ter evitado o caso Ricardo Carvalho. Deveria haver lá gente que percebesse que a corda estava a esticar para intervir antes que ela partisse. Com Bosingwa deveria ter sucedido o mesmo. Logo que se percebeu que havia mosquitos por cordas alguém deveria ter actuado.

Quando, na terça-feira, Paulo Bento não resistiu ao inebriante odor do sucesso para desferir o golpe final nos dois proscritos, mostrou que não sabe liderar. Mostrou que poderá ser um bom sargentão, mas nunca um líder natural e, por muito que esta opinião vá contra a corrente, terá hipotecado um futuro de sucesso. Porque, hoje, a linha que separa a capacidade de liderança do autoritarismo gratuito é a mesma que separa o sucesso do insucesso.

O plantel da selecção nacional é a única estrutura do grupo de trabalho que não pertence à Federação. Os jogadores não são propriedade da Federação, chegam lá por empréstimo. Mas constituem os principais activos de alguns dos maiores clubes do mundo. Ora, com a sua história no Sporting e com estas posições na selecção, que grande clube poderá estar interessado em lhe entregar a gestão dos seus principais activos?

Se o caso Ricardo Carvalho se precipitou rapidamente, deixando a Paulo Bento pouca margem de gestão, já no de Bosingwa teve todo o tempo e toda a tranquilidade. Tudo começa em Fevereiro. Há um mês Paulo Bento diz que tem dois laterais direitos melhores, sabendo que toda a gente percebia o tamanho da mentira. Logo depois comunica: com ele, Bosingwa nunca mais. Finalmente, já em festejos do apuramento, explica: porque simulou uma lesão para não jogar no particular com a Argentina, em Fevereiro. Depois do jogador provar, e do médico do grupo de trabalho ter confirmado, que nada lhe permitia concluir da simulação da lesão, de ter exigido um pedido de desculpas e de, por fim, dizer que com com este seleccionador não voltará a jogar na selecção, Paulo Bento tem a lata de dizer que, com esta declaração, o Bosingwa é que se afastou a ele próprio da selecção.

Paulo Bento transformou-se, dentro e fora do jogo, num novo Scolari. Duro que nem o sargentão, desenvolve uma estratégia de grupo baseada na cumplicidade alimentada a fidelidade canina. Teimoso e fechado que nem o sargentão, concentra-se nos jogadores em vez dos conceitos de jogo. Arregaça as mangas e, incapaz na planificação técnica e táctica aposta no conflito e nas emoções. Tal como no declínio de Scolari…

 

A PARÁBOLA DO ESCORPIÃO

Por Eduardo Louro 

 

A troika é, como se sabe, uma emanação do FMI. A Comissão Europeia e o BCE não estão lá a fazer outra coisa que compor o ramalhete: não têm experiência nestas coisas, acabam agora de entrar nestas andanças!

Das ondas levantadas pela conferência de imprensa de anteontem – que Ulrich pretende agora proibir – e da entrevista do representante do FMI, o dinamarquês Paul Thomsen, à RTP, os media escolheram surfar a da redução de salários no sector privado. Viram ali a onda gigante da Nazaré, da semana passada!

O assunto não constava no texto oficial da troika, mas não foi poupado em tudo o que foi intervenção pública. Na conferência da CIP de ontem – onde tanta coisa importante foi dita, como, por exemplo, Belmiro de Azevedo a dizer que já não acredita neste governo nem neste presidente, ou Fernando Ulrich a dizer o que disse mas, mais importante, a dizer (o que não disse) que a economia não vai poder contar com crédito no próximo ano – aquela confederação patronal não se mostrou nada entusiasmada com o assunto. Importante, na sua perspectiva, é a flexibilidade de gestão do banco de horas resultante da meia hora diária de trabalho adicional. O primeiro-ministro, em Angola, chutou para canto. Oficialmente o assunto não existe! Os opinion maker oficiais do regime vêm a correr desvalorizar o assunto. Com duas correntes: uma que argumenta que isso já foi feito no sector privado e outra que garante não se justificar fazer o que os outros dizem que já foi feito, porque é o prémio de risco do sector. Quer dizer, os trabalhadores do sector privado pagam tudo com língua de palmo através do risco de desemprego. Os do sector público, imunes ao desemprego, é que têm de se contentar com a baixa de salários! Que, ainda por cima, é corte de despesa!

Não é, evidentemente, porque toda a gente esteja contra esta ideia de baixar salários no sector privado que a medida não tem pernas para andar. Ou que a troika não a inclua nos relatórios oficiais. É apenas porque, provocando quebras de receita (IRS e Segurança Social) cavaria mais fundo o buraco orçamental.

O FMI assenta a sua receita na desvalorização cambial. Sempre assim foi, e nunca, até agora, encontrara situações como esta. Não tem plano B! Por isso procura a competitividade nunca através da valorização do que quer que seja mas da desvalorização de tudo o que tenha à mão. E, à falta de moeda, lá vêm os salários em primeiro lugar!

Perguntar-se-á: então mas se, mesmo que funcionários de sétima linha - como o presidente do BPI lhes chama - estes técnicos da troika sabem que aumenta o défice, por que carga de água não resistem a insistir na redução dos salários do sector privado?

É que, como na parábola do escorpião, está-lhe na massa do sangue. A resposta é exactamente a mesma do escorpião para o sapo: porque sou um escorpião e essa é a minha natureza!

 

 

PUXE-SE O NOVELO!

Por Eduardo Louro 

 

Acredito que o processo no Brasil, pelo assassínio da senhora Rosalina, tenha feito acelerar o processo BPN em Portugal que levou à detenção de Duarte Lima e do filho, Pedro Lima. Já agora, gostaria de acreditar que este processo permitisse acelerar tantos outros, fios do mesmo novelo.

A começar pelo BPN – já que está à mão – de que se não ouve falar há muito tempo. É que, se tempos houve em que ouvíamos dizer que o coitado do Oliveira e Costa iria pagar as favas sozinho, agora, que já saiu da prisão, já nada se ouve. O outro lá saiu do Conselho de Estado, mas só isso…

E pelo BPP. Mas também que alguém se lembre que o Isaltino continua a brincar aos recursos, já depois do Tribunal Constitucional vir dizer que já não há nada por onde recorrer. E que deixem de haver escutas invalidadas, buscas ilegais e tantas outras irregularidades formais destinadas a que nada disto dê em nada…

É que o país não está exactamente para isso… As coisas não estão muito a jeito de tudo isso continuar a dar em nada!  

O país exige, mais do que nunca, ética, vergonha na cara e respeito! Puxe-se o novelo, até ao fim!

 

SALTAR A TAMPA

Por Eduardo Louro 

 

Vejam só onde isto chegou. Decididamente a banca portuguesa está farta da troika e já diz dela o que Maomé não diria do toucinho.

"Não estou para ouvir funcionários de 5ª, 6ª, 7ª ou 8ª linha dizer o que devemos fazer. Prefiro escutar a mensagem do primeiro-ministro Passos Coelho ou do seu ministro das Finanças". Estas palavras são do presidente do BPI, Fernando Ulrich.

Um dia destes estão a falar com o Otelo…

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