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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

UMA QUESTÃO DE DISCURSO

Por Eduardo Louro

 

O Benfica apurou-se para os oitavos da Liga Europa, depois de nova vitória, agora na Catedral, sobre os alemães das aspirinas, deixando o Jorge Jesus como que em estado bipolar.

A coisa chegou a estar feia, especialmente na primeira parte. E os primeiros minutos da segunda parte não auguravam nada de melhor… Às duas bolas no poste da primeira parte seguiu-se, na parte inicial da segunda, um golo que não viria a valer, anulado por um fora de jogo bem menos evidente que o do João Moutinho, que deu o golo que valeu… a vitória sobre o Málaga. Sendo em fora de jogo, o golo da equipa alemã não podia valer, porque, como os homens, os foras de jogo não se medem aos palmos. Assinalam-se. Mas nem todos, como se sabe!

Quer isto dizer que o Benfica teve alguma sorte? Sim, teve. Mas seria um crime de lesa futebol que uma equipa que marca dois golos como o do Cardozo, na Alemanha, e o do Ola John, há pouco, fosse eliminada. E – francamente – o Benfica demonstrou ser melhor que o Bayer Leverkussen. Grande parte dos jogadores do Benfica é melhor que os que trazem a marca da aspirina ao peito. E quando a equipa deixou de estar atada ao discurso do seu treinador soltou o seu futebol e mostrou claramente a sua superioridade. E no fim de contas acabou com mais oportunidades de golo que o adversário...

Não bato mais no ceguinho, mas o discurso de Jorge Jesus é simplesmente lamentável. O que é que interessa o que interessa mais? Como é que se pode desvalorizar uma competição e, ao mesmo tempo, injectar ambição - o dínamo das vitórias – nos jogadores? Como é que se pode reclamar de favorito a uma prova de que sempre diz não ser prioritária, que só estorva? Como é que se pode motivar uma equipa para uma competição quando se diz que ela inviabiliza o objectivo principal? O objectivo principal é isso mesmo, o mais importante entre vários, se não seria único!

Dizer que quem primeiro sair das competições europeias é que ganha o campeonato é tão disparatado como estar neste momento a enviar mensagens de motivação para os jogadores do Paços de Ferreira. Para apelar à presença do público no próximo jogo com o Paços seria preciso  dizer que é tão importante como os jogadores? Que vai ser preciso o seu apoio porque a equipa vai passar por dificuldades? Os adeptos conhecem bem as dificuldades por que a equipa passa, não precisam de alertas públicos que motivem os adversários!

Definitivamente: não há ninguém que ensine o básico, os mínimos da comunicação a este homem?

Ai se ele não soubesse só de futebol…

PASSAR AO LADO

Por Eduardo Louro

 

Decidi passar ao lado do tema do dia – o assédio sexual de que é acusado o bispo D. Carlos Azevedo que, remontando a acontecimentos com 30 anos, prova que o passado não prescreve e que, servindo os interesses de alguém, estará sempre pronto a saltar para a actualidade – para regressar a Relvas e à indignação que por aí anda por parte daqueles que acham que a democracia está em riso.

Vejam bem ao que isto chegou: a democracia está em risco porque há muita gente que não está disposta a tolerar o que um ministro que está envolvido em tudo o que se sabe e que, noutro sítio qualquer minimamente democrático e de vergonha, há muito que não era ministro. Nunca sequer teria chegado a ser!

A democracia e a liberdade não estão em risco quando Relvas pressiona e condiciona a imprensa, quando ludibria e engana tudo e todos, seja nas suas supostas qualificações seja nas suas actividades públicas e privadas. Quando insiste em permanecer no poder à revelia de sentimentos tão básicos e estimáveis como a vergonha, a decência e o respeito pelos outros, já para não falar do sentido do ridículo.

A democracia e a liberdade não estão em risco quando, à revelia do mais elementar bom senso e do respeito mínimo pela inteligência das pessoas, há gente que convida uma personagem como o ministro Relvas, de quem se não conhece um pensamento estruturado, de quem se não conhece uma linha escrita sobre o que quer que seja, para uma conferência de pensadores.

A democracia e a liberdade não estão em risco quando, à revelia do mais elementar bom senso e do respeito mínimo pela inteligência das pessoas, há gente que convida - serão estes convites inocentes? - uma personagem como o ministro Relvas para encerrar um colóquio sobre o futuro da comunicação social.

A democracia e a liberdade não estão em risco quando o primeiro-ministro segura este ministro Relvas sem perceber que é um problema de higiene pública. Sem perceber que destrói a autoridade do governo para manter a política que prossegue e que mina o moral que ainda resta ao país para a tolerar.

