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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O NOVO CLÁSSICO

Por Eduardo Louro

 

É um novo clássico: o Benfica domina de alto a baixo, as oportunidades de golo sucedem-se, umas atrás das outras ao ritmo das bolas aos postes ou para as nuvens; depois entra em acção o guarda-redes, que defende tudo o que lhe aparece pela frente; e o árbitro, chame-se Xistra ou Hugo Miguel, que faz o resto. O resultado, já se sabe: ou permite a aproximação do Porto ou permite-lhe a fuga.

A história repetiu-se, e é já um clássico. No primeiro quarto de hora do jogo de Coimbra o Benfica podia e devia ter construído o resultado. Aos 4 minutos já Cardozo e Rodrigo – os dois pontas de lança – tinham cada um rematado a sua bola ao poste…

Na primeira vez que a Académica consegue sair da sua área, Xistra tem oportunidade de assinalar um penalti, mesmo que as coisas se tenham passado fora da área. Sem perceberem como, os estudantes estavam a ganhar!

Recolheram aos aposentos, que dizer à sua grande área, e aí valia tudo: até atrasos com os pés, em aflição, para o guarda-redes, que agarrava a bola como se nada fosse com ele. Nem tudo podia valer: um defesa a fazer de guarda-redes tinha mesmo de dar penalti, a única maneira que o Cardozo conhece de marcar golos.

Só que pouco depois a Académica volta a conseguir chegar à área do Benfica. E já se percebeu: o Xistra voltou a ter oportunidade de inventar outro penalti. Desta vez é dentro da área, mas é dentro da área que o Garay corta a bola. Nada mais que isso!

Lá valeu o Lima que, com um belo golo, deixou empatado um jogo que Xistra quis que ficasse assim. Mas, atenção: a equipa de Jorge Jesus foi quase tão incompetente como Carlos Xistra!

FUTEBOLÊS#129 ESQUEMA TÁCTICO

Por Eduardo Louro

 

Depois de uma ausência mais prolongada que o esperado o futebolês regressa, para ficar mais umas semanas. Não regressou com o início das competições da nova época mas, talvez por isso, regressa com uma novidade. De que, provavelmente, muitos dos leitores ainda não deram conta…

Mas vamos por partes. O futebolês é uma língua viva, aberta à dinâmica da comunicação e, muito provavelmente, gerida e administrada por um Conselho de Sábios, sempre atento a necessidades de renovação. Uma coisa assim parecida com o Acordo Ortográfico, só que menos polémica!

Presumo que este Conselho de Sábios tenha trabalhado arduamente durante este defeso que, por culpa do Campeonato da Europa, até foi mais curto que o habitual. Mais exigente ainda, por isso.

Mas valeu a pena, e aí está: Esquema Táctico!

Mas – perguntarão aqueles que ainda não deram por esta expressão na boca dos novos especialistas com que as televisões nos brindaram para esta nova época - o que é isso?

Pois, é nem mais nem menos, que um neologismo para bola parada! Os sábios devem ter achado que era tempo de mandar a bola parada para o baú das velharias, lá bem para o fundo, onde acaba por ir parar tudo o que não consegue resistir aos implacáveis caprichos da moda.

A partir do início desta época desportiva os comentadores – e todos aqueles que de qualquer forma lidam com esta preciosa linguagem – dividem-se em duas categorias: os prá frentex, que elogiarão os esquemas tácticos de Jorge Jesus, e os botas-de-elástico, que continuarão a enfatizar a forma com Jesus trabalha as bolas paradas. Claro que isto é uma forma de expressão, porque, na realidade, os esquemas tácticos ou as bola paradas de Jesus, são chão que já deu uvas: viu-se uma novidade logo no jogo inaugural da liga, com o Braga – de belo desenho, sem dúvida, mas também de grande complexidade, realmente mais esquema táctico que bola parada – mas nem resultou nem se voltou a ver repetida.

