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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

VÁ LÁ A GENTE PERCEBER ISTO

 

Por Eduardo Louro 

 

O Banco Central Europeu não pôs as rotativas a trabalhar mas foi quase como se pusesse. Colocou uma pipa de massa ao dispor da banca, para injectar liquidez: uma boa notícia!

Os bancos, 522 bancos europeus, correram a esse dinheiro como lobos famintos atrás de um rebanho e sacaram quase 500 mil milhões de euros. Os mercados financeiros, em vez de se tranquilizarem com esta volumosa injecção de dinheiro no sistema, ficaram ainda mais nervosos: acharam que toda aquela fome de dinheiro era mau sinal. Resultado: os juros das dívidas soberanas dispararam e o risco de incumprimento subiu para uma série de países europeus, entre os quais já a Áustria e a França! E a taxa de juro para a Itália voltou para os 7%!

Vá lá a gente perceber isto… Preso por ter cão e preso por não ter!

O que restava da EDP nas mãos do Estado foi parar a mãos chinesas. Dizia-se por aí que seriam os alemães da E-ON, que Angela Merkl tinha dado a volta a Pedro Passos Coelho, o que nem sequer era muito difícil. Mas não, o governo privilegiou o encaixe em detrimento de opções mais naturais, como seriam a alemã ou a brasileira. Terá sido a melhor opção?

Há quem defenda que sim, que para além de receber já mais dinheiro, o governo, com esta opção, favorece as condições de financiamento da EDP. Mas também há quem veja esta opção como de curto prazo, e errada do ponto de vista estratégico. A China não vem acrescentar valor, nem traz quaisquer outros apports sinergéticos!

Mas vá lá a gente perceber isto: então privatizar não é, por definição, entregar a privados? Ora o governo vendeu ao Estado Chinês, a uma empresa pública chinesa! O maior accionista da EDP continua a ser o Estado. Só que o chinês!

2011 A CAMINHADA DO MEDO

Convidado: Luís Fialho de Almeida

 Graça Morais_Série 2011_A Caminhada do Medo, 201

Depois de outras abordagens à estética da paisagem e à estética das coisas, a estética dos sentimentos é um domínio vasto para os artistas que tem a sensibilidade de lhe dar expressão.

 “A Caminhada do Medo” é o título da obra mais recente da artista plástica Graça Morais, distinguida no passado sábado com o prémio das Artes Casino da Póvoa 2011.

É um conjunto de desenhos e pinturas que reflectem os sentimentos de angústia e preocupação da autora em relação ao presente e ao futuro do país e do mundo, inspirada na reflexão sobre as notícias e imagens transmitidas diariamente pelos órgãos de comunicação social.

Retrata a sensação de medo perante o desconhecido e um futuro cada vez mais incerto - as cenas do quotidiano, os tumultos recentes, os deserdados da sorte, os milhões de pessoas que se deslocam no mundo fugindo das guerras, dos massacres, da fome e da pobreza, procurando um mundo melhor. A temática é de extrema actualidade perante um governo que nos incentiva a emigrar e, simultaneamente, retira os apoios ao ensino de português junto das comunidades de emigrantes. Um governo cujo único programa de governação é a austeridade.

É uma pintura de intervenção política, transformando em arte o grito, a indignação e o repúdio, ao jeito dos massacres de Goya ou da Guernica de Picasso, obras às quais a autora, humildemente, diz não se comparar. Pintar assim, é um acto de cidadania como é também, entre outros, o movimento de cidadãos que exige auditoria às contas públicas.

Já em colecções anteriores - a mesma visão com alma e sentido social – se destacam os traços que a ligam à terra, à natureza, às suas origens e suas gentes. Que Graça Morais leva a tela na forma de rostos marcados pela dureza da vida nas terras do interior transmontano.

Interessante a ligação matrimonial a Pedro Caldeira Cabral, outro expoente da expressão estética, através da interpretação da música medieval e renascentista em instrumentos da época, mas também do barroco, clássico, música ibérica e da guitarra portuguesa.  

Parabéns Graça Morais!

COISAS DA PUBLICIDADE (I)

 Por Eduardo Louro 

 

Passa por aí um spot publicitário a um determinado produto de um determinado banco, daqueles que não têm dinheiro para pagar a Mourinho ou a Cristiano Ronaldo e que, por isso, lançou mão de três ex-jogadores de futebol, um de cada um dos três grandes, como não podia deixar de ser.