A democracia e a liberdade não estão em risco quando uma se restringe a, de quatro em quatro anos, depositar um voto iludido por promessas nunca cumpridas, e a outra à de aceitar isso como uma inevitabilidade.

Não. Isso é para passar ao lado! A democracia e a liberdade estão em risco quando, fartos e cansados de tudo isto, fartos e cansados de serem enganados, fartos de desilusões e cansados da mentira, fartos de aturar gente que já não se pode aturar e cansados de sacrifícios que só a eles tocam, há gente que canta e grita para tão simplesmente dizer: nós sabemos quem és e por onde tens andado. Nós sabemos onde e com quem estiveste na passagem de ano. Vai-te embora, tem vergonha, sai daqui que já não te queremos ouvir…

Haja decência. Quem quer ser respeitado tem que se dar ao respeito!

DESASSOSSEGOS

Por Eduardo Louro

 

Como há poucos dizia a verdade começa a passar por aí. Os dogmas indiscutíveis de ontem vão caindo, um após outro.

A descoberta da verdade e o abandono de dogmas são, normalmente, boas notícias. Será que o são aqui e agora?

É sempre melhor conhecer a verdade que viver na mentira. É sempre melhor saber que já não há dogmas, e que é possível escolher outros caminhos.

Mas por que é que em vez disto aumentar a nossa tranquilidade aumenta o nosso desassossego?

Porque percebemos que isso é apenas a consequência de bater na parede. Na parede que sempre ali esteve, que sempre se disse que ali estava…

Porque vamos finalmente percebendo que tudo é muito mais complexo e difícil do que nos quiseram fazer crer. Que nada é tão simples como termos vivido acima das possibilidades. Que devíamos ter feito coisas que deixamos por fazer, e que continuamos a deixar de lado, como se não fossem os verdadeiros nós górdios que prendem o país…

Porque vamos percebendo que na Europa a coisa está também preta. Que a UE não é mais uma União, mas um safe-se quem puder. E que cada uma esta á fazer pela sua vida, sem que nós façamos nada pela nossa. Que o Ocidente precisa urgentemente de respostas novas e que é preciso estar à altura de as procurar…

Porque, à medida que vamos percebendo estas coisas, olhamos para quem nos comanda, a quem entregamos o leme nesta tempestade, e vemos Passos Coelho, Relvas, Vítor Gaspar, Álvaro Santos Pereira…

Porque, percebendo que com gente desta não temos qualquer hipótese, olhamos para as alternativas e vemos… António José Seguro… Porque percebemos que estamos condenados a não sair daqui…

Dramático!

COISAS QUE IRRITAM

Por Eduardo Louro

 

Passos Coelho e Miguel Relvas foram ontem, uma vez mais, objecto de apupos e de manifestações hostis. O primeiro-ministro, em Aveiro, onde se deslocou para participar numa conferência da “Global Compact Network”,  e o seu ministro mais que tudo, em Gaia, onde o objecto da deslocação era a participação num encontro de um Clube dos Pensadores.

Acredito que a participação destes dois principais responsáveis do PSD e do governo seja importante para os organizadores daquelas conferências. Se não o fosse não os convidariam. Já para os próprios, não vejo, nesta altura do campeonato, qualquer ponta de interesse. Antes pelo contrário!

Mas, se vão, é porque certamente vêm algum interesse. E é isso que é preocupante, porque confirma o seu total afastamento da realidade do país. De Relvas já sabíamos que simplesmente não se enxerga. Acha que bastou passar três ou quatro meses em hibernação para regressar ao seu papel de eminência parda como se nada se tivesse passado. Depois, ambos - um e outro – estão-se nas tintas para o país, no conforto da presunção de que não têm que prestar contas a ninguém. Que se lixem as eleições!

Ninguém sabe – nem quer saber – o que é que Passos Coelho foi fazer a Aveiro. Ninguém sabe de que é que a conferência tratou, nem sequer o que é isso da “Global Compact Network”. A notícia são os protestos… A notícia é que Passos Coelho fugiu dos manifestantes!

Ninguém sabe o que é que Miguel Relvas foi fazer a Gaia. Nem o que é o Clube dos Pensadores. O que se sabe é que se cantou Grândola Vila Morena. O que se sabe é que ele, sem sentido de ridículo, tentou acompanhar o cântico. O que se sabe é que foi chamado de fascista, e que o pensador moderador da mesa se irritou profundamente… Provavelmente por não ter pensado que o pensamento de Relvas é a coisa que hoje mais irrita o pensamento dos portugueses!

 

SELECÇÃO NATURAL OU BATOTA?

