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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

AQUI VOU SER FELIZ!!!

Por Eduardo Louro 

 

Mais de 140 mil famílias já deixaram de pagar o crédito à habitação. Considerando todos os tipos de crédito o número cresce para perto de 700 mil!

Isto traz-me à memória este spot publicitário: aqui vou ser feliz. Foi há tão pouco tempo e os bancos tinham tudo para nos dar! Até a felicidade... garantida! Foi há tão pouco tempo... E toda a gente acreditava... que aqui iria ser feliz!

 

TEIAS QUE AS BIRRAS TECEM

Por Eduardo Louro 

 

Bosingwa – titularíssimo no Chelsea – não é opção para a selecção porque, para Paulo Bento, está a léguas da qualidade do João Pereira (que não é bom, é bestial, como ontem mais uma vez demonstrou, ao pisar selvaticamente o adversário) e de Sílvio.

Danny - vá lá, desta vez veio cá – estava lesionado, regressou à Rússia e, para o seu lugar, chega da Grécia o Vieirinha: um médio de ataque. Faz sentido! O lateral direito Sílvio, que é melhor que Bosingwa mas não tão bom como João Pereira, também chegou lesionado. Para o seu lugar Paulo Bento chamou o Eliseu, do Málaga, que é um lateral esquerdo adaptado… E que fez aquela exibição na Dinamarca! Não faz sentido substituir um lateral direito por um esquerdino que, às vezes, se adapta a lateral esquerdo. É absurdo!

Grande futebol este nosso, que permite que as birras de um seleccionador deixem de fora dois dos melhores do mundo nas sua posições. Um dos melhores laterais direitos do mundo e um dos melhores centrais do planeta, que jogam em duas das mais fortes equipas do futebol mundial, estão capturados numa teia de birras!

 

DE LUVA BRANCA

Por Eduardo Louro 

 

“Para este prémio não precisei de votos de ninguém” – Cristiano Ronaldo, ao receber a Bota de Ouro, o troféu para o melhor marcador da Europa, que conquistou com os seus impressionantes 40 golos na Liga Espanhola.

A resposta de luva branca a mais uma das patetices de Carlos Queiroz, que garantia esta semana votar em Messi, na sua qualidade de seleccionador do Irão, na votação para o melhor do mundo!

Futebolês #100 INVENTAR

 Por Eduardo Louro

 

Não é por este ser o Futebolês nº 100, que não a centésima edição – essa foi na passada semana, como se viu – que vou inventar o que quer que seja.

Inventar é o expoente máximo do processo criativo e o ponto de partida para os maiores saltos da civilização e da História da Humanidade. Se no português corrente a palavra é frequentemente usada em circunstâncias que pouco têm a ver com essa super dimensão criativa servindo, ao contrário, para caricaturar muitas das fraquezas humanas, no Futebolês restringe-se praticamente à caricatura do ridículo.

Os jogadores ainda conseguem inventar alguma coisa de jeito. Embora em regra saia asneira, e se exponham ao ridículo quando inventam, alguns jogadores conseguem por vezes inventar coisas fantásticas: um golo, um passe, um remate, uma finta ou um drible, e até espaços. Os grandes jogadores, os Messis, os Ronaldos e mais um ou outro fazem-no naturalmente com mais frequência. Outros, eventualmente de menor capacidade inventiva, não lhes querendo ficar atrás, inventam penaltis. Nas garagens das Antas, e agora nas do Dragão, trabalha-se afincadamente nestas invenções, com preciosas colaborações de alguma gente de fora. Agora também em Alvalade há jogadores com esses atributos inventivos. Bem úteis, como se tem visto, para garantir notáveis séries de vitórias… Parou na décima, mas apenas porque encontraram um adversário romeno de respeito, daqueles que só o nome deixa os adversários a tremer!

Os treinadores é que, coitados, não têm sorte nenhuma. Para eles inventar é mesmo asneirar! “Lá está o JJ a inventar” – é frequente ouvir-se na Luz. E sai asneira!

Nem vale a pena lembrar algumas das suas mais famosas invenções… Quem não lhe fica muito atrás nesta arte de inventar é o Paulo Bento. Mas inventam de forma muito diferente. Enquanto Jorge Jesus inventa em cima das suas próprias sebentas de mago da táctica, e a partir de congeminações que só ele consegue perceber, Paulo Bento é bem mais linear: inventa exclusivamente a partir da sua teimosia. Enquanto toda a gente percebe o Paulo Bento a inventar, ninguém consegue apanhar a ideia quando o Jesus inventa!

