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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Cheiro a podre

Por Eduardo Louro

 

Vão-nos dizendo que os indicadores aí estão cheios de boas notícias. Que ainda não notamos nada, mas que é mesmo assim. Vai demorar algum tempo até que os indicadores se reflictam na realidade da vida de cada um, até que consigamos percepcionar, sentir mesmo, os resultados fantásticos que não têm qualquer dúvida em apontar...  

As taxas de juro caem todos os dias, já baixaram até dos 5%, a caminho dos mágicos 4,5% de Rui Machete. E a saída é à Irlandesa, já ninguém tem dúvidas…

No entanto olhamos à volta e sentimos o cheiro a fim de ciclo, aquela sensação de que a coisa está a cair de podre.

Ele é o Secretário de Estado Agostinho Branquinho, o tal que, deputado na anterior legislatura, numa comissão parlamentar de inquérito não sabia o que era a On Going, para onde seguiria, directamente da Assembleia da República, poucos dias depois. E donde rapidamente regressou, para integrar o actual governo. É a POP Saúde, a empresa do ex-presidente do INEM e da sua mulher, chefe de gabinete do Ministro da Administração Interna, constituída - com mil euros de capital - uma semana antes da assinatura do contrato. Nem o Marques Mendes escapa?

 

Regresso à tranquilidade

Por Eduardo Louro

 Rodrigo bisa e Benfica mantém-se líder

(Foto daqui)

 

O Benfica confirmou o primeiro lugar, a que chegou na última jornada, com uma exibição tranquila perante o Marítimo, uma das boas equipas deste campeonato, que até lhe impusera a única derrota na competição, logo na primeira jornada. Não fora assim da última vez, que também fora a primeira da época e na companhia do Sporting, com aquele empate com o Arouca…

Percebeu-se desde o apito inicial do árbitro – mais uns errozitos, como alguns foras de jogo mal assinalados e um por assinalar, que por acaso até deu o segundo golo, tal como um penalti sobre o Markovic, que até veria amarelo – que o Benfica estava ali para ganhar o jogo. E que o Marítimo sabia jogar à bola, e que estvava ali para isso!

Daí que, mesmo sem criar muitas ocasiões, fosse com naturalidade que surgiu o primeiro, de Rodrigo, tal como o segundo que, acima de tudo, resultou da forma como a equipa pressiona o adversário, logo na sua primeira fase de construção. Como, ao contrário do que sucedia com Artur, o Benfica tem agora um guarda-redes que é proactivo na defesa da sua baliza, não sofre golo de cada vez que o adversário cria uma oportunidade para isso.

Não seria preciso muito mais para ganhar este jogo, que na segunda parte só deu para treinar na defesa de bolas paradas, com muitos cantos e livres para defender. Que nos tempos de Artur tantos golos davam... 

O Matic? Hoje ninguém se lembrou dele!

 

Hoje

Por Eduardo Louro

  

Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!

Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!

O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!

Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!

Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”

 

 

A infalibilidade do Papa

Por Eduardo Louro

 

A arbitragem de Artur Soares Dias no clássico do passado domingo foi completamente desastrada, em prejuízo nítido, claro e permanente do Benfica até ao segundo golo, aos 53 minutos de jogo, logo depois do mais inacreditável de todos os erros – o corte com a mão, de Mangala, bem dentro da área, à sua frente, bem à sua frente. A partir desse erro(?) capital, porque, como aqui escrevi depois do jogo, “viu que toda a gente viu que ele viu” o árbitro não resistiu à perturbação e, como também então escrevi, “desatou a fazer mal sem olhar a quem”, com uma incrível sucessão de decisões absurdas, em prejuízo de qualquer das duas equipas e do próprio jogo.

No final do jogo, curiosamente, ninguém se referiu à arbitragem verdadeiramente inaceitável de Artur Soares Dias, que Pinto da Costa quer agora transformar no Proença do Porto. Jorge Jesus porque, já se sabe, não sabe o que é comunicação nem faz ideia para que servem as conferências de imprensa, mas também porque ganhou, percebendo-se que, com o que para ele significava aquela vitória, não restasse espaço para mais nada -, e o Paulo Fonseca porque a vergonha pela exibição da sua equipa não lhe permitiu mais que dar graças a Deus por só ter levado dois, reconhecer a justeza da vitória do Benfica – o que para Pinto da Costa é apenas o maior dos pecados – e proclamar a sua confiança cega de que na última jornada será campeão.

Pinto da Costa, que sempre que não ganhou na Luz nunca deixou de vir a terreiro reclamar da arbitragem, estranhamente ficou calado.