Confesso que estou com alguma expectativa em perceber como passarão a ser classificados os penaltis e os livres directos, os que resultam em golo. Antes pertenciam inequivocamente à categoria dos golos de bola parada. Se passarem a ser golos de esquema táctico não bate lá muito certo…

Muitas vezes são golos de esquemas, mas de outros, como o da imagem!

Subsiste outro pequeno problema: é que o esquema táctico conflitua facilmente com o sistema táctico. Nada que um curto período de adaptação não resolva, responderá certamente o Conselho de Sábios, com o apoio de todos os prá frentex

Há sempre resposta para tudo, mesmo que disparatada!

ADEUS VERÃO...

Por Eduardo Louro

 

Acabamos de nos despedir do Verão: pouco antes das quatro da tarde, chegava o Outono a este hemisfério Norte…

Hoje o dia iguala a noite. A partir daqui é sempre a noite a ganhar, e o dia a perder. Entretanto chegará a hora de Inverno, que mais não fará que anoitecer mais cedo.

É o Verão que mais saudades sempre deixa: o sol, a praia, as festas…

Por que será que me parece que este Verão não está a deixar saudades? E no entanto, com o que para aí vem, não se pode esperar que o próximo seja melhor….

 

É SÓ FUMAÇA...

Por Eduardo Louro

 

Oito horas depois soube-se o que já se soubera três ou quatro horas antes: que não há crise e o povo é sereno! E - já que recorri ao saudoso Pinheiro de Azevedo, nada como continuar a evoca-lo – que é só fumaça

Uma fumaça bem tóxica, que deixa isto com um ar cada vez mais irrespirável…

O poder mediático decidiu que o problema era a taxa social única (TSU). Recuasse-se, ou fizesse-se lá o que se fizesse com o disparate da TSU, e tudo ficaria resolvido. Induzidos por esse movimento, ficamos a conhecer as posições de cada um dos conselheiros sobre a matéria, que não divergia da posição do país.

Havia ainda a questão da crise política, bem à vista de todos e iniludível. Que os partidos da coligação acabaram por resolver com … a apresentação de listas conjuntas às autárquicas. Ultrapassada portanto. Como o Presidente anunciara três ou quatro horas antes do início do Conselho de Estado, desvalorizando-o e esvaziando-o.

Sem crise política para resolver, o Conselho de Estado atirou-se à TSU, como se sabia. O governo, por sua vez, apenas não anunciara já o recuo nesta medida para imputar a decisão ao Conselho de Estado, numa lógica de antes uma derrota que um recuo. Só fumaça, evidentemente!

Que agora permite ao governo regressar à concertação social para negociar os aumentos no IRS pela via de reformulação dos escalões e criar uma sobretaxa sobre metade do subsídio de Natal, com o poder mediático, em coro, a dizer que é a alternativa à medida da TSU. Como esta já o tinha sido relativamente à decisão do Tribunal Constitucional, quando está mais que explicado que nada têm a ver umas com as outras. Mas mantém a fumaça viva …

O FUNDO É SEMPRE MAIS ABAIXO...

Por Eduardo Louro

 

A Comissão Política Nacional do PSD reuniu e emitiu um comunicado, cuja única relevância era convidar o CDS para uma reunião. O CDS respondeu de pronto e a reunião ocorreu ao início da noite, mas sem Passos Coelho e Paulo Portas. Terminou há pouco também com a emissão de um comunicado, cuja única relevância é dar conta que os dois partidos vão estudar a constituição de listas conjuntas para as próximas autárquicas.

Quer dizer: quando no ar está uma das mais graves crises políticas da nossa História, nas actuais circunstância do país, de consequências imprevisíveis, aberta pelos desvarios da governação e pela irresponsabilidade dos líderes da coligação; quando os dois partidos da coligação ainda numa roda-viva a retirar e a limpar as facas, tudo se resolve com as listas conjuntas para as autárquicas.