Ninguém percebeu qual foi a ideia de lançar o miúdo - Luís Martins - num jogo decisivo da Champions. A ideia até se percebia, o que se não percebia muito bem era que fosse lançado às feras assim, sem qualquer ensaio em competição, quando não faltaram oportunidades: um jogo da taça e dois do campeonato. Mas o que se não percebeu de todo foi a sua substituição, que tinha deixado programada: mais uma invenção!

Já, por exemplo, toda a gente percebeu quando Paulo Bento inventa, não um, mas dois laterais direitos melhores que Bosingwa. É uma birra teimosa e está tudo dito! Não sabemos o que é que o Bosingwa terá feito ao Paulo Bento, mas sabemos que o seleccionador não vai com a cara dele. E por isso inventa um Sílvio e um João Pereira melhores, nem que para isso tenha que inventar critérios… Condição mental, não é?

Mas é a Vítor Pereira que eu tiro o chapéu. E não pensem que é por ele ter inventado a maneira de transformar uma grande equipa do futebol europeu num conjunto de jogadores perdidos dentro do campo, que nem a uma equipa de Chipre consegue ganhar. Não é por isso, até porque ele também conseguiu inventar maneira de, por cá, mesmo sem jogar nada, continuar a ganhar. Coisa que, como em Paulo Bento, também não temos grande dificuldade em perceber…Ver imagem em tamanho real

Não! É por uma invenção á séria, o tal expoente máximo do processo criativo de que falava acima, bem enquadrada numa estratégia de criação de valor. Inventar por inventar não tem grande sentido; inventar apenas contribui para os grandes saltos civilizacionais num quadrado estratégico sustentado. Sabe-se que Vítor Pereira desenhou um quadro estratégico que tem por objectivo exclusivo salvar a pele, tudo vai dar aí. Lançou-se à sua matriz SWOT e, no lado das ameaças – o lado das oportunidades ainda está em branco – lá estava, logo em cima, o problema de mexer na equipa. As substituições, onde nunca acertava! Foi aí que nasceu a sua grande invenção, que há-de revolucionar o futebol mundial e cuja patente já registou. Que, como todas as grandes invenções que revolucionaram a civilização, nasce de uma ideia muito simples. Esta: “sendo o meu problema acertar nas substituições, resolvo-o se deixar de fora os três melhores jogadores. Quando tiver que fazer substituições, saia quem sair, os que entram são sempre melhores”!

E pronto, era só passar a deixar de fora o Guarin, o João Moutinho e o James. Brilhante! Como é que ninguém se tinha lembrado disto antes?

 

BRINCAR COM O FOGO

Por Eduardo Louro 

 

O bluff - ou o ensaio de roleta de russa, como também lhe chamei - de Papandreou chegou ao fim, como ontem aqui avançava. Aquilo que alguns socialistas da nossa praça se apressaram a louvar – Manuel Maria Carrilho achou mesmo que se tratou de uma jogada de mestre – não passou, afinal, de um tiro de canhão nos próprios pés.

Percebeu-se que, por trás do espalhafatoso anúncio do referendo ao acordo que tinha acabado de assinar com a UE, Papandreou não tinha outras preocupações que não as da sua própria sobrevivência política, como facilmente se percebe quando, agora, recusa demitir-se e abrir caminho a uma outra qualquer espécie de solução governativa. Aquilo que poderia estar sustentado pelos mais elogiáveis princípios da democracia – sempre arredados do processo europeu – da liberdade e da dignidade dos povos não passava, afinal, de uma das mais simples manobras do cardápio da baixa política.

Foi grande o susto! Espera-se que se tirem sérias conclusões. Se foi assim com a Grécia, o que será com a Itália? E com a Espanha? E com a Bélgica? E (com Itália e a Bélgica) com a França?

A Europa poderá ter aproveitado alguma coisa com este susto, porque viu bem ali à mão aquilo que, sem lideranças, fazia por não ver, preocupado que estava cada um com a sua vidinha.