O anúncio, apelando a um trocadilho entre o banco – o banco de suplentes – e o banco itself, assenta na narrativa da solução que está no banco: o jogador suplente que sai (ou salta) do banco para resolver a partida, ou mais do que isso…

É Jorge Couto, o antigo jogador do Porto que diz que, num jogo com o Salgueiros – já foi há muito tempo, ainda havia Salgueiros – saiu do banco e marcou dois golos decisivos. É Paulo Alves, enquanto jogador do Sporting, que diz que, num jogo com o seu Gil Vicente saiu do banco e fez também dois golos. E César Brito, do Benfica, que vai buscar à memória os dois golos que, também saído do banco, marcou ao Porto nas Antas.

Até aqui tudo bem. A narrativa dos três é a mesma, embora se possa questionar se é a mesma a importância dos dois golos de cada um, ou se a dimensão do feito, em razão do jogo e do adversário, é idêntica. Mas cada um só pode contar o que foram os seus feitos e não o que gostaria que tivessem sido!

O busílis da coisa surge na última frase de cada um deles, mesmo no fecho da mensagem. O Jorge Couto e o César Brito terminam – ambos – com  “ganhamos o jogo e … fomos campeões. Já o Paulo Alves termina com um épico “ganhamos por três a zero”!

Parece-me evidente que, mais do que promover o banco e o seu produto, esta criação publicitária tem como objectivo uma provocação ao Sporting. Não diria que pretenda propriamente achincalhar, mas não perdoa uma alfinetadazinha marota!

Logo que vi este anúncio pela primeira vez tive como certa a veemência do protesto sportinguista. A minha dúvida era se a reacção – certamente violenta – partiria do vice, Paulo Pereira Cristóvão, se de Godinho Lopes. Surpreendentemente … nada! Nem de nenhum dos diversos comentadores por aí espalhados pelos jornais, rádios e televisões, sempre tão prontos a denunciar coisas que nem nos passam pela cabeça…  

Ainda admiti que fosse uma questão de tempo. Que andassem tão ocupados a documentar a denúncia pública dos actos graves do presidente do Benfica, no final do último dérbi, que não lhes sobrasse tempo para reagir atempadamente a mais esta provocação.

Pelos vistos, não!

MISTÉRIOS DE UM MEMORANDO

Por Eduardo Louro 

 

Depois da redução - há apenas três meses - da indemnização por despedimentode de 30 para 20 dias  por cada ano de trabalho, o governo apressa-se com uma nova redução: para qualquer coisa entre 12 e 8 dias.

Diz-se que é para aprovar até Março. O melhor mesmo é que aprovem isso depressa: pelo andar da carruagem, lá para Março, a proposta de indemnização andará aí por umas horas por cada ano de trabalho. Isto se não for o próprio trabalhador, no acto de despedimento, a ter que pagar indemnização ao empregador!

Diz-se que, afinal, isto já constava do memorando. Este memorando da troika tem mais suspense que os livros da Agatha Christie e mais mistérios que O Código Da Vinci!

 

A GRANDE REFORMA ESTRUTURAL

 

Por Eduardo Louro 

 

Quer-me parecer que já percebe a trave mestra das reformas estruturais que esperavamos que o governo tivesse anuciado no domingo. Pelo que se ouve do governo não restam dúvidas que é a emigração a mãe de todas as reformas!

Ora aí está: manda-se a maioria dos portugueses, em especial os mais jovens, para fora e o país começa a ser outro. Os outros, os que ficam, irão desaparecendo aos poucos, de morte natural ou por suicídio.

E dentro de duas décadas aí está um país novo, sem défice, sem portugueses, sem nada. Sem nada não, porque ainda há a dívida. Mas, aí, completamente limpo de todos os males e livre do seu mais pesado fardo – os portugueses – os credores aceitam o país como dação em pagamento.

 

MORREU KIM JONG-IL

Por Eduardo Louro 

 

Morreu, aos 69 anos, Kim Jong-il, o filho do grande líder Kim Il Sung, que lhe sucedera. O regime faz questão de mostrar como a Coreia do Norte chora a morte do líder. Começou pela televisão - com a apresentadora a dar a notícia em choro convulsivo - e depressa alastrou indiscriminadamente pela nomenklatura fora, ninguém quis mostrar menos lágrimas derramadas que a senhora da televisão!

Falta saber se foi para prestar honras militares que, em vez de uma salva de morteiro, lançaram um míssil.