Mas será possível que esta gente não dê mesmo mais que isto? Então, depois do que assistiram no sábado e da sondagem hoje publicada – que dá 24 e 7% das intenções de voto respectivamente para o PSD e o CDS, igualando no conjunto as do PS, que nem sequer está a subir – esta gente usa a cabeça, nem que seja por uma única vez?

Com esta gente o fundo é sempre mais abaixo…

BASTA!

Convidada: Clarisse Louro *

 

Uma confusão com o calendário da minha participação neste nosso jornal levou-me a preparar um texto para ser publicado na última edição. Apenas quando me aprestava para o enviar para a Direcção reparei no equívoco: que a data de publicação era esta e não a da semana passada.

Começo por aqui porque grande parte do que então escrevera foi completamente desmentido na precisa semana em que seria lido. E foi-o, de forma arrasadora, no sábado passado!

Quem escreve sabe que nem sempre é fácil mandar para o cesto dos papéis aquilo que se escreveu. Não foi o caso: foi com uma satisfação enorme que enviei aquele meu texto para o lixo!  

Falava sobre a mentira e a tolerância com que nós, portugueses, lidamos com ela. Sobre a passividade, a falta de exigência e a cultura de acomodação que nos caracteriza. Não é que a extraordinária demonstração de mobilização cívica que os portugueses fizeram neste 15 de Setembro tenha funcionado como esponja que apagou aqueles traços da personalidade lusa. Isso não é nem possível nem exigível.

Não é que esta seja uma data regeneradora, o dia em que os portugueses despiram o negro conformismo com que foram talhados ao longo da História e que sacudiram o pesado fardo fatalista que há muito lhe puseram nas costas. Mas pode ser o princípio de qualquer coisa!

Portugal disse BASTA (feliz e premonitória a capa da última edição do Jornal de Leiria que, não por acaso, roubo para título) e gritou-o tão alto que se ouviu pelo mundo fora. E fê-lo com aquele civismo de que só os portugueses são capazes, a lembrar ao mundo, porventura já esquecido, que aqui se fez uma revolução com armas que em vez de balas tinham cravos. Sem divisões, como no primeiro de Maio de 74, sem partidos – antes contra os partidos -, sem sindicatos… Sem máquinas a ditar palavras de ordem, apenas a iniciativa livre e espontânea de portugueses de todas as gerações e de todas as idades, de todas as condições sociais, unidos pela revolta – é certo, e nem de outra forma poderia ser – mas, acima de tudo, por Portugal. Pelo direito a viver na pátria que é sua, que tem que os acolher e não de os expulsar. Por um país que não consentem seja desrespeitado e destruído!

As estruturas orgânicas do país – órgãos de soberania e partidos políticos - que têm a responsabilidade total pelo processo de destruição em curso, não podem fingir que não viram. E os portugueses, todos nós, não podem fingir que não fizeram isto. Não podem ver aqui um ponto de chegada, apenas um ponto de partida. Não podem desmobilizar. Não podem chegar às próximas eleições – sejam elas quais e quando forem – e repetir o passado: ficar em casa ou ir para a praia em vez de votar, seguir acriticamente aquilo que lhe põem à frente, aceitar o que as máquinas partidárias lhes impingem, aceitar que os que lhes mentiram continuem a mentir, permitir que quem os enganou os continue a enganar…

Quebrou-se o mito urbano do protesto inorgânico. O protesto orgânico é, por definição, sectário. Representa interesses de uns e não de todos, divide e não une. Tem o seu espaço, mas não é o espaço comum de todos nós. O protesto não enquadrado poderá resvalar para actos de violência, vem nos livros. Cá estamos nós para negar isso!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

QUENTE...QUENTE...

Por Eduardo Louro

 

Hoje: reunião da Comissão Política Nacional do PSD, para o contra-ataque ao parceiro de coligação;

Amanhã: reunião do Conselho de Ministros, onde se não sabe quem olha de frente para quem, ou mesmo quem tapará a cara;

Sexta, de manhã: debate quinzenal na Assembleia da República, onde se prevê que não seja fácil distinguir maioria e oposição;

Sexta, à tarde: reunião do Conselho de Estado.