A Grécia nada ganhou com este disparate de Papandreou. A nível interno – independentemente do que mais logo aconteça no Parlamento, com a votação da moção de confiança, e do que seja o futuro político de Papandreou, a sua grande preocupação, mas de mais ninguém – as condições pioram significativamente. A rua terá naturalmente argumentos mais fortes e decisivos para aumentar a contestação. O povo, depois de prometido o referendo, sente-se enganado e traído, mais uma vez. E o poder político mais desacreditado ainda: toneladas de gasolina lançadas naquelas ruas que há muito estão a arder!

Mas também no plano externo a Grécia sai a perder. Perde qualquer réstia de margem de manobra, porque agora só pode contar com a desconfiança dos parceiros. E assinou a guia de marcha para a saída do euro! Que sendo dolorosa poderá vir a ser a menos má de todas as dores…

Papandreou brincou com o fogo, coisa que hoje na Grécia é muito, muito perigosa!

MAU GOSTO

Por Eduardo Louro 

 

Quando anteontem comprei os jornais e vi a capa falsa a remeter para uma campanha que vinha sendo anunciada - com o qb de suspense - nem queria acreditar: “Está no PAP”, com três humoristas engravatados com ar de banqueiros. Era a Caixa Geral de Depósitos - o banco público – a vender um produto financeiro de poupança e era a primeira imagem de uma campanha que vira anunciada com uns trocadilhos que remetiam para uma troika qualquer.

Nunca imaginei que, numa altura destas, pudesse ser o que realmente é. A falsa capa de jornal já deixava perceber o que aí viria e não legitimava grandes expectativas. O spot televisivo fez o resto: pior não podia ser! A campanha deixava de ser inoportuna para passar a ser ridícula!

Ridícula na ideia – numa altura destas, promover produtos financeiros com humoristas, é mesmo para rir – e ridícula no discurso. E de mau gosto! Há, nesta altura, coisas com que se não deve brincar! E o banco público teria de ser o primeiro a perceber isso. Lá porque o desgraçado do BCP tem o Mourinho a dizer que é o melhor treinador do mundo, e o BES o Cristiano Ronaldo a dizer que nunca hesita, a Caixa não teria que inventar uma campanha destas. Por decoro e ética, é certo, mas acima de tudo porque nem sequer precisa!

Numa altura em que se cortam salários para recapitalizar a banca não fica fácil de entender que os bancos – e agora nem sequer faz sentido distinguir entre público e privados, porque mexem com os nossos bolsos exactamente da mesma maneira – gastem dinheiro desta forma. É de mau gosto! Tão mau gosto quanto o da própria coisa…

 

PUNIÇÃO

Por Eduardo Louro 

 

Não tenho tido oportunidade de me aperceber das opiniões publicadas sobre a decisão do governo grego de submeter a referendo o plano de apoio financeiro comunitário, mas não me custa nada admitir que as opiniões se dividirão. Que haverá quem ache que Papandreou assumiu uma atitude com tanto de cobardia quanto de ingratidão, como quem ache que assumiu a única atitude que lhe era possível tomar: procurar a legitimidade democrática para suportar um dos mais violentos ataques à soberania e à dignidade de um povo! Que haverá quem o ache um louco e quem o ache muito esperto!

Sou dos que acham que, na realidade, não lhe restavam muitas alternativas. E também dos que acham que a democracia é sempre solução! E que os problemas crescem desmesuradamente quando se escondem dela!

Mas o ponto que me traz aqui não é esse exactamente esse. É a ironia da história!

É muito provável que o “não” ao pacote saia vencedor deste referendo, com o consequente abandono da moeda europeia e o regresso à velhinha dracma. E que os gregos venham a cair num buraco muito negro, com o empobrecimento imediato brutal e a garantia da perda contínua de poder de compra, com taxas de inflação verdadeiramente assustadoras. Cairão num inferno profundo, do qual nunca se saberá quando sairão!

Circunstâncias em que o euro, muito provavelmente, implodirá. Dificilmente resistirá a esta desgraça mas, se o conseguir, o sistema financeiro europeu sofrerá um abalo do qual demorará muitos anos a recompor-se!

Toda a gente perde. E muito! E é a vitória definitiva do espírito punitivo que marcou a estratégia que a UE escolheu para fazer frente à crise das dívidas soberanas. É a punição da Grécia por todos os seus abusos, ao longo de anos e anos. Mas também a punição da União Europeia pelas suas hesitações, pela falta de capacidade de decisão e pela ausência de liderança!

 

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