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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

CENSURA DA CENSURA

Por Eduardo Louro

 

A temperatura política subiu bem mais que a meteorológica nesta parte final da semana. E não teve nada a ver com a chegada da Primavera, o equinócio não trouxe nada de novo ao nível das condições climatéricas.

É a moção de censura ao governo que o PS – o antigo Partido de Soares, que foi Partido de Sócrates, e é agora Partido de Seguro – anunciou ao final da noite da passada quinta-feira, anúncio solenemente confirmado ontem no Parlamento, na discussão quinzenal com o governo que, evidentemente, mais faz subir o mercúrio do termómetro político do momento. Sabe-se qual é o destino de uma moção de censura a um governo que dispõe de maioria parlamentar, e nessa medida há sempre alguma dificuldade em desenquadrar a decisão de uma daquelas medidas folclóricas que fazem parte do jogo político. Não servem para nada mas têm significado político: os media animam-se, os comentadores excitam-se e os políticos levam-se a sério!

A anunciada moção de censura do PS é tudo isso e ainda mais alguma coisa. António José Seguro apresenta-a exactamente no registo que, no passado, utilizou nas suas abstenções violentas dos dois orçamentos anteriores. Ou no que usou para a violenta declaração do seu voto de aprovação do tratado orçamental imposto por Merkel, aquele que impõe o défice zero. Défice que Portugal não consegue baixar dos 5%, nem depois de secar os bolsos dos seus pobres contribuintes, nem de esgotar a imaginação com artifícios contabilísticos, mas que, pelas mãos desta maioria e do PS, foi o primeiro, pela ratificação do tratado, a comprometer-se a anular.

É por isso que Seguro anuncia a apresentação da moção de censura sem anunciar a data da sua apresentação. Uma moção de censura para data incerta, que denuncia a pressa – gato escondido com rabo de fora - com que foi decidida. Recordando o soundbyte de Seguro de há dois meses atrás - Qual é a pressa? – dir-se-á que a pressa veio de Sócrates. Diria que, gerido o dossiê António Costa, o regresso de Sócrates obrigou Seguro a mexer-se!

E é também por isso que, enquanto anunciava a moção de censura para daqui a umas semanas, Seguro tranquilizava a troika. Que a moção de censura não punha em causa qualquer compromisso, que tudo seria integralmente respeitado!

O problema não está, evidentemente, se o PS poderia dizer o contrário. O problema está apenas no simples facto de que não há solução para o país sem rever ou renegociar os compromissos assumidos. E que o PS, apenas porque anunciara uma moção de censura inconsequente, não precisava nada de ir a correr para a troika com juras de amor e fidelidade eternos!

O anúncio da moção de censura sem data está para a abstenção violenta na votação do orçamento como a carta logo enviada à troika está para a votação do tratado orçamental. Tudo na mesma, portanto!

UMA QUESTÃO DE CATEGORIA

Por Eduardo Louro

 

No jornalismo desportivo de antigamente, no tempo daquelas verdadeiras referências como Carlos Pinhão, Vítor Santos, Carlos Miranda, Homero Serpa e Alfredo Farinha, categoria era uma expressão recorrente. Era a categoria que melhor adjectivava as equipas de futebol e praticamente tudo se resumia a isso: ter ou não ter categoria.

Lembrei-me disto logo por volta do primeiro quarto de hora do jogo que a selecção nacional fez hoje em Israel.

A equipa nacional, que vinha de quatro jogos sem ganhar e portanto com algumas razões para desconfiar de si própria, marcou logo no primeiro minuto. Diz-se – e assim é – que o golo é o melhor tónico, a melhor injecção de confiança que pode haver. Com um golo caído do céu tão cedo, estavam criadas as condições para a equipa estabilizar e, a partir da superior valia dos seus jogadores, impor a sua superioridade colectiva. Uma superioridade que, olhando para os critérios da FIFA, se traduz nas sessenta posições que nesse ranking separam as duas selecções.

Nada disso. Apanhando-se a ganhar no primeiro minuto, veio ao de cima a mentalidade bem portuguesa: isto está ganho, afinal é fácil. Ninguém acredita que a equipa não tenha podido fazer ou que a equipa não possa fazer mais. Ninguém acredita que aqueles jogadores não saibam nem possam fazer mais e melhor - até porque é isso que fazem por esse mundo fora, para justificar os milhões que seus clubes lhe pagam - mesmo que um ou outro não mereça de forma nenhuma estar ali.

Rapidamente a equipa entregou o jogo aos israelitas, abdicando de colocar intensidade no jogo e evidenciando graves falhas de concentração, coisas que antigamente se resumiam numa palavra: categoria. E os israelitas aproveitaram para concretizar aquilo que toda a gente adivinhava: golos. Dois, chegando naturalmente ao intervalo a ganhar.