Os comentadores portistas espalhados pelo universo mediático, que são normalmente parte integrante da máquina de comunicação azul e branca, potenciando os erros da arbitragem - que fazem como ninguém – reconheciam o mérito da vitória do Benfica. E unanimemente reconheceram que era a actuação da equipa, e não a arbitragem, que tinham de responsabilizar pela derrota. Porque Pinto da Costa apenas tem responsabilidade nas vitórias, fustigaram – alguns achincalharam, sem dó nem piedade - o treinador.

A meio da semana houve jogos da Taça da Liga. Jorge Jesus aproveitou para dar mais uns tiros no pé – não há volta a dar-lhe –, desta vez com as 10 vezes que preciso nascer para substituir o Matic, e o Paulo Fonseca muito satisfeito com a goleada ao Penafiel que lhe garantia a liderança no grupo. E Pinto da Costa aproveitou para elogiar a filha de Eusébio…

No final da semana tudo mudou. Pinto da Costa renovou a confiança no treinador – já agora um aviso, Paulo Fonseca: se a sua mulher lhe diz todos os dias que o ama, é melhor começar a desconfiar – e atirou-se ao árbitro com uma violência pouco vista. E obrigou-o a rectificar as declarações do final do jogo, e a fazer aquela triste figura de dizer que não falara da arbitragem propositadamente para testar os jornalistas. que só querem destabilizar o Porto.

Foi até desenterrar Calabote – coitado do Calabote, que foi irradiado por um único jogo, o último de um campeonato que o Porto até ganhou, em igualdade de pontos com o Benfica, que seria o último antes do apagão de 19 anos, ao pé dos Martins dos Santos, Calheiros, Augusto Duarte… - para acentuar a nova tese de que a derrota da Luz é da responsabilidade da arbitragem de Soares Dias. Não é Paulo Fonseca, porque é ele o responsável por esse erro de casting. Não é da equipa, porque é ele o responsável pelas contratações. E ele, como se sabe, não erra. Protagoniza a infalibilidade papal. Se não mesmo divina! 

E a vergonha? Não se referenda?

Por Eduardo Louro

 

Da Assembleia da República chegou-nos hoje, mais que mais um motivo de vergonha, a prova insofismável de que este regime, o regime destes partidos e desta gente destes partidos, atingiu a mais profunda e negra decadência. Está podre e a cheirar muito mal!

O referendo proposto pelos rapazolas da JSD, que as linhas com que se cozem os caducos partidos do sistema fazem que seja maioritária no grupo parlamentar, e aprovado por 103 deputados do PSD – e pela abstenção dos deputados do CDS, ao arrepio de tudo o que tinham declarado - que cumpriram a imposta disciplina de voto, revela bem o ponto a que esta partidocracia nos levou.

Onde não há respeito pela democracia nem pelo próprio parlamento, a sua dita casa. Levar a referendo uma matéria a que a Assembleia da República acabou de dar corpo de lei, é um golpe, não tem outro nome. Impor disciplina de voto numa matéria que é claramente do domínio da consciência individual é apenas reforçar o sinal do golpe.

Onde os deputados não são mais representantes de nada que não do aparelho que os comanda. São alforrecas, em vez de gente. Sem espinha que segure um corpo direito não há gente…

Onde não há futuro, porque são jovens, com a vida pela frente, os protagonistas desta pouca vergonha…

Que, evidentemente, não terá por onde passar no Tribunal Constitucional!

Tudo ao contrário

Por Eduardo Louro

 

Quando se esperaria que andasse tudo a protestar contra a hipótese de os americanos fazerem a transfega das armas químicas nos Açores, assiste-se ao contrário. Tem andado tudo, e nos Açores todos, desde o presidente da Junta de Freguesia ao do Governo, a pedir insistentemente: por favor, venham cá fazer isso!

Os americanos é que são pouco dados a sentimentalismos, e pura e simplesmente insistem em ignorar preces tão fervorosas. Isso das Lages foi chão que já deu uvas, esqueçam - querem eles dizer…

 

Não dá para entender

Por Eduardo Louro

 

Acabado de chegar ao primeiro lugar, isolado no topo da classificação quando o campeonato dá a volta, o Benfica abre mão do seu mais influente jogador, considerado pela crítica o melhor jogador do último campeonato onde, entre outros, pontificavam valores como Moutinho, James, Jackson, Gaitan, Cardozo, Enzo Perez… E, diz-se – o que vale o que vale (que expressão irritante!), porque o que no Benfica nunca falta, com o mercado aberto ou fechado, tanto faz, é notícias de jogadores a chegar e a partir - na calha de saída estarão ainda Rodrigo, Garay e até Gaitan…

Não dá para entender!

