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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Era hoje. Precisamente hoje!

Por Eduardo Louro

 

Era hoje. Era para hoje, 23 de Setembro de 2013, que Vítor Gaspar tinha agendado o regresso aos mercados.

O processo de ajustamento, um ano antes do fim do programa da troika, estaria concluído e Portugal regressaria hoje aos mercados… A certeza era tanta que até dava para fixar um dia. Exactamente, com toda a precisão!

Não sei se tinha alguma coisa a ver com as eleições na Alemanha. Se seria a homenagem que Vítor Gaspar quereria prestar à senhora Merkel. Sei – sabemos – que este 23 de Setembro dá para Merkel festejar. Os alemães adoram-na, deram-lhe 41,5% dos votos, mesmo que lhe tenham deixado nas mãos a batata quente de formar governo sem a sua habitual bengala, os liberais do FDP. E que, por cá, em vez de regresso aos mercados, se fala de novo resgate. E que lá por fora Portugal não é mais o bom aluno, mas o problema maior do euro

Ganhar em três campos é caso de polícia

Por Eduardo Louro

 

Do jogo que o Benfica ganhou hoje, em Guimarães, ficarão os 3 pontos da vitória, a aproximação aos rivais,  e o comportamento do Jorge Jesus no final do jogo.

Mas deveria ficar mais!

Do jogo jogado deveria ficar uma partida extraordinariamente disputada, de uma rara intensidade competitiva. Raríssima mesmo, noutros jogos que não os do Benfica!

E fica um jogo sofrido e pouco bem jogado. Se o Benfica vinha de uma série de jogos em que as boas exibições individuais não tinham correspondência no desempenho colectivo, geralmente fraco, desta vez salvou-se o trabalho, que não a qualidade, do colectivo. As individualidades não apareceram, muito por força da tal intensidade que levou o jogo para uma dimensão física que, percebeu-se, não é a praia das individualidades benfiquistas.

Como fica mais um penalti claríssimo por assinalar, que certamente não fará qualquer primeira página dos jornais de amanhã. E o golo da vitória, que muita gente parece não ter gostado que tivesse sido marcado pelo Cardozo. Foi auto-golo, dizem… Ou chouriço, disse o Rui Vitória…

Depois - e depois do jogo - não se percebe, e foi essa a ideia com que fiquei, por que é que os jogadores deixaram camisolas na relva em vez de as atirarem, como é comum, aos adeptos. Para as bancadas. Alguns dos adeptos foram lá buscá-las – foram buscar as camisolas e não comemorar o que quer que fosse, é essa, repito, a ideia com que fiquei – e não o podiam fazer. Aos stewards e à polícia cabia impedi-los, como seria de esperar. O que não seria de esperar era a reacção de Jorge Jesus em defesa de um deles, capturado. Embora se possa perceber!

O que já não percebe é o que disseram os repórteres e comentadores da Antena 1, que viram o treinador do Benfica a agredir polícias e logo previram as correspondentes fortes sanções, estabelecendo logo ali um paralelo com o que se passara no túnel da Luz, há quatro anos atrás.

O que o treinador do Benfica fez é caricato e ridículo, só mesmo daquela personagem. Percebe-se por ser quem é, alguém que perde a cabeça com facilidade, mas também pela necessidade de (re)conquistar o coração dos adeptos, mas não o dignifica. Nem a ele nem ao Benfica!

Mas já não se percebe que não se tenha defendido – deve ter guardado a defesa para o Tribunal onde, ao que aprece, o assunto vai parar - que não tenha lavado a imagem, quando questionado sobre o incidente na conferência de imprensa. Não se percebe que não tenha percebido, nem ele nem ninguém do Benfica, que era bem melhor explicar-se que dizer aos jornalistas que não estavam ali para falar disso. E menos se percebe ainda que tenha achado boa a arbitragem. Que, depois de na antevisão do jogo ter referido - e bem – que os adversários andavam a ser ajudados e omitido – mal – que o Benfica andava a ser prejudicado, tenha achado boa uma arbitragem que lhe negara um penalti escandaloso, é sinal de completa desorientação. Se calhar a mesma que o levou a fazer mais aquela figura…

Logo numa jornada em que o Sporting - dos golos em fora de jogo e dos penaltis perdoados - tinha o primeiro prejuízo (penalti por assinalar) nas primeiras páginas dos jornais e o Porto – que ia ganhando sem jogar nada – continuando sem nada jogar, empatava no Estoril, prejudicado, ao contrário do que sempre sucede, com um penalti mal assinalado. Mas com Otamendi, que deveria ter sido expulso logo no arranque do jogo!