Na segunda parte nada foi substancialmente diferente. É certo que os jogadores correram um pouco mais, mas nada que alterasse radicalmente o cariz do jogo. Os erros sucederam-se, até que, num deles, surgiu o terceiro golo israelita. O Bruno Alves – percebe-se porque é que não joga no seu clube, não se percebe é porque joga na selecção nacional – deixou a bola sair para canto, depois de correr com ela nos pés dezenas de metros em direcção à própria baliza. Inacreditável. E no canto – também o Rui patrício andou aos papéis - voltou a falhar a marcação!

Parecia que tudo estava perdido mas a equipa ainda conseguiu chegar ao empate, com o terceiro golo a voltar a cair do céu, já no último dos quatro minutos de descontos. Empate que continua a deixar em aberto o segundo lugar no grupo de apuramento, embora esta selecção faça parecer cada vez mais remota a hipótese de continuar a garantir apuramentos através do habitual play-off.

Não é fácil encontrar uma exibição positiva na selecção nacional. Nem mesmo Cristiano Ronaldo. E é difícil encontrar a mais negativa, tão más foram as exibições de tantos jogadores portugueses, mas as actuações de Bruno Alves, Veloso, Varela e Meireles são absolutamente inaceitáveis.

Quando assim é, quando praticamente todos os jogadores falham, é difícil e ao mesmo tempo fácil atribuir responsabilidades ao seleccionador. É difícil porque não se pode centrar a crítica nas suas opções, embora haja razões para isso, a mais forte das quais será a de convocatórias à revelia da forma dos jogadores, prevalecendo a mentalidade scolariana de um grupo fechado, blindado mesmo. Mas é fácil porque, quando a desinspiração é total, quando o falhanço é colectivo, não há para onde olhar que não para o treinador!

Há aqui claramente a velha questão da categoria. E a verdade é que a selecção não está a provar ter categoria para estar no Brasil, o que é terrivelmente injusto para a ímpar categoria do Cristiano Ronaldo.

Esperemos que esse espectro possa libertar nele o grito de revolta que é urgente ouvir-se na selecção. Precisa-se de um enorme murro na mesa e, francamente, não vejo quem, além dele, o possa dar. Por isso, tão importante quanto a sua falta na equipa – por força do amarelo de hoje – no jogo do Azerbaijão é a sua presença na comitiva nessa deslocação!

A NOTÍCIA QUE CHOCA

Por Eduardo Louro

 

A notícia é chocante: Sócrates está de regresso, para comentador da RTP.

Choca que alguém que está tão ligado à desgraça nacional seja reabilitado desta forma, pela mão da televisão pública. Choca que Sócrates não se enxergue, e esteja convencido que tudo o que as suas tropas por cá têm feito nos últimos tempos o reabilitou. Choca que quem manda na estação pública de televisão não perceba que isto é uma afronta, que já deu origem a uma petição pública de repúdio. Mas choca ainda mais pensar que isto possa ser um grande favor que a RTP está a fazer ao governo... Sim, porque para o governo, isto é um jackpot do euromilhões!

Choca pensar que eles achem que já nos tiraram tudo. Que já nem capacidade de nos chocarmos tenhamos… 

MÁS NOTÍCIAS

Por Eduardo Louro

 

Escrevia no post anterior que Vítor Gaspar nada dizia sobre a dita operação de resgaste do Chipre. Afinal acabou por dizer!

Hoje, no Parlamento, o ministro das finanças falou. E disse o que de pior podia ter dito: que está fora de questão aplicar em Portugal qualquer medida semelhante à do Chipre!

É que, há menos de três semanas, o ministro das finanças cipriota dizia que, no processo de resgate em avaliação, estavam fora de causa quaiquer perdas nos depósitos...

Simples: é juntar 1+1!

O ministro das finanças do Chipre é o mesmo que, precisamentena madrugada de sábado,  aceitou a medida imposta pelo eurogrupo. E que hoje se demitiu, perante a oposição geral do seu Parlamento, que chumbou a medida...

O nosso ministro das finanças é, como se sabe, o mesmo que que falha todas as previsões e que incumpre com tudo o que garante...

Mais valia ter ficado calado. Ou ter mandado fechar os bancos!

MAU CHEIRO...