Uma semana quente, sem dúvida!

 

AZAR

Por Eduardo Louro

 

Não tenho paciência para assistir integralmente a qualquer desses programas que as variantes noticiosas das TV´s transmitem na versão de debate do futebol. Mas a verdade é que tento: invariavelmente passo por lá em zaping!

Invariavelmente, também, fico por pouco tempo. É sempre mais do mesmo: debate de baixo nível, confronto de mau gosto, e sectarismo exacerbado. Sempre do mesmo lado, um objectivo único: criar factos, limpar outros, e pressionar. Pressionar e condicionar sempre com o objectivo de criar dividendos para o seu clube, umas vezes com algum talento mas, na maioria delas, com muita arruaça!

Por regra geral o meu Benfica está mal representado. Num caso segue o mesmo caminho da arruaça, joga o mesmo jogo do adversário, mas sem qualquer eficácia – antes pelo contrário – com a agravante de se tratar de alguém com funções directivas no Clube e na SAD. Noutro, com sucessivas substituições nos últimos tempos – vá lá saber-se porquê - os seus representantes têm revelado outra urbanidade mas, ou são mais papistas que o Papa, ou trucidados pelo jogo baixo do adversário. No último, o Benfica está representado pelo mais veterano do ofício: alguém que já passou por tudo o que é programa do género em tudo em que é estação de televisão, sempre em regime de insinuação pessoal à procura nunca se sabe de quê.

Foi aqui que ontem fui parar por breves momentos, que deram para perceber que é o único onde já tem assento o novo grande: o Braga. Uma figura desconhecida – será porventura alguém com méritos públicos, mas eu não conheço – prometia, através de técnicas de guerrilha ou mesmo de terrorismo, entornar o caldo a todo o momento. Vamos ver, mas desconfio que aquilo não vai acabar bem…

Discutia-se na altura Pedro Proença, os seus méritos, e o seu regresso à arbitragem de jogos do Benfica. Curiosamente a única voz crítica para o árbitro saía da boca do sportinguista Eduardo Barroso. Todas as outras cantavam loas a este árbitro, incluído o benfiquista que, claro, aproveitava para se insinuar.

Braguista e portista declaravam com toda a solenidade que não havia qualquer razão para que Pedro Proença não regressasse aos jogos do Benfica. Enquanto o portista garantia que o árbitro em tempo algum prejudicara os da Luz, o novo recruta concedia que tinha havido prejuízo decisivo no tal golo de Maicon e que isso poderia tornar o ambiente da Luz difícil para Proença. O regresso deveria acontecer num jogo fora…

Talvez em Braga, acrescentaria eu!

Confesso que não estranhei nada que Fernando Seara não tenha intervindo para dar a pequena nota que Pedro Proença não prejudicou o Benfica apenas nesse jogo. Que o tem feito flagrantemente em todos os jogos em que tem intervindo nos últimos anos, sem excepção. Que na mesma época passada, no Axa, entre a complacência com o anti-jogo e a dualidade de critèrios, inventou o penalti que garantiu o empate ao Braga. Como inventara o do Dragão quando, um metro à sua frente – exactamente nas mesmas circunstâncias que ditaram o castigo a Jorge Jesus: “não viu porque não quis” – transformou uma simulação de Lizandro no penalti que deu o empate ao FC Porto. Nem que fosse para simplesmente concluir que é um caso de azar. Que Pedro Proença não quer prejudicar o Benfica, tem é azar… Um azar que só lhe bate à porta quando pela frente tem aquelas camisolas encarnadas…

Por mim, que não desejo o azar de ninguém, acho melhor que não volte a arbitrar o Benfica. Que, já que tem o azar de ter estes tipos a defendê-lo nos media, bem dispensa mais azares de Pedro Proença!

 

 

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