Mas pronto, quando o Benfica ganha em três campos dá logo em caso de polícia!

Notas e vistas do campo (IX) - Perigosos comunistas

Convidado: Luís Fialho de Almeida


Esclareço que, nas minhas relações pessoais, tenho a grata simpatia por alguns comunistas que o são de espirito, vivência e entrega ao serviço da comunidade que integram. Quando no exercício de cargos públicos a dedicação é total, com desapego de privilégios e mordomias. Poderia citar nomes, particularmente no poder autárquico.

O título é uma evocação do passado, para perceber melhor o presente. É recuar aos anos da ditadura do Estado Novo, quando se vivia o clima de repulsa doentia pelo comunismo. Este era o terror dos terrores, a principal ameaça à estabilidade política, social e religiosa da altura.

Das minhas memórias e notas de campo, recordo o período do meado do século passado, quando crescia num meio rural desprovido de infraestruturas públicas. Qualquer benefício para a comunidade local era mendigado junto das autoridades concelhias, que apenas libertavam escassas migalhas, normalmente em géneros ou serviços e nunca em dinheiro. Na falta da estrada, como meio necessário à circulação de pessoas e bens, da escola e da igreja, como símbolos da pátria e meios necessários na instrução e educação moral da população, era esta que se mobilizava porque nada lhes era oferecido. Uns davam a mão-de-obra, outros colaboravam na obtenção dos materiais e, por fim, a Câmara Municipal enviava alguns meios complementares.

Recordo, também, o dia que minha mãe - na sequência de diligências a favor da comunidade da aldeia - chegou a casa perturbada depois de uma conversa com padre da freguesia, que lhe chamou “perigosa comunista”, dadas as iniciativas por ela tomadas e pelo seu poder de mobilizar as pessoas. O seu comportamento abalava a estabilidade do caciquismo local, mais feroz que o caciquismo do poder central, o que não a impediu de escrever a Salazar e ao Cardeal Patriarca Cerejeira, os quais, através das respectivas hierarquias, enviaram, respectivamente, materiais para obras e um projecto para uma igreja.

Esta lembrança vem a propósito de mais uma frenética campanha eleitoral para as autárquicas, em tempo bem diverso de outrora, em que se promete muito e se faz pouco, contando sempre com acesso fácil à mesa do orçamento e com a gestão criativa dos recursos públicos de forma irresponsável ou mesmo dolosa.

Como o acesso ao dinheiro fácil amolece virtudes, alguns autarcas - viciados em obras de fachada e sem capacidade de iniciativa para outras realizações, mesmo de natureza imaterial, cultural e formativa - ficam-se pelas reparações de estradas ou pelo arranjo de pequenos espaços ajardinados. Cuidam, antes, da outra estética do poder, materializada em outdoors com candidatos de sorriso renovado, sem gravata, e mangas arregaçadas, preparados para a laboriosa e nobre tarefa de serviço público. Um dos candidatos à presidência do meu município e actual deputado da Assembleia da Republica, arregaçou as mangas mas cruzou os braços - louvo a franqueza. A estética do poder não é indiferente ao eleitorado. Veja-se na Alemanha, a atenção prestada às mãos de Merkel e ao dedo de Peer Steinbruk.

No actual quadro de austeridade com autarquias exauridas de recursos financeiros, mas não de dívidas e corrupção, melhor seria que houvesse os “perigosos comunistas” com a capacidade de agitar as comunidades locais, mobilizando pessoas, vontades, competências e recursos para benefício público.

 

 



O menino bonito da imprensa

Por Eduardo Louro

                             Record   Correio da Manhã  Diário de Notícias  A Bola

 

Já aqui tinha referido que os media andam com o Sporting ao colo, não querem que lhe falte nada. Tem sido assim esta época, e nada teria de mal se, paralelamente, não se esforçassem para afundar outros. Mas enfim, também já aqui estranhei que ninguém dissesse que o Porto não anda a jogar nada...

Repare-se que enquanto o Sporting andou a marcar golos em fora de jogo que lhe renderam pelo menos 3 dos seus 11 pontos (quase 30%) não se passou nada. Quando ao Sporting foram perdoados penaltis estava tudo bem… Mas ontem, quando o próprio Leonardo Jardim disse achar hipocrisia falar da arbitragem e achou o resultado justo – e bem percebemos que não estava convencido disso, ou não tivesse o Nuno Espírito Santo recordado o seu critério de avaliação, quando disse que a única variável estatística em que o Sporting superou o Rio Ave foi nas faltas cometidas – toda a imprensa traz para a primeira página um penalti por assinalar a favor do Sporting.