Por Eduardo Louro

 

Na mesma reunião partidária – com pompa e circunstância propagandística designada de Jornadas da Consolidação, Crescimento e Coesão - da passada sexta-feira, no Porto,  que anunciou a entrega da batata quente a Paulo Portas, e onde um anónimo companheiro de partido lhe disse que estava a dar cabo do país, Passos Coelho deu a consolidação como adquirida e por chegada a hora do crescimento.

Agora é tempo de investimento, disse! Até porque, continuava, a selecção natural está feita: as empresas fracas já ficaram pelo caminho, resistiram as melhores…

Se existe pensamento político em Passos Coelho é esta a ideia que o consubstancia. Esta ideia Darwinista da economia encerra, se não o pensamento político – são cada vez maiores as dúvidas sobre a sua existência –, a estratégia da governação de Passos Coelho. Este governo ignora e despreza a economia portuguesa, entende que no tecido empresarial nacional não cabem micro, pequenas e mesmo médias empresas, que não as estritamente necessárias para servir as grandes. Se não aquele restrito número de satélites que dá vida aos grandes planetas!

Depois de milhares de falências e de um milhão de desempregados Passos Coelho entende que agora sim, agora é que é tempo de investimento. Agora, que já cá não anda um monte de gente que só atrapalhava, venham de lá investir. De lá, porque de cá … não há!

Os que há continuam bem acomodados nas suas zonas de conforto. Protegidos dos incómodos e das chatices da concorrência, confortáveis nas suas rendas, não estão para isso. Os outros, havia. Já não há: foram parar a mãos estrangeiras, porque o governo assim quis. Ou porque as vendesse directamente, ou porque não quis ajudar a mantê-las em mãos nacionais, como aconteceu com a Cimpor, hoje em processo de completa desligação nacional. Porque a CGD - sempre disponível para todos os fretes a todos os governos -, que não hesitou em financiar jogos de especulação financeira e de disputa de poder noutros bancos, entendeu não só não financiar quem a podia manter em Portugal como se apressou - bastou apenas meia hora - a viabilizar a OPA que a levou de cá para fora.    

Não. Este não foi um processo de selecção natural onde, como Darwin nos explicou, os mais fortes foram resistindo à medida que os mais fracos iam sucumbindo. Este foi um processo em que pouco foi natural e muito foi batota. Em que os mais fortes foram levados ao colo e os mais fracos asfixiados… 

QUE SIRVA DE LIÇÃO!

Por Eduardo Louro

 

O Benfica ganhou um daqueles jogos que se complicam, já quando poucos acreditavam que fosse possível: no último minuto, de penalti. Penalti mesmo, Gaitan foi agarrado quando ia rematar para a baliza!

A Académica trouxe, não um, mas dois ou três autocarros, que plantou à frente da sua baliza. Nada de anormal, isso já sucedeu e voltará a acontecer. Sabe-se que equipas não têm as mesmas armas … Anti-jogo é outra coisa, e a Académica não só o praticou como abusou dele. Sempre com a permissividade do árbitro que, no fim, entendeu dar cinco minutos de compensação. Menos do que o tempo que a Académica queimou nas três substituições que fez. O que não fez foi sequer um remate à baliza do Benfica, que teve ainda duas bolas nos ferros.

Isto para dizer que a justiça da vitória do Benfica não pode ser posta em causa. Mas…que fique por lição!

O Benfica jogou francamente mal. Sem velocidade, sem ritmo e com todos os jogadores desinspirados. Não é drama nenhum, porque os jogadores não são máquinas, nem sempre tudo corre como se deseja. O que, mesmo sem que seja dramático - porque não pode haver dramas no futebol, isso está reservado a outras esferas da vida -, não pode repetir-se é a incapacidade para mudar o chip da equipa. Se não há inspiração tem que haver vontade, se não se pode jogar bonito tem que se jogar com eficácia, se não há espaços remata-se de longe. Se não se conseguem jogadas de penetração tem que colocar a bola para área, com cruzamentos sucessivos, uns atrás dos outros. Repare-se que a equipa apenas por uma vez, por Enzo Perez, na primeira parte, fez um remate de fora da área. Entrou o Carlos Martins, dado como especialista na matéria, e nada… Nem um!

Que este jogo sirva de lição!

...DAS FORÇAS ... FRAQUEZAS

Por Eduardo Louro

 

"O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros ficou com o encargo de apresentar perante o Governo e o país esse documento de guião de toda a discussão para a reforma do Estado"!
Sem oposição que se veja e que se sinta, Passos dá xeque-mate a Portas. Sem oposição externa, liquida qualquer réstia da oposição interna…

Poderia ser assim. E se assim fosse Passos estaria a dar um sinal de reforço de poder…

Não me parece. Nem sempre a força do poder varia no sentido inverso da da oposição!

Se calhar Passos Coelho começa a perceber que está em grandes dificuldades. É o que me parece…

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