Não dá para entender que, depois de um início de época traumatizante, mesmo miserável, quando a equipa atinge estabilidade emocional e competitiva, e chega ao primeiro lugar, de que durante tanto tempo esteve distante, se deite tudo abaixo. Não dá para entender que, quando se entra numa fase decisiva de um campeonato que não pode deixar de ser ganho, quando a equipa acaba de dar um golpe profundo nas aspirações do seu principal rival, deixando-o estendido no tapete, em vez de forçar o KO lhe vá entregar de bandeja os espinafres do Popey.

Não dá para entender que o melhor e o mais influente jogador da equipa seja vendido por metade da cláusula de rescisão. Embora se perceba que, quando o presidente do Benfica anuncia que precisa de vender, está exactamente a expor-se a isso mesmo: a vender em saldos. E então não daria para entender que um negociante experimentado e de sucesso, como é o presidente do Benfica, desse tal tiro no pé, que se expusesse da forma que o fez. Embora se perceba que o tenha feito para defender a pele. Quando LFV anunciou que teria de vender não ignorava que isso fragilizava a posição negocial do Benfica, simplesmente falou mais alto a necessidade de se proteger a si próprio!

E aqui está o grande problema do Benfica. Um problema de liderança, que não é de facto o ponto forte de LFV: um líder forte e consistente, sem flancos desprotegidos ou sem telhas de vidro, toma as decisões que tem de tomar, pondo as convicções em primeiro lugar, nunca outras preocupações. Se o Benfica tinha de vender jogadores para responder às suas responsabilidades financeiras, a LFV competia optimizar esses negócios, mesmo que em contra-mão com a popularidade. Só que, para isso, não poderia ter dito que não vendera no mercado do Verão para construir uma equipa capaz de ganhar tudo, e de sonhar com a final da Champions na Luz, quando era claro que, simplesmente, do mercado não chegara qualquer proposta minimamente aceitável para qualquer jogador.  

Como não pode dizer que a necessidade de vender decorre do afastamento do Champions que, mesmo desconhecendo o que representaria no budget para esta época, não poderá representar um prejuízo superior a 7 ou 8 milhões de euros. Que, como toda a gente percebe, nada têm a ver com, sequer, a venda de Matic.

É por tudo isto não dar para entender que dá para entender que todos os jornais façam hoje eco da mágoa de Vieria com Matic… Mesmo que, mais uma vez, não dê para entender que recorra à pressão do sérvio para justificar a sua venda. Nesta altura, por metade do valor da cláusula de rescisão contratualizada, pondo em risco a conquista do campeonato e correndo o risco de oferecer mais um tetra ao Porto. Pela primeira vez um tetra todo ele oferecido por LFV, laçarotes incluídos!

Valorizações e desvalorizações do melhor do mundo

Por Eduardo Louro

 

Não têm faltado reacções à coroação – sim, perdemos um rei precisamos de outro – de Cristiano Ronaldo, ontem em Zurique, como melhor do mundo. Reacções para todos os gostos.

Que puxa pela auto-estima do país, pelo exemplo que deve constituir para os portugueses, pelo exemplo de perseverança, de vontade, de capacidade de trabalho e de profissionalismo. Ou pelo que representa para a imagem do país, contrariando justamente tudo o que de pior, mais nós próprios que mesmo os outros, achamos que o país tem.  

Para exemplo disso, do pior que temos, lá esteve Carlos Queirós na berlinda. Rapidamente se soube que no resultado da votação do seleccionador do Irão, Messi figurava em primeiro lugar, à frente de Ronaldo. E logo toda a gente se atirou a ele, sem dó nem piedade. O país do futebol, que não morre de amores por Queirós, longe disso, não lhe perdoou a traição à pátria. Nas televisões, nas redes sociais, em tudo o que viesse à mão, impiedosamente... Mesmo que se viesse a saber – o que parece que ele teria já explicado – que a votação do seleccionador do Irão não é o voto do seleccionador himself, mas do colectivo da equipa técnica da selecção. E que votara vencido em Cristiano!

Mas também houve quem desvalorizasse o feito de Cristiano Ronaldo, a começar pelos que desvalorizam o próprio futebol, recusando ver nesta actividade, nesta indústria, a excelência que no país não tem paralelo. Ou como Platini que, pelo chauvinismo que toda a gente pode condenar menos a maioria de nós, que lhe não fica atrás, preferia que tivesse sido Ribery a ganhar!

No entanto, se teremos que achar natural que quem não vai à bola com a bola desvalorize a proeza do melhor do mundo; se, porque também nesta matéria somos chauvinistas – não somos é presidentes da UEFA -, ainda teremos que engolir o mau perder de Platini; já teremos muita dificuldade em perceber a capa do Record de hoje, onde a única referência ao melhor do mundo aparece no rodapé. Mas num anúncio da Sport TV!

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