 

DE MANGAS ARREGAÇADAS

Por Eduardo Louro 

         

A reunião extraordinária (e informal) do conselho de ministros deste domingo faz lembrar as sucessivas cimeiras europeias.

Anunciada como a reunião onde o governo iria tratar (finalmente) das reformas estruturais que haveriam de tirar o país deste marasmo - desta paralisia sem luz ao fundo do túnel - e marcar uma nova época, e de um novo discurso donde, para dar lugar a esperança e rumo, seria definitivamente riscada a palavra austeridade, esta domingueira reunião extraordinária e sem gravata criou no país fortes expectativas. Exactamente como nas cimeiras da UE, sempre decisivas, sempre a última oportunidade que se não deixaria fugir!

Se havia semelhanças nas expectativas, para não as frustrar – as semelhanças, evidentemente – também as conclusões teriam de estar no tom. No mesmo tom! Que é como quem diz, zero. Nada. Nadinha!

Ouvimos o ministro Miguel Relvas dizer que “o governo fez a avaliação das reformas estruturais que Portugal necessita que sejam levadas a cabo para que possamos criar condições em termos de competitividade”. Ou ainda que é necessário reforçar a “articulação entre o Estado e a economia e a criação de mecanismos de confiança que permitam que a economia portuguesa cresça

Mas isto, e muito mais, todos sabemos que Miguel Relvas é capaz de dizer em qualquer momento, todos os dias ou mesmo todas as horas. Isto é nada, é o vazio do discurso político que estamos fartos de ouvir. Para dizer isto não era necessário estar o governo reunido 11 horas num domingo. Pode até dar jeito como instrumento de marketing – isto é que é um governo com vontade de trabalhar, ao domingo e tudo… - mas soa a falso. Porque, sendo estas as conclusões, ou não fizeram nenhum ou não fazem a mínima ideia do que estiveram a fazer, que dá no mesmo!

Não há ponta de substância. Como não a há quando diz que, com as reformas estruturais, “pensamos ser possível combater a maior praga com que a economia portuguesa está confrontada, que é o desemprego”. Mas pior: para que este ar de mangas arregaçadas tivesse uma sustentação mínima, alguma coisa teria que estar à vista através do Orçamento Geral do Estado recentemente aprovado.

E infelizmente não está! Lá apenas brilha a austeridade em todo o seu esplendor. Bom, há sempre a possibilidade das reformas estruturais estarem lá traduzidas por cortes. E da competitividade por redução de salários e aumento de dias e horas de trabalho…

Arregaçar as mangas para cruzar os braços, é o que é!

GENTE EXTRAORDINÁRIA XIII

 Por Eduardo Louro 

 

            

Pinto da Costa veio hoje pedir às televisões que passassem, sem comentários, não sei quantos penaltis que Duarte Gomes assinalou a favor do Benfica nos últimos anos e o que ontem não terá assinalado sobre o Belluschi, que não teve sequer qualquer influência no resultado. O Porto ganhou – contra dez, mas ganhou – por dois a zero!

Não tenho grandes dúvidas que, pelo menos a Sport TV - mas mesmo a RTP – lhe farão a vontade. Não será é sem comentários!

O que Pinto da Costa não coloca na encomenda é o penalti no Dragão assinalado ao Yebda, que decidiu a vitória do Porto e afastou o Benfica do título. Nem o da Figueira da Foz, no ano passado, que lhe deu a vitória e precioso amparo para o arranque da época, quando o Benfica era empurrado para longe por arbitragens escandalosas. Nem o de Guimarães, no jogo inaugural desta liga, para aproveitar do empate encarnado em Barcelos e repetir a época passada.

Isto sem o mínimo esforço de puxar pela memória, para não tornar este texto ilegível. De tão grande e monótono!

É estranho que Pinto da Costa – notável desta lista de gente extraordinária, onde já bisa – surja agora? Não, não surpreende ninguém. Ele sabe quando e como tem que aparecer. É cirúrgico!

Como também sabe fazê-las sem sequer aparecer. Alguém se lembra que, no mesmo dia do derby, um jornalista da TVI foi ameaçado e insultado por Pinto da Costa e agredido pelos seus capangas?

Provavelmente alguns lembram-se vagamente de qualquer coisa. Porque para comunicação social – e em particular para a desportiva – não se passou nada…

Num dos expoentes do corporativismo, nem mesmo quando a vítima é jornalista!

 

 

 

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