Por Eduardo Louro

 

Ainda não ouvimos uma palavra, seja da boca do primeiro-ministro seja da do ministro das finanças, sobre o dito resgate do Chipre. Sabemos que Vítor Gaspar foi um dos que, na madrugada de sábado, aprovou aquela decisão de confiscar os depósitos dos cipriotas. E não só, bem sei…

Por isso mesmo, porque fez parte da decisão que acabou de vez com a União Europeia, maior seria a sua obrigação de dizer qualquer coisa. Mas sabemos bem que poderemos esperar sentados. Nem ele está para se dar a essa maçada, nem nunca à sua mente chegaria a ideia de que pudéssemos merecer algum tipo de explicação.

Mas se do governo nada ouvimos, o mesmo se não passa do lado dos seus apoiantes. A legião de escribas ao seu serviço espalhada por todo o espaço mediático, resolveu propagandear que a situação é igual à da Islândia. E têm até o desplante de perguntar como é possível que os que apoiaram o processo islandês estejam agora revoltados com esta medida imposta ao Chipre.

O silêncio do governo é a prova de que já morreu, que já não está nem diz. Os seus indefectíveis apoiantes e ideólogos bem se esforçam por esconder o cadáver, mas não percebem que apenas acabam por espalhar ainda mais o mau cheiro!

COISAS DA CONCORRÊNCIA?

Por Eduardo Louro

 

O que a concorrência faz: para não deixar o seu concorrente no oligopóloio da distribuição sozinho e à vontade, Belmiro de Azevedo, tido como mais equilibrado e sensato, saltou com estrondo para palco para dividir com Alexandre Soares dos Santos este estranho protagonismo.

Francamente: "Se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém". Esta, nesta altura, não lembrava ao diabo!

 

 

 

 

QUATRO

Por Eduardo Louro

 

Quatro golos. Quatro pontos de vantagem!

Um belo jogo, este que o Benfica fez hoje em Guimarães. As coisas mudaram, como já se percebera em Bordéus e a equipa já não se passeia na companhia da tal senhora de má fama. Já se viu que não, tenha ela partido para outras paragens ou não. Se ainda por lá está – e ninguém deseja que se vá embora – que mantenha o recato!

O jogo era de altíssima carga emocional. Porque é tradicionalmente um jogo difícil para o Benfica, porque foi ali que morreu o Feher - e isso pode não contar para estes jogadores mas pesa na memória colectiva -, porque se realizava com menos de 72 horas sobre o jogo de Bordéus, porque foi ali que na época passada, em circunstâncias idênticas – no caso depois do jogo na Rússia, com o Zénith - o Benfica começou a perder o campeonato, deixando lá três dos cinco pontos de avanço que então tinha na frente do campeonato. Se já o era, mais ainda ficou depois do jogo do Porto nos Barreiros: a tudo o que era história juntou-se a perspectiva de um jogo decisivo na conquista do título. Mas cedo se percebeu que o Benfica estava ali para resolver as coisas a sue favor, apesar da forma agressiva e bem concebida que o Guimarães escolhera para defender.

Sim, por muito que isto custe aos narradores e comentadores da Sport TV, o Guimarães apenas defendeu. Fê-lo de uma forma particular, mas foi o que apenas fez. Resultou na primeira meia hora, com a ajuda da equipa de arbitragem que anulou três jogadas de golo provável, assinalando indevidamente foras de jogo. Em “ambas as três” – esta é a última criação do Jorge Jesus, que irá dar azo a mais uma série de galhofas – Lima ficava na cara do golo, e dinamitaria bem mais cedo a estratégia do Rui Vitória.

Sabia-se que depois do primeiro golo a estratégia ruiria, como ruiu. O Guimarães criou uma oportunidade de golo em todo o jogo, já na segunda parte, quando perdia por dois a zero. O Benfica fez quatro golos em cerca de dez oportunidades criadas…Isto só se consegue com uma grande exibição, e o regresso às boas exibições só não é a melhor notícia do dia porque há outra: quatro pontos de vantagem!

Do jogo e da exibição de Guimarães só um reparo para aquela gente que estava atrás da baliza para onde o Benfica atacou na primeira parte. E naturalmente defendeu na segunda. Repetir os cânticos que a partir do Dragão se foram generalizando no norte do país é feio, mas enfim… Os petardos é que não. De todo! Depois de o Vitória de Guimarães ter escapado a sanções – entre as quais jogos à porta fechada - pelos graves incidentes no jogo da sua equipa B com a congénere de Braga, as lamentáveis cenas de hoje são intoleráveis.

Dos quatro pontos de vantagens, só duas notas. A primeira para dizer que nada está ganho, que garantem nesta altura uma pequena margem de conforto, mas nada mais que isso. E a segunda para dizer que, nesta altura, a diferença entre o Benfica e o Porto é bem maior que os quatro pontos que os separam. Quem viu hoje os jogos de ambos percebeu isso!

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