Não há dúvida, o Sporting é o novo menino bonito!

 

Alguém deu pela partida do Verão?

Por Eduardo Louro

 

 

O calendário deu hoje ordem de retirada ao Verão, que não obedeceu e fez questão de se deixar ficar. Olhou para o equinócio, virou-se para o outro lado, aconchegou-se ainda melhor e esboçou um sorriso trocista ... Troçava de todos os que ainda há bem pouco tempo o negaram que nem  Pedro a negar Cristo!

Então este não havia Verão, não era?

 

Em contra-mão

Por Eduardo Louro

 

Enquanto o PSD anda a correr à volta da mesa a tentar agarrar o próprio rabo, com o tipo que saiu do governo para ir para o partido às turras, por causa do FMI, com o tipo que saiu do partido para ir para o governo – quer dizer, o PSD do governo a não se entende muito bem com o PSD das autárquicas - o CDS fala a uma só voz: a de Portas. Nem que seja para, em pleno comício eleitoral das autárquicas, dizer que já saímos do fundo, que já só falta saber a que velocidade se está a fazer a descolagem.

Percebe-se que há um PSD para governar e outro para disputar as autárquicas. E que só há um CDS - não chega para tudo - que, mesmo assim, só quer falar de governação. 

Pois: Quem só tem um cavalo não pode apostar em dois. Tem que apostar no que tem, mesmo que vá em contra-mão!

 

Dá para acreditar num país assim?

Por Eduardo Louro

 

Não sei se já repararam como tudo mudou depois das férias. Não sei se já repararam como "acabou o Verão e voltamos à realidade".

Antes era a economia que tinha crescido no segundo trimestre, era a economia a dar completamente a volta. Era o novo ciclo. Era Passos, pelo segundo ano consecutivo, na festa do Pontal, a decretar a vitória final sobre a crise, seguro (seguro - estão a ver!) do êxito da sua brilhante governação. Mal compreendida, mas inequivocamente eficaz...  Até o desemprego já estava a cair, e Passos já roçava a arrogância a anunciar tantos sucessos!

Era Pires de Lima na pele ministro da economia maravilha, o novo IRC de Lobo Xavier que fazia milagres e Portas a falar grosso com a troika...

Bastou uma semana para tudo isto desaparecer, bastou uma semana para parecer que mudamos de país. Numa única semana, nesta, que nem sequer ainda chegou ao fim, a Standard & Poor´s ameaça de corte o rating, que já classificara em lixo, e fala da iminência de um segundo resgate, o país está às voltas com a troika - a quem Cavaco pede bom senso - para rever a meta do défice,  e até Ramalho Eanes diz que o país está sem saída. As más notícias sucedem-se, umas atrás das outras. O FMI diz-nos que fomos cobaias e que a experiência correu mal, que correu mal o que Passos ainda há duas semanas se vangloriava de ter corrido bem.

Tudo isto apesar do barulho ensurdecedor da campanha eleitoral. Agora imagine-se no que aí virá depois do fim do mês...

Será que dá para entender este país? 

Não dá, mas não é esta resposta que me preocupa. Preocupa-me é a resposta se mudarmos a pergunta: Será que dá para acreditar num país assim?

GENTE EXTRAORDINÁRIA XL

Por Eduardo Louro

 

 

Acabo de tomar conhecimento da reacção do ministro dos negócios estrangeiros ao relatório do FMI que recomendava calma na austeridade, aqui referido, e fiquei maravilhado. Eu, convencido que eles estavam a gozar connosco…

Disse ele, Rui Machete:

  • "Não esperar alterações muito significativas na discussão das medidas concretas a serem adoptadas";
  • Que "a situação tem uma dinâmica interessante, mas que ainda não se traduziram no terreno as considerações 'filosóficas' veiculadas pelos organismos superiores do FMI";
  • "O que é uma situação normal. Os organismos levam algum tempo a mudar e, portanto, nós esperamos acabar o período de vigência do memorando de entendimento antes que essa discussão termine, senão levaria muito mais tempo a ser realidade".

Afinal, pensei eu, Rui Machete estava a vingar-nos e a gozar com eles, sem dó nem piedade.

Inquietei-me logo a seguir: não estaria, também ele, a gozar connosco?

E tranquilizei-me, imediatamente depois: nada disso, coitado. É da idade